JPMorgan reduz projeções para bolsas da América Latina; Ibovespa deve encerrar ano aos 80.500 pontos

gráfico de ações e índices em queda

(Bloomberg) — O JPMorgan Chase reduziu as expectativas para os mercados acionários na América Latina diante do impacto econômico decorrente do surto de coronavírus sobre o lucro das empresas da região.

O banco cortou as estimativas para índices locais no fim do ano e espera que o MSCI Emerging Markets Latin America encerre 2020 em 1.700 pontos, disseram estrategistas liderados por Emy Shayo em relatório de 24 de março. A estimativa anterior era de 3.000 pontos.

A projeção para o Ibovespa foi reduzida em 36%, de 126.000 para 80.500 pontos. O índice acumula queda de 38% desde o pico no fim de janeiro, em meio a dúvidas sobre a sustentabilidade da agenda de reformas, cortes de previsões para o crescimento econômico e queda dos preços do petróleo.

O índice Merval da Argentina, que tem tido desempenho mais fraco desde a vitória do então candidato Alberto Fernández nas primárias de agosto, deve terminar 2020 em 26.800 pontos, segundo o JPMorgan.

A estimativa para o IPSA do Chile foi reduzida de 5.300 para 3.300 pontos, enquanto o Mexbol do México deve encerrar o ano em 34.200.

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Ibovespa deu bom sinal, mas ainda não está em tendência de alta no curto prazo, diz analista da Rico

SÃO PAULO – Apesar das duas fortes altas recentes, a analista gráfica Pamela Semezzato, da Rico Investimentos, afirma que ainda não há sinais de que o Ibovespa tenha mudado de tendência de queda para alta no curto prazo.

Pamela aponta que a alta da véspera aconteceu com volume reduzido, de modo que o rompimento da resistência dos 70 mil pontos não foi um sinal tão forte assim, até porque a Bolsa fechou abaixo deste patamar.

Além disso, a disparada desta quarta forma mais um candle acima dessa resistência, mas com um mercado tão volátil é preciso observar se a próxima queda ou correção do principal índice da B3 irá respeitar o nível dos 70 mil pontos como suporte. A analista lembra que uma tendência de alta se caracteriza por topos e fundos ascendentes. No longo prazo, ela explica que a tendência primária do benchmark é de alta, mas a tendência secundária ainda é de baixa.

O bom sinal, por outro lado, é o rompimento da média móvel de nove dias, que sinaliza força compradora no índice.

Confira a análise da Pam no vídeo acima, que faz parte do Giro do Dia, programa diário de análise técnica do grupo do Telegram do InfoMoney.

Análise técnica

Chamada de análise gráfica por alguns, ela parte do pressuposto de que tudo o que pode ser medido acerca do desempenho futuro de uma ação já está precificado.

Desse modo, os movimentos diários do papel teriam um componente muito maior de percepção psicológica dos investidores sobre se está caro ou barato, subiu demais ou caiu demais, do que de fundamentos.

As operações em análise técnica, então, são guiadas a partir de um estudo do gráfico do preço da ação, verificando quais patamares de preço geralmente atraem vendas (resistências) e quais outros atraem compras (suportes).

Outras ferramentas da análise técnica incluem o Índice de Força Relativa (IFR), projeção de Fibonacci e análise de médias móveis.

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“99% investidos”: As ações que ficaram baratas, segundo a HIX Capital

Carrinho de supermercado

Uma crise grave, mas repleta de oportunidades. É assim que Gustavo Heilberg, gestor da HIX Capital, vê a tempestade pela qual os mercados têm passado nas últimas semanas.

Durante entrevista concedida ao analista Thiago Salomão no Instagram do Stock Pickers nesta quarta-feira (25), Heilberg falou das diferenças entre a crise que vivemos e as anteriores, e revelou as mudanças realizadas na carteira do fundo nos últimos dias.

A transmissão faz parte do quadro Coffee & Stocks, uma série de conversas com alguns dos principais gestores do país, que vai ao ar todos os dias, às 7h15, no Instagram do Stock Pickers.

A partir do dia 30 de março, o Stock Pickers receberá grandes nomes do mercado para compartilhar as lições mais importantes do momento em 6 aulas online e totalmente gratuitas. Clique aqui para garantir agora o seu acesso a elas.

“Estamos acostumados a crises que se alastraram pelo mundo através do mercado financeiro e que demoraram algum tempo para chegar na economia real. Dessa vez, os empresários estão tão desesperados quanto o mercado financeiro, porque nunca vimos uma situação como essa de paralisação total”, afirmou.

Segundo ele, essa preocupação generalizada tem dificultado o trabalho de gestão, já que o diálogo com os empresários faz parte de seu processo de investimento. “É comum você ver pânico no mercado, mas não tão comum ver pânico na economia real. Está ficando cada vez mais claro que, pelo menos por enquanto, o shutdown é a melhor solução que temos, mas isso está trazendo apreensão para os empresários”, disse.

O combate à pandemia do novo coronavírus fez com que o governo do Estado de São Paulo estabelecesse quarentena por ao menos 15 dias em todas as 645 cidades do estado a registrar casos e mortes.

A medida também foi tomada pela administração de outros municípios do país, como o Rio de Janeiro, apesar de ter recebido críticas de vários empresários.

“Nosso trabalho como gestores é separar sinais de ruídos, conversar com muita gente e estudar muito para entender quem vai passar pela crise”, ressaltou Heilberg. “Essa crise tem começo, meio e fim, e quem passar por ela e tiver bons fundamentos vai sobreviver.”

A estratégia da HIX

Antes de partir para as compras, a HIX tratou de desinvestir de negócios com grande endividamento.

Heilberg prefere não revelar as empresas que saíram da carteira do fundo. Limita-se a dizer que vendeu ações de companhias de varejo com custo fixo elevado, margem baixa e alavancagem alta. Ele acrescentou que o portfólio do fundo já não contava com papéis “da CVC e de companhias aéreas”.

Feito isso, o fundo tratou de alocar o dinheiro que vinha acumulando em caixa. “Estamos praticamente 99% investidos e creio que esse seja o maior nível desde quando a HIX começou”.

A nova realidade do mercado brasileiro também fez com que o fundo pulverizasse suas posições. “Estamos mais diversificados do que costumamos ser. Normalmente o fundo chega a ter 20% em uma posição. Hoje, nossa maior está com 10%, e estamos com quase 30 posições”, afirma Heilberg.

Para ele, o fluxo vendedor da Bolsa nas últimas semanas fez com que muitas empresas passassem a negociar a valores descontados. “Tem muita coisa atrativa. Está mais fácil achar o que você quer comprar do que o que não quer comprar. É o inverso do que tínhamos em janeiro. Não à toa, tínhamos mais caixa naquele momento”.

A diversificação, porém, é mais do que uma forma de aproveitar o potencial de diferentes ativos. É uma estratégia de proteção em um cenário ainda nebuloso. “Hoje, o risco de apostar em um só cavalo não compensa. Faz sentido essa diversificação um pouco maior do que o comum”, defende.

O que está no carrinho

A empresa de energia Eneva, que viu seus papéis caírem quase 40% nos últimos dias, voltou a entrar para o radar de oportunidades da HIX.

Heilberg conta que o fundo vinha diminuindo gradativamente sua posição no ativo, que chegou a compor mais de 20% da carteira. Agora, com a queda recente, chegou a hora de encher o carrinho novamente. Hoje, mesmo com apenas 10% de participação, a empresa representa a maior posição do fundo.

“O impacto do coronavírus sobre a Eneva é praticamente zero. O único impacto que poderiam argumentar é custo de capital, o risco país e a mudança na taxa de desconto, porque ela tem receita contratada com volume e preço definido. Mas é um negócio resistente a crises”, defende.

Segundo ele, dois fatores ajudam a explicar o tombo dos papéis nas últimas semanas. O primeiro, de natureza macro, é a pressão vendedora que contaminou todo o Ibovespa nos últimos dias. O segundo foi a posição alavancada de outro fundo na companhia de energia. Quando ele foi estopado, teve que se desfazer dos papéis da companhia na baixa.

Heilberg conta que também aproveitou o momento para ampliar a participação do fundo em sua segunda maior posição, A AES Tietê. De acordo com ele, o racional por trás da compra é o mesmo: a crise atual não deve impactar significativamente os resultados da empresa.

Outro upside para a empresa está em uma possível fusão com a própria Eneva, que pode trazer bastante sinergia para ambas as operações.

A terceira maior posição do fundo, também ampliada nos últimos dias, é a fabricante de alimentos Camil. “As pessoas vão continuar comendo. Talvez comam menos fora e mais em casa, o que as levará mais aos supermercados. E a Camil está conseguindo operar super bem. Conversamos com a companhia esses dias, e estamos muito tranquilos”, afirma.

Farinha de outro saco

Muitos investidores têm fugido de empresas de setores mais cíclicos (sensíveis aos momentos da economia) para proteger sua carteira. Para Heilberg, jogar todas elas em uma vala comum pode ser um erro. Dois casos citados pelo gestor são as operadoras de planos de saúde Sul América e Hapvida.

“O mercado colocou que vai haver aumento da sinistralidade devido ao aumento de casos de coronavírus. Conversamos com diretores de hospitais para entender os impactos na cadeia de custos do coronavírus. E o tratamento em si é barato, o problema é a falta de infraestrutura hospitalar. E isso faz com que você não tenha um aumento tão grande de custos para as operadoras como o que tem sido colocado na conta”.

Além disso, segundo Heilberg, a falta de infraestrutura e a própria quarentena têm feito com que muitos pacientes adiem ou cancelem procedimentos mais caros e menos urgentes, como cirurgias estéticas, exames de rotina e consultas.

“Para completar, essas empresas estão super sólidas. A Hapvida passou por um follow on recentemente e a Sul América vendeu uma de suas divisões por pouco mais de R$ 3 bilhões”, ressalta. “No longo prazo, o Brasil continua sendo subpenetrado no sistema de Saúde, o SUS continua sendo ruim, e esses caras continuam sendo dois dos maiores operadores de Saúde do país”, afirma.

O hambúrguer sobrevive

Heilberg vê boas oportunidades até mesmo em empresas que já estão sofrendo com os impactos da crise na economia real. Alguns exemplos são a Centauro, o Burger King e a Jereissati e Iguatemi, que também entraram para a carteira do fundo.

“A Centauro vai sofrer, mas é bem gerida e está em uma situação confortável. Sobre o Burger King, as pessoas vão voltar a comer hambúrguer no dia em que a crise acabar. Jereissati e Iguatemi é outro. Se os shoppings ficam fechados por um ano, o impacto nos papéis deveria ser da ordem de 5%, mas eles caíram 50%, 60%”.

Lockdown seletivo ou total?

O Stock Pickers perguntou ao gestor se ele é a favor de um lockdown total ou seletivo da economia. Para ele, deveríamos “evoluir gradativamente” para a segunda opção.

“O resultado de ficarmos completamente fechados por um período muito longo é devastador. O impacto disso via aumento da miséria, violência, é muito grande. A empresa média no Brasil tem 27 dias de caixa. Ficar 1 ou 2 meses fechado é horroroso. O problema é tão grande que virou um problema de governo. O caminho talvez seja isolar as pessoas com idade ou comorbidades, mas sem parar completamente tudo”, defende.

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As medidas que mais de 50 empresas da Bolsa estão adotando em meio à pandemia do coronavírus

SÃO PAULO – A pandemia do novo coronavírus levou o mundo todo a mudar seus hábitos, desde as pessoas, que precisam ficar isoladas em casa, até empresas, com fechamento de lojas, paralisação de linhas de produção, entre outras medidas que devem pesar para os negócios.

Gigantes globais têm tomado medidas para ajudar na contenção da Covid-19, como a Apple, que fechou suas lojas (primeiro na China e depois no resto do mundo), a Disney com fechamento de seus parques, e a chinesa Alibaba, que tem doado respiradores para países da América Latina, incluindo o Brasil.

Por aqui, a cada dia que passa, novas medidas são anunciadas pelo governos, tanto federal quanto estaduais, o que tem levado as companhias da bolsa brasileira a tomarem medidas aos poucos, conforme cada região decide como agir.

Os impactos financeiros em cada empresa serão diferentes, enquanto algumas precisarão parar completamente seus negócios, algumas conseguem manter fábricas funcionando e algumas operações, como caso dos e-commerce e varejistas de alimentos.

Confira abaixo o que cada companhia tem feito neste cenário de crise e os impactos disso:

Frigoríficos

Por serem negócios essenciais para a população, os frigoríficos seguem funcionando a fim de fornecer para as pessoas os alimentos necessários. Apesar disso, algumas empresas estão limitando suas produções e adotando medidas de cautela.

A JBS (JBSS3) concedeu férias coletivas em cinco de suas 37 unidades de bovinos no Brasil por 20 dias. De acordo com a empresa, esta decisão é uma resposta à menor demanda de exportação.

Além disso, a companhia informou recentemente que obteve liminar que autoriza as atividades nas unidades de Forquilhinha e Nova Veneza, em Santa Catarina, que chegaram a ser suspensas após decisão do juiz do trabalho Paulo André Botto Jacon, da 4ª Vara do Trabalho de Criciúma.

Enquanto isso, a BRF (BRFS3) e a Marfrig (MRFG3) afirmaram que suas plantas continuam funcionando normalmente. Já a Minerva Foods (BEEF3) anunciou férias coletivas de até 20 dias para os funcionários de quatro de suas dez plantas no País.

Além destas medidas, todas as companhias informaram que reforçaram a adoção de medidas de proteção, entre elas: proibição de viagens internacionais e redução das viagens domésticas, protocolos mais rigorosos de higienização, redução de contato entre as pessoas e cancelamento de reuniões presenciais, entre outras.

Alimentação e saúde

Assim como os frigoríficos, supermercados e drogarias seguem funcionando normalmente por serem essenciais para a população. Por conta disso, empresas como Pão de Açúcar (PCAR3), Carrefour Brasil (CRFB3) e Raia Drogasil (RADL3) seguem com suas lojas abertas.

Mesmo assim, algumas medidas estão sendo tomadas, como horários exclusivos para que idosos possam fazer compras com menos risco, e reforço do canal de vendas online, bastante utilizado pelo Pão de Açúcar, que possui uma estrutura própria para isso.

Já a IMC (MEAL3) disse que adiou deste ano para 2021 o início de um plano de abertura de lojas que tem prazo de cinco anos. Além disso, a companhia informou que reforçou o serviço de delivery das empresas do grupo, como Pizza Hut, KFC, Olive Garden e Viena. A IMC também reduziu em 30% seu quadro de funcionários.

Ainda entre as companhias de alimentos, o Burger King (BKBR3) fechou, desde 23 de março, os salões de todas as suas lojas do país. São mais de 900 lojas da marca, que ainda conta com a rede Popeyes no Brasil, que manterá as lojas abertas para delivery, drive-thru e pedidos para viagem.

Empresas de diagnósticos seguem com operações normais, mas a Hermes Pardini (PARD3) vai interromper a abertura de lojas neste momento “agudo”. O cenário para negócio lab-to-lab (serviços para laboratórios) tem se mostrado mais resiliente à crise com linhas de diagnóstico aumentando não só para o coronavírus, mas também para outras doenças, disse Alessandro Ferreira, vice-presidente da Hermes Pardini em teleconferência com investidores.

Aéreas e turismo

De longe o setor mais impactado pela crise atual, as companhias aéreas e empresas de turismo foram as primeiras a sofrer com a pandemia do novo coronavírus, já que as pessoas pararam de viajar e voos no mundo todo foram cancelados.

A Gol (GOLL4) decidiu manter, até 3 de maio, apenas a operação da malha essencial de 50 voos diários, conectando todas as capitais dos estados brasileiros a partir do aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos. Com isso, estão suspensas todas as rotas regionais e internacionais.

A empresa afirma ainda que fará voos extras para atender eventuais demandas específicas em destinos regionais e internacionais. Desde o início da crise, a empresa disse que reduziu em cerca de 92% a oferta nos mercados domésticos e 100% nos internacionais.

Já a Azul (AZUL4) tomou decisão parecida, reduzindo sua capacidade em 90% entre 25 de março e 30 de abril. Neste período, a companhia irá operar com 70 voos diretos por dia, para 25 cidades.

A empresa também está reduzindo custos e despesas com folha de pagamento em aproximadamente 65% em abril de 2020, a partir de iniciativas que incluem programa de licença não-remunerada e redução salarial de 50% para os membros do comitê executivo e de 25% para gerentes.

A CVC Brasil (CVCB3), por sua vez, disse que vem tomando medidas para preservar sua saúde financeira. As medidas incluem redução da jornada de trabalho de 50% dos funcionários a partir de 1° de abril, exceto em casos pontuais, de pessoas que estejam atuando em temas emergenciais.

Além disso, haverá a redução de 50% do salário da diretoria executiva e conselho, suspensão de novas contratações e promoções, postergação de todos projetos e investimentos não prioritários, renegociação de termos e prazos de pagamentos a fornecedores e devolução de todos os fretamentos até 31 de maio de 2020.

Embraer (EMBR3)

A Embraer colocou os funcionários de todas as suas unidades em licença remunerada desde o dia 23. A companhia tem cerca de 16 mil funcionários no país e a medida se aplica a todos os empregados “que não podem desempenhar suas atividades remotamente”.

Parte dos colaboradores da fabricante de aeronaves está atuando em home office.

A Embraer afirmou ainda que o afastamento, inicialmente, será até o dia 31 de março e apenas poucas atividades essenciais serão mantidas em operação durante o período.

Varejistas

Um setor também bastante afetado pela paralisação das cidades é o do varejo, já que grande parte dessas empresas tem como seu principal negócio a venda em lojas físicas. Por conta disso, há uma divisão dos impactos e de como cada uma tem se organizado para tentar amenizar os problemas.

O Magazine Luiza (MGLU3) e a Via Varejo (VVAR3), dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, fecharam todas as lojas físicas que possuem no país. Por outro lado, as duas empresas possuem grandes operações de comércio eletrônico, o que deve amenizar o impacto financeiro da paralisação.

A B2W (BTOW3) é outra que não deve sofrer tantos impactos por ter seus negócios voltados para o e-commerce. Por outro lado, a Lojas Americanas (LAME4), que inicialmente manteve suas lojas físicas abertas, se viu obrigada a fechar vários estabelecimentos, como os que ficam em shoppings (que corresponde a cerca de 30% do negócio), e aqueles em cidades onde foi determinado o fechamento do comércio, caso de todo o estado de São Paulo.

Enquanto isso, a Cia. Hering (HGTX3) fechou todas as suas lojas próprias no Brasil por causa da pandemia do coronavírus. A empresa também adotou outras medidas, como passar parte do pessoal da área administrativa para o home office; na área industrial, deu férias coletivas de 15 dias para os funcionários das fábricas em Blumenau (SC), Goiás e no Rio Grande do Norte.

A empresa recomendou aos franqueados que fechem as lojas. Houve redução dos volumes de compras para o segundo trimestre e o replanejamento para o terceiro e quarto trimestres. A varejista e fabricante de vestuário também informou que houve contingenciamento das despesas e investimentos até o final do segundo trimestre.

Já a Alpargatas (ALPA4), além de fechar todas as lojas no Brasil e exterior, adotou o trabalho remoto em seus escritórios globais. A empresa ainda disse que reduziu de forma significativa o número de funcionários nas operações de logística e produção, “chegando a um nível mínimo, mantendo apenas o essencial em produção, dentro das normas e diretrizes de segurança”.

A Lojas Renner (LREN3) é outra que fechou todas as suas lojas pelo país. Além disso, a companhia anunciou um apoio de R$ 4,1 milhões para instituições hospitalares, ajudando a custear a aquisição de suprimentos básicos e fundamentais no tratamento da doença.

Lojas Marisa (AMAR3), C&A (CEAB3) e Guararapes (GUAR3), dona da marca Riachuelo, também decidiram fechar por tempo indeterminado todas as lojas físicas do país.

Já a Arezzo (ARZZ3), além do fechamento de lojas, decidiu reduzir em 30% os salários do presidente, Alexandre Birman, dos diretores executivos e conselheiros. A companhia ainda adotou trabalho remoto desde o dia 16 de março, com antecipação de férias e uso de banco de horas para empregados cujas atividades podem ser feitas de casa. As fábricas também suspenderam as operações, com férias coletivas para os funcionários.

A Vivara (VIVA3) suspendeu as operações de 258 lojas instaladas em shoppings, mantendo em trabalho apenas funcionários de tecnologia da informação e logística, ao passo que outra parte da equipe está remota. O estoque dos produtos que iria para as lojas foi direcionado para o centro de distribuição e o comércio eletrônico.

Dona das marcas Artex e MMartan, a Springs Global (SGPS3) fechou as lojas até o dia 31 de março, prazo que poderá ser estendido conforme a crise seguir. A empresa afirmou ainda que as vendas online das marcas Santista, Artex, MMartan e Casa Moysés seguem normais. Além disso, a fábrica localizada na Argentina também ficará fechada.

Shoppings

Na Bolsa, as administradoras de shoppings centers já estão sofrendo bastante. Conforme decretos de alguns estados, em especial São Paulo, todo o comércio deve permanecer fechado por pelo menos 15 dias.

Com isso, as três maiores administradoras – Aliansce Sonae (ALSO3), BRMalls (BRML3) e Multiplan (ativo=MULT3]) – fecharam cerca de 80% da base total de shoppings.

58 de 76 shoppings estão fechados em nove estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e outros. Enquanto isso, unidades de outras regiões operam em horário reduzido, das 12h às 20h. A Iguatemi (IGTA3) também fechou suas unidades.

Indústrias

A Weg (WEGE3) comunicou que reduziu em 50% o pessoal que trabalha em cada turno na sua fábrica de Santa Catarina. A fabricante de motores informou que a medida foi tomada para evitar a propagação do coronavírus no país. A empresa tem quatro fábricas na China, com um total de 1.986 colaboradores, e afirmou que nenhum foi contaminado pelo Covid-19.

Além disso, a WEG já adotou sistema home office para parte dos colaboradores nas unidades operacionais no Brasil e escritórios nacionais e internacionais.

A multinacional fabricante de ônibus Marcopolo (POMO4) e o conglomerado do setor automotivo Randon (RAPT4) também anunciaram que vão suspender suas atividades.

No caso da primeira, a paralisação atinge todas as unidades fabris e administrativas no país. Os cerca de 10 mil funcionários da Marcopolo, cerca de 80% no Rio Grande do Sul e o restante no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, entraram em férias coletivas por um período de 20 dias.

A Randon também disse que dará férias coletivas de 20 dias, medida que serve para as unidades de negócios de Caxias do Sul (RS), que envolve a Randon Implementos, Randon Veículos, Fras-le, Jost, Master, Suspensys e Castertech. As demais unidades do País deverão seguir orientações de cada região ou estado em que estão localizadas.

A empresa de autopeças Mahle-Metal Leve (LEVE3) também anunciou medidas por causa da pandemia do coronavírus. Segundo a empresa, parte do pessoal administrativo trabalha em home office, enquanto nas fábricas a companhia “adotará o regime de férias coletivas e seletivas”. A Mahle-Metal Leve prevê que a situação das medidas para enfrentar o coronavírus dure até meados de abril. A sua subsidiária na Argentina também ficará fechada até abril.

Já a Indústrias Romi (ROMI3) decidiu estabelecer a suspensão de todas as operações do Brasil, a princípio até o dia 21 de abril, através de férias, banco de horas e troca de feriados, com início em 24 de março para o grupo de risco e 30 de março para os demais colaboradores.

Siderúrgicas

Um setor que precisa se desdobrar mais é o de siderúrgicas, já que muitas destas empresas produzem itens essenciais para outros setores, e portanto precisam continuar funcionando.

Gerdau (GGBR4) estruturou comitês de crise para avaliar e combater o avanço do coronavírus nos vários países onde atua. Segundo a empresa, as operações na Argentina e no Peru foram totalmente suspensas. Nos Estados Unidos, as operações industriais de aços especiais estão paralisadas, em virtude da desaceleração do setor automotivo.

No Brasil, de acordo com a companhia, há impacto nas operações devido às decisões de alguns estados de implantarem leis de quarentena. Apesar disso, o abastecimento aos clientes está sendo feito.

Enquanto isso, a Usiminas (USIM5) informou que suas controladas Soluções em Aço Usiminas S.A. (SU) e Usiminas Mecânica S.A. (UMSA), decidiram conceder férias coletivas para 46,3% e 29,6% do efetivo, respectivamente.

Além disso, as unidades de Porto Alegre, Guarulhos, Betim, Taubaté e Suape da SU, assim como a fábrica da UMSA em Ipatinga, terão as produções reduzidas para se adequar à atual demanda de mercado. Nas áreas em que é possível, a companhia determinou o home office.

Já a CSN (CSNA3), mantém parte de suas operações, instaurando, porém, um comitê de crise e medidas de reforço de higiene. Na Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda, a companhia liberou pessoas do grupo de risco e cerca de 2 mil funcionários para quarentena.

Commodities

A mineradora Vale (VALE3) reduziu parte de suas operações pelo mundo. Entre as medidas mais fortes, a companhia paralisou temporariamente seu centro de distribuição na Malásia, com impacto esperado nas vendas de aproximadamente 500 mil toneladas de minério de ferro no primeiro trimestre de 2020.

A mineradora também disse que está repatriando 250 funcionários e familiares que residem em Moçambique, no Sul da África. Para isso, a companhia decidiu fretar um avião.

Além disso, a empresa anunciou que antecipará os pagamentos aos seus fornecedores para ajudá-los a atravessar a crise provocada pela pandemia. A Vale também irá doar 5 milhões de kits de testes rápidos de coronavírus.

Enquanto isso, a Suzano Papel e Celulose (SUZB3) fechou totalmente os escritórios centrais na capital paulista e determinou o home office para todos. A empresa, maior produtora brasileira de papel e celulose, informou que também liberou o home office para parte dos funcionários administrativos em outras cidades brasileiras e no exterior.

Nas fábricas, a Suzano mantém suas operações, com medidas de higienização redobradas. A empresa tem visto sua demanda aumentar, já que cerca de 60% da celulose produzida por ela tem como destino a produção de papel higiênico.

A Klabin (KLBN4), por sua vez, paralisou temporariamente as obras de construção civil e montagem do bilionário Projeto Puma II, no Paraná, que envolvia força de trabalho de aproximadamente 4.500 pessoas.

Distribuidoras

A BR Distribuidora (BRDT3) ativou seu comitê de crise e busca adotar medidas para sustentar a estabilidade de suas operações, o fornecimento normal de serviços e bens e a preservação da saúde de seus funcionários.

A empresa afirmou que está seguindo todas as diretrizes das agências de saúde, incluindo rotinas de trabalho remoto para a equipe administrativa e reforçando as medidas de higiene e limpeza por meio de sua cadeia de operações.

A empresa também destacou que o surto e a desaceleração subsequente da atividade econômica, restrições à circulação de pessoas e menor uso de transporte no país, poderiam levar à queda da demanda de combustível no Brasil.

Medida parecida foi tomada pela Ultrapar (UGPA3), que também afirmou que não vê um grande impacto em seu negócio de longo prazo. No curto prazo, porém, a companhia prevê uma demanda mais fraca a partir desta semana por conta da redução da mobilidade.

A Cosan (CSAN3), incluindo suas controladoras, como Raízen, Rumo ([ativo=RUMO3]) e Comgás (CGAS5), afirmou que não fará nenhuma redução de quadro de pessoal neste momento.

Como as empresas servem a negócios essenciais, as operações seguem, apesar do quadro reduzido. De acordo com a Cosan, foram tomadas as medidas “necessárias para a continuidade das atividades de forma remota e presencial, garantindo as ações pertinentes nas áreas de segurança física, de higiene e suporte psicológico”.

No caso específico da Comgás, a companhia ainda informou que irá suspender todos os cortes de fornecimento no estado de São Paulo até o dia 31 de maio.

Locadoras

A Localiza (RENT3) disse que está avaliando conforme cada estado e região o fechamento temporário de suas agências. Além disso, a companhia informou que ampliou as rotinas de higienização de seus veículos e adota as melhores práticas mundiais, alinhadas com as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.

Foi adotado o home office para funções que permitem, além de uma flexibilização nas cobranças, sendo possível realizar alterações ou cancelamentos sem taxas e também isenção da cobrança de devolução, quando um veículo é retirado num local e devolvido em outro.

Já a Movida ([ativo=MOVI3), também reforçou a limpeza dos veículos, além de esterilização das agências e escritórios. A companhia também decidiu isentar a cobrança de taxa para devoluções em cidades diferentes, valendo até 30 de abril. O mesmo tipo de medida foi adotada pela Unidas ([ativo=LCAM3]).

Taurus Armas (TASA4)

A Taurus informou que a sua sua atividade foi qualificada como essencial, e por isso irá “manter suas operações de forma responsável e observando todas as limitações impostas pelo Poder Executivo Federal, Estadual e Municipal”.

Em comunicado, ela informou estar realizando ajustes na sua operação, de forma a reduzir fluxo, contato e aglomerações de trabalhadores, bem como fornecendo instruções sobre cuidados que devem ser tomados, reforçando medidas de limpeza e disponibilizando material de higiene, entre outras medidas.

Além disso, algumas atividades foram direcionadas para o regime de home office e, também, por 15 dias serão adotados sistemas de escalas, de revezamento de turnos e alterações de jornadas, visando um equilíbrio da produção como fluxo de pessoas, para mitigar os riscos de transmissão do vírus e preservar os interesses sociais, econômicos e financeiros.

Ajuda em meio à pandemia

Enquanto a doença avança no Brasil, várias empresas da bolsa estão anunciando ações para mitigar o efeito do coronavírus na população.

Entre outros exemplos, a Lojas Renner anunciou doação de R$ 4,1 milhões a hospitais para o combate ao coronavírus, por meio do Instituto Lojas Renner. O montante é destinado à compra de insumos em hospitais da região Sul e Sudeste, responsáveis por unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

Já o Itaú informou que destinará cerca de R$ 150 milhões para infraestruturas hospitalares, compra de equipamentos como respiradores, cestas de alimentação e kits de higiene. A Marfrig e as empresas da Família Menin (MRV, Banco Inter e LOG CP) vão doar, no total, R$ 17,5 milhões.

A Petrobras encomendou, nos Estados Unidos, 600 mil testes para diagnóstico de Covid-19. Deste total, 400 mil serão entregues ao Ministério da Saúde e 200 mil à Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Já a Vale fechou a compra de 5 milhões de kits de testes rápidos para a verificação de infecção pela covid-19.

A Ambev, por sua vez, anunciou na última semana que usará linhas de produção de sua fábrica de cervejas em Piraí (RJ) para produzir 500 mil unidades de álcool em gel para distribuir em hospitais públicos.

Aprendizados em tempos de crise: uma série especial do Stock Pickers com as lições dos principais nomes do mercado de ações. Assista – é de graça!

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Ações de empresas exportadoras são realmente uma boa proteção contra a alta do dólar?

Antes mesmo da pandemia do coronavírus, o olhar dos investidores já se voltava para a alta do dólar. Não é para menos, desde 01 de janeiro de 2020, a moeda americana havia subido 14% até o dia 04 de março. Depois que a pandemia do coronavírus atingiu em cheio o mercado financeiro brasileiro (dia 05 de março), o interesse por investimentos em dólares aumentou significativamente, pressionado ainda mais o valor da moeda frente ao real. Até o dia 23 de março, o dólar acumulava alta no ano de 28%.

Em tempos de incerteza, de risco sistêmico, é natural que o investidor corra para uma moeda forte e mantenha seus investimentos na forma de caixa.

Existem diversas formas de se investir em dólar (aplicações no exterior, fundos cambiais, moeda em espécie, trusts). Uma forma bem difundida de se “investir em dólares” é comprar ações que mantenham uma relação positiva com a alta do dólar. Nesse caso, o investidor não estará comprando diretamente a moeda americana, mas terá um ativo atrelado indiretamente ao desempenho do dólar. A ideia é que se o dólar subir, o preço da ação tenderá a subir.

Basicamente, empresas exportadoras, com receitas em dólares, são apontadas como um hedge (proteção) natural contra altas da moeda dos EUA. A ideia é que se o dólar subir, a receita dessas empresas também aumentará, ocasionado uma valorização de preço de suas ações.

Geralmente, as empresas apontadas com boa performance em relação à elevação do dólar são: Vale, Suzano, JBS e Marfrig. Mas será que essas empresas realmente são uma boa proteção contra a alta da moeda americana?

Para responder a essa questão, fiz um exercício econométrico, medindo a relação da variação do preço da ação contra a variação de dólar. Vale ressaltar que se trata de um exercício para um texto de uma coluna semanal, e não um artigo científico. Portanto, os resultados não devem ser interpretados como provas empíricas científicas, mas como indicativos da relação dólar e preço das ações analisadas.

Antes de apresentar os resultados, a tabela abaixo nos dá um bom “insight” dessa relação, sugerindo que a empresas analisadas não são tão boas proteções contra a alta da moeda americana, dado que a correlação só é positiva (dólar sobe, preço da ação sobe) para a Suzano, somente no período pré crise. Considerando o período da crise do coronavírus, a correlação da Suzano também é negativa com o dólar. Confira abaixo:

VALE JBS MARFRIG SUZB3
Correlação no ano –          0,35 –          0,33 –          0,37 –          0,22
Correlação na crise –          0,48 –          0,68 –          0,70 –          0,68
Correlação antes da crise –          0,23 –          0,11 –          0,10            0,06

 

Já o resultado das regressões, apontam que a sensibilidade da Vale em relação ao dólar é de -1,25 ou seja, a cada 1% de alta do dólar, o preço da ação cai 1,25%; -1,52 para a JBS (a cada 1% de alta do dólar, o preço da ação cai 1,52%), -1,85 para  a Marfrig (a cada 1% de alta do dólar, o preço da ação cai 1,82%) e -0,76  para a Suzano (a cada 1% de alta do dólar, o preço da ação cai 0,76%).

Alguém poderia questionar se os resultados não foram guiados pelo outlier do coronavírus. Em boa parte, sim, embora a tabela de correlação mostre que, no período de um ano, a correlação dessas empresas com o dólar também foi negativa, uma vez que o sell-off no mercado foi geral.

Além disso, vale a seguinte reflexão: o que adianta ter uma empresa que se comporta bem perante ao dólar somente em tempos de calmaria? É justamente em momentos de crise que é importante encontrarmos empresas que tenham uma correlação positiva com o dólar ou, pelo menos, uma baixa correlação com a moeda americana. Nesse sentido, de acordo com essa análise, a Suzano é a empresa que melhor oferece proteção contra uma disparada da moeda americana.

No entanto, a proteção da Suzano está longe de ser perfeita. Tanto é verdade que o preço de sua ação também despencou, embora bem menos do que outras empresas.

Isso posto, para se proteger de disparadas do dólar que costumam ocorrer em “Cisnes Negros”, em eventos que realmente importam, é fundamental termos parte do nosso capital dolarizado.

Enganam-se aqueles que fundos cambiais, trusts no exterior e contas investimentos lá fora são privilégios apenas de ricos. É perfeitamente possível que pessoas de classe média consigam diversificar suas aplicações em dólares.

Quando toda essa loucura acabar, é primordial que quem esteja ingressando no mundo dos investimentos não se guie apenas pelas promessas de rentabilidade do mercado acionário, mas leve em conta risco e liquidez, conforme falei em live especial para InfoMoney (aqui). É fundamental ter uma carteira bem diversificada com posições em ações, renda fixa, fundos imobiliários e dólar. É crucial comecemos a levar mais a sério a diversificação –inclusive entendo que parte dela tem que ser em dólar.

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Alan Ghani é economista, PhD em Finanças e professor de pós-graduação.

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Preço da gasolina em refinaria da Petrobras tem menor valor desde outubro de 2011

A Petrobras (PETR3; PETR4) informou que, com a redução de 15% do preço nesta quarta-feira, o preço médio da gasolina na refinaria passará a ser R$ 1,14 por litro, o menor preço desde 31 de outubro de 2011. No acumulado do ano, a redução do preço da gasolina é de 40,5%.

“A Petrobras espera que este movimento nos preços se reflita, no curto prazo, na redução do preço final cobrado ao consumidor”, disse a estatal em nota.

Na terça-feira, 24, o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostrou que apesar da queda significativa nas refinarias, o repasse para os preços nos postos de abastecimento é limitado.

Até a semana passada, o preço da gasolina no varejo tinha caído apenas 1,12%, voltando aos níveis praticados em setembro de 2019, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A média do preço da gasolina de 15 a 21 de março nos postos era de R$ 4,486 o litro, sendo o maior preço registrado na região Sudeste (R$ 5,889/litro) e o menor na região Norte (R$ 3,620/litro).

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Há espaço para gasto público subir, dizem economistas

Várias notas de cem reais na mão de uma pessoa que não aparece na foto.

A crise provocada pelo coronavírus mudou uma convicção profunda da grande maioria dos analistas. Agora, é praticamente uma unanimidade que a hora é de aumentar os gastos públicos. Mesmo com o alto nível de endividamento do Brasil – a dívida bruta alcançou 76% do PIB em janeiro -, a avaliação é que há, sim, espaço para o País aumentar os gastos e tentar suavizar a crise decorrente da pandemia. Entre as opções para expandir sua política fiscal, o Brasil pode usar o “colchão de liquidez” do Tesouro Nacional, emitir dívida ou mesmo recorrer às reservas internacionais, apontam economistas.

Até agora, o governo Jair Bolsonaro anunciou medidas econômicas que somam R$ 199 bilhões, ou 2,7% do PIB. Outros países – menos endividados – estão com pacotes muito mais pesados. O da Alemanha, por exemplo, já se aproxima dos 30% do PIB.

“O gasto total que o Brasil deve fazer depende de quanto tempo a economia vai ficar parada. Dada a magnitude da crise, a prioridade é sustentar famílias e empresas. Neste momento, é muito pior gerar desemprego em massa por uma resposta de política econômica inadequada do que ficar vendo quanto dá ou não para gastar”, diz o economista Pedro Schneider, do Itaú Unibanco.

Segundo o economista, dos R$ 199 bilhões anunciados pelo governo, R$ 81 bilhões (ou 41% do total) significam realmente um aumento dos gastos. O restante é, por exemplo, um adiamento de receita que o governo tem alta probabilidade de receber ainda neste ano.

“O importante agora é que as medidas adotadas sejam emergenciais e restritas à crise. Não se deve criar um gasto permanente, porque o Brasil ainda tem um desafio de consolidação fiscal”, destaca Schneider.

O economista aponta ainda que, para poder ampliar os gastos, o governo poderia usar recursos do “colchão de liquidez” do Tesouro Nacional, uma reserva que o País tem para lidar com situações adversas do mercado. O valor disponível no “colchão”, porém, não é público. Sabe-se que a conta única do Tesouro tem cerca de R$ 1 trilhão disponível, mas apenas parte desse montante é do “colchão de liquidez”, explica Schneider.

Recorrer a esses recursos agora evitaria que o governo tivesse de emitir dívida em um momento como o atual, em que as condições do mercado são desfavoráveis, com o investidor avesso ao risco.

Reservas

O economista Bráulio Borges, da consultoria LCA, no entanto, propõe que o governo utilize parte de suas reservas internacionais para injetar até R$ 600 bilhões na economia, valor superior até mesmo aos R$ 500 bilhões que já se fala nos bastidores do Congresso, em Brasília.

De acordo com os cálculos de Borges, o Brasil poderia se desfazer de US$ 127 bilhões de suas reservas (cerca de 35% do total) e ainda teria o volume recomendado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Vendendo esses recursos com lucro, o País poderia levantar R$ 600 bilhões, explica ele.

A ideia por trás disso tudo é não aumentar o nível de endividamento do Brasil: “Se o País admite que vai gastar agora e elevar, por exemplo, a dívida em dez pontos porcentuais, em um segundo momento, vai ter de fazer um ajuste fiscal draconiano para reduzir a dívida novamente. O objetivo é evitar esse ajuste muito severo depois.”

O economista afirma ainda que os R$ 600 bilhões seriam necessários apenas se a economia continuasse parada por cerca de três meses. “Se a quarentena for de um mês, o pacote pode ser menor.”

Se o governo, porém, não quiser se desfazer das reservas nem do “colchão de liquidez”, pode vender títulos. Apesar da volatilidade no mercado financeiro, haveria demanda, por exemplo, por parte dos fundos de pensão, que necessitam de papéis de longo prazo e com alta taxa de retorno. O problema aí é que, com os investidores avessos ao risco, eles podem acabar pedido uma alta taxa de juros do governo brasileiro.

“O País pode jogar essa conta lá para frente. Pode emitir títulos para daqui a 20 ou 30 anos. Mas o limite vai estar no preço que será pago”, diz Fabio Klein, economista da consultoria Tendências.

Klein diz que se financiar a um preço mais caro agora não seria um problema grave se, passada a crise, o governo retomasse a agenda de reformas com “pressa e seriedade”. “Se isso não acontecer, flertamos com a insolvência de novo”, destaca. O economista afirma ainda que o governo poderia ir ao mercado para se financiar e, ao mesmo tempo, emitir um comunicado em que se comprometesse a continuar com as reformas assim que esse momento mais crítico passasse. “É preciso mostrar um plano de ação. A questão é que o governo bate muita cabeça nesse sentido”, acrescenta.

Procurado para comentar as possibilidades de aumento de gastos, o Ministério da Economia afirmou, em nota, não estar se pronunciando sobre medidas que ainda não são públicas. “O grupo de monitoramento da crise econômica relacionada ao covid-19 está analisando diversas alternativas para reduzir os impactos da pandemia para o setor produtivo e, especialmente, sobre a população mais vulnerável. Assim que houver novas decisões, elas serão informadas.”

Sobre o uso das reservas internacionais, o Banco Central informou que elas “não são uma poupança ou recursos do Estado a serem utilizados como instrumento de estímulo fiscal”.

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Homem mais rico da Europa ganha US$ 11 bi na bolsa em um dia – mas perdeu muito mais em 2020

(Bloomberg) — O magnata de artigos de luxo Bernard Arnault foi duramente atingido pela propagação do coronavírus, tendo perdido mais dinheiro do que qualquer outra pessoa no mundo.

Ele alistou seu conglomerado – que controla as marcas Christian Dior e Louis Vuitton – na batalha contra o vírus ao financiar a entrega de milhões de máscaras de proteção à França de fornecedores chineses. Também converteu uma fábrica de perfumes Dior, nos arredores de Orleans, em produtora de álcool gel.

Na terça-feira, o executivo conseguiu certo alívio financeiro em meio à valorização das bolsas globais, embaladas pelo otimismo sobre o enorme pacote de estímulo dos EUA. As ações da Christian Dior e da LVMH deram um salto, e a fortuna de Arnault aumentou em US$ 11,3 bilhões no dia, o maior ganho impulsionado por negociações já registrado pelo Índice de Bilionários Bloomberg.

Arnault, cujo aumento do patrimônio líquido no ano passado foi maior do que o ganho de qualquer pessoa do índice de 500 membros, ainda tem perdas de US$ 35,2 bilhões no acumulado de 2020 em meio à propagação da pandemia.

As oscilações na fortuna de Arnault destacam a forte volatilidade dos mercados globais, impulsionada pelo pânico do vírus e alternância entre esperança e pessimismo pela intervenção de governos. Após quatro dias de queda, o Dow Jones Industrial Average registrou o maior avanço desde 1933 na terça-feira.

Warren Buffett foi o segundo maior ganhador do índice, com aumento do patrimônio de US$ 6,5 bilhões, enquanto o espanhol Amancio Ortega, o titã por trás da marca Zara, ganhou US$ 5,9 bilhões. Ainda assim, no geral, as 500 pessoas mais ricas do mundo perderam mais de US$ 1 trilhão desde o início do ano.

Arnault, a pessoa mais rica da Europa, detém participações na LVMH, com sede em Paris, e na Christian Dior, a grife fundada três anos antes de seu nascimento, em 1949. Ele também possui ações da fabricante de artigos de luxo Hermès International e da rede de supermercados Carrefour.

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Ações de Carrefour, Pão de Açúcar e RD tentam resistir ao “sell-off” da bolsa: o que esperar delas agora?

SÃO PAULO – Nesses tempos de forte incerteza para o mercado e com o Ibovespa caindo 38,66% apenas entre os fechamentos dos pregões de 21 de fevereiro (pregão antes do feriado do Carnaval, quando a crise começou a ganhar força) e 24 de março, algumas ações têm se destacado, não por suas expressivas altas (o que é difícil encontrar no atual cenário), mas por sua resiliência nesse momento de tantas derrocadas do mercado por conta da crise do coronavírus.

Além de ações de empresas de energia, conhecidas pelo seu perfil defensivo – sendo a de melhor desempenho no índice a Taesa (TAEE11), com queda de “apenas” 20% no mesmo período de tempo -, quem vem chamando a atenção são as ações de varejistas. Mas de dois grupos específicos: a de alimentos e a de farmácias.

Os papéis do Carrefour Brasil (CRFB3) são destaque no Ibovespa ao subirem 1,40% no acumulado do último mês, sendo a única alta do índice no período. Em seguida, as ações da RD (RADL3) caem 11,78%, sendo seguidas por Telefônica Brasil (VIVT4; -15,71%), JBS (JBSS3, -18,32%%) e Pão de Açúcar (PCAR3; -18,33%). Elas são acompanhadas no ranking pela Taesa e Hypera (HYPE3; -19,97%), essa última também ligada ao ambiente farmacêutico, já que é produtora de remédios.

As 10 ações que mais suportaram o forte baque do Ibovespa entre 21 de fevereiro e 24 de março:

Melhores desempenhos fevereiro-março (Fonte: Bloomberg)
(Fonte: Bloomberg)

Faz sentido as ações dessas empresas varejistas estarem mais resilientes nesse cenário. Afinal, em meio ao coronavírus, uma pandemia mundial e que leva a uma doença altamente contagiosa, as medidas que vêm sendo tomadas por autoridades em todo o Brasil são de praticamente paralisar todas operações “não-essenciais”. Desta forma, para cumprir com as recomendações de distanciamento social, são mantidos apenas os serviços básicos.

Assim, varejistas cujas vendas estão relacionadas a esses bens de consumo (alimentação e saúde) continuam com suas operações funcionando, enquanto muitas empresas do varejo de vestuário até mesmo se anteciparam às medidas e fecharam suas lojas físicas em todo o Brasil, concentrando-se em vendas onlines.

Com isso, Pão de Açúcar, Carrefour, RD mantêm suas lojas abertas. Vale fazer uma menção também ao caso da Lojas Americanas (LAME4): apesar de parte das suas lojas (cerca de 30%) estar localizada em shopping centers, que foram fechados em São Paulo, por exemplo, a maioria das unidades da companhia também está funcionando.

Para itens essenciais, conforme destaca o Credit Suisse, a quarentena beneficia o consumo devido ao medo que a população tem com relação à falta de produtos nas prateleiras, o que leva a uma corrida atrás de itens básicos, principalmente. “Nesse contexto, farmácias e supermercados estão em vantagem”.

Conforme ressalta a XP, no caso das farmacêuticas, há relatos de aumento significativo do ritmo de vendas, em função da demanda crescente por produtos como álcool gel, vitamina C e máscaras.

Um ponto de atenção, contudo, avalia a equipe de análise, é que a maior parte da matéria-prima utilizada na fabricação de medicamentos no Brasil vem da Ásia (especialmente China, mas também Coreia do Sul, Japão e Índia). Desta forma, algo a ser monitorado é a potencial implicação do vírus na cadeia de abastecimento da indústria.

Por outro lado, vale destacar, conforme apontado pelo banco UBS em relatório, a RD, junto com outros líderes do setor, propuseram ao governo o adiamento de aumentos de preços de medicamentos, que são implementados todos os anos em 1º de abril. “Esta poderia ser uma decisão com implicações importante para a indústria farmacêutica e farmácias. Em nossa conversa com o escritório de advocacia Felsberg, foi destacado que o governo poderia considerar reduções de tarifas de importação e incentivos fiscais também para a indústria farmacêutica”, destacam os analistas.

Se o saldo é positivo no curto prazo para as ações das varejistas de alimentos e farmacêuticas, no médio prazo isso pode não se repetir, conforme aponta a Levante Ideias de Investimento.

Os analistas da casa de research apontam que, dado que a perspectiva é de desaceleração da economia – diversos bancos têm cortado estimativas e até mesmo projetando forte queda da atividade, sendo que o próprio governo reviu sua expectativa do PIB para alta de apenas 0,02% em 2020 – e de impacto nas taxas de desemprego, o coronavírus é ruim para os setores como um todo.

Contudo, a expectativa compartilhada por analistas é de que supermercados tenham um desempenho relativo melhor que o Ibovespa nesse período de turbulência para o mercado.

Conforme aponta o Credit Suisse, players de e-commerce, a rigor, também teriam uma vantagem competitiva devido à queda da circulação de pessoas nas ruas. “Apesar disso, não recomendaríamos no curto prazo exposição para este segmento. Isso porque acreditamos que os investidores irão considerar B2W (BTOW3), Magazine Luiza (MGLU3) e Via Varejo (VVAR3) como nomes de beta alto [com risco relativo maior] frente a um mercado que registra uma alta aversão ao risco”, avaliam.

Mais compras agora, menos depois?

Voltando a pensar mais no curto prazo, uma outra questão que se faz é quanto tempo vai durar o aumento de vendas para as varejistas de alimentos, uma vez que o efeito estocagem deve ser mitigado com menores compras nas próximas semanas, destaca a Levante.

Essa preocupação foi ressaltada por Flavio Martins, CEO do Grupo Martins, em live transmitida pela XP no último domingo (22).

O empresário, responsável pela empresa líder no segmento atacadista-distribuidor no país, ressaltou que o volume de vendas disparou nos últimos dias. “Percebemos aumento de 25% nas vendas no Rio de Janeiro, 20% em Minas Gerais, 10% no interior de São Paulo. O movimento continua gigantesco, principalmente no setor de alimentos”.

Porém, ele afirma que já é hora de se planejar sobre a queda no consumo nas próximas semanas: “Varejistas percebem o aumento de demanda, mas sabem que é uma antecipação de consumo”, disse. “As pessoas estão se preparando para ficar em casa”.

Por outro lado, o executivo não percebeu mudanças no abastecimento de mercadorias pelo país, uma preocupação do mercado nos últimos dias. “Ainda não identificamos bloqueio, os transportes estão fluindo, temos conseguindo transitar bem pelos estados. Até agora está funcionando. O objetivo é manter assim”, afirmou. Veja mais clicando aqui.

Sobre esse tema, vale destacar que a cadeia de varejo de alimentos está trabalhando com capacidade total atualmente, com as vendas sendo 30% superiores na última semana se comparado com igual período do ano anterior. O prazo de entrega em operações delivery também está aumentando.

“Os varejistas mencionaram que os produtos estão disponíveis, mas sua logística não foi projetada para reabastecer tão rápido quanto necessário. Com o tempo, espera-se uma normalização na cadeia logística”, aponta o UBS em relatório.

Com a palavra, as empresas

Com tantas questões no radar sobre os efeitos do coronavírus nas operações das empresas, o Credit Suisse conversou com diversas companhias do setor sobre a situação delas em relação à epidemia.

No caso da RD, a companhia destacou ter notado uma forte demanda por medicamentos sem necessidade de prescrição médica, o que a princípio é bem positivo para as vendas. Contudo, ela reforça que pode perder por outro lado, uma vez que as pessoas podem ficar em casa por um tempo indeterminado e consumirem menos.

Levando isso em conta, entre as vantagens competitivas da empresa, estão os centros de distribuição próprios, o balanço patrimonial forte e o reforço em seu nível de estoque. A RD, contudo, não está completamente confiante de que não ficará sem estoque, uma vez que as vendas estão sendo concentradas para os hospitais nesta fase.

Os analistas do Credit acreditam também que o aumento dos preços dos medicamentos de abril possa ser adiado. “Se, por um lado, a Raia não capturará o benefício de marcar seu estoque a preços mais altos, por outro lado, isso provavelmente prejudicará concorrentes menores (poucos deles já alavancados), abrindo espaço para um crescimento interessante para a RD quando a situação for normalizada”, apontam os analistas do banco.

O Carrefour Brasil, por sua vez, destacou ser favorecido pelas circunstâncias atuais e também reconheceu um forte aumento nas vendas desde a semana anterior. A despeito da demanda forte para álcool gel e máscaras, a empresa não teve problemas de estoque.

Além disso, há uma forte demanda por comida em todos os formatos de loja, especialmente no segmento de entrega online, fazendo com que a companhia atingisse rapidamente a sua capacidade total.

O Grupo Pão de Açúcar também viu um forte aumento da demanda, de 100% nas lojas físicas e 300% no canal online, tendo começado em São Paulo, mas se espalhando por todo o Brasil e formatos de lojas. A empresa planeja elevar a capacidade de entregas no e-commerce, que pode triplicar nos próximos 15 dias. O Grupo aumentou seu nível de estoque no primeiro bimestre e não há risco de falta de estoque, pelo menos não no curto prazo, afirmou.

Na frente do hipermercado, a empresa não sofreu menor demanda em itens não-alimentícios (que representam cerca de 30% das vendas nesse formato), mas o mix de produtos nessa categoria mudou para utensílios domésticos. Em relação às margens, o Credit avalia que a empresa tem espaço para entregar uma expansão, não por causa dos aumentos de preços, mas devido a uma redução no
eventos promocionais nos canais físico e online.

Vale fazer menção também às produtoras de alimentos, em destaque a JBS (JBSS3), que também registra uma performance mais positiva na comparação com o Ibovespa.

A empresa, destaca o Credit, possui um mix defensivo de produtos e não enfrenta problemas de liquidez, dada a gestão bem-sucedida de passivos implementada a partir de 2017 e a forte geração de fluxo de caixa em 2019.

“O principal risco para a tese de investimento da JBS parece ser um potencial desligamento de plantas em seus negócios integrados, à luz da disseminação do coronavírus [recentemente, uma decisão judicial fez com que uma das plantas da companhia voltasse a operar].  Destacamos que subsidiária norte-americana Pilgrim’s Pride e a Seara possuem uma cadeia longa e integrada, que continua ativa independentemente das operações das fábricas”, avalia.

Com todo esses pontos destacados, a avaliação é de que essas companhias oferecem sim maior resiliência e devem se beneficiar no curto prazo relativamente com o cenário atual da pandemia. Porém, no médio prazo, elas não devem escapar do baque da economia brasileira (assim como da atividade mundial). O curto prazo parece promissor, mas as incertezas sobre como será o efeito pós-coronavírus nas economias também permeiam as empresas – ainda que elas tenham mais alívio do que a maior parte das outras companhias da bolsa.

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Ação da Usiminas salta 20% após acordo com fundo de pensão; Pardini sobe mais de 30% com balanço e aéreas disparam

SÃO PAULO – A sessão desta quarta-feira é novamente de volatilidade para o Ibovespa, mas o índice conseguiu passar a registrar fortes ganhos, com os investidores atentos ao pacote trilionário nos EUA para ajudar a economia impactada pelo coronavírus.

A sessão também é de recuperação para ações de companhias aéreas, que vêm sofrendo fortemente o impacto da redução da malha aérea por conta do coronavírus. As empresas aéreas Gol, Latam e Azul entraram em acordo para manter uma escala mínima de voos no país enquanto durar a crise da covid-19, segundo informa o Valor Econômico. Nas cidades onde apenas uma empresa estiver operando, as rivais compartilharão os voos entre si. Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) sobem 21% e 33%, respectivamente.

As ações da Vale sobem mais de 6% com a alta do minério de ferro, que fechou com ganhos de 3,3%, a US$ 87,05 a tonelada;  já a Petrobras sobe cerca de 9% também com a alta do petróleo, na esteira do maior ânimo do mercado.

A Usiminas (USIM5), por sua vez, salta cerca de 21% com a notícia de que irá receber R$ 393,9 milhões em acordo com fundo de pensão. Fora do índice, a Hermes Pardini (PARD3), por sua vez, avança cerca de 30% na esteira de um bom resultado. Confira os destaques:

 

Usiminas (USIM5)

A Usiminas vai receber R$ 393,9 milhões em acordo com fundo de pensão, que foi homologado pelo juiz da 3ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte para permitir a extinção do processo judicial ajuizado em 27 de junho pela companhia, segundo comunicado.

O valor será pago em parcela única, em até 30 dias, contados a partir da data de homologação do acordo para pagamento. O objetivo do processo era eximir a Usiminas de continuar a promover o pagamento das parcelas mensais do programa de amortização do déficit do Plano de Previdência Complementar.

O Banco Morgan Stanley avaliou que a siderúrgica Usiminas teve uma “surpresa positiva” com a vitória no judiciário mineiro em uma ação movida contra seu antigo fundo de pensão. O banco avalia que a soma será um reforço de caixa para a Usiminas, embora ressalte que a empresa encerrou 2019 com um balanço sólido, quase sem amortizações da dívida entre 2020 e 2022.

O Itaú BBA também avaliou positivamente a vitória da Usiminas no judiciário e o recebimento inesperado dos R$ 394 milhões. “Embora a Usiminas esteja com uma posição confortável de caixa, um dinheiro extra sempre é bem-vindo em tempos de incerteza”, comentou o BBA. O banco avalia que o dinheiro a ser pago em 30 dias deverá representar 20% do caixa da empresa.

Natura (NTCO3)

A Natura suspenderá temporariamente a produção de maquiagens e perfumes em sete fábricas das controladas Avon e Natura na América Latina a partir de hoje, segundo o Valor, citando uma fonte. As unidades vão se dedicar, gradativamente, à fabricação de itens essenciais para higiene pessoal, como álcool em gel e líquido, segundo a reportagem.

Empresas de energia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou uma série de medidas por causa da disseminação do coronavírus, entre elas a vedação da suspensão do fornecimento por inadimplência de unidades consumidoras residenciais urbanas e rurais, além de serviços e atividades consideradas essenciais, como unidades hospitalares. A medida valerá por 90 dias.

O Bradesco BBI destacou em relatório que entre as ações defensivas do setor de energia, sua escolha recai sobre a Taesa. Segundo o banco, a base de clientes da empresa, no interior de Minas Gerais e do Centro-Oeste, tende a ser menos afetada pelo coronavírus. Além disto, a Taesa é principalmente uma transmissora de energia, não uma distribuidora – por isto, deve ser menos impactada pela suspensão dos cortes dos consumidores com contas em atraso. O papel da Taesa avançou apenas 0,7% na sessão de ontem do Ibovespa – que fechou em alta de 9,69% – o que significa que continua a oferecer potencial de valorização. O BBI classifica as ações da Eletrobras (ELET6), Cemig (CMIG3) e Sanepar (SAPR11) como de maior risco no cenário atual, mas não deixa de recomendá-las para o investidor que está propenso a correr riscos maiores.

O BBI e outros bancos começaram a avaliar melhor o cenário do setor de energia – mas também de algumas concessionárias de água e saneamento, como a Sabesp, Copasa e Sanepar – após a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) ter suspendido os cortes de eletricidade por 90 dias dos consumidores residenciais que estão com contas em atraso. A medida foi tomada para aliviar a população em meio à epidemia do coronavírus.

Concessionárias de água e saneamento, como a Sabesp em São Paulo, também suspenderam por 90 dias a cobrança da tarifa para consumidores de baixa renda.
O banco Morgan Stanley avalia que entre as empresas de energia, as distribuidoras sofrerão um impacto direto maior com as medidas. “Na nossa cobertura, as empresas mais expostas à distribuição são: Energisa, Equatorial, Light, CPFL, Energias do Brasil, Cemig e Copel. Já na cobertura de água e saneamento, nossa preferência relativa é pela Copasa e a Sanepar sobre a Sabesp”, comenta o Morgan Stanley.

Petrobras (PETR3;PETR4

A Petrobras fechou um acordo de R$ 350 milhões para a compra e venda de asfalto com sua coligada Stratura, subsidiária da BR Distribuidora com fábrica em Paulínia (SP). O acordo tem a validade de seis meses e prevê o fornecimento de 175 mil toneladas de Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP) e Asfalto Diluído de Petróleo (ADP).

Sul América (SULA11)

A seguradora Sul América comunicou na noite de ontem que adiou a realização da sua Assembleia Geral Ordinária por causa da epidemia do coronavírus. O evento deveria acontecer amanhã, de 26 de março, no Rio de Janeiro, mas foi reagendado para 24 de abril.

MRV (MRVE3

A construtora e incorporadora MRV, de Belo Horizonte (MG), aprovou um plano de recompra de 15 milhões de ações que possui no mercado. A empresa informou que a recompra ocorrerá na B3 e serão pagos preços de mercado pelos papéis. Segundo a MRV, o prazo do programa de recompra valerá até setembro de 2021. Os intermediários nas operações de recompra serão os bancos Itaú, Bradesco, Credit Suisse, Santander e BTG Pactual. A MRV informou que possui reservas de capital de R$ 49,5 milhões e outros R$ 475,5 milhões na reserva de lucros, caso seja necessário, para efetuar a operação.

Eucatex (EUCA4) 

A Eucatex pretende realizar um aumento de capital de R$ 363,7 milhões. Segundo a empresa, o aumento de capital ocorrerá através da incorporação da reserva de lucros, sem nenhuma emissão de novas ações. A operação, contudo, ainda precisará ser aprovada na Assembleia Geral Extraordinária, que será realizada em 29 de abril na capital paulista. Se a operação for aprovada, o capital social da Eucatex passará para R$ 488,1 milhões para R$ 851,9 milhões.

Hermes Pardini (PARD3)

O Instituto Hermes Pardini publicou balanço e reportou um lucro líquido de R$ 44,3 milhões no quarto trimestre de 2019, um crescimento de 67,3% sobre igual trimestre de 2018. No ano inteiro de 2019, o lucro líquido avançou 28,4% sobre 2018, para R$ 158,4 milhões.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 62,9% no quarto trimestre de 2019, sobre igual período de 2018, para R$ 85,5 milhões. Já o Ebitda do ano inteiro de 2019 avançou 39,6% sobre o ano anterior para R$ 334,6 milhões. Sediado em Belo Horizonte (MG), mas com presença forte em São Paulo e no Rio de Janeiro, o Hermes Pardini é uma das maiores redes de laboratórios e exames clínicos do país.

O banco Bradesco BBI avaliou que os resultados do Hermes Pardini seriam decepcionantes, não fossem “os resultados operacionais” como lucro e Ebitda, que no geral vieram em linha com as projeções. Segundo o BBI, o projeto Enterprise de redução de custos da empresa ainda não atingiu os resultados pretendidos e a empresa gastou mais dinheiro na aquisição de laboratórios. O crescimento orgânico, na avaliação do BBI, permanece um desafio. “Embora vejamos o Pardini como uma ação defensiva, acreditamos que o impacto positivo do projeto Enterprise foi menor que o esperado”. O BBI mantém a recomendação do papel PARD3 como neutra.

O Itaú BBA fez uma avaliação um pouco mais otimista sobre o Hermes Pardini. O banco avaliou os resultados como positivos e destacou que a lucratividade continua em alta, mas em um ambiente bem mais competitivo nos laboratórios. O BBA destaca que o crescimento do volume de vendas da rede terá papel determinante na expansão futura dos laboratórios. O banco mantém a recomendação de desempenho em linha com a média do mercado (“market perform”) para a Hermes Pardini, com um preço-alvo de R$ 27,00 para a ação, uma alta de 81,01% sobre os R$ 14,91 de fechamento da última sessão.

Em teleconferência, a gestão da companhia informou que a Hermes Pardini vai interromper a abertura de lojas em momento ‘agudo’.

O cenário para negócio lab-to-lab (serviços para laboratórios) tem se mostrado mais resiliente à crise com linhas de diagnóstico aumentando não só para o coronavírus, mas também para outras doenças, diz Alessandro Ferreira, vice-presidente da Hermes Pardini em teleconferência com investidores.

“O cenário para médio prazo vai depender de como a economia vai reagir, mas setor de diagnóstico como um todo tem papel importante em toda a cadeia”, destacou, complementando: “precisamos ver como as operadoras de saúde vão reagir ao impacto do coronavírus com aumento de custos”.

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(Com Bloomberg)

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