Ibovespa futuro cai forte e interrompe sequência de três altas com mau humor externo; dólar sobe

SÃO PAULO – O Ibovespa futuro abre em queda nesta sexta-feira (27), seguindo o dia de mau humor dos investidores no exterior, após três dias de fortes ganhos.

Os investidores avaliam o impacto das medidas de socorro dos governos e o aumento da pandemia do coronavírus. Os sinais de retomada do apetite por risco são novamente testados diante do avanço contínuo da pandemia, que passa a ter seu epicentro nos EUA, maior economia do mundo.

Às 09h31, o índice futuro registrava queda de 2,78%, aos 75.480 pontos, enquanto o dólar futuro para abril sobe 0,53%, para R$ 5,048. O dólar comercial, por sua vez, tem alta de 1,41%, cotado a R$ 5,0649 na compra e R$ 5,0661 na venda.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe 19 pontos-base a 4,63%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de 23 pontos-base a 5,88% e o DI para janeiro de 2025 avança 24 pontos-base a 7,18%

As bolsas de valores da Europa operam em queda, assim como os futuros de Nova York, que também estão em terreno negativo. Entre as notícias, o governo do Reino Unido informou que, após apresentar sintomas leves, o primeiro-ministro Boris Johnson testou positivo para Covid-19.

Ainda no exterior, após o forte avanço de 1.200 pontos de ontem no índice Dow Jones, o mercado tenta avaliar os efeitos dos pacotes de socorro dos governos e as consequências da epidemia do coronavírus, que já contaminou cerca de 530 mil pessoas ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, o número de pessoas infectadas pelo vírus superou 85 mil na manhã de hoje, com 1.200 mortes.

A Câmara dos Representantes (deputados) do Congresso americano deve aprovar hoje o pacote de US$ 2 trilhões do governo americano de socorro à economia e aos cidadãos. Logo em seguida, o pacote segue para a sanção do presidente Donald Trump na Casa Branca.

Segundo um estudo da Capital Economics publicado pelo site Market Watch, o número recorde de 3,2 milhões de pessoas que pediram o seguro-desemprego nos Estados Unidos na semana passada poderá subir rapidamente para 10 milhões.

As bolsas de valores de Ásia fecharam em alta. O destaque negativo ficou para a bolsa da Austrália, que encerrou o pregão em queda de 5%.

Vale destacar os dados da China, que mostram o impacto do coronavírus na economia do país. O lucro de grandes empresas industriais do país sofreu um tombo nos primeiros dois meses de 2020, à medida que os preços ao produtor caíram e os custos aumentaram em meio à pandemia. Dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, pela sigla em inglês) mostram que o lucro industrial chinês encolheu 38,3% no primeiro bimestre ante o mesmo intervalo do ano passado. No caso das estatais, a queda foi de 32,9% e das empresas privadas, de 33,6%.

Medidas para atenuar coronavírus

A Câmara dos Deputados aprovou repasse mensal de R$ 600 a trabalhadores informais e pessoas com deficiência que ainda aguardam na fila de espera do INSS até a concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC). No caso de mulheres provedoras de família, a cota do auxílio emergencial será paga em dobro (R$ 1,2 mil). Para começar a valer, o texto ainda precisa ser apreciado pelo Senado Federal.

Os valores serão pagos durante três meses, podendo ser prorrogados enquanto durar a calamidade pública devido à pandemia do novo coronavírus. O valor é maior que os R$ 300 que haviam sido avalizados pelo governo em meio às negociações dos últimos dias. Inicialmente, a equipe econômica havia proposto um benefício de R$ 200 mensais.

Já o CMN ampliou o escopo das fintechs para enfrentar Covid-19, permite que operem como Sociedades de Crédito Direto (SDC), podendo emitir cartões de crédito. A medida pode contribuir de forma contracíclica no momento de crise criada pelo coronavírus, afirma nota do BC. A Caixa ainda reduziu a taxa de juros do parcelado do cartão de crédito para 2,9% e presidente do banco, Pedro Guimarães, diz que analisa “reduzir taxa mais ainda”.

Vale destacar que o Morgan Stanley cortou a previsão para o PIB do Brasil de alta de 0,3% em 2020 para queda de 3,7%, destacando que a economia brasileira adotou medidas mais rigorosas de distanciamento social e as condições financeiras estão bastante pressionadas nas últimas semanas.

“Agora, não apenas assumimos que o Brasil enfrentará algumas semanas de medidas de quarentena em muitos estados do país, mas também que condições financeiras mais restritas retardarão crescimento do crédito para consumo, que basicamente tem sido o único mecanismo de crescimento da economia brasileira recentemente”, apontaram os economistas do banco.

Coronavírus no Brasil 

O Brasil teve uma explosão de registros de internação de pessoas com insuficiência respiratória grave depois da internação do primeiro paciente com coronavírus no país, em 25 de fevereiro, indicam dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, na última semana de fevereiro foram internadas 662 pessoas por doença respiratória grave.

Na semana passada, já na segunda quinzena de março, o número passou para 2.250 pacientes. “É um número dez vezes maior que a média histórica, de cerca de 250 casos de hospitalização nos meses de fevereiro e março”, diz Marcelo Ferreira da Costa Gomes, coordenador do sistema de monitoramento da Fiocruz. O estado de São Paulo tinha em 21 de março 1.228 pessoas internadas, contra uma média de menos de 200 em anos anteriores.

Especialistas dizem que o volume antecipa a explosão de casos de coronavírus, que só serão confirmados após exames. O país registrou ontem mais 20 mortes pela Covid-19, elevando a 77 o total. O número de pessoas contaminadas é de 2.915.

Noticiário corporativo 

O Banco do Brasil abriu ontem uma linha de ACC – Adiantamento sobre o Contrato de Câmbio, no valor de US$ 198 milhões, ou R$ 988 milhões, com a Petrobras. Segundo o banco, trata-se de um acordo normal de ACC, pelo qual um banco adianta uma receita de uma mercadoria exportada para um produtor. A linha tem prazo de 365 dias.

Em outra notícia, a Notre Dame Intermédica (GNDI3) informou que reabriu seu Hospital Intermédica ABC, em São Bernardo do Campo (SP). O hospital tem 65 novos leitos de UTI e 63 de internação hospitalar. Segundo o grupo, o hospital deverá atender pacientes do coronavírus, por causa da epidemia que o país atravessa.

Aprendizados em tempos de crise: uma série especial do Stock Pickers com as lições dos principais nomes do mercado de ações. Assista – é de graça!

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Bolsonaro diz que poderia, mas não vai interferir na política de preços da Petrobras; resultado da Sabesp e mais

Plataforma Petrobras

O Banco do Brasil abriu ontem uma linha de ACC – Adiantamento sobre o Contrato de Câmbio, no valor de US$ 198 milhões, ou R$ 988 milhões, com a Petrobras.

Segundo o banco, trata-se de um acordo normal de ACC, pelo qual um banco adianta uma receita de uma mercadoria exportada para um produtor. A linha tem prazo de 365 dias. Em outra notícia, a Notre Dame Intermédica (GNDI3) informou que reabriu seu Hospital Intermédica ABC, em São Bernardo do Campo (SP). O hospital tem 65 novos leitos de UTI e 63 de internação hospitalar. Segundo o grupo, o hospital deverá atender pacientes do coronavírus, por causa da epidemia que o país atravessa.

Já o presidente Jair Bolsonaro disse que não irá interferir na política de preços da Petrobras, mas cobra que o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, siga o preço internacional. “A gente pode, mas não vai interferir. Vou cobrar do presidente da Petrobras que siga a política de preços. Baixou lá, tem que baixar aqui”. Confira os destaques:

Petrobras (PETR3;PETR4)

O presidente Jair Bolsonaro disse esperar que “a redução do preço do diesel e da gasolina chegue às bombas (de combustível)”. Segundo Bolsonaro, em transmissão ao vivo pela internet, “em 3 meses reduzimos em média 40%” o preço dos combustíveis.

O presidente disse que não irá interferir na política de preços da Petrobras, mas cobra que o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, siga o preço internacional. “A gente pode, mas não vai interferir. Vou cobrar do presidente da Petrobras que siga a política de preços. Baixou lá, tem que baixar aqui”, disse Bolsonaro. O presidente ainda garantiu: “O Brasil vai crescer”.

Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil informou ontem à noite que a Petrobras contratou uma operação ACC – Adiantamento sobre o Contrato de Câmbio. O valor do contrato é de US$ 198 milhões (R$ 988 milhões) e o compromisso tem a validade de 360 dias. Contratos ACC são normais para empresas exportadoras, como é o caso da Petrobras. A Petrobras anunciou uma série de medidas para reduzir despesas na quinta-feira. Entre essas medidas estão a redução da produção em campos onde o custo da extração de petróleo e gás é alto, menores investimentos e o adiamento do pagamento dos dividendos acionistas.

Notre Dame (GNDI3)

O Grupo Notre Dame informou que reabriu nesta semana seu hospital Intermédica ABC, localizado em São Bernardo do Campo (SP). O hospital foi completamente reformado e segundo o GNDI agora possui 65 novos leitos de UTI e 63 novos leitos de internação hospitalar. “Em função do atual momento de pandemia por coronavírus, este moderno complexo hospitalar será inteiramente dedicado aos pacientes com sintomas do coronavírus”, comunicou a empresa. Além dos leitos, o hospital possui centro cirúrgico, equipamentos de tomografia, USG, RX, broncoscopia, laboratórios de hemodiálise e bancos de sangue.

Sabesp (SBSP3)

A Sabesp, Companhia de Saneamento de São Paulo, divulgou balanço do quarto trimestre de 2019 e do ano passado inteiro. O lucro líquido da estatal paulista foi de R$ 1,057 bilhão no quarto trimestre do ano passado, uma queda de 29,9% em comparação a igual trimestre de 2018. Já no ano consolidado de 2019, o lucro líquido da Sabesp avançou 18,8% sobre 2018, para R$ 3,36 bilhões. Segundo a empresa, o lucro por ação foi de R$ 4,93 em 2019, um crescimento sobre os R$ 4,15 por ação de 2018.

A receita operacional líquida da Sabesp caiu 4,2% no quarto trimestre de 2019, sobre igual período de 2018, para R$ 4,69 bilhões. No ano fechado de 2019, a receita líquida da empresa foi de R$ 17,9 bilhões, um crescimento de 11,8% sobre 2018. Os resultados da Sabesp se enfraqueceram no quarto trimestre, embora a empresa não apresente uma razão para isso.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), por exemplo, avançou 14,8% no consolidado de 2019 sobre 2018, para R$ 7,5 bilhões, com margem de 41,8%. Já no quarto trimestre de 2019, houve queda de 25,8% no Ebitda sobre igual período de 2018, para R$ 1,7 bilhão.

Em 2019, a Sabesp interligou aos seus sistemas de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto os municípios de Guarulhos e Santo André. O número de ligações de água avançou 9,7% para 9,9 milhões, enquanto o de ligações de esgoto cresceu 11,1% para 8,3 milhões. A população atendida com abastecimento de água cresceu 8% sobre 2018 para 27,1 milhões, enquanto a atendida com coleta de esgoto avançou 9,7% para 23,8 milhões.

O índice de perdas micromedido, um indicador importante em qualquer concessionária de água e saneamento, teve queda entre 2018 e 2019, caindo de 30,1% para 29% no ano passado – isso significa que a estatal conseguiu, embora modestamente, reduzir perdas de água ao longo da rede de abastecimento. Os investimentos somaram R$ 5 bilhões no ano passado, dos quais R$ 4,9 bilhões foram na região metropolitana de capital paulista.

Ser Educacional (SEER3)

A Ser Educacional publicou balanço de 2019 e informou que no ano passado obteve um lucro líquido de R$ 136,3 milhões, uma queda de 32,2% em comparação a 2018. O lucro por ação do grupo de educação do Recife (PE), que controla 21 empresas de São Paulo ao Amazonas, caiu de R$ 1,48 para R$ 1,06. A receita líquida do grupo manteve-se praticamente estável, atingindo R$ 1,27 bilhão no ano consolidado de 2019 – em 2018, foi de R$ 1,26 bilhão.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 334,8 milhões em 2019, com uma expansão de 0,9 ponto porcentual sobre 2018. Em 2019, a Ser Educacional fez a aquisição da Uninorte, uma faculdade particular de Manaus (AM). Com a aquisição, o número de alunos da Ser subiu de 150,2 mil em 2018 para 184,4 mil no ano passado.

A empresa ressaltou que se não fosse a aquisição da Uninorte, sua base de alunos teria recuado 2% no ano passado, “principalmente em função do cenário econômico adverso dos últimos anos, que tem gradativamente elevado as taxas de desemprego, associado à redução dos programas de financiamento estudantil do governo federal (FIES)”.

O grupo Ser informou que encerrou 2019 com um caixa líquido de R$ 29,7 milhões, uma redução muito expressiva em relação a 2018, quando o caixa líquido era de R$ 497 milhões. O grupo justificou a redução pelos R$ 185 milhões pagos na aquisição da Uninorte e também ao pagamento de dividendos extraordinários de R$ 250 milhões aos acionistas no ano passado.

LPS Brasil (LPSB3)

A Lopes Brasil, consultora e incorporadora imobiliária, publicou balanço e informou que encerrou 2019 com um prejuízo de R$ 2,7 milhões. Houve melhora no resultado financeiro em comparação a 2018, quando a Lopes teve prejuízo de R$ 47 milhões. A receita líquida da empresa avançou de R$ 109 milhões em 2018 para R$ 147,5 milhões em 2019.

Já o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 39,7 milhões em 2019, um resultado consideravelmente melhor que em 2018, quando o Ebitda da empresa foi negativo em R$ 9,3 milhões. A Lopes informou que seu Valor Geral de Vendas (VGV) avançou 15% em 2019, sobre 2018, para R$ 7,9 bilhões, dos quais R$ 3,2 bilhões foram originados de franquias.

A Lopes encerrou 2019 com um caixa de R$ 125 milhões, um resultado melhor que no final de 2018, quando o caixa líquido era de R$ 14,1 milhões. A empresa investiu no ano passado em um sistema digital de vendas, que será uma ferramenta para todos os corretores imobiliários que trabalham para a companhia. O cenário para 2020, já levando em conta a epidemia do coronavírus, é “desafiador”, comentou a empresa no balanço.

Vivara (VIVA3)

A fabricante e varejista de joias Vivara tomou uma série de medidas por conta do avanço do coronavírus no país. Além do fechamento, no dia 21, de todas as suas lojas nos shopping centers, a empresa paralisou a sua fábrica em Manaus (AM), dando férias coletivas a todos os funcionários. Os produtos prontos foram todos transportados para o centro de distribuição da empresa em São Paulo. Segundo a Vivara, essa medida garantirá uma reposição rápida quando as operações forem retomadas. A empresa também informou que está reavaliando seu plano de investimentos para 2020.

Gafisa (GFSA3)

A construtora e incorporadora imobiliária Gafisa comunicou ontem ao mercado que conclui a renegociação das suas dívidas, no valor de R$ 138,3 milhões, com o Banco do Brasil. Segundo a Gafisa, o banco concordou em alongar o vencimento das dívidas até 2025, “permitindo assim que a empresa realize as vendas dos estoques das unidades atreladas a essa operação”. A empresa não entrou em detalhes sobre quais e onde se situam esses estoques – terrenos ou imóveis prontos, no jargão imobiliário.

O Conselho ainda aprovou encaminhamento do plano de recompra de ações para aprovação em assembleia geral, diz a Gafisa em comunicado. O limite de ações ON a serem recompradas é de até 10,3 milhões. A companhia tem 120 milhões de ações em circulação. O prazo da recompra é de até 12 meses, com início no dia útil seguinte à aprovação pela assembleia geral. A Planner Corretora será a instituição intermediária.

O Conselho também aprovou autorização de emissão de até R$ 2,5 bilhões em debêntures não conversíveis em ações e autorização à diretoria para tomar as providências necessárias para a emissão.

BRF (BRFS3)

A BRF anunciou, por meio de um fato relevante, um programa de recompra de até 7,5 milhões de ações. Segundo a BRF, o programa, aprovado pelo seu Conselho de Administração, terá duração de até 12 meses, começando a partir desta sexta.

