Blog Feed

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

ações em queda

A volatilidade voltou aos mercados nesta quarta-feira. As bolsas da Ásia fecharam em queda e os futuros de Nova York operam em terreno negativo, aguardando medidas de estímulo do governo americano. Enquanto isso, o banco da Inglaterra cortou inesperadamente a taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual, o que deu fôlego às bolsas de valores da Europa, que operam em alta.

No Brasil e nos EUA, hoje, serão publicados indicadores de inflação. No noticiário corporativo, o governo federal indicou o executivo Antônio Cássio dos Santos para presidir o Conselho da resseguradora IRB Brasil RE, enquanto Localiza e Movida divulgaram balanço.

1. Bolsas mundiais

As bolsas da Ásia fecharam em queda nesta quarta-feira e a volatilidade voltou aos mercados. Na Europa, o Banco da Inglaterra reduziu a taxa de juros inesperadamente em 0,50 ponto porcentual, para lidar com os efeitos negativos do Brexit e do coronavírus na economia britânica. O corte de juros, fora de reunião regular, foi o primeiro movimento de emergência do BC britânico desde a crise global. A medida foi bem recebida nos mercados europeus, que avançam na manhã de hoje.

O BOE ainda anunciou medidas para ajudar a manter o crédito fluindo pela economia, dizendo que o surto de coronavírus prejudicará a atividade. O Presidente do BOE, Mark Carney, disse que o banco tomará todas as medidas necessárias para ajudar o Reino Unido. Vale destacar que a presidente do BCE, Christine Lagarde, alertou sobre risco de uma crise como em 2008 e indicou que o banco agirá ainda esta semana: o BCE fará reunião de política monetária amanhã.

Em Nova York, contudo, os futuros apontam uma abertura em baixa na NYSE. Investidores esperam por mais detalhes sobre as medidas de estímulo à economia americana, enquanto os juros dos treasuries voltam a cair, em sinal de retomada da aversão ao risco. O número de casos do coronavírus superou 110 mil no mundo e mil nos EUA.

Nos mercados de energia, os futuros do petróleo estão em queda. O Reino da Arábia ordenou à estatal Aramco que bombeie mais 1 milhão de barris diários de petróleo.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h36*

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -1,85%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1,77%
*Dow Jones Futuro (EUA), -1,69%

Europa
*Dax (Alemanha), +1,80%
*FTSE (Reino Unido), +0,94%
*CAC 40 (França), +1,90%
*FTSE MIB (Itália), +1,16%

Ásia
*Nikkei (Japão), -2,27% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -2,78% (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong), -0,63% (fechado)
*Xangai (China), -0,94% (fechado)

*Petróleo WTI, -1,89%, a US$ 33,60 o barril
*Petróleo Brent, -1,80%, a US$ 36,00 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam estáveis, cotados a 653.500 iuanes, equivalentes a US$ 94,03 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 6,9493 (-0,05%)
*Bitcoin, US$ 7.885,43 +0,20%

2. Indicadores econômicos 

No Brasil e nos Estados Unidos, hoje serão publicados vários indicadores de inflação. A FGV publica às8h a prévia de março do IGP-M. Já o IBGE deve publicar às 9h o IPCA de fevereiro. A inflação medida pelo IPCA deve ter desacelerado para alta de 3,90% em fevereiro na comparação anual, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg, depois de ter ficado em 4,19% na medição anterior. No comparativo mensal, índice deve ter desacelerado de 0,21% para 0,15%.

Nos EUA, o Escritório Nacional de Estatísticas publica às 9h30 a inflação para o consumidor em fevereiro.

Já o BC oferta até 20.000 contratos swap em leilão nesta quarta; leilão ocorre das 9h20 às 9h30. O BC deixa de ofertar dólar à vista após leilões deste tipo nos dois últimos dias; venda de US$ 2 bilhões ontem ajudou o dólar a cair 1,7%, devolvendo a maior parte da forte alta de 2,1% de segunda-feira. A autoridade monetária ainda divulga fluxo cambial semanal às 14h30.

3. Política

Paulo Guedes, ministro da Economia, enviou ofício aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, na noite desta terça-feira, pedindo prioridade na votação de projetos da agenda econômica. “Considerando o agravamento da crise internacional em função da disseminação do Coronavírus e a necessidade de blindagem da economia brasileira, o Ministério da Economia propõe acelerar a pauta que vem conduzindo junto ao Congresso Nacional”.

Ele ainda destacou que as matérias já em tramitação “são extremamente relevantes para resguardar a economia do país, aumentar a segurança jurídica para os negócios e atrair investimentos”. Entre as matérias prioritárias citadas estão autonomia do BC, privatização da Eletrobras, marco legal do saneamento e PECs do pacto federativo. “Com a continuidade de reformas estruturais que o país precisa, será possível recuperar espaço fiscal suficiente para a concessão de outros estímulos à economia”, diz o ofício. A equipe econômica prepara reforma tributária e diz que reforma administrativa será encaminhada em breve.

Ainda em destaque, um impasse entre os partidos de centro ameaça deixar para depois de 15 de março a votação sobre o chamado “orçamento impositivo” no Congresso. Uma tentativa de chegar a um acordo na noite de ontem fracassou. A sessão mista da Comissão do Orçamento foi interrompida e deve ser retomada hoje.

4. Eleições americanas 

O ex-vice-presidente Joe Biden foi o grande vencedor das primárias realizadas em seis estados ontem e consolidou seu favoritismo na disputa pela candidatura do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos.

Biden derrotou Bernie Sanders em Michigan, o maior prêmio da noite e um dos estados em que Sanders havia obtido uma vitória surpreendente – e apertada — contra Hillary Clinton, há quatro anos. Confira mais clicando aqui. 

5. Noticiário corporativo 

A União indicou na noite de ontem o executivo Antônio Cássio dos Santos para o cargo de presidente do Conselho de Administração da resseguradora IRB Brasil RE (IRBR3). O executivo chega com a missão de recuperar a imagem da empresa, abalada por escândalos. Já o Magazine Luiza (MGLU3) deverá ratificar na sua Assembleia de 9 de abril o aumento de capital da companhia para R$ 6 bilhões. As locadoras Movida (MOVI3) e Localiza divulgaram balanço na noite de ontem.

Ainda em destaque, Tim e Vivo manifestam interesse em negociar compra da Oi móvel, a Vale foi elevada a compra pelo HSBC e, na Petrobras, o Conselho da estatal aprovou plano para equacionar o déficit da Petros.

Invista melhor seu dinheiro: abra uma conta gratuita na XP

The post Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira appeared first on InfoMoney.

Circuit Breaker 2020: as lições aprendidas no pior dia da Bolsa no século

Na última segunda-feira (9), o Ibovespa teve o circuit breaker acionado após a queda de mais de 10% no início do pregão, impulsionada pela derrocada dos preços do petróleo em meio ao imbróglio entre a Arábia Saudita e Rússia, dois dos três maiores produtores mundiais.

Para falar a respeito, o time do Stock Pickers realizou um episódio especial ao vivo para discutir os aprendizados com o primeiro circuit breaker de 2020. O convidado para a roda de conversa foi Francisco Utsch, diretor de investimentos da Kiron Capital. Ele tem cerca de 16 anos de experiência no mercado de ações.

“A gente vinha do ano passado muito positivo para bolsa. Vimos o S&P500 subir 30%, empresas de tecnologia também subindo e o próprio Ibovespa subiu cerca de 30%. Fazia tempo que não via um ano, que não fosse após um crash, com um movimento tão forte. E dentro desse tipo de movimento é normal ter exageros, e geralmente o mercado acerta a direção, mas erra a intensidade e nosso trabalho é tentar garimpar as oportunidades”, afirmou Utsch.

O gestor está otimista para os próximos anos e contou como a Kiron lidou com a turbulência que o mercado enfrentou.

“A primeira coisa que fizemos foi limpar o caixa. Usamos tudo, que não era muito. Viramos fevereiro para março, depois do CoronaDay, 97% comprados mais ou menos. Mas apostamos em nomes específicos, como a Azul”, diz.

Segundo ele, sempre que existe um choque muito grande, seja de câmbio, commodity, algo que pode balançar muito a estrutura do mercado, o mais importante ao olhar para a empresa que será comprada é se ela vai sobreviver na hora que a coisa normalizar.

“Não se sabe quanto tempo demora, então é preciso ter certeza que a companhia ficará de pé depois. Todas as empresas que aumentamos a posição, ou elas não tinham problema de alavancagem ou achamos que valia o risco”, explica.

Utsch acredita que também é fundamental se manter alinhado ao fundamento operacional mesmo em dias turbulentos. “Ao olhar a dinâmica da empresa que vamos aumentar a posição, precisamos enxergar um negócio que vai continuar crescendo significativamente, que tem uma trajetória de expansão de margem e de resultados. Não adianta só estar barato se o fundamento não está tão bom. Isso porque ao longo do tempo, se o contexto negativo se estende, é uma posição que vai ficando incômoda”.

Ele afirma que o ideal, se o gestor tem uma carteira bem montada, é querer comprar mais da ação, se ela cair 20% ou 30% – porque está barato. “Quando uma ação está caindo 20% ou 30% e você quer vender, errou a tese. Algum pilar do racional de investimento não se concretizou”, diz.

Além disso, ele conta que durante o pregão do circuit breaker teve que tomar uma decisão difícil.

“Usamos o caixa todo, mas ainda tinha algumas posições que queríamos estar comprados. Então, tivemos que tomar a decisão difícil de vender alguns papeis que gostamos, para comprar outros que gostamos ainda mais. É uma situação complicada porque eventualmente nessa troca de ativos é possível se perder no meio do caminho e fazer um mau negócio, principalmente porque a volatilidade é grande e não tem como saber o parâmetro de onde os preços vão se estabilizar”, afirma.

Por isso, segundo ele, é tão importante estar confortável com os fundamentos da empresa. “Para não ter erro, aposte em empresas que você conhece, que já tem a lição de casa feita ou que consegue fazer rapidamente durante o pregão”.

Petróleo, dólar e coronavírus: pode ficar pior?

No contexto desse pregão em especial, uma série de fatores estavam envolvidos e nenhum operando no terreno positivo: uma questão geopolítica entre Arábia Saudita e Rússia, o dólar disparando e sem saber o próximo ponto de alcance da epidemia do coronavírus.

O desafio de muitos gestores é entender se o momento é propício para colocar mais dinheiro ou se o ciclo acabou é hora de “fugir para as colinas”.

Para Utsch é preciso pensar nisso o tempo todo e ser flexível caso perceba que os movimentos estão mudando. “Mas por enquanto não achamos que houve uma mudança desse cenário. O câmbio me dá um pouco mais de frio na barriga pelo potencial impacto inflacionário. O que poderia quebrar esse potencial do Brasil, seria acabar com o ciclo de redução de juros e eventualmente entrar para um ciclo de elevação de juros. É um ponto de atenção”, diz.

“A questão do petróleo, pela primeira vez, vamos viver algo que acontece em países desenvolvidos como nos EUA, é ter uma queda no petróleo e isso ser repassado para a população. Porque na prática, se isso realmente acontecer, você tira dinheiro das petroleiras e passa para o bolso do consumidor brasileiro. Pode ser algo positivo. E sobre o coronavírus, é difícil prever o tamanho do impacto. Mas cada vez mais vejo que será um impacto de curto prazo. Não dá para afirmar, mas acho que é choque pontual”, diz.

Newsletter InfoMoney
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro, todos os dias no seu email:

send
Concordo que os dados pessoais fornecidos acima serão utilizados para envio de conteúdo informativo, analítico e publicitário sobre produtos, serviços e assuntos gerais, nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados.
check_circle_outline Sua inscrição foi feita com sucesso.

The post Circuit Breaker 2020: as lições aprendidas no pior dia da Bolsa no século appeared first on InfoMoney.

Crise do petróleo testa revolução de energia verde de US$ 10 trilhões

(Bloomberg) — Em 2014, quando houve o último choque do petróleo, os governos não tinham um pacto para combater a mudança climática. No ano seguinte, os líderes assinaram o Acordo de Paris.

Desde então, investimentos verdes dispararam. Cerca de US$ 1,2 trilhão foram investidos em energia renovável, e as vendas globais de veículos elétricos atingiram 2 milhões de unidades no ano passado. A Bloomberg NEF estima que US$ 10 trilhões sejam investidos em energia limpa até 2050.

O acordo também marcou um divisor de águas cultural, com metas de emissões agora policiadas por um movimento ambiental cada vez mais forte que tem moldado a política de vários países. Em um sinal dos tempos, a ativista Greta Thunberg e o fundador da Tesla, Elon Musk, são agora duas das pessoas mais famosas do mundo.

Então, quando nesta semana a Arábia Saudita e a Rússia entraram em uma guerra de preços que sacudiu mercados globais já abalados pelo coronavírus, parecia que os maiores produtores de petróleo reafirmavam sua supremacia no curto prazo. No entanto, a medida pode representar mais um passo em uma tendência de longo prazo para acabar com o poder do petróleo.

O preço do barril de petróleo ainda é um importante indicador econômico. Mas o impulso incansável de diminuir o uso de combustíveis fósseis sugere que o impacto geopolítico deve ser mais suave do que no passado, já que o imperativo de combater o aquecimento global entra em cena.

“O impacto do preço do petróleo no crescimento econômico geral tem se dissociado desde os anos 80”, disse Shane Tomlinson, vice-presidente executivo do think tank ambiental E3G. “Poderemos ver movimentos excepcionais no preço do petróleo nos próximos meses, mas não acho que isso mude a necessidade fundamental de abordar a mudança climática.”

A queda do petróleo de US$ 55 na semana passada para US$ 35 o barril tem implicações importantes para a abordagem das mudanças climáticas. Preços baixos incentivam mais uso de petróleo; encolhe orçamentos das petroleiras, colocando em dúvida projetos de energia limpa; e alguns governos sentem-se pressionados a apoiar petrolíferas em dificuldades. Tudo isso aumenta as emissões, o que é uma má notícia para o aquecimento global.

No entanto, se os preços baixos se mantiverem desta vez, podem surgir importantes pontos positivos no combate às mudanças climáticas.

A energia renovável é uma indústria mais madura do que há cinco anos. Ao se tornar um investimento menos arriscado, atraiu grandes investidores que têm investido muito dinheiro e construído alguns projetos que rivalizam com a capacidade das usinas convencionais. Ao mesmo tempo, a exploração de petróleo se torna menos viável economicamente, com maior risco de que mesmo projetos em andamento já não produzam bons retornos e preocupações com o aumento de ativos ociosos.

“Agora não faz sentido reduzir o investimento em renováveis se o preço do petróleo cair”, disse Mark Lewis, chefe de sustentabilidade do BNP Paribas Asset Management. “É mais lógico reduzir o investimento em petróleo.”

Invista em ativos promissores com quem mais entende do assunto. Abra uma conta gratuita na XP. 

The post Crise do petróleo testa revolução de energia verde de US$ 10 trilhões appeared first on InfoMoney.

CVM diz que empresas devem informar impactos do Covid-19 em demonstrações financeiras

As companhias abertas devem informar os eventuais efeitos do coronavírus em suas demonstrações financeiras e analisar cuidadosamente a necessidade de divulgação de fato relevante relacionado a seus impactos. Essa é a orientação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em ofício divulgado há pouco como resposta ao avanço da epidemia e de seus reflexos nos mercados de capitais internacionais e brasileiro. Entre os alertas, a autarquia pede especial atenção a eventos ligados à continuidade dos negócios e/ou estimativas.

“Dada a interconectividade da cadeia produtiva global, alguns regulados da CVM podem estar sujeitos a impactos econômico-financeiros advindos da epidemia. Tais impactos devem ser, na medida do possível, refletidos nas demonstrações financeiras das companhias registradas na CVM”, diz o ofício assinado pela superintendência de normas contábeis e auditoria e a superintendência de relações com empresas (SEP). O documento é endereçado aos diretores de relações com investidores e auditores independentes.

As áreas técnicas da CVM destacam a importância de as empresas e seus auditores independentes considerarem cuidadosamente os impactos do Covid-19 em seus negócios e reportarem nas demonstrações financeiras os principais riscos e incertezas advindos dessa análise, observadas as normas contábeis e de auditoria aplicáveis.

Segundo o ofício, as companhias devem dar especial atenção a eventos econômicos que tenham relação com a continuidade dos negócios e/ou às estimativas contábeis levadas a efeito. O ofício menciona as seguintes áreas: Recuperabilidade de Ativos, Mensuração do Valor Justo, Provisões e Contingências Ativas e Passivas, Reconhecimento de Receita e Provisões para Perda Esperada.

A autarquia esclarece que “em relação às Companhias que encerraram o exercício em 31 de dezembro de 2019, esses impactos devem ser registrados como eventos subsequentes em consonância com o disposto na Deliberação CVM nº 593 de 15 de setembro de 2009, que aprova o CPC 24 – Evento Subsequente”. A norma explica como a companhia deve proceder em caso de eventos que ocorram após a entrega das demonstrações financeiras, sejam eles favoráveis ou desfavoráveis.

Em relação àquelas empresas cujo exercício tem encerramento posterior a 31 de dezembro de 2019 ou que já estejam em processo de preparação das primeiras informações trimestrais de 2020, a CVM ressalta que os riscos e incertezas sobre o coronavírus podem impactar diretamente a elaboração das demonstrações financeiras do período.

O órgão regulador do mercado de capitais destaca que é importante que as companhias avaliem, em cada caso, a necessidade de divulgação de fato relevante e de projeções e estimativas relacionados aos riscos do Covid-19 na elaboração do formulário de referência.

“Com relação aos efeitos do coronavírus, a CVM segue verificando se os emissores vêm cumprindo com seu dever de divulgar informações úteis à avaliação dos valores mobiliários por eles emitidos”, alerta o superintendente de relações com empresas, Fernando Soares Vieira.

A CVM ratifica a necessidade de manutenção da qualidade do processo de elaboração e auditoria das demonstrações financeiras, em consonância com os padrões internacionais de contabilidade e de auditoria.

“Apesar da difícil tarefa de quantificação monetária dos impactos futuros, é necessário que as companhias e seus auditores, cada qual exercendo o seu papel, empenhem os melhores esforços para prover informações que espelhem a realidade econômica”, explica em comunicado José Carlos Bezerra da Silva, superintendente da SNC.

A CVM afirma que está em contato direto com outros reguladores de mercado de capitais para alinhar entendimentos e a garantir a adequada proteção dos que investem no mercado de valores brasileiro.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos

The post CVM diz que empresas devem informar impactos do Covid-19 em demonstrações financeiras appeared first on InfoMoney.

Black (oil) Swan: por que o petróleo caiu 20% e pode cair ainda mais

Instalações de petróleo da Aramco

Quem achou que o fim de semana daria uma trégua no noticiário negativo se enganou. O Ibovespa registrou seu 6º “Circuit Breaker” da história (e o 1º desde 2017) ao recuar 12,17% – pior pregão do século 21 – fechando aos 86.067 pontos, menor patamar desde dezembro/2018 (sim, devolvemos 14 meses de alta em poucos dias). O caos não foi só aqui: o índice S&P500 caiu 7,6% e teve sua pior queda diária desde 2008, com o ‘índice do medo’ VIX subindo 30% para 54, maior nível e maior alta diária desde a crise financeira de 2008.

Para vocês terem dimensão do evento, veja abaixo a tabela que retiramos do Rico Matinal (clique aqui para assinar nossa newsletter diária. É gratuito!) com os principais indicadores locais e internacionais de mercado e suas oscilações no dia:

Sim, você não leu errado. As ações da Petrobras caíram 29,7% seguindo a queda de 24% dos preços do petróleo pior conta da guerra de preços capitaneada pela Arábia Saudita (maior produtor do Oriente Médio) no último sábado – o petróleo, aliás, chegou a cair 30% na sessão sendo que já havia caído 6% na sexta.

Mais do que entender o que aconteceu e suas implicações na economia global, queríamos escutar alguém que já acompanha o mercado de petróleo há tempo o suficiente para traçar semelhanças com eventos anteriores e diagnosticar o que esperar do preço do petróleo daqui para frente.

Com isso em mente, o Stock Pills dessa semana foi uma verdadeira aula sobre petróleo contada por Ricardo Kazan, que além de além de acompanhar a commodity há pelo menos 15 anos é também gestor internacional da Novus Capital (conversamos com a gestora no Stock in Rio. Clique aqui para saber mais!)

Para explicar o que aconteceu, ele remontou à péssima e agressiva estratégia adotada pela Arábia Saudita anos atrás para frear a produção de petróleo (shale oil) dos EUA. Naquele momento o petróleo chegou a tocar os US$ 27, pouco abaixo do atual patamar de US$ 37 (nesse momento em que escrevo, 17h do dia 10/mar/2020). Os produtores americanos não só sobreviveram como se tornaram ainda mais eficientes nesse período. Foi aí que Arábia Saudita e Rússia ficaram ‘amiguinhos’ em meados de 2016 e se juntaram para diminuir a oferta de petróleo no mundo… amizade que parece ter acabado no último sábado.

O fim da amizade em meio a propagação do coronavírus juntou o pior dos dois mundos: queda na demanda e elevação da produção (e oferta) de petróleo. Como quem manda em commodity é a lei da oferta e procura e como é impossível precificar o seu “valor justo”, o que vimos foi uma brusca queda dos preços petróleo.

Depois de recuar 24% na segunda, o petróleo avança 10% nessa tarde. Será que dá pra acreditar nessa alta ou devemos ver o petróleo romper a mínima de 2016?

Para saber por que o petróleo pode cair ainda mais, escute no Stock Pills dessa semana o que um especialista no assunto e gestor tem a dizer.

View this post on Instagram

Mais do que entender o que aconteceu e suas implicações na economia global, queríamos escutar alguém que já acompanha o mercado de petróleo há tempo o suficiente para traçar semelhanças com eventos anteriores e diagnosticar o que esperar do preço do petróleo daqui para frente. Com isso em mente, o Stock Pills dessa semana foi uma verdadeira aula sobre petróleo contada por Ricardo Kazan que além de além de acompanhar a commodity há pelo menos 15 anos é também gestor internacional da Novus Capital (@novuscapital). Depois de recuar 24% na segunda, o petróleo avança 10% nesta terça-feira (10/março/2020). Será que dá pra acreditar nessa alta ou devemos ver o petróleo romper a mínima de US$ 27 atingida em 2016? Para saber por que o petróleo pode cair ainda mais, escute no Stock Pills dessa semana a aula que um especialista no assunto e gestor tem a dizer.

A post shared by Stock Pickers (@stockpickers_) on

 

Apresentado por Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos, o Stock Pickers vai ao ar toda quinta-feira às 17h. Você pode seguir e escutar pelo Spotify, Spreaker, Deezer, iTunes e Google Podcasts.

The post Black (oil) Swan: por que o petróleo caiu 20% e pode cair ainda mais appeared first on InfoMoney.

Com crise do coronavírus, executivos de companhias aéreas cortam os próprios salários

Trilhas de fumaça saindo dos motores de um avião

SÃO PAULO – Em meio ao surto da COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus, companhias aéreas de todo mundo têm anunciado medidas para conter a crise, que inclui corte de salários de executivos, redução de bônus, licenças não remuneradas de tripulantes e suspensão de voos.

O presidente executivo da companhia americana Southwest, Gary Kelly, anunciou um corte de 10% do seu próprio salário, em uma mensagem de vídeo destinada aos seus funcionários.  Diante das perdas na demanda por viagens, Kelly chamou o surto da doença de o maior desafio que o setor enfrenta desde 11 de setembro, observando que “pode ​​ser pior”.

Segundo informações do The Wall Street Journal, o salário do executivo foi de US$ 750 mil em 2018, últimos dados disponíveis, e sua remuneração anual é de US$ 7,73 milhões.

Leia também:
Efeito coronavírus: mercado está pronto para novos cortes da Selic em 2020

A Southwest avalia uma perda de receita potencial de US$ 300 milhões apenas neste mês por conta da crise no setor.

Alan Joyce, CEO da australiana Qantas, abriu mão do seu salário por 6 meses na tentativa de equilibrar os custos operacionais da companhia. Dados do The Australian Council of Superannuation Investors (ACSI) apontam que o executivo ganhou US$ 23,88 milhões em 2018.

A companhia reduziu em 25% seus voos, suspendeu bônus, cortou em 30% o salário de conselheiros e equipe executiva e cancelou a recompra de ações de US$ 150 milhões.

A Qantas também congelou todo o trabalho de consultoria não essencial e pediu a todos os funcionários da empresa e da sua subsidiária, a Jetstar, que tirassem férias remuneradas ou não, tendo em vista a redução das atividades de voo.

As companhias americanas American Airlines e United, também informaram corte de voos em trajetos nacionais e internacionais, suspensão de contratações e licença não remunerada para funcionários.

Os prejuízos globais para o setor neste ano, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), podem ser entre US$ 63 bilhões e US$ 113 bilhões. Nesta terça-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que o governo estuda ajudar companhias do setor aéreo e marítimo impactadas pelo coronavírus.

Vítima da diminuição drástica da demanda, a companhia aérea inglesa, Flybe, entrou com pedido de falência. “Todos os voos foram suspensos e os negócios no Reino Unido deixaram de operar imediatamente”, comunicou a operadora

Impactos no Brasil

A Azul (AZUL4) iniciou, nesta semana, planos para conter o aumento dos custos operacionais da empresa. Entre as ações anunciadas estão a suspensão temporária dos voos entre Campinas e Porto para otimizar seus custos e a possibilidade de licenças não remuneradas aos seus tripulantes.

Na última semana, também por conta do coronavírus, a companhia aérea inglesa Virgin Atlantic adiou o início das suas operações no Brasil.

Proteja-se de imprevistos. Invista. Abra uma conta gratuita na XP. 

The post Com crise do coronavírus, executivos de companhias aéreas cortam os próprios salários appeared first on InfoMoney.

Ibovespa sobe 7% e tem maior alta em 11 anos com estímulos contra o coronavírus; dólar cai a R$ 4,64

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em sua maior alta em onze anos nesta terça-feira (10) refletindo as propostas de estímulos econômicos nos Estados Unidos, e expectativas de incentivos na Europa para conter os impactos econômicos do coronavírus.

Nos EUA, o presidente Donald Trump propôs um corte de impostos na folha de pagamentos e uma ajuda financeira para aqueles que têm contratos de trabalho com pagamento por hora. Além de incentivos para a indústria do turismo.

Já na Europa, aumentam as expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) aja para impulsionar a economia europeia após o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, pedir ajuda para defender a zona do euro em um momento em que 10 mil casos de coronavírus já foram registrados em território italiano.

Desde cedo a Bolsa já subia em recuperação após o pânico que se apossou dos mercados na véspera. Os investidores ainda refletiram a notícia de que o ministro de Energia da Rússia convocou reunião para discutir uma possível cooperação com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Sobre a commodity, depois de desabar ontem, nesta sessão o petróleo se recuperou. O barril do Brent – utilizado como referência pela Petrobras – subiu 9,98% a US$ 37,79, enquanto o barril do WTI avançou 11,47% a US$ 34,72.

O Ibovespa registrou alta de 7,14%, aos 92.214 pontos com volume financeiro negociado de R$ 39,992 bilhões. Foi a maior alta desde o dia 2 de janeiro de 2009, quando a Bolsa subiu 7,17%.

Enquanto isso, o dólar comercial caiu 1,69% a R$ 4,6444 na compra e a R$ 4,6457 na venda, sua maior queda desde setembro do ano passado. O dólar futuro para abril tem queda de 1,57%, para R$ 4,659.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu 11 pontos-base a 4,52%, DI para janeiro de 2023 teve queda de 18 pontos-base a 5,20% e o DI para janeiro de 2025 recuou 20 pontos-base a 6,20%.

Hoje, o presidente da China, Xi Jinping, visitou a cidade de Wuhan, epicentro do surto do coronavírus que estourou em 22 de janeiro. A visita de Xi deu impulso às bolsas da Ásia, que fecharam em alta.

Também no continente, o governo japonês garantiu que as medidas de estímulo fiscal estão a caminho, o que gerou maior calmaria para o investidor. O coronavírus segue em expansão em países como a Itália, mas a China anunciou apenas 19 novas infecções – menor número desde 18 de janeiro.

Voltando ao Brasil, entre os indicadores, a produção industrial avançou 0,9% frente a dezembro de 2019 (série com ajuste sazonal), interrompendo dois meses de taxas negativas consecutivas, que acumularam recuo de 2,4%, segundo dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

A expectativa de economistas consultados pela Bloomberg era de variação positiva de 0,6% na base de comparação mensal.

Bolsonaro

Em visita à Florida, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que foi eleito no primeiro turno em 2018 e que é preciso tornar a contagem de votos “mais segura” no Brasil. Bolsonaro disse que houve fraude eleitoral em 2018.

“Pelas provas que tenho nas minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu fui eleito em primeiro turno mas, no meu entender, houve fraude,” disse Bolsonaro em evento, de acordo com vídeo divulgado pela TV Record no Twitter.

Além dos ataques à Justiça Eleitoral e à imprensa, o presidente aumentou a pressão sobre o Congresso, ao dizer que as manifestações que apoia para 15 de março podem arrefecer se os parlamentares aceitarem a sua proposta para repartição do orçamento. A Câmara pode votar hoje a destinação de R$ 30 bilhões de recursos das emendas dos deputados federais.

Bolsonaro disse ainda que não é tão preocupante e seria “muito mais uma fantasia” propagada pela mídia do mundo todo do que um risco.

Política americana

O Partido Democrata dos Estados Unidos realiza primárias hoje em seis estados: Michigan, Washington, Dakota do Norte, Idaho, Mississippi e Missouri.

O ex-vice-presidente Joe Biden é favorito no Michigan, onde tem a simpatia da população afro-americana e da classe média com estudo universitário, enquanto o senador Bernie Sanders tem a preferência do eleitorado mais jovem. Sanders, derrotado na Super Terça, precisa vencer pelo menos no Michigan, que tem 125 delegados, para se recuperar na disputa.

Noticiário corporativo

A Petrobras informou que vendeu quatro campos de gás natural no interior da Bahia para a Eagle Petróleo e Gás, por US$ 3,01 milhões (R$ 14,3 milhões). Já a construtora Helbor, de São Paulo (SP), comunicou que fará uma emissão de debêntures simples para levantar R$ 47 milhões. A CPFL – Companhia paulista de Força e Luz, e a Direcional Engenharia, publicaram balanços na noite de ontem.

(com Agência Estado e Bloomberg)

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos

The post Ibovespa sobe 7% e tem maior alta em 11 anos com estímulos contra o coronavírus; dólar cai a R$ 4,64 appeared first on InfoMoney.

Investidores exageraram no pânico e mercados devem subir ainda mais, afirma Jim Rogers

SÃO PAULO – A alta dos mercados nesta terça-feira mostra que os investidores exageraram no pessimismo ontem. Aliás, não só os investidores, mas os governos e bancos centrais. A partir de agora, a tendência é de valorização das bolsas.

A análise foi feita por Jim Rogers, empresário e investidor que criou, junto com o gestor George Soros, um dos fundos de hedge mais rentáveis do mundo, o Quantum Fund.

“O medo dominou mercados. Além disso, governos e bancos centrais entraram em pânico e mostraram que farão o que puderem para salvar o dia. A consequência é que devemos ver um rali nos próximos dias ou até meses”, disse ao InfoMoney.

Para Rogers, com esse estímulo das autoridades, a alta das ações deve acontecer apesar da situação ruim da economia mundial, que, na sua avaliação, entrará em recessão em até dois anos.

“Os sinais já estão por aí, em países como Índia e outros de menor relevância para o mundo, como a Argentina. E isso vai se espalhar”, afirmou, acrescentando que os Estados Unidos também devem entrar em recessão.

“E, quando isso acontece na economia americana, nenhum país escapa ileso – a não ser a Coreia do Norte.”

Rogers fez um paralelo entre a situação da economia mundial hoje e a crise financeira de 2008. “Os problemas tiveram início de forma isolada e pouca gente deu importância, até que o banco Lehman Brothers quebrou e ficou claro que aquela era uma crise grave”, disse.

Especialista em commodities – nos anos 90, ele criou o Rogers International Commodity Index, que se tornou uma referência no mercado –, o investidor não vê os preços do petróleo nem os do minério de ferro se recuperando rapidamente.

“A economia da Ásia deve melhorar, mas não veremos o boom dos últimos anos”, afirmou.

Ouro, prata e empresas aéreas

Na avaliação do Rogers, as ações de empresas aéreas, redes de restaurantes e hotéis são boas oportunidades de investimento agora.

Ainda que essas companhias sofram com os efeitos da disseminação do coronavírus, os preços dos papéis caíram demais, justificou o investidor.

Como proteção, ele diz que voltou a aplicar em ouro e prata no ano passado. “Fiquei fora desses mercados de 2010 a 2019, mas atualmente acredito que são boas opções quando vier uma maior turbulência na economia global.”

Aproveite as oportunidades para fazer seu dinheiro render mais: abra uma conta gratuita na XP.

The post Investidores exageraram no pânico e mercados devem subir ainda mais, afirma Jim Rogers appeared first on InfoMoney.

Ações de Petrobras e São Martinho cortadas, elétricas no foco: as recomendações alteradas em meio à queda do mercado

SÃO PAULO – O pregão da última segunda-feira foi de caos no mercado financeiro global. O Ibovespa desabou 12,17%, puxado por quedas antes inimagináveis, como os de quase 30% das ações da Petrobras (PETR3;PETR4), diante da guerra de preços de petróleo entre Arábia Saudita e Rússia.

Esse foi o novo ápice do receio do mercado em um ano dominado por notícias internacionais bastante negativas, fazendo com que diversos analistas de mercado revisassem as suas recomendações, principalmente para ações de empresas ligadas diretamente ao setor de combustíveis (petroleiras, distribuidoras e sucroalcooleiras).

Em destaque, no último fim de semana, a Petrobras teve a sua recomendação reduzida pelo Bradesco BBI, enquanto São Martinho, do setor de açúcar e álcool, teve a recomendação reduzida tanto pelo Bradesco BBI quanto pelo Morgan Stanley, uma vez que a competitividade do etanol deve cair com a queda do petróleo.

Por outro lado, ações de empresas mais defensivas, caso de elétricas e de saneamento, ganham espaço entre as recomendações, uma vez que elas são menos impactadas em um ambiente de desaceleração global.

Confira as recomendações revisadas desde a forte queda do mercado – e os motivos para isso:

Petrobras: desafios maiores com a queda do petróleo

A Petrobras (PETR3; PETR4) teve a sua recomendação reduzida de equivalente à compra para neutra pelo Bradesco BBI em meio à revisão dos preços do petróleo pelo banco.

Os analistas avaliam que haverá uma guerra de preços pela frente e que o movimento surpreendente dos sauditas poderia ser uma tentativa de trazer a Rússia de volta à mesa de negociações. Contudo, eles não acreditam que essa queda de braço será vencida rapidamente. Assim, é difícil saber quanto esse imbróglio terminará, mas deve trazer consequências negativas.

Como resultado, os analistas reduziram a previsão do brent de US$ 65 para US$ 35 o barril este ano, avançando gradualmente para US$ 55 o barril no longo prazo. Com as cotações mais baixas do petróleo, a desalavancagem da empresa pode levar mais tempo, com a relação entre dívida líquida e o Ebitda abaixo de 1,5 vez após 2025 e, portanto, a distribuição de dividendos pode ser comprometida.

Com isso, o preço-alvo para a Petrobras foi cortado de US$ 18 para US$ 11 o ADR (ou de R$ 38 para R$ 23,50 a ação preferencial).

Em meio à derrocada da commodity, a empresa disse que está monitorando o assunto e que é prematuro projetar os impactos da queda do petróleo em suas operações e não indicou nada sobre mudança de preços dos combustíveis.

O UBS, por sua vez, apontou que o investimento em bens de capital (Capex, na sigla em inglês) das empresas de exploração e produção como a Petrobras é o mais afetado pela queda do petróleo. “A reação inicial dos investidores deve ser reduzir exposição ao setor.”

Distribuidoras – cenário um pouco mais positivo

Do lado das distribuidoras de combustíveis, o cenário é um pouco mais positivo, segundo avaliação também do Bradesco BBI. Os preços mais baixos na gasolina e no diesel poderiam impulsionar os volumes de vendas no cenário-base dos analistas. “Com os preços dos combustíveis potencialmente caindo R$ 0,60 por litro (de 12% a 16% na bomba), deve haver muito espaço para acomodar melhores margens de distribuição”, escrevem os analistas.

Além disso, eles apontam uma melhora no mix de vendas, pois com a queda na gasolina é esperado que o setor sucroalcooleiro volte a produzir mais açúcar e menos etanol, o que poderia adicionar R$ 2,00 por ação à Ultrapar (UGPA3) e R$ 1,00 por papel da BR Distribuidora (BRDT3).

“Nós preferimos a BR por conta da logística melhor para importar gasolina e também pela menor alavancagem e dividend yield [dividendo por ação dividido pelo valor de cada ação] mais generoso”, concluem.

Na véspera, as ações da BRDT3 e de UGPA3 caíram forte, respectivamente 11,12% e 9,83%, em meio à forte aversão ao risco do mercado,. Contudo, na sessão desta terça-feira, os papéis registram recuperação, com ganhos de até 9% para BR Distribuidora e de 12,39% para Ultrapar.

São Martinho: ambiente mais difícil para setor sucroalcooleiro

Os analistas do Bradesco BBI reduziram a recomendação da São Martinho (SMTO3), de compra para neutra, também diminuindo o preço-alvo de R$ 29 para R$ 22 por ação. A equipe do banco cortou a previsão para os preços de açúcar e etanol refletindo impacto negativo da deterioração dos preços de petróleo e também em meio à queda das cotações do açúcar no mercado externo.

Para o banco, as usinas brasileiras elevarão a produção de açúcar na próxima safra, elevando o mix açucareiro para 40%, o que deve aumentar a oferta brasileira de açúcar em até 6 milhões de toneladas.

Com isso, agora, o Ebitda para 2020 e 2021 é 23% abaixo do consenso do mercado. Com as novas projeções, os analistas do banco avaliam aoinda que a direção do grupo não deverá mais aprovar o investimento em etanol de milho anexa à Usina Boa Vista, o que contribuía anteriormente em R$ 2,50 para o preço-alvo do papel.

Os analistas do Morgan Stanley também reduziram a recomendação para a ação da companhia de equal-weight (desempenho em linha com a média do mercado) para underweight (exposição abaixo da média do mercado), de olho principalmente no valuation da companhia.

Apesar de um petróleo mais barato indicar uma mudança no mix da produção de etanol para açúcar, já que a gasolina ficará mais competitiva como combustível, a equipe do banco entende que isso pode não ocorrer no caso da empresa. Isso porque uma desvalorização no brent levaria os preços do etanol a atingir equivalência com os do açúcar dos atuais US$ 14,9 custo por libra para US$ 12,9 custo por libra, praticamente em linha com o preço atual do açúcar de US$ 13,1 custo por libra.

“Isso não deve afetar o ciclo de lucros da São Martinho, pois o real mais fraco ofuscou os valores menores da commodity em dólares, mas o preço é o que importa para o valor da ação e a SMTO3 já performou muito acima do mercado”, dizem os analistas.

Oportunidades em cenário de aversão ao risco

Enquanto isso, algumas casas de análise fizeram revisões em sua carteira de estratégia em meio ao ambiente mais negativo global. A XP Investimentos, que já tinha entrado no mês de março com um portfolio mais defensivo em meio ao cenário de incerteza global, fez algumas mudanças extraordinárias no último fim de semana em meio à forte queda do petróleo e a maior aversão ao risco no exterior.

Com isso, foram retiradas as ações da JBS (JBSS3) e da Vale (VALE3), entrando os papéis de Ambev (ABEV3) e Engie (EGIE3). “Com isso, aumentamos ainda mais a exposição ao setor elétrico e reduzimos a exposição aos setores cíclicos globais, reduzindo também o beta da carteira – ou seja, a sensibilidade aos movimentos do mercado”, destaca a equipe de research.

Anteriormente, para o portfolio deste mês, a XP já havia adicionado a ação da Copel (CPLE6) com o intuito de elevar a proteção com empresas menos expostas à atividade econômica, uma vez que empresas de energia possuem menor influência no mercado externo e possuem um mercado regulado no doméstico, possuindo perspectiva mais estável em cenários voláteis.

A outra alteração foi a troca da ação da Vivara (VIVA3) pela da Lojas Renner (LREN3). Com a forte alta do preço do ouro no ano, trazendo riscos para a margem da companhia no curto e médio prazos para a companhia de joias, os analistas da XP apontaram preferir exposição a nomes domésticos e de maior liquidez via Renner.

Além de Ambev, Engie, Lojas Renner e Copel, a carteira da XP é composta por ações do Banco do Brasil (BBAS3), Cyrela (CYRE3), Ecorodovias (ECOR3), Iguatemi (IGTA3), Localiza (RENT3) e Via Varejo (VVAR3). Confira a composição completa clicando aqui. 

As empresas de setores regulados, como elétricas e saneamento, também foram alvo de análise do Bradesco BBI. O analista Francisco Navarrete destacou que, apesar do contexto de risco desafiador para o mercado acionário, com prêmios de risco aumentando, há oportunidades nesses setores uma vez que as mudanças de estimativas de lucro para essas companhias em um cenário de desaceleração global são relativamente pequenas ou até mesmo inexistentes.

Além disso, mesmo com crescimento de PIB demorando mais para voltar, as taxas de juros devem continuar baixas por mais tempo, favorecendo ações bond-like (ou que tenham um comportamento mais parecido com títulos), caso do setor, uma vez que ele possui um fluxo de caixa resiliente, nível de alavancagem razoável e quase não tem exposição a dívida em dólar – com exceção de Sabesp e Cemig, que possuem uma exposição pequena.

O analista deu destaque para a Taesa (TAEE11), cuja recomendação foi elevada de neutra para outperform, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 30 para R$ 33 para 2020, implicando um potencial de valorização de 15% em relação ao fechamento da véspera. Os analistas destacaram que o papel pode ser um porto seguro em meio ao cenário de volatilidade do mercado de ações em meio às preocupações com a desaceleração econômica por conta do coronavírus.

Três pontos foram destacados: i) a resiliência de seu fluxo de caixa, uma vez que a receita do negócio de transmissão não depende da demanda por eletricidade; ii) o dividend yield (indicador calculado pelo dividendo pago por ação dividido pela cotação do papel) sustentável entre 9% e 9,7% para 2020 e 2021, respectivamente e iii) o valuation está bastante atrativo.

Os analistas também destacam que outras empresas do setor parecem atrativas, também destacando o dividend yield atrativo. Três são destaques: a Eletrobras (ELET3;ELET6), Sanepar (SAPR11) e a Cesp (CESP6).

Sobre a Eletrobras, o analista avalia que a maior parte do fluxo de caixa está associada à receita de geração, blindada de problemas hidrológicos – cotas – e receitas de transmissão estáveis. “Alem disso, a privatização não está precificada”, aponta.  Já sobre Sanepar, o Bradesco BBI avalia que a empresa tem sido referência em controle de custos e que há confiança de que o regulador será técnico no próximo reajuste anual de tarifa de abril. Por fim, sobre a Cesp, depois da privatização em 2018, a companhia ainda está negociando corte significativo nas contingências e tem algumas reduções de despesas com pessoal pendentes.

O Itaú BBA também destacou em relatório de estratégia uma lista de ações defensivas, que podem ser boas alternativas em meio ao cenário de forte baixa dos mercados. São as seguintes ações: CCR ON, Ecorodovias ON, Cyrela Commercial Properties (CCP) ON, Multiplan ON, units da Alupar, Telefônica Vivo PN, Carrefour Brasil ON, Bradesco PN, units do Santander e BB Seguridade ON.

Outro grupo elencado são de papéis que tiveram forte queda no cenário atual, mas que possuem potencial de crescimento e são de alta qualidade. São as seguintes ações: Azul PN, Localiza ON, Locamérica ON, Movida ON, Randon PN, Via Varejo ON, Equatorial ON, units da Engie, Eztec ON, B3 ON, Vale ON e os ADRs da PagSeguro.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos

The post Ações de Petrobras e São Martinho cortadas, elétricas no foco: as recomendações alteradas em meio à queda do mercado appeared first on InfoMoney.

Urânio e transporte marítimo resistem ao crash do petróleo e mostram: melhor hedge é comprar barato

O crash nos mercados chegou com força total, mas não foi sem avisos. Já venho escrevendo sobre a situação dos mercados há vários meses e alertei a todos para o fato de que figuras como Ray Dalio, Warren Buffett e Jeff Gundlach também estavam cautelosos, para dizer o mínimo.

Também venho recomendando exposição ao ouro e metais preciosos, como um hedge contra a insanidade dos bancos centrais. E esse hedge vinha funcionando bem, até a semana retrasada. Numa sexta-feira, num dos piores pregões para as bolsas mundiais nos últimos anos, até o ouro caiu.

Muita gente se assustou com o movimento, já que o ouro também funciona como proteção contra risco. Mas o movimento não durou muito. Semana passada vimos o metal amarelo brilhar e se destacar positivamente, em frente a um mar de sangue nas bolsas.

E seria o ouro e metais preciosos o único hedge? Definitivamente não. Como já venho falando há muitos anos, a melhor maneira de se proteger contra riscos que nem podemos identificar (quem poderia imaginar que a Arábia Saudita e Rússia iriam tomar as medidas que tomaram?) é comprar barato.

Quando se compra barato, a maior parte dos riscos é eliminada. Consequentemente, o retorno é aumentado. Mas não é fácil comprar quando está tudo caindo e a mentalidade que impera é de vender. É preciso disciplina e estômago para ficar distante da multidão, mas acredito que valha a pena.

Dois exemplos que posso dar são o setor de transporte marítimo e o urânio. Com a queda absurda do petróleo, que chegou perto dos 30% em um dado momento, era de se esperar que as ações de transporte marítimo seriam trucidadas, especialmente as ligadas ao petróleo (dirty tankers e tankers). Pois foi exatamente o contrário que aconteceu. Tais ações tiveram uma excelente valorização.

Isso, porque, como especialistas esperam que a queda nos preços do petróleo seja breve, começa a aparecer o chamado contango no mercado (quando os preços no futuro ficam mