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Banco pode reter dinheiro de cliente por suspeita de fraude?

SÃO PAULO – A empresária e blogueira Lorenna Vieira denunciou, na última quinta-feira (30) uma abordagem que afirma ter sido preconceituosa e racista em uma agência do Itaú Unibanco no Rio de Janeiro. Nas redes sociais, ela diz que foi impedida de acessar seu dinheiro, cujo fluxo “não era normal”, de acordo com os funcionários da instituição. Após longa espera na agência, ela diz que foi levada a uma delegacia, onde teria recebido tratamento humilhante. O banco alegou suspeita de fraude.

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Em nota à imprensa, a instituição financeira diz que “lamenta profundamente os transtornos causados” e que “a verificação de documentos é obrigatória nos casos em que o cliente não tenha em mãos o cartão do banco ou não faça uso de biometria para realizar saques”

“O objetivo do procedimento é garantir a segurança dos próprios clientes, e não tem qualquer relação com questões de raça ou gênero. Infelizmente, pessoas tentam aplicar diariamente golpes usando documentos falsos em agências do banco. Em razão desse procedimento, o Itaú Unibanco conseguiu evitar inúmeras fraudes dessa natureza contra seus clientes. O banco reitera o pedido de desculpas a Lorenna pelo incômodo que a abordagem causou a ela”, escreveu o Itaú.

De acordo com especialistas consultados pelo InfoMoney, é comum que bancos bloqueiem o acesso de correntistas a suas contas por suspeita de fraude quando grandes somas de dinheiro são transferidas de ou para a conta sem permissão do titular. Ainda assim, o cliente que passar por um bloqueio indevido deve ser indenizado pelos danos causados: a jurisprudência tende a favorecer o cliente lesado.

Pedro Paulo Barradas, sócios da área de Relações de Consumo do escritório Pinheiro Neto Advogados, explica que, na maioria dos contratos bancários há a previsão de que a instituição bloqueie a conta por suspeita de fraude, mas nunca sem aviso prévio. “O banco é depositário do nosso dinheiro, ele não só tem o direito como tem o dever de preservar esse dinheiro. Então ele pode ligar para o cliente e questionar alguma atividade suspeita”, diz o especialista.

Caso não haja fundamentos para a suspeita e o bloqueio do dinheiro cause algum dano, seja ele um atraso em um pagamento ou um constrangimento ao titular da conta, é passível de processo. “Para você pedir uma indenização, deve haver um prejuízo e o banco tem que ser o responsável por esse prejuízo”, comenta Barradas. “Se não houve um comunicado sobre o bloqueio da conta, o banco costuma perder na justiça” complementa.

Por fim, o advogado lembra que, se houve racismo, não se trata apenas de uma prática ilegal, mas de um crime. “Quem pratica esse crime não é o banco, e sim a pessoa física que o comete, seja o gerente do banco ou o segurança, por exemplo”. Nesse caso, acrescenta, o banco também pode ser processado, segundo ele, pois responde pelos atos de seus prepostos.

Repercussão

O caso criou um movimento de repúdio nas redes sociais, com os termos Itaú e #ItauRacista alcançando os trending topics do Twitter. Muitas manifestações iam no sentido de cancelar contratos com o banco. Lorenna diz que pretende processar o banco. Na mesma rende social, a instituição disse que “acredita que toda forma de discriminação deve ser combatida”.

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Ibovespa fecha em alta seguindo bolsas dos EUA; dólar tem maior queda de 2020

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (3) acompanhando o movimento positivo das bolsas dos Estados Unidos, que se recuperaram das quedas recentes. Lá fora, as ações da Nike subiram com recomendações de compra do UBS e do JPMorgan. Já os papéis da Tesla dispararam 20% depois de um analista da Argus Research elevar o preço-alvo das ações para US$ 808 – atualmente eles estão em US$ 780.

Por outro lado, as bolsas da China reabriram hoje, terminando o pregão com queda de 7,72%. Os mercados chineses ficaram fechados desde o dia 24 de janeiro por conta da propagação do coronavírus.

A doença já infectou 17,2 mil pessoas, matando 361. O governo americano proibiu a entrada de qualquer pessoa não-residente vinda da China, onde começou a epidemia. Repercutindo essas medidas, o governo chinês acusou os Estados Unidos de exagerarem e provocarem “medo” com o surto do coronavírus.

O Ibovespa teve alta de 0,76%, aos 114.629 pontos com volume financeiro negociado de R$ 21,579 bilhões.

Enquanto isso, comercial caiu 0,86% a R$ 4,2483 na compra e a R$ 4,2488 na venda na sua maior baixa desde o dia 16 de dezembro, quando a moeda recuou 1,22%. Já o dólar futuro para março cai 0,84%, a R$ 4,2525. Em janeiro, o dólar subiu 6,8%, a maior alta mensal em dez anos.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu oito pontos-base a 4,93%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de sete pontos-base a 5,46% e DI para janeiro de 2025 recuou nove pontos-base a 6,15%

Na política, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), defendeu que o Novo Marco do Saneamento seja votado com celeridade. Segundo a XP Política, Coelho disse que o governo defende o texto que foi aprovado na Câmara, mas, para ele, é preciso estar aberto para possíveis mudanças que deverão ser sugeridas pelos senadores.

A oposição quer convocar o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para explicar as falhas no Enem, mas não definiu uma data. Desgastado pela crise com um dos seus assessores, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, lerá uma mensagem elencando as prioridades do governo.

Entre os indicadores, o Relatório Focus do Banco Central mostrou uma leve revisão para baixo nas expectativas dos economistas para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020. A projeção oscilou de 2,31% para 2,3%. Já para 2021 a perspectiva se manteve em 2,5%.

Com relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial de inflação do Brasil, a projeção do mercado recuou de 3,47% para 3,4% em 2020 e se manteve em 3,75% em 2021.

As previsões para o câmbio continuaram em R$ 4,10 para 2020, mas subiram de R$ 4,00 para R$ 4,05 em 2021. A expectativa para a Selic de 2020 segue em 4,25% e para 2021 caiu de 6,25% para 6%.

Noticiário corporativo

A Cogna (COGN3) fará uma oferta pública primária de 172,1 milhões de ações na B3, ao valor de R$ 2 bilhões. A empresa informou que usará a soma levantada para a aquisição de “sociedades que atuam no ensino superior” no Brasil. Posteriormente, a empresa ofertará ações na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) no valor de R$ 700 milhões, em outra operação.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
BRKM5 6.02219 33.45
QUAL3 5.69223 43.82
TOTS3 5.05023 78.42
GNDI3 4.60048 73.44
EQTL3 4.19463 24.84

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
IRBR3 -8.54339 41
ELET6 -1.56594 40.23
ABEV3 -1.45658 17.59
MRVE3 -1.38955 20.58
PETR3 -1.12026 30.01

)

Já a construtora e incorporadora MRV (MRVE3) comunicou que resolveu as questões sobre o investimento na sua subsidiária AHS Residential nos Estados Unidos. Segundo a MRV, houve uma conciliação de interesses entre o maior acionista individual no Brasil, Rubens Menin, e os outros acionistas.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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Custo de oportunidade: entenda como ele afeta os seus investimentos

Já precisou fazer alguma escolha muito importante na vida? Então, você se deparou com o custo de oportunidade. Sabia que ele também aparece na hora de escolher entre os diversos tipos de investimento?

Custo de oportunidade é aquilo de que você abre mão para ter alguma coisa. 

Por exemplo: quando você decide estudar alguma coisa, o custo de oportunidade é abrir de todas as outras atividades às quais você pode se dedicar.

Todos os dias, nos deparamos com escolhas que precisam ser feitas. Algumas decisões são simples e tomadas quase no modo automático: qual roupa usar, por exemplo.

Outras escolhas são mais complicadas, principalmente quando envolvem decisões relacionadas ao dinheiro: viajar ou economizar? Qual é melhor investimento?

A partir de agora, vamos entender melhor as nuances desse tipo de decisão e como ela afeta o seu planejamento financeiro. Você verá que ficará bem mais fácil tomar esse tipo de decisão.

Custo de oportunidade: como ele afeta os investimentos

Custo de oportunidade é um conceito que vem da Economia. Ele designa o benefício renunciado a partir do momento em que uma escolha é feita.

Para evitar a linguagem técnica, vamos usar exemplos que facilitarão o seu entendimento. Primeiro, com uma situação em que não há dinheiro envolvido.

Vamos supor que você é estudante e têm duas opções: acordar às 8h e estudar 4 horas até o almoço ou dormir essas quatro horas e só começar depois da refeição.

Se você optar por acordar cedo, renunciará a um benefício: mais 4 horas de sono em troca das horas adicionais de estudo. Ou seja, nesse caso, o seu custo de oportunidade será dormir menos.

Agora, vamos pensar em investimentos. Imagine que você tenha dinheiro guardado na poupança, mesmo sabendo que o rendimento da caderneta é ruim.

O que você faz? Gasta alguma energia para buscar opções melhores de investimento ou mantem seu dinheiro como está?

O custo de oportunidade nesse caso é a chance de ganhar mais dinheiro com outros investimentos versus o conforto de permanecer na poupança.

Como calcular o custo de oportunidade?

Apesar de tão importante, não existe uma fórmula para calcular precisamente o custo de oportunidade de uma situação. Isso porque muitos elementos são subjetivos.

Porém, como é possível notar, sempre se trata de uma escolha entre itens limitados: seja as horas de sono ou o dinheiro aplicado em um investimento.

Por isso, um exercício simples pode ajudar a tomar uma decisão quando você se deparar com esse tipo de escolha. Veja a seguir:

1 – Mapeie as consequências da sua escolha

Pegue uma folha de papel e divida-a em colunas, cada uma representando uma decisão que você pode tomar.

Liste em cada coluna os pontos positivos e os pontos negativos de cada uma das possibilidades. Faça um esforço para, sempre que possível, comparar valores iguais.

2 – Compare itens semelhantes

É mais difícil estimar o custo de oportunidade quando avaliamos itens com pesos diferentes. Por isso, evite comparar horas de sono com dinheiro gasto, por exemplo.

Assim, busque colocar na balança somente condições parecidas. Quando não for possível fazer uma comparação justa, pense nos seus objetivos: qual escolha te deixa mais perto do caminho que você quer trilhar?

3 – Não confunda despesa com custo de oportunidade

Despesa é o gasto feito com base na opção escolhida. É verdade que ela também pesa nas suas decisões, mas não deixe que um gasto maior no curto prazo te afaste dos seus objetivos.

Por exemplo: abrir uma conta em uma corretora de valores e transferir seu dinheiro para lá pode ter algumas taxas e impostos, dependendo de onde seu dinheiro está guardado.

Mas qual é o custo de permanecer em um investimento ruim ao longo do anos?

Como o custo de oportunidade se aplica ao universo dos investimentos?

Já vimos um exemplo simples de como o custo de oportunidade se aplica aos investimentos. Mas ele não se trata só de escolher entre uma aplicação ou outra.

Imagine concentrar todos os seus investimentos em uma única aplicação financeira e ela não entregar o retorno que você deseja. É aí que entra a diversificação dos investimentos.

Diversificar investimentos significa dividir seu dinheiro entre diferentes aplicações financeiras. O objetivo é que elas tenham diferentes papéis:

  • algumas servirão como um colchão de liquidez;
  • outras servirão para buscar retornos maiores;
  • outras buscarão mais retorno no longo prazo, e assim por diante.

A melhor parte dessa estratégia é que você aumenta a resiliência da sua carteira de investimentos: o retorno ruim de uma aplicação pode ser compensado pelo melhor desempenho de outra.

Além disso, você reduz os riscos de investir quando distribui o seu dinheiro entre diferentes aplicações.

Como escolher as melhores aplicações financeiras?

É difícil calcular o custo de oportunidade, mas é possível estimá-lo. No caso dos investimentos, existem algumas estratégias que podem ajudar.

Alguns indicadores do mercado de investimentos são bastante úteis na hora de analisar uma aplicação. Confira:

  • taxa Selic: é usada determinar a remuneração de um dos investimentos mais básicos: o Tesouro Selic. Assim, pode ser usada para saber se o seu investimento está rendendo acima ou abaixo dessa aplicação;
  • CDI: taxa muito próxima à Selic que serve para determinar a performance de um investimento básico. É amplamente usado no mercado de renda fixa;
  • Índice Bovespa (Ibovespa): principal referência do mercado de ações no Brasil, é usado nas comparações com aplicações mais arriscadas.

Esses indicadores podem dar algum norte a quem precisa de alguma referência para tomar decisões.

Outro ponto que merece atenção: existem aplicações que oferecem condições diferenciadas, como isenção de impostos.

Vale a pena analisar em quais casos essa isenção é válida e se é interessante considerar isso na sua decisão. Mas cuidado: em alguns casos, o benefício também vem acompanhado de uma rentabilidade menor.

Agora que você entende mais sobre o custo de oportunidade, que tal conhecer as aplicações financeiras à sua disposição? Baixe grátis o nosso Guia Completo sobre Tipos de Investimentos e tenha uma visão mais ampla sobre as alternativas!

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Cannabis medicinal: riscos e oportunidades

Por Natália Vasconcellos

O dia 3 de dezembro de 2019 foi uma terça-feira emblemática no Brasil – o dia em que a Anvisa aprovou por unanimidade a venda de produtos à base de cannabis para uso medicinal no Brasil, com validade de três anos.

Quase 40 países já legalizaram o uso da cannabis para fins medicinais, motivados tanto pelo mercado bilionário de produtos comercializáveis, como pela pressão da população que se sente atraída por seu potencial terapêutico.

A cannabis, ou “maconha”, é um termo utilizado para derivativos das plantas Cannabis sativa e Cannabis indica, que abrange mais de 60 compostos farmacologicamente ativos já utilizados para fins medicinais há milhares de anos e por diferentes culturas.

O delta-9 tetra-hidrocanabidiol, isolado em 1960 (Mechoulam et al.) é o principal composto psicoativo da droga e também o principal responsável por seu efeito de euforia e dependência.

É visto também na etiologia do déficit neurocognitivo e da síndrome de vasoconstricção cerebral reversível – um tipo raro de acidente vascular cerebral que vitima principalmente pacientes jovens e expostos a substâncias precipitantes como a maconha e a cocaína, podendo ocorrer com apenas um dia de uso.

Por sua vez, o canabinol e o canabidiol, além de sabidamente não produzirem efeito eufórico, agem sobre diversos receptores e são utilizados em doenças neurológicas. Um exemplo é a epilepsia fármaco-resistente, ou seja, aquela que não responde a outras duas drogas antiepilépticas eficazes, toleradas e em doses otimizadas.

Nesses casos, a adição da cannabis ao arsenal terapêutico pode reduzir em até 50% a quantidade de crises epilépticas, particularmente em síndromes como Lennox-Gastaut, Dravet e Esclerose Tuberosa.

Vale também mencionar estudos nos campos da espasticidade em pacientes com esclerose múltipla, e da terminalidade (casos de pacientes com câncer avançado ou outras doenças que não têm cura).

Nesse momento crítico da vida, evita-se prolongar a obstinação terapêutica (ou distanásia), utilizando a planta com o objetivo de aliviar a dor e o sofrimento. Essa prática já é disseminada em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

No campo da dor, ainda enfrentamos um grande desafio. Por certo, a medicação gera benefícios terapêuticos tanto a pacientes com dor crônica e incapacitante, como também àqueles com náuseas refratárias causadas pela quimioterapia.

Entretanto, um problema recorrente nos prontos-socorros públicos e privados é a existência de uma ampla população de pacientes viciados em medicamentos opioides (morfina, metadona, oxicodona e outros derivativos). A questão fica ainda mais grave quando esses recusam a internação para tratamento da dor com outros métodos, transitando de hospital em hospital na busca de algum médico que esteja disposto a prescrever a medicação viciante.

Embora seja uma enorme satisfação para qualquer médico aliviar a dor de seu paciente, uma questão não pode ser aqui ignorada: a existência de um grupo de pacientes que apresenta quadro clínico de origem não apenas física (às vezes, nem física é!), mas sim psíquica.

Nesse sentido, surgem as seguintes indagações:

– Como criar uma legislação que contemple o uso da cannabis para dor?
– Qualquer médico, de qualquer especialidade, pode prescrevê-la?
– E a dependência e os efeitos colaterais?
– Esses pacientes foram avaliados por tempo suficiente?

Em 2018, Devinski e colaboladores publicaram em uma renomada revista médica um estudo randomizado sobre a droga no campo da epilepsia refratária: com 224 pacientes, demonstrou como os principais eventos adversos a ocorrência de diarreia, fadiga, sonolência e inapetência em aproximadamente 10% dos casos.

No entanto, o estudo durou apenas 14 semanas. A dura realidade é que ainda carecemos de grandes estudos randomizados, controlados, cegos e capazes de avaliar com precisão o percentual de benefício, segurança e tolerabilidade da medicação a longo prazo.

Por tal razão, foi estabelecido por lei o prazo muito questionado de três anos, de modo que alguns estudos desse tipo sejam finalizados, e possamos ingressar na “fase quatro” – período em que o medicamento é lançado no mercado real (e não utópico) e possibilita um feedback para a indústria dos efeitos adversos.

É inegável que essa aprovação representa um grande avanço, em especial, no quesito segurança. Todo paciente que já usava a cannabis, mas que tinha que importá-la a custos exorbitantes sem ter acesso a sua composição real, agora pode adquiri-la nas farmácias locais. Obviamente, o Brasil acertou nos quesitos legalidade e transparência, haja vista o benefício, por exemplo, para pais de crianças com epilepsia refratária ou familiares de pacientes em fase terminal e com dor refratária a opióides.

Entretanto, na condição de médica neurologista, não posso deixar de evidenciar o enorme desconhecimento sobre o uso medicinal da cannabis. É fato que o desconhecido, apesar de gerar curiosidade e ser fonte de conhecimento para alguns, também abre espaço para o charlatanismo de outros, principalmente, em situações de vulnerabilidade, como as em que se encontram todos os portadores de doenças crônicas que até o momento não tem cura.

É certo que a informação se propaga rapidamente, e os sites da Internet ajudam nessa busca. Considerando a existência do charlatanismo e do curandeirismo em pleno século XXI, pergunto: podemos confiar em tudo?

É compreensível acreditar no prodígio e no discurso fácil e resolutivo quando se tem uma doença grave e progressivamente incapacitante. Em especial, quando o indivíduo se encontra na fase da negação – sim, ela existe e a maioria passa por ela.

Recordo-me da esposa de um paciente recém-diagnosticado com Parkinson que tinha visto na TV a proposta de um novo tratamento milagroso com o uso da “maconha”. Obviamente, meus colegas e eu da Escola Paulista fomos unânimes em dizer que não havia fundamento nem estudo que validasse o uso da referida substância para tal fim, mas que tínhamos proposta de um outro tratamento, não de algo que resultasse em cura.

Sim, novos estudos podem surgir, trazendo à tona nos usos para essa planta milenar, que atua em inúmeros receptores tanto no sistema nervoso central, como no periférico.

Entretanto, preocupa-me o caso dessa senhora e tantos outros que, ao invés de aceitar a verdade (muitas vezes dura), optam por opções fantasiosas de cura, com abandono do tratamento tradicional (estudado e debatido nas melhores universidades do mundo), em prol de um resultado duvidoso. Na medicina, infelizmente, até o momento aliviamos muito, mas curamos pouco!

Como já dizia o médico canadense William Osler: “na medicina e no amor, nem nunca nem sempre”. Não existe tratamento perfeito, nem medicamento sem efeito colateral.

Em um mundo tech e high, a valorização do médico de confiança e do médico da família, faz-me acreditar num laço mútuo. Acredito que ainda há espaço para a medicina tradicional, para o médico-cientista, que estuda e se dispõe a explicar ao paciente os reais benefícios, o percentual de sucesso e as possíveis complicações de um tratamento, compartilhando até mesmo suas próprias fonte de informação.

Acredito na capacidade de escolha, na liberdade econômica, política e individual, seja pelo “tratar”, seja pelo “não tratar”, seja pelo “viver o que me resta”, seja pelo “quero lutar até o fim”. Mas, tudo isso, de posse da informação verdadeira, atual e de qualidade.

Infelizmente, no assunto cannabis, a medicina está apenas engatinhando. Temos um longo caminho pela frente.

Natália Vasconcellos é associada do IFL-SP e médica pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Estudou neurociências na Universidade de Glasgow, Escócia e é neurologista pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Atualmente cursa mestrado em neurologia na UNIFESP e especialização em neurointervenção na USP-SP.

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Coronavírus interrompe 16 semanas de fluxos para ETFs de emergentes

(Bloomberg) – A crise causada pelo surto do coronavírus interrompeu os fluxos para fundos de índice de mercados emergentes, os quais estavam positivos há 16 semanas e já acumulavam US$ 19 bilhões.

Investidores sacaram US$ 2,52 bilhões de ETFs listados nos Estados Unidos que investem em mercados emergentes ou são focados em países em desenvolvimento específicos na semana encerrada em 31 de janeiro, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Foi a primeira saída líquida semanal desde o início de outubro e a maior desde meados de agosto.

Investidores têm vendido ativos de risco em meio à preocupação de que o vírus da China prejudicará a economia global. Janeiro foi o pior mês para ações e moedas de mercados emergentes desde agosto.

Os três maiores ETFs para ações de mercados emergentes registraram saídas de mais de US$ 1,5 bilhão no total. O iShares MSCI Emerging Markets ETF (EEM), com US$ 28 bilhões em ativos, perdeu US$ 1,22 bilhão, e o iShares Core MSCI Emerging Markets ETF (IEMG), com US$ 59 bilhões em ativos, registrou saída de US$ 245 milhões. O Vanguard FTSE Emerging Markets ETF (VWO), com US$ 64 bilhões em ativos, teve saques de US$ 74 milhões.

Os ETFs de renda fixa também sentiram o impacto com saída de US$ 366 milhões do iShares JP Morgan USD Emerging Markets Bond ETF, ou EMB, que tem US$ 16 bilhões em ativos.

Os fluxos para ETFs de mercados emergentes já haviam desacelerado na semana passada, para US$ 310 milhões em relação aos US$ 3,2 bilhões da semana anterior, mas o clima global de aversão ao risco se intensificou com o aumento do número de mortes pelo coronavírus, que ultrapassaram 300 com mais de 15 mil casos confirmados.

Com a reabertura das negociações na China na segunda-feira após o feriado do Ano Novo Lunar, o mercado de ações testemunhou a maior onda de vendas dos últimos anos. Agora, autoridades chinesas avaliam reduzir a meta de crescimento econômico para este ano, segundo pessoas a par do assunto.

  • ETFs de ações registraram saques de US$ 2,16 bilhões.
  • Fundos de renda fixa tiveram saídas de US$ 364 milhões.
  • O total de ativos encolheu de US$ 289,4 bilhões para US$ 274 bilhões.
  • O Índice MSCI Emerging Markets fechou em baixa de 5,1% em relação à semana anterior.
  • China/Hong Kong registram a maior saída, de US$ 685 milhões, após saques no iShares MSCI Emerging Markets.
  • As Ilhas Maurício tiveram a maior entrada de recursos, de US$ 58.775, liderada pelo Invesco BulletShares 2024 USD Emerging Market Debt.

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Taxa livre de risco: veja como utilizá-la em investimentos

Você está buscando retornos maiores no mercado financeiro, mas não sabe como medir se o risco das aplicações compensa? Então você precisa conhecer a taxa livre de risco, um importante indicador para quem investe.

A taxa livre de risco aponta o valor de cada aplicação e também o chamado custo de oportunidade. Ou seja, se você investir em uma aplicação de maior risco, ela indica o que você perderá comparado à alternativa mais segura.

Ficou interessado em entender como utilizar a taxa livre de risco para escolher seus investimentos? Leia mais neste post!

O que é a taxa livre de risco?

A taxa livre de risco representa o nível mínimo de rentabilidade. Esse indicador é geralmente representado pela taxa de juros de um país. Também pode ser classificado como o valor do dinheiro no tempo.

Aplicações associadas a essa taxa são investimentos de baixo risco, geralmente de renda fixa, como a poupança e títulos públicos vendidos pelo Tesouro Direto.

Nessas aplicações, quem investe tem a certeza de que vai receber de volta o dinheiro aplicado mais os juros previstos em contrato — diferentemente de outros produtos financeiros, como ações, fundos de investimento e títulos privados, nos quais o retorno não é garantido.

Como a taxa livre de risco é calculada?

Não é simples calcular a taxa livre de risco porque não existem, conceitualmente, ativos totalmente livres de risco. Isso porque ativos livres de risco precisam ter duas características: risco mínimo de calote e reinvestimento.

Enquanto títulos privados são emitidos por empresas que podem dar calote e não pagar o crédito, os títulos públicos apresentam risco de reinvestimento — apesar de o governo ser considerado o devedor que tem a menor probabilidade de não pagar o crédito.

Ainda que remunerem a taxa livre de risco e, portanto, possam ser considerados ativos livres de risco nominalmente, em termos reais a rentabilidade de um título público não pode ser prevista por conta do sobe e desce da inflação no país.

Ou seja, a macroeconomia faz com que não seja possível afirmar que, ao final do vencimento do título, se poderá encontrar títulos com condições similares.

Além disso, a volatilidade dos juros em países emergentes como o Brasil impede que a taxa CDI (que está sempre muito próxima da taxa básica de juros da economia) seja considerada efetivamente uma taxa livre de riscos. Podemos dizer apenas que o CDI é a taxa que mais se aproxima do conceito.

Como a média histórica da Selic é muito alta, especialistas indicam usar a Selic a 10 anos, que pode ser encontrada em sites especializados em finanças. Atualmente, está em 6,8% ao ano.

Ou seja, caso uma aplicação financeira pague pouco mais do que 6.8% ao ano, mas ofereça muito mais risco do que um título público, por exemplo, é indicado aplicar em outra opção, considerando o seu perfil de risco. Nesse caso, a aplicação não é viável.

Para que seja atrativa, é necessário que pague um bom prêmio de risco, mais distante da rentabilidade potencial da taxa livre de riscos.

Nos Estados Unidos, a taxa livre de risco se aproxima da taxa de juros das treasury bills, que são títulos de curto prazo; e das taxas de juros de títulos públicos com prazo de 10 anos e 30 anos, os chamados T-Bonds.

Por que a taxa é importante?

A taxa livre de risco é uma forma de analisar o risco em investimentos. Quem investe pode usar esse indicador para analisar ações, por exemplo.

O sistema de análise de ações mais popular é o Capital Asset Pricing Model (CAPM). Também conhecido como Modelo de Precificação de Ativos Financeiros, esse método analisa o risco e retorno de cada aplicação. Para isso, toma como base a taxa livre de riscos.

O risco e retorno de um investimento é um dos conceitos essenciais para investir. Ele aponta que não existe retorno alto sem risco. Geralmente, quanto maior o retorno, maior tende a ser o risco, e vice-versa.

Contudo, quem investe precisa entender que um maior retorno em aplicações com maior risco não é garantido. Ou seja, é apenas um retorno potencial, que pode se concretizar ou não.

Além disso, é necessário esclarecer que existem dois tipos de riscos em um projeto de investimentos: o diversificável e não diversificável.

O risco não diversificável é aquele sobre o qual quem investe não tem controle, como incertezas políticas, oscilações da inflação ou até taxa de juros.

Já o risco diversificável é aquele sobre o qual a pessoa tem controle, e pode ser diminuído por meio da distribuição do patrimônio em ativos com graus de risco diferentes.

O CAPM busca mensurar o risco não diversificável, chamado também de risco sistêmico. O modelo pode ainda analisar se uma ação está excessivamente valorizada, comparando o risco e o valor do dinheiro no tempo ao seu retorno.

Também pode calcular se investir em um determinado projeto é viável ou não para uma empresa ou para Pessoa Física.

Como escolher a melhor taxa?

A taxa livre de risco varia principalmente por conta de dois fatores: geográfico e temporal.

Por exemplo, a economia dos Estados Unidos tem um risco de crédito menor do que o da economia brasileira. Portanto, sua taxa livre de risco será inferior à taxa livre de risco do Brasil.

Por outro lado, o prêmio de risco para quem aplica na economia americana será inferior ao da economia brasileira. O prêmio de risco soberano é uma rentabilidade adicional que incorpora o risco político de um determinado país.

Por conta disso, estrangeiros podem preferir investir uma parte da carteira no Brasil como forma de obter mais retornos.

Já sobre a questão temporal, quanto maior o tempo da aplicação, mais crescem as incertezas em relação a indicadores que baseiam o investimento.

Por conta disso, as taxas livre de risco dos títulos públicos variam conforme o prazo de vencimento do crédito.

A melhor taxa livre de risco vai depender de questões pessoais, como situação financeira, objetivos de curto, médio e longo prazo e, principalmente, se quem investe suporta ou não oscilações altas em uma aplicação.

Agora que você conhece a importância da taxa livre de risco para avaliar aplicações financeiras, ainda tem dúvidas sobre como investir? Conheça o serviço de consultoria de investimentos no nosso Guia completo sobre o assunto!

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Caixa anuncia medidas de apoio para clientes de três estados afetados pela chuva

SÃO PAULO – Em decorrência das fortes chuvas que atingem Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, a Caixa anunciou na última terça-feira (28), uma série de ações para ajudar os clientes (pessoa física e jurídica) que moram nos estados.

Entre as principais medidas estão a isenção, por 3 meses, da cesta de serviços. De acordo com o banco, o benefício acontecerá de forma automática para os moradores das áreas atingidas.

Além disso, os clientes da Caixa dos três estados poderão solicitar 60 dias de carência para a 1ª parcela em novos contratos e pausa especial de até 2 meses em operações como: Penhor, CDC e Crédito Pessoal.

No Crédito Consignado, as recontratações da operação serão sem a geração de parcela no mês.

Os contratos habitacionais também poderão ter o prazo de pagamento de parcelas de financiamento estendido por até 90 dias.

Para as vítimas que tiveram dano material, as agências da Caixa darão suporte aos clientes para acionamento de seguro habitacional e procedimento de pagamento de indenizações de forma imediata e elaboração do trabalho social e engenharia.

Atendimento

As unidades da Caixa terão o seu horário de atendimento estendido e contará com reforço dos Caminhões-agência nas cidades mais atingidas. A instituição afirma também que fará remanejamento de empregados com base na demanda por atendimento e negócios em cada localidade, conforme a necessidade.

Empresas

As empresas poderão solicitar pausa de até 3 meses nos produtos de crédito Pessoa Jurídica e Produto de Investimento para aquisição de máquinas e equipamentos com carência de 06 meses e taxa de 1,10% a.m.

O banco ainda oferece ao segmento orçamento para contratação de operações com recursos PIS a 0,83% a.m. + TR sem IOF; Capital de Giro a 1,19% a.m., e prazo de até 36 meses.

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Associação de Lojistas Satélites contesta novamente números de vendas no Natal

A Associação Brasileira de Lojistas Satélites (ABLOS) afirmou na sexta-feira, 31, que contesta, novamente, o resultado das vendas de Natal divulgado pelo setor de shoppings. Em dados divulgados na quinta-feira, 30, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) afirmou que as vendas entre 19 e 24 de dezembro cresceram 3,1% em comparação com o mesmo período de 2018.

Tito Bessa Junior, presidente da ABLOS e fundador da rede TNG, afirma que os resultados das lojas satélites não estão em linha com o desempenho positivo anunciado.

Para o presidente da entidade, é preciso citar os dados por segmento e por tipo de receita, já que o chamado “mix” dos shoppings inclui também restaurantes, cinema, lazer e serviços, além das chamadas megalojas.

Bessa afirma que cerca de 70% dos R$ 192,8 bilhões de faturamento de shoppings são provenientes das lojas satélites e que, apesar dos investimentos em tecnologia e marketing, os pequenos lojistas estariam limitados “pelo alto custo de ocupação, o que não ocorre para as lojas âncoras, megalojas e restaurantes”.

“As Lojas Satélites não conseguem concorrer com operações que tenham privilégios ocupando o mesmo espaço, se os impostos e custos indiretos de água, luz e telefone são iguais a todos”, afirma.

No final de dezembro, a ABLOS havia divulgado nota afirmando que “contesta e repudia” os números das vendas de Natal divulgadas pela Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), que indicavam alta de 9,5% no faturamento.

À época, a ABLOS informou que não tinha pesquisa própria que apurasse o desempenho das vendas, mas que 70% dos associados afirmaram que as vendas natalinas de 2019 foram iguais ou piores do que as de 2018.

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Ibovespa Futuro tem leve alta com bolsas europeias e futuros dos EUA apesar de “sell-off” na China

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro tem leve alta nesta segunda-feira (3) seguindo as bolsas europeias e os futuros dos índices dos Estados Unidos. Na China, por outro lado, os mercados sangram, com a bolsa de Xangai fechando em queda de 7,72% em sua reabertura após ficar fechada desde o dia 24 de janeiro por conta da propagação do coronavírus.

A doença já infectou 17,2 mil pessoas, matando 361. O governo americano proibiu a entrada de qualquer pessoa não-residente vinda da China, onde começou a epidemia. Segundo a CNBC, o governo chinês acusou os Estados Unidos de exagerarem e provocarem “medo” com o surto do coronavírus.

Às 09h16 (horário de Brasília), o índice futuro para fevereiro registrava alta de 0,16%, aos 114.065 pontos, enquanto o dólar futuro para março cai 0,29%, a R$ 4,276. Em janeiro, o dólar subiu 6,8%, a maior alta mensal em dez anos.

Por aqui, o Congresso Nacional volta hoje do recesso com apenas três projetos prontos para votação, informa o jornal O Globo. A mudança na Lei do Saneamento é a única elencada como prioritária, no curto prazo, pelo poder executivo e pelos líderes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Há também as reformas tributária e administrativa, cuja tramitação ainda depende do envio das propostas do poder executivo.

A oposição quer convocar o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para explicar as falhas no Enem, mas não definiu uma data. Desgastado pela crise com um dos seus assessores, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, lerá uma mensagem elencando as prioridades do governo.

Entre os indicadores, o Relatório Focus do Banco Central mostrou uma leve revisão para baixo nas expectativas dos economistas para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020. A projeção oscilou de 2,31% para 2,3%. Já para 2021 a perspectiva se manteve em 2,5%.

Com relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial de inflação do Brasil, a projeção do mercado recuou de 3,47% para 3,4% em 2020 e se manteve em 3,75% em 2021.

As previsões para o câmbio continuaram em R$ 4,10 para 2020, mas subiram de R$ 4,00 para R$ 4,05 em 2021. A expectativa para a Selic de 2020 segue em 4,25% e para 2021 caiu de 6,25% para 6%.

Noticiário corporativo

A Cogna (COGN3) fará uma oferta pública primária de 172,1 milhões de ações na B3, ao valor de R$ 2 bilhões. A empresa informou que usará a soma levantada para a aquisição de “sociedades que atuam no ensino superior” no Brasil. Posteriormente, a empresa ofertará ações na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) no valor de R$ 700 milhões, em outra operação.

Já a construtora e incorporadora MRV (MRVE3) comunicou que resolveu as questões sobre o investimento na sua subsidiária AHS Residential nos Estados Unidos. Segundo a MRV, houve uma conciliação de interesses entre o maior acionista individual no Brasil, Rubens Menin, e os outros acionistas.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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Investimentos de impacto socioambiental remuneram pessoa física em até 1% ao mês

Na'Kau

SÃO PAULO – Cliente de dois dos maiores bancos do país, o professor universitário Heiko Hosomi Spitzeck teve várias experiências que considera “péssimas” na frente de investimentos. Ele queria alocar parte do seu patrimônio em aplicações com impacto social ou ambiental, mas as instituições financeiras tradicionais não só não ofertavam esse tipo de ativo como ofereciam produtos insatisfatórios.

“O gerente vinha com fundos que cobram taxa de administração mais alta que produtos semelhantes, mas investem uma parte dessa taxa em projetos que dizem ter benefício ambiental”, relata o professor. “Queria algo com rendimento normal de mercado, não necessariamente acima, mas que conseguisse me mostrar impacto social tão claro quanto o financeiro, e não um fundo que, no pior dos cenários, pode ter ações da Exxon [Mobil, a petroleira], que causa um enorme impacto ambiental negativo, mas doa para um projeto”.

Após anos de conversas infrutíferas com seus gerentes, em 2019 Spitzeck conheceu as duas primeiras iniciativas que atenderam aos seus desejos dentro de suas capacidades, isto é, sem necessidade de comprovar perfil de investidor qualificado (com certificado ou patrimônio investido superior a R$ 1 milhão). Agora, cerca de 15% da sua carteira está alocada em projetos de impacto, na plataforma de empréstimo da SITAWI Finanças do Bem e pela gestora Vox Capital. E a ideia é aumentar o montante.

Com propostas diferentes entre si, essas plataformas inauguraram no Brasil o que promete ser um novo nicho no mercado financeiro. Um levantamento da Global Impact Investing Network referente a 2018 mostrou que o total alocado em investimentos de impacto no mundo já superou US$ 500 bilhões.

SITAWI: P2P de impacto

Com 11 anos de atuação em investimentos de impacto, a SITAWI começou a abrir captação para investidores pessoa física em 2019, ano em que Heiko investiu em duas empresas através de sua plataforma de P2P Lending (P2P). Segundo Andrea Resende, Gerente de Finanças Sociais da instituição, a motivação foi a demanda pelo produto.

“Nos últimos três anos, as pessoas físicas começaram a nos procurar. Elas queriam investir como a gente”, diz Andrea. “Vemos uma grande mudança de consciência, principalmente nas novas gerações”, comenta.

Na primeira rodada, a Plataforma passou a apoiar cinco empresas de diversos segmentos. O investimento mínimo para participar foi de R$ 1 mil. As iniciativas Stattus4, de inteligência artificial para medição de água; CoopSertão e Orgânicos In Box, de alimentos; UPSaúde, de inteligência de dados aplicada à saúde; e Inteceleri, de educação, foram as selecionadas para a rodada de 2019, que arrecadou R$ 1,5 milhão através do P2P em 59 dias. O prazo do investimento é de dois anos.

Em março deste ano, a plataforma abrirá a captação de uma nova rodada, desta vez com foco em negócios de impacto na região Amazônica. Assim como em 2019, o investidor pessoa física poderá aportar valores a partir de R$ 1 mil em uma ou até cinco empresas. O juro pago é de 12% ao ano, ou 1% ao mês, bem superior à Selic (4,5% a.a. em janeiro de 2020) e três vezes a Poupança (70% do CDI). Os valores serão creditados nas contas a partir do primeiro mês, com prazo de dois anos.

Andrea explica que, além do impacto, a seleção das companhias apoiadas leva em consideração o potencial de crescimento, para diminuir os riscos do investidor. “Analisamos a capacidade de execução do time, a carteira de clientes e as taxas de crescimento”, elenca, tudo para entender o potencial de “repagamento” aos investidores. Os especialistas da instituição também acompanham o dia a dia do negócio de forma a otimizar as operações.

Outro artifício utilizado para enxugar os riscos são os investidores-âncora, instituições e empresas que também colocam dinheiro no projeto em condições diferentes da pessoa física, seja arcando com uma garantia, seja emprestando com prazos mais longos, por exemplo.

Mas até agora não há do que se queixar nesse sentido. Andrea conta que todas as empresas da primeira rodada estão 100% adimplentes. Em toda a existência da SITAWI, a taxa de inadimplência é menor que 5%. De todo modo, é importante compreender que não se trata de um investimento indicado para um perfil totalmente conservador.

Vox: foco no capital-semente

Com outra proposta, a Vox Capital, gestora de impacto que atua desde 2009 com investidores profissionais, qualificados e institucionais, lançou no ano passado dois produtos de varejo, um deles focado na pessoa física com menos capital (para investir a partir de R$ 1 mil) e o outro para o qualificado (com piso de R$ 25 mil).

As empresas selecionadas pela Vox são startups que desenvolvem soluções tecnológicas para aumentar o acesso de pessoas de baixa renda a educação, saúde e finanças, principalmente.

Como trabalha com o modelo de equity crowdfunding (financiamento coletivo) para empresas em fase muito embrionária, a Vox tem um perfil ainda mais arriscado que a Sitawi, que já trabalha com empreendimentos um pouco mais estabelecidos. “Apesar de o investidor poder entrar com mil reais, ele não pode depender desse dinheiro para o seu fluxo de caixa”, recomenda Daniel Izzo, co-fundador da instituição.

As possibilidades de ganho, por outro lado, também são mais interessantes. “Se a startup der muito certo, o investidor tem direito a uma participação na empresa e, anos para frente, o retorno pode ser em múltiplos que não necessariamente podemos prever”, explica. As outras duas possibilidades são a empresa seguir com operações normais e pagar a dívida com juros ou, pior, falir. Neste último caso, o investidor perde dinheiro.

Investidor quer mais

“Muito satisfeito” com seus investimentos, o professor Spitzeck espera encontrar novas oportunidades na mesma linha, mas tem apenas uma queixa principal relacionada à sua experiência com as instituições: ele queria saber ainda mais sobre os negócios investidos e os impactos positivos causados.

Tanto a SITAWI quanto a Vox prometem relatórios esporádicos divulgando aos investidores a evolução das empresas e o impacto atingido. No caso da Vox, essa prestação de contas será trimestral. Mesmo assim, há queixas sobre o formato de apresentação desse balanço. “Queria um portal, um painel que mostrasse quantas crianças receberam educação a partir do meu investimento, por exemplo. Está muito disperso”, diz Spitzeck.

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