Além disso, dois anos depois de assumir a presidência do conselho de administração da BRF, Pedro Parente terá seu mandato renovado até 2022, conforme proposta da administração para a assembleia de acionistas agendada para 27 de abril. A tendência é que os acionistas da companhia aprovem a proposta com facilidade.

Cogna (COGN3)

A Cogna adiou para 30 de março a divulgação de seus resultados do quarto trimestre, diante das “dificuldades operacionais e restrição de mobilidade de pessoas em função do COVID-19, que culminou com a migração das atividades dos colaboradores da companhia para regime de home office”, destacou em comunicado.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta sexta-feira

As bolsas de valores da Europa abriram em queda nesta sexta-feira e os futuros de Nova York estão negativos. Após o forte avanço de três dias na Bolsa de Nova York, os investidores avaliam o impacto das medidas de socorro dos governos e o aumento da pandemia do coronavírus. Os sinais de retomada do apetite por risco são novamente testados diante do avanço contínuo da pandemia, que passa a ter seu epicentro nos EUA, maior economia do mundo.

No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o auxílio mensal de R$ 600 para cerca de 24 milhões de trabalhadores informais, por três meses. São trabalhadores que ficaram sem serviço por causa da epidemia do coronavírus e das quarentenas. O texto deve ser sancionado hoje pelo presidente Jair Bolsonaro. Eletrobras publica hoje seus balanço, enquanto Equatorial e Cogna adiaram a divulgação.

1.Bolsas mundiais

As bolsas de valores da Europa abriram em queda nesta sexta-feira, após os fortes ganhos de ontem, e os futuros de Nova York estão em terreno negativo – embora não muito.

Após o forte avanço de 1.200 pontos de ontem no índice Dow Jones, o mercado tenta avaliar os efeitos dos pacotes de socorro dos governos e as consequências da epidemia do coronavírus, que já contaminou cerca de 530 mil pessoas ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, o número de pessoas infectadas pelo vírus superou 85 mil na manhã de hoje, com 1.200 mortes.

A Câmara dos Representantes (deputados) do Congresso americano deve aprovar hoje o pacote de US$ 2 trilhões do governo americano de socorro à economia e aos cidadãos. Logo em seguida, o pacote segue para a sanção do presidente Donald Trump na Casa Branca.

Segundo um estudo da Capital Economics publicado pelo site Market Watch, o número recorde de 3,2 milhões de pessoas que pediram o seguro-desemprego nos Estados Unidos na semana passada poderá subir rapidamente para 10 milhões.

As bolsas de valores de Ásia fecharam em alta. O destaque negativo ficou para a bolsa da Austrália, que encerrou o pregão da sexta-feira em queda de 5%.

Vale destacar os dados da China, que mostram o impacto do coronavírus na economia do país. O lucro de grandes empresas industriais do país sofreu um tombo nos primeiros dois meses de 2020, à medida que os preços ao produtor caíram e os custos aumentaram em meio à pandemia. Dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, pela sigla em inglês) mostram que o lucro industrial chinês encolheu 38,3% no primeiro bimestre ante o mesmo intervalo do ano passado. No caso das estatais, a queda foi de 32,9% e das empresas privadas, de 33,6%.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h30 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -2,40%
*Nasdaq Futuro (EUA), -2,32%
*Dow Jones Futuro (EUA), -2,30%

Europa
*Dax (Alemanha), -2,49%
*FTSE (Reino Unido), -4,08%
*CAC 40 (França), -3,28%
*FTSE MIB (Itália), -2,04%

Ásia
*Nikkei (Japão), +3,88% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +1,87% (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong), +0,56% (fechado)
*Xangai (China), +0,26% (fechado)

*Petróleo WTI, +0,49% a US$ 22,71 o barril
*Petróleo Brent, -1,33%, a US$ 25,99 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de =0,15% cotados a 659.000 iuanes, equivalentes a US$ 92,91 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0922 (+0,02%)

*Bitcoin, US$ 6.695,04 -1,08%

2. Agenda econômica

Às 9h, o IBGE divulgará o índice de preço ao produtor de fevereiro; ainda serão revelados pelo Banco Central às 9h30 os dados de empréstimos pessoais e pendentes de fevereiro.

Na agenda americana, às 9h30, serão divulgados os dados de renda e gastos pessoais de fevereiro. Já às 11h, serão revelados os dados do sentimento da Universidade de Michigan de março, após os pedidos de auxílio-desemprego no país atingirem um valor recorde de 3,28 milhões.

3. Medidas para atenuar coronavírus

A Câmara dos Deputados aprovou repasse mensal de R$ 600 a trabalhadores informais e pessoas com deficiência que ainda aguardam na fila de espera do INSS até a concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC). No caso de mulheres provedoras de família, a cota do auxílio emergencial será paga em dobro (R$ 1,2 mil). Para começar a valer, o texto ainda precisa ser apreciado pelo Senado Federal.

Os valores serão pagos durante três meses, podendo ser prorrogados enquanto durar a calamidade pública devido à pandemia do novo coronavírus. O valor é maior que os R$ 300 que haviam sido avalizados pelo governo em meio às negociações dos últimos dias. Inicialmente, a equipe econômica havia proposto um benefício de R$ 200 mensais.

Já o CMN ampliou o escopo das fintechs para enfrentar Covid-19, permite que operem como Sociedades de Crédito Direto (SDC), podendo emitir cartões de crédito. A medida pode contribuir de forma contracíclica no momento de crise criada pelo coronavírus, afirma nota do BC. A Caixa ainda reduziu a taxa de juros do parcelado do cartão de crédito para 2,9% e presidente do banco, Pedro Guimarães, diz que analisa “reduzir taxa mais ainda”.

Vale destacar que o Morgan Stanley cortou a previsão para o PIB do Brasil de alta de 0,3% em 2020 para queda de 3,7%, destacando que a economia brasileira adotou medidas mais rigorosas de distanciamento social e as condições financeiras estão bastante pressionadas nas últimas semanas.

“Agora, não apenas assumimos que o Brasil enfrentará algumas semanas de medidas de quarentena em muitos estados do país, mas também que condições financeiras mais restritas retardarão crescimento do crédito para consumo, que basicamente tem sido o único mecanismo de crescimento da economia brasileira recentemente”, apontaram os economistas do banco.

4. Coronavírus no Brasil 

O Brasil teve uma explosão de registros de internação de pessoas com insuficiência respiratória grave depois da internação do primeiro paciente com coronavírus no país, em 25 de fevereiro, indicam dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, na última semana de fevereiro foram internadas 662 pessoas por doença respiratória grave.

Na semana passada, já na segunda quinzena de março, o número passou para 2.250 pacientes. “É um número dez vezes maior que a média histórica, de cerca de 250 casos de hospitalização nos meses de fevereiro e março”, diz Marcelo Ferreira da Costa Gomes, coordenador do sistema de monitoramento da Fiocruz. O estado de São Paulo tinha em 21 de março 1.228 pessoas internadas, contra uma média de menos de 200 em anos anteriores.

Especialistas dizem que o volume antecipa a explosão de casos de coronavírus, que só serão confirmados após exames. O país registrou ontem mais 20 mortes pela Covid-19, elevando a 77 o total. O número de pessoas contaminadas é de 2.915.

5. Noticiário corporativo 

O Banco do Brasil abriu ontem uma linha de ACC – Adiantamento sobre o Contrato de Câmbio, no valor de US$ 198 milhões, ou R$ 988 milhões, com a Petrobras. Segundo o banco, trata-se de um acordo normal de ACC, pelo qual um banco adianta uma receita de uma mercadoria exportada para um produtor. A linha tem prazo de 365 dias.

Em outra notícia, a Notre Dame Intermédica (GNDI3) informou que reabriu seu Hospital Intermédica ABC, em São Bernardo do Campo (SP). O hospital tem 65 novos leitos de UTI e 63 de internação hospitalar. Segundo o grupo, o hospital deverá atender pacientes do coronavírus, por causa da epidemia que o país atravessa.

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BC indiano corta taxa básica de juros de 5,15% para 4,40%

Foto conceitual do COVID-19 (novo coronavírus) e globo terrestre, feita em estúdio

Em uma reunião não programada nesta sexta-feira, o Banco da Reserva da Índia (RBI, na sigla em inglês) cortou a sua taxa básica de juros, a de recompra, em 75 pontos-base, de 5,15% para 4,40%, em um movimento para mitigar o impacto da pandemia do novo coronavírus e manter a estabilidade financeira.

O BC indiano também cortou a sua taxa de recompra reversa em 90 pontos-base, de 4,90% para 4,00%. O corte da taxa de recompra reversa vai fazer com que seja relativamente menos atrativa para bancos comerciais deixar seu dinheiro estacionado com o RBI, deixando assim mais espaço para atividades de crédito.

A decisão-surpresa vem à tona um dia após o governo da Índia revelar um pacote de estímulo econômico de US$ 22,5 bilhões para ajudar a população mais pobre do país a sobreviver à quarentena nacional para conter o contágio pela covid-19.

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Futuros de NY e bolsas europeias caem mais de 2%; Boris Johnson testa positivo para o coronavírus

SÃO PAULO – Depois da alta de ontem, as índices futuros de Nova York e as Bolsas europeias operam em baixa nesta manhã.

Os investidores avaliam os efeitos das medidas de estímulo anunciadas em diferentes países para tentar amenizar os impactos da pandemia de coronavírus nas economias.

Além disso, ontem, líderes europeus não chegaram a um acordo sobre novos incentivos.

Por volta as 8h50, o futuro do S&P 500 e do Dow Jones tinham baixa de 2,80% cada. Na Alemanha, o índice Dax operava com perda de 2,9%, enquanto o índice FTSE, do Reino Unido, tinha desvalorização de 4,5%. Na França, a queda era de 3,9%.

Entre as notícias, o governo do Reino Unido informou que, após apresentar sintomas leves, o primeiro-ministro Boris Johnson testou positivo para Covid-19.

“Nas últimas 24 horas, desenvolvi sintomas leves e testei positivo para o coronavírus. Agora estou me isolando, mas continuarei a liderar a resposta do governo por videoconferência enquanto combatemos esse vírus”, disse ele.

Já as bolsas de valores de Ásia fecharam em alta. No Japão, o índice Nikkei subiu 3,9%. Na China e em Hong Kong, a valorização foi menor, de 0,3% e 0,6%, respectivamente.

O destaque negativo ficou para a bolsa da Austrália, que encerrou o pregão da sexta-feira em queda de 5%.

Segundo um estudo da Capital Economics publicado pelo site Market Watch, o número recorde de 3,2 milhões de pessoas que pediram o seguro-desemprego nos Estados Unidos na semana passada poderá subir rapidamente para 10 milhões.

Dados recentes mostram que a pandemia já contaminou quase 530 mil pessoas ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, o número de pessoas infectadas superou 85 mil na manhã de hoje, com 1.296 mortes.

Espera-se que a Câmara dos Representantes (deputados) do Congresso americano aprove hoje o pacote de socorro de US$ 2 trilhões. Logo em seguida, o pacote segue para a sanção do presidente Donald Trump.

Aprendizados em tempos de crise: uma série especial do Stock Pickers com as lições dos principais nomes do mercado de ações. Assista – é de graça!

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Executivos falam como a crise do coronavírus pode mudar a educação no Brasil

SÃO PAULO – A atual crise causada pelo novo coronavírus deve causar uma grande mudança no setor de educação, que já está tendo que se readequar ao cenário para não prejudicar os estudantes.

Esta é a visão de alguns dos principais executivos do setor que participaram de uma live promovida pela XP Investimentos (clique aqui para assistir na íntegra), com a presença de Chaim Zaher, CEO do grupo SEB (Sistema Educacional Brasileiro); Daniel Castanho, presidente do Conselho de Administração do Grupo Ânima; e Janguiê Diniz, Fundador e Presidente do grupo Ser Educacional.

Para Castanho, este novo cenário deve acabar com a resistência que sempre existiu contra o Ensino a Distância (EAD) e que as pessoas vão ver que ele não é pior.

Além disso, ele defendeu que o que as escolas e universidades estão fazendo agora não é um EAD, já que o formato conta, na verdade, com aulas “ao vivo” via internet. “Não é EAD, é aprendizado com uso de tecnologia”, afirmou.

O executivo da Ânima ressaltou ainda que a companhia fez uma parceria com a Vivo para oferecer internet para alunos e professores, podendo manter as aulas com todos em casa.

Já Zaher, explicou como essa educação a distância está sendo aplicada para crianças do ensino básico. Segundo ele, algumas ideias têm sido adotadas, citando até que professores estão contando histórias para as crianças pelo computador.

“Nosso maior problema é a ansiedade dos pais que estão em casa”, alertou ele dizendo que estes pais deveriam aproveitar para estudar com as crianças, se unir aos professores.

Diniz, por sua vez, destacou que, apesar do medo que a sociedade vive, é preciso mostrar que eles estão atuando para manter os negócios. Entre algumas medidas, ele citou a antecipação de pagamento do FIES e disse que o verdadeiro impacto do coronavírus no setor será uma transformação profunda no modelo de trabalho.

O executivo ainda deu dicas para outros empresários e donos de estabelecimentos, pedindo para que eles trabalhem, entre outras coisas, para cortar custos, gerenciar fluxo de caixa e prorrogar pagamentos para conseguir manter um caixa e uma estrutura para se reerguer após a crise.

Aprendizados em tempos de crise: uma série especial do Stock Pickers com as lições dos principais nomes do mercado de ações. Assista – é de graça!

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Dez gestores contam quais ações estão comprando na crise do coronavírus

SÃO PAULO — A escalada do coronavírus derrubou os mercados de ações globais. Diante das perdas, os investidores pessoas físicas — muitos deles enfrentam sua primeira crise na Bolsa — ficaram em dúvida se deveriam aproveitar o mergulho do Ibovespa para ir atrás de oportunidades.

O InfoMoney conversou com 10 grandes gestoras para saber quais ações elas estão comprando nesse período de tensão nos mercados e por quê. Os especialistas também fizeram análises sobre o que esperar daqui para frente. Veja os relatos abaixo.

Mauá Capital

Em entrevista ao InfoMoney, Renato Ometto, gestor de renda variável da Mauá Capital, disse que o patrimônio do fundo de ações da casa está 99% investido. Segundo ele, mesmo diante da perda de cerca de 40% com a crise, o fundo tem encontrado boas opções para investir e adequar sua carteira ao novo cenário.

“A Bolsa pode não ter visto ainda o fundo do poço, mas existe muito valor nos ativos que estamos investindo. Quem tiver estômago, paciência e condição, é um bom mercado para risco e retorno. Agora, se você não entende, não aguenta perdas e depende desse dinheiro, não coloque na renda variável. Tem que ter essa educação financeira muito regrada”, disse.

“Começamos o ano com o portfólio sem grandes bancos, sem empresas de commodities, com a exceção da Suzano (SUZB3), que é exposta ao dólar e estava descontada. Nossa carteira estava focada no mercado doméstico, com a diminuição do desemprego, o aumento da renda e o começo de melhora do PIB, além da taxa de juros super convidativa para as pessoas redimensionarem os níveis de risco.”

Com o coronavírus, o gestor contou que promoveu adaptações em seu portfólio, se desfazendo de posições em alguns papéis e reduzindo a exposição em outros para comprar ações que acabaram ficando baratas com a queda generalizada causada pelo avanço da Covid-19 no mundo.

A Mauá desfez suas posições em Gol (GOLL4), Usiminas (USIM5) e Via Varejo (VVAR3), e reduziu sua exposição a algumas empresas do setor de varejo, que deve sentir um impacto negativo com as medidas de isolamento social adotadas para combater o avanço do vírus no país. Com o dinheiro, a gestora comprou papéis de CPFL (CPFE3), Raia Drogasil (RADL3), Itaú (ITUB4), Vale (VALE3) e Rumo (RAIL3).

“Tivemos a epidemia do vírus e o choque do petróleo. Nos últimos 45 dias, a gente passou a enxergar muito valor em algumas empresas que até então o valuation não nos permitia comprar porque estavam caras”, disse. “Entramos em empresas com tranquilidade de caixa/balanço e situação financeira para aguentar esse período adverso que a gente não sabe quanto tempo vai durar.”

“A gente comprou Itaú, pagando 6% a 7% de dividendos. Os bancos grandes passaram a ter um valuation até menor que em 2008 [na crise do subprime]. A gente julgou ser um risco/retorno muito mais seguro do que uma empresa mais dependente da economia de curto prazo”, explicou o gestor da Mauá.

Ometto falou que a gestora reduziu sua exposição ao setor de varejo, já que as pessoas vão reduzir o consumo de bens supérfluos. “Mesmo assim, a Magazine Luiza (MGLU3) segue sendo a principal exposição da nossa carteira. Ela sofreu bastante. O preço da ação saiu de R$ 68 para quase R$ 30. Acreditamos que ela vai se beneficiar do e-commerce durante a crise do coronavírus.”

As maiores exposições da carteira da Mauá, por ordem, são Magazine Luiza (MGLU3), Eztec (EZTC3), JBS (JBSS3), NotreDame Intermédica (GNDI3), CCR (CCRO3), Raia Drogasil (RADL3), Vale (VALE3), Itaú (ITUB4), Lojas Renner (LREN3) e CPFL (CPFE3). “Todas têm uma posição de caixa confortável”, concluiu o gestor.

Gauss Capital

Em entrevista ao InfoMoney, Jorge Junqueira, sócio da Gauss Capital, disse que a casa está posicionada em três papéis principais neste período adverso ao mercado. O primeiro deles é a Via Varejo (VVAR3). “É um case que acompanhamos há bastante tempo e que no início das preocupações com o fechamento de lojas e shoppings fez o papel retornar a próximo de R$ 4 por ação”, disse.

“Estressando os nossos números e projeções, mesmo avaliando um cenário negativo de maior período de lojas fechadas, mesmo a dinâmica das vendas online se reduzindo e a economia mais fraca, a companhia ainda apresentava um balanço forte o suficiente para honrar com seus vencimentos e capital de giro. Adicionalmente, mesmo nesse caso a companhia estava negociando a múltiplos abaixo de seus históricos. Dessa forma, voltamos a montar posição relevante na empresa”, completou.

Outra empresa que a Gauss possui em sua carteira é a Azul (AZUL4). “Consideramos a Azul a companhia aérea brasileira com melhor execução operacional. Adicionalmente, sua malha incorpora trajetos de lazer e executivos, o que mostra a necessidade da empresa.”

“Analisando o balanço da empresa e as ações tomadas pela diretoria, sentíamos confiança de que as medidas necessárias estavam sendo tomadas para superar os problemas de curto prazo. A crise afetou o setor aéreo como um todo e entendemos que, por essa razão, medidas de apoio deveriam ser tomadas pelo governo. Por isso, vimos uma boa oportunidade de investimento na ação”, afirmou Junqueira.

Já a terceira aposta da Gauss no momento de crise é a Sulamérica (SULA11). “A empresa começou a nos chamar a atenção quando desinvestiu do negócio de seguro de veículos e decidiu se concentrar no segmento de seguros de saúde.”

“Porém, o coronavírus levou a uma grande preocupação com o setor de saúde e o potencial aumento da sinistralidade. Olhando o histórico de surtos de gripe, vimos que o setor de saúde demonstrava a recuperação mais rápida, além de haver sempre uma reação excessiva negativa no primeiro momento com o setor. Percebemos assim um bom momento de entrada como acionistas da empresa”, concluiu Junqueira.

Forpus Capital

Em entrevista ao InfoMoney, o gestor da Forpus Capital Luiz Nunes apontou duas posições long (compradas) e uma posição short (vendida) da casa. Uma das posições long é a ação da Cosan (CSAN3), “que é um player de crescimento interno sem estatais”, segundo Nunes.

“As estatais vão acabar sendo usadas como subsídio para a retomada da economia”, explicou o gestor. “Eventualmente, as utilities vão ser usadas para isso. Vão promover descontos ou isenções nas contas de energia, por exemplo.”

Segundo Nunes, a Cosan hoje em dia é uma empresa mais globalizada, não somente uma usina, que consegue se beneficiar da retomada local sem ter intervenção do governo em suas operações, o que prejudicaria muito.

“A gente gosta também de banco Itaú (ITUB4), que está bastante descontado. Com o potencial aumento de juros no médio e longo prazos, já que o atual patamar logo vai ter peso sobre a inflação, os bancos tendem a se beneficiar”, disse.

Já a posição short da casa é o papel do Pão de Açúcar (PCAR3). “Foi uma ação que não sofreu com o coronavírus, muito pelo contrário, acabou se desempenhando bem porque os supermercados ficaram abertos. Não tem uma parte online tão relevante, mas tem. Acabou tendo uma explosão de demanda porque algumas pessoas estavam fazendo estoques e isso beneficiou a ação que, agora, deve devolver um pouco.”

Alaska Asset

Em transmissão ao vivo via Instagram na quinta-feira (12), o gestor do fundo Alaska Black Henrique Bredda, ao lado dos sócios Ney Miyamoto e Luiz Alves Paes de Barros, afirmou que segue confiante com os fundamentos das empresas, especialmente nas expostas ao mercado doméstico.

Segundo Bredda, as carteiras estão com posições 100% compradas em ações e a asset tem aproveitando o momento atual apenas para fazer um pouco de rebalanceamento. Posições como Magazine Luiza (MGLU3), Aliansce Sonae (ALSO3) e Cogna (COGN3) têm sido privilegiadas nos fundos de ações, com certa diluição de papéis ligados a commodities.

Nos fundos long only e de BDRs, as carteiras também estão constituídas apenas com ações, sendo as principais posições ainda em Klabin (KLBN4), Magazine Luiza (MGLU3), Cogna (COGN3), Aliansce (ALSO3), Braskem (BRKM5) e Rumo (RAIL3).

De acordo com os sócios da Alaska, as posições em papéis menos líquidos, como Valid (VLID3), Marcopolo (POMO4) e São Carlos (SCAR3), respondem por uma fatia entre 12% e 15% dos fundos.

Brasil Capital

André Ribeiro, sócio e gestor da Brasil Capital, contou em entrevista ao InfoMoney que a casa tem feito mudanças pontuais em seu portfólio, que segue com as ações de Petrobras (PETR4 ; PETR3), Rumo (RAIL3) e Cosan (CSAN3) entre as maiores posições do fundo.

Na sequência aparecem nomes como Aliansce (ALSO3), Alupar (ALUP4), B3 (B3SA3), Yduqs (YDUQ3) e SulAmérica (SULA11) que, segundo ele, teriam condições de, no pior cenário, passar seis meses sem receita por conta da crise.

Bogari Capital

Com um caixa aproximado de 10% no início do ano, a Bogari Capital aproveitou a queda das ações para realizar alocações graduais, reduzindo a posição mais líquida para algo em torno de 4%.

“Achamos hoje que os preços estão muito bons, adoraríamos estar com mais caixa para fazer alocações relevantes neste momento”, afirmou Felipe de Luca, sócio e gestor da Bogari Capital, em entrevista ao InfoMoney.

Segundo ele, a casa tem optado por aumentar a exposição em ações já presentes no portfólio, que têm probabilidade de entregar resultados altos aos acionistas no atual nível de preço.

Entre as principais posições, de Luca cita NotreDame Intermédica (GNDI3) como maior destaque, seguida de Alpargatas (ALPA4), Cosan (CSAN3), Eneva (ENEV3) e Pão de Açúcar (PCAR3).

Em meio à forte queda da Bolsa no ano, os fundos Bogari Value FIC FIA e Bogari Value Q FIC FIA foram reabertos para captações na última quinta-feira (19). Os dois estavam fechados desde o início de janeiro.

Dynamo

A Dynamo, uma das gestoras de fundos de ações mais antigas do Brasil, também tem aproveitado para ir às compras. “Não sabemos dizer se as ações vão cair mais ou não, mas os preços começam a chegar em patamares que julgamos bastante interessantes”, afirmou a gestora à Bloomberg.

Ao longo das últimas semanas, a Dynamo ampliou a sua posição em Natura (NTCO3), Alpargatas (ALPA4), Localiza (RENT3), Ultrapar (UGPA3) e Vale (VALE3). “Entendemos que são bons investimentos a médio prazo. São companhias capitalizadas e bem administradas, que nos permitem navegar quase que em qualquer cenário.”

HIX Capital

“Estamos praticamente 99% investidos e creio que este seja o maior nível desde quando a HIX começou”, afirmou Gustavo Heilberg, gestor da HIX Capital durante teleconferência realizada pelo Stock Pickers, na quarta-feira (25).

Entre as principais apostas, o gestor cita as elétricas Eneva (ENEV3) e AES Tietê (TIET4), as duas maiores posições do fundo HIX FIA atualmente.

“O impacto do coronavírus sobre a Eneva é praticamente zero. O único impacto que poderiam argumentar é custo de capital, o risco país e a mudança na taxa de desconto, porque ela tem receita contratada com volume e preço definido. Mas é um negócio resistente a crises”, justifica.

Com a terceira maior posição, a fabricante de alimentos Camil (CAML3) também foi ampliada nos últimos dias. “As pessoas vão continuar comendo. Talvez comam menos fora e mais em casa, o que as levará mais aos supermercados. E a Camil está conseguindo operar superbem. Conversamos com a companhia esses dias, e estamos muito tranquilos”, afirma.

Apesar de o impacto da crise já ser sentido em nomes como Centauro (CNTO3), Burger King (BKBR3), Jereissati e Iguatemi (IGTA3), Heilberg destaca a posição confortável das companhias, que passaram a integrar a carteira do fundo recentemente.

“Sobre o Burger King, as pessoas vão voltar a comer hambúrguer no dia em que a crise acabar. Jereissati e Iguatemi são outros. Se os shoppings ficam fechados por um ano, o impacto nos papéis deveria ser da ordem de 5%, mas eles caíram 50%, 60%”, diz.

Com um cenário mais desafiador, contudo, Heilberg destaca que o fundo tem diversificado mais do que o costume, abrigando cerca de 30 nomes no portfólio, com participação individual máxima de 10%, ante 20% anteriormente.

“Tem muita coisa atrativa. Está mais fácil achar o que você quer comprar do que o que não quer comprar. É o inverso do que tínhamos em janeiro. Não à toa, tínhamos mais caixa naquele momento”, diz o gestor da HIX.

NCH Capital

Utilizando-se de um caixa de 30% por conta das alterações feitas na carteira no fim do ano, a NCH Capital tem aumentado a posição em papéis já presentes no portfólio. É o caso de nomes como B3 (B3SA3), Banco do Brasil (BBAS3), Weg (WEGE3), Totvs (TOTS3), BB Seguridade (BBSE3) e JBS (JBSS3).

“Estamos ativamente comprando ações desde quinta-feira, aumentamos nossa exposição novamente”, contou James Gulbrandsen, CIO da NCH Capital.

Versa

Para aproveitar as “pechinchas” do mercado, a Versa consumiu boa parte do caixa aumentando as posições em papéis nos quais já eram acionistas, como Banco do Brasil (BBAS3) e BR Properties (BRPR3).

“As ações começaram a ficar ridiculamente baratas, estamos numa baita promoção”, afirmou Luiz Fernando Alves Junior, gestor da Versa.

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Ibovespa sobe pelo 3º pregão consecutivo e acumula alta de 22%; dólar fecha abaixo de R$ 5,00

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta pelo terceiro pregão consecutivo nesta quinta-feira (26), acumulando alta de 22,24% desde a última segunda-feira. A Bolsa por aqui acompanhou o desempenho dos mercados lá fora. Os índices Dow Jones e S&P 500 subiram mais de 6%, estendendo os ganhos das últimas sessões.

O principal driver da sessão foi a expectativa de que a Câmara de Representantes nos Estados Unidos irá impor menos entraves à votação do pacote de US$ 2 trilhões aprovado no Senado para combater o coronavírus depois da explosão no número de desempregados que foi divulgada hoje.

Os pedidos por seguro-desemprego no país dispararam de 282 mil na semana encerrada no dia 13 para 3,28 milhões na semana passada, acima da expectativa mediana dos economistas do mercado financeiro compilada no consenso Bloomberg, que apontava para um aumento a 1,7 milhão de pedidos. O dado mostra os danos profundos causados pelo coronavírus na maior economia do mundo.

A Covid-19 já infectou 68.572 pessoas nos EUA e matou 1.031. Já no Brasil, são 2.567 casos de coronavírus e 60 mortos. Nos últimos dias, além da Itália, a Espanha também superou o número de mortos da China por causa da pandemia.

Hoje, o Ibovespa subiu 3,67% a 77.709 pontos com volume financeiro negociado de R$ 30,1 bilhões. No exterior, o Dow Jones saltou mais 6,4% e chegou a sua maior alta acumulada de três pregões desde 1931

Segundo o analista Gabriel Fonseca, da XP Investimentos, o descolamento entre a disparada nos EUA e a alta mais modesta aqui é que há pouca visibilidade sobre como o Brasil irá proceder com o lockdown, já que há uma clara disputa entre governadores, que querem manter a quarentena, e o presidente Jair Bolsonaro, que preocupado com o impacto econômico quer que as pessoas voltem à normalidade mantendo apenas grupos de risco como os idosos em isolamento. “Não sabemos a real magnitude dos impactos da quarentena nas empresas e o mercado não gosta de indefinição”, explica.

Já o dólar futuro para abril recua 0,56%, a R$ 5,009. O dólar comercial teve queda de 0,75%, a R$ 4,9939 na compra e R$ 4,9957 na venda. Foi a primeira vez que o câmbio terminou abaixo de R$ 5,00 desde 13 de março, quando estava em R$ 4,8128.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu 18 pontos-base a 4,44%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de 35 pontos-base a 5,68% e o DI para janeiro de 2025 desabou 53 pontos-base a 7,00%

Também foi divulgado hoje o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, que cresceu à taxa anualizada de 2,1% no quarto trimestre de 2019, em linha com as projeções dos economistas.

Entre os indicadores nacionais, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) teve um crescimento de 0,24% em janeiro na comparação com o mês anterior, abaixo da expectativa mediana dos economistas compilada no consenso Bloomberg, que apontava para um avanço de 0,4%. Em dezembro, o IBC-Br registrou uma contração de 0,27%. Já na base anual, o IBC-Br teve uma expansão de 0,69%, enquanto o mercado esperava um avanço de 1,05%.

Powell

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, disse nesta quinta-feira que os Estados Unidos já podem estar em recessão por causa dos efeitos da pandemia do novo coronavírus, mas ressaltou que o país atravessa uma “situação única” e que “não há nada de errado” com sua economia do ponto de vista dos fundamentos.

Em entrevista ao programa Today, da emissora NBC, Powell afirmou que a atividade econômica dos EUA vai sofrer um declínio “substancial” no segundo trimestre, mas previu que poderá ocorrer uma “vigorosa recuperação” quando a crise do coronavírus for superada.

Jerome Powell disse nesta quinta-feira que a instituição vai apoiar o fluxo de crédito na economia através de seus instrumentos de estímulos em meio à pandemia do novo coronavírus.

Em entrevista ao programa Today, da emissora NBC, Powell disse que o Fed está tentando criar uma ponte para incentivar empréstimos para empresas.

Sobre os dispositivos de crédito do Fed, Powell comentou que a instituição não vai ficar “sem munição”.

Ainda na entrevista, Powell disse que um pacote fiscal de US$ 2 trilhões do governo dos EUA e aprovado no Senado americano na madrugada de hoje irá oferecer alívio imediato a trabalhadores afetados pelo impacto do coronavírus.

O papel do Fed, disso Powell, é garantir que a eventual recuperação econômica dos EUA seja o mais forte possível.

Queda de braço entre autoridades

O presidente Jair Bolsonaro voltou a ir contra as medidas adotadas pela maior parte dos estados para combater o coronavírus, ao propor “isolamento vertical”, só para idosos e doentes. Bolsonaro foi rechaçado por antigos aliados, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), além do de São Paulo, João Doria (PSDB). Além disto, técnicos da Saúde e até o presidente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, criticaram as ideias do mandatário brasileiro, informam os jornais O Globo e Folha de S. Paulo.

Vale destacar que, na véspera, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, buscou tom conciliatório com a fala do mandatário e apresentou visão contrária à forma como a quarentena tem sido instituída por governadores.

Em coletiva de imprensa para a exposição dos números e políticas adotadas pela pasta em resposta ao avanço da Covid-19, Mandetta indicou que o movimento pode ter sido precipitado, considerando o atual estágio da doença no país. “Temos que melhorar esse negócio de quarentena, não ficou bom”, disse. Segundo o Estadão, que ouviu aliados de Mandetta, o ministro da Saúde fez um recuo estratégico ao dar essas declarações.

Documento enviado nesta semana pelo ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) a Paulo Guedes (Economia), e obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, estima que a epidemia do coronavírus pode exigir R$ 410 bilhões a mais dos cofres públicos para que o SUS consiga atender à população infectada. Mandetta descartou ontem deixar o cargo, enquanto Guedes, segundo o empresário Abilio Diniz disse em uma live realizada pela XP Investimentos, prepara medidas para injetar R$ 600 bilhões na economia (veja mais clicando aqui).

Noticiário corporativo

A Via Varejo informou na noite de ontem que fraudes contábeis que ocorreram em períodos anteriores na Casas Bahia terão impacto de R$ 1,19 bilhão nos resultados do quarto trimestre de 2019 e no ano passado. A empresa diz que não será necessário, segundo as investigações, reabrir balanços de exercício anteriores. Já a gigante frigorífica JBS (JBSS3) divulgou balanço na noite de ontem e reportou um lucro líquido de R$ 6,1 bilhões no ano passado, “o maior da história da empresa”. Houve crescimento de 241% sobre 2018. Outros resultados do grupo, como Ebitda e receita líquida, também mostraram crescimento de pelo menos dois dígitos. A empresa informou que conseguiu reduzir sua dívida, também considerável, para R$ 42,9 bilhões, e a relação dívida líquida sobre o Ebitda, que caiu de 3,18 vezes (3,18x) para 2,16 vezes (2,16x).

Na BB Seguridade, Erik da Costa Breyer exercerá o cargo de diretor de finanças, relações com investidores e gestão das participações, completando o mandato 2019/2021. * Erik Breyer atualmente exerce o cargo de diretor de mercado de capitais e infraestrutura do BB. A conclusão do processo de indicação ainda dependerá de trâmites internos antes de ser submetida ao conselho da cia.

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Crise no setor de petróleo pode ser a pior em 100 anos, diz presidente da Petrobras

O impacto global causado pela pandemia de coronavírus pode resultar na pior crise do setor de petróleo em 100 anos, avaliou hoje (26) o presidente da Petrobras (PETR3;PETR4) , Roberto Castello Branco. As petrolíferas vêm sendo duplamente afetadas pelo ambiente atual de negócios, em que tanto a demanda quanto o preço do petróleo e derivados estão em queda, explicou a direção da estatal, que realizou no início desta tarde uma videoconferência com analistas e investidores para explicar respostas a esse cenário.

Em suas considerações iniciais na reunião, da qual participou por vídeo transmitido de sua casa, Castello Branco disse que sua percepção é de que se está vivendo um momento sem precedentes. “Isso é mais sério do que tivemos no passado. É talvez a pior crise sofrida pela indústria do petróleo em 100 anos. Não há fórmula para lidar com essa crise.“

Castello Branco lembrou ter vivido outros momentos difíceis, como a crise da dívida dos países da América Latina nos anos 1980 e o choque financeiro de 2008.

Apesar disso, ele defendeu o enfrentamento da situação atual sem pânico, com transparência, agilidade e trabalho em equipe. “Temos que estar preparados para o pior cenário”, disse Castello Branco, ao afirmar que a demanda por combustíveis caiu significativamente no Brasil.

Sobre o mercado externo, o presidente da Petrobras previu o agravamento da crise nos Estados Unidos e disse que já há sinais de recuperação na China. “É importante, porque é o destino da maior parte de nossas exportações.”

Castello Branco e diretores da Petrobras avaliaram que ainda é cedo para prever que cenários serão produzidos pela crise e disseram que as medidas anunciadas pretendem preparar a empresa para lidar com o preço do barril de petróleo a US$ 25 em vez de US$ 40.

“A menos que aconteça algum evento inesperado, não prevemos uma recuperação significativa do preço do petróleo”, afirmou Castello Branco, reforçando que o cenário é de incerteza. “Nossa resposta à crise está longe de estar completa. Estamos estudando medidas adicionais, incluindo uma revisão completa do portfólio de projetos”.

Sobre o programa de desinvestimentos, o presidente da estatal garantiu que haverá continuidade. Ele admitiu, porém, que o valor dos ativos foi afetado pela crise e disse que será preciso analisar essa queda.

“Não vimos nenhum sinal de falta de interesse em nossos possíveis compradores. Pelo contrário. Ontem [25] recebi a mensagem de um deles reafirmando seu interesse no ativo”, afirmou.

Refino

A Petrobras anunciou aos investidores que deve adiar as manutenções programadas em refinarias. Segundo a diretora executiva de Refino e Gás Natural, Anelise Lara, esses procedimentos requerem a presença de muitos profissionais nas unidades, o que será evitado para prevenir a propagação do coronavírus.

Anelise informou que a operação média nas refinarias está em torno de 74% da capacidade total, o que representa uma redução em relação à operação média de 79% registrada em 2019. Para abril e maio, a expetativa é de queda maior.

Diante da crise do coronavírus, a estatal tem buscado elevar o refino dos derivados de petróleo que têm apresentado maior demanda, como o diesel, e reduzir os demais. Apesar das medidas e do impacto da crise no comércio e na indústria, o agronegócio continua a demandar o diesel, e a previsão é que 2020 tenha safra recorde, impulsionando a demanda.

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Um mês do primeiro caso de coronavírus no Brasil: o que mudou para o mercado desde então?

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SÃO PAULO – Um mês apenas – e o cenário para a economia, bolsas e investimentos mudou completamente para o Brasil (e para o mundo) em decorrência de um verdadeiro “cisne negro” para o mercado.

No último dia 26 de fevereiro, foi confirmado o primeiro caso de uma pessoa infectada pelo coronavírus no país, fazendo com que uma ameaça antes longínqua se transformasse em um problema gigantesco para a economia real. Até esta quinta-feira, 26 de março, eram 2.915 casos confirmados do novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil, com 77 mortos.

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😷 Um mês após o primeiro caso de contaminação pelo novo #coronavírus no Brasil, o país soma 2.915 diagnósticos da Covid-19 e 77 mortes decorrentes da doença.⠀ ⠀ 😷 Quase 60% dos casos estão na região Sudeste do país (1.665), e a maior parte destes (1.052) está no estado de São Paulo. Todas as regiões do Brasil têm pacientes da Covid-19 e registraram ao menos uma morte. ⠀ ⠀ 😷 Nesta quinta (26), a Organização Mundial da Saúde divulgou que há 500 mil pessoas infectadas pela doença no mundo, sendo 100 mil casos registrados só nos últimos dois dias. ⠀ ⠀ 😷 Desde o primeiro diagnóstico de Covid-19 no Brasil, o #Ibovespa acumula queda de 26,5%. Uma primeira medida provisória para atenuar os efeitos da crise na economia foi publicada no domingo (22), mas parte foi revogada. Uma nova medida será entregue ainda nesta semana, segundo o governo.⠀

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A doença se espalhou pelo mundo, trazendo sérias indicações de uma recessão global e, consequentemente, levando a revisões para a economia brasileira.

Desde então, considerando o fechamento do Ibovespa de 21 de fevereiro (sexta-feira antes do primeiro caso confirmado e anterior ao feriado de Carnaval, que levou a B3 a abrir somente na quarta-feira) e o fechamento do último dia 25 de março, o índice já registrou uma queda de 34,07%, passando de 113.681 pontos para 74.956 pontos, enquanto o dólar passou dos R$ 5.

O índice passou a entrar em um forte movimento de queda a partir daquela sessão, mas principalmente por conta da preocupação com o avanço do coronavírus para outros países além da China, especialmente com o aumento de casos na Itália, Coreia do Sul e Irã, que já tinha repercutido nos dias anteriores que a bolsa brasileira estava fechada.

Como é uma doença altamente contagiosa, para conter o avanço e o esgotamento do sistema de saúde, muitos países passaram a adotar medidas de isolamento social, fecharam as fronteiras e o turismo global foi extremamente limitado, afetando uma economia global já frágil.

Naquele dia 26 de fevereiro, o Ibovespa caiu 7%, o que era até então o pior fechamento desde 18 de maio de 2017, o fatídico “Joesley Day”. Porém, era apenas o começo. Desde então, a B3 teve que paralisar as negociações na bolsa e acionar o “circuit breaker” por seis vezes, sendo que duas vezes em apenas um pregão.

O mecanismo é acionado pela primeira vez num pregão quando o Ibovespa cai mais de 10%, interrompendo a negociação por meia hora, e acionado pela segunda vez quando o benchmark da bolsa despenca mais de 15%, fazendo com que as negociações fiquem paralisadas por uma hora. O circuit breaker foi acionado uma vez no pregão durante a atual crise nos dias 9 (quando caiu 12,17%), 11 (queda de 7,64%), 16 (baixa de 13,92%) e 18 (queda de 10,35%) de março; o mecanismo foi acionado duas vezes no pregão do dia 12, sessão esta em que o Ibovespa fechou em baixa de 13,91%.

Durante esse mês de forte queda para a bolsa brasileira, curiosamente, a maior baixa do Ibovespa não foi de uma ação seriamente impactada pelos efeitos do Covid-19, mas ela acabou sofrendo com o sell-off do mercado já que enfrentava problemas internos. Trata-se do IRB (IRBR3), que viu suas ações caírem 72,32% no acumulado do período: mudanças nos cargos de liderança por alegações de manipulação de mercado, questionamentos sobre o balanço e até mesmo uma ação da Polícia Federal vêm abalando a empresa de resseguros desde o início de fevereiro, quando a bolsa ainda não refletia tanto os temores com o coronavírus.

Já as quedas seguintes refletem bem o cenário da crise atual: CVC (CVCB3), Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) registram baixas respectivas de 69,72%, 67,65% e 65,55%. Por conta da queda da demanda por voos e das restrições de viagens, as companhias tiveram um forte corte da capacidade de operação (confira clicando aqui). A Gol reduziu em cerca de 92% a oferta nos mercados domésticos e 100% nos internacionais, enquanto a Azul cortou sua capacidade em 90% entre 25 de março e 30 de abril. Smiles (SMLS3) também teve queda forte no período, de 63,11%.

E, se a maior parte das varejistas sofreu, a Via Varejo (VVAR3) foi a mais impactada do setor no período, com queda de 65,69%. “A empresa está passando por um turnaround, tem um negócio muito cíclico e subiu muito nos últimos meses, quando o mercado estava otimista. É razoável que caia tudo isso em meio ao desespero do mercado”, afirma Carlos Herrera, estrategista-chefe da casa de análise Condor Insider, ao InfoMoney (veja mais clicando aqui).

A Petrobras (PETR3;PETR4), antes com boas perspectivas em meio aos desinvestimentos e foco em exploração e produção, viu suas ações caírem 52% no mesmo período por uma combinação da forte redução da demanda por conta do impacto do coronavírus nas economias globais e de uma guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia, que levou a um aumento da produção do primeiro país. Porém, segundo aponta o Goldman Sachs, nem mesmo um eventual fim da disputa entre os dois países pode evitar excesso de petróleo (veja mais clicando aqui).

Já entre as menores baixas (afinal, nenhuma ação do Ibovespa subiu nesse período), os destaques ficaram com empresas varejistas de consumo básico, como o Carrefour (CRFB3) e a RD (RADL3), que viram a demanda por seus produtos aumentar nesse período, mas podem sofrer no médio prazo por conta do impacto do coronavírus na economia (veja mais aqui). Elas caíram, respectivamente, 3,02% e 7,97%.

Confira abaixo as 10 maiores e as 10 menores baixas do Ibovespa no último mês:

Maiores baixas do Ibovespa  Menores baixas do Ibovespa
Empresa Ticker Desempenho Empresa Ticker  Desempenho
IRB IRBR3 -72,32% Carrefour CRFB3 -3,02%
CVC CVCB3 -69,72% RD RADL3 -7,97%
GOL GOLL4 -67,65% Hypera HYPE3 -9,61%
Via Varejo VVAR3 -65,69% JBS JBSS3 -15,13%
Azul AZUL4 -65,55% Telefônica VIVT4 -17,22%
Smiles SMLS3 -63,11% B2W BTOW3 -17,54%
Cogna COGN3 -54,75% Rumo RAIL3 -18,17%
Petrobras ON PETR3 -52,84% Vale VALE3 -18,51%
BTG Pactual BPAC11 -52,81% Hapvida HAPV3 -18,93%
Yduqs YDUQ3 -52,16% Taesa TAEE11 -19,42%

*pregões entre 21 de fevereiro e 25 de março

Revisões de cenário

A preocupação com os impactos na economia brasileira passou a ganhar força nas duas últimas semanas, quando os casos da doença começaram a crescer e as expectativas pelas medidas para tentar conter uma aceleração extrema no número de infectados levaram a revisões drásticas para baixo na atividade.

Com isso, várias instituições passaram a revisar suas projeções para baixo, começando a prever inclusive uma recessão no Brasil por conta do coronavírus (veja mais aqui). Segundo estudo do Centro de Macroeconomia Aplicada da FGV (Fundação Getulio Vargas), a pandemia pode provocar uma perda de até 4,4% no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2020, o que seria a maior queda nominal (sem considerar efeitos da inflação) da economia desde 1962, quando começa a série histórica disponível no site do Banco Central.

Entre os motivos para as drásticas revisões, está o espaço relativamente limitado para o governo atuar do lado fiscal e os efeitos do lockdown [isolamento] para a economia, que vem inclusive gerando debates entre empresários, economistas e políticos sobre se a quarentena de todas as faixas etárias da população pode levar a uma quebra generalizada de empresas.

Para conter os efeitos do coronavírus na economia, o Banco Central anunciou um programa no valor  de R$ 1,2 trilhão (US$ 233,8 bilhões), para injetar liquidez por meio da compra de pacotes de carteiras de empréstimos bancários; novas regras que permitem aos bancos oferecerem a empresas e famílias empréstimos maiores e melhores condições, entre outros.

Já o estímulo fiscal veio através de um programa de R$ 150 bilhões para auxiliar a população mais vulnerável e proteger empregos. Além disso, houve a aprovação, pelo Congresso, de decreto presidencial que declara emergência nacional em torno do coronavírus, permitindo ao governo renunciar às metas fiscais e liberar recursos orçamentários. Porém diante da atual incerteza do cenário, muito se questiona se esses estímulos vão ser suficientes.

Nesse cenário, muitas casas já cortaram as suas previsões para o Ibovespa, mas ainda veem espaço para o índice subir. O Morgan Stanley cortou a projeção de 125 mil pontos para 85 mil pontos (veja aqui), o Itaú BBA passou de 132 mil pontos para 94 mil pontos (veja aqui), enquanto o corte mais drástico ficou com o JPMorgan, que cortou de 126 mil para 80.500 pontos (confira aqui).

“Os lucros locais devem ter uma queda de 20% em 2020 e uma alta de 12% em 2021”, afirmam os analistas do Morgan. Porém, apontam: o país enfrentará uma desaceleração econômica acentuada, mas temporária e com uma rápida recuperação (“recuperação em forma de V”).

Nesse novo cenário de maior aversão ao risco do mercado, muitos analistas acabam apontando preferência por ações de setores reconhecidamente mais defensivos, como elétricas. Mas atenção, é preciso também diferenciá-las, já que algumas estão sendo impactadas pelo atual cenário (veja mais aqui). Ações de grandes bancos privados também são destacadas por analistas (confira aqui).

Porém, o cenário de forte incerteza é o que acaba predominando, gerando muita volatilidade no mercado, uma vez que não se sabe qual será a duração da pandemia e a quantidade de recursos que será necessária para salvar as economias. A expectativa é de que as fortes emoções para o mercado e possíveis revisões para a economia perdurem nas próximas semanas.

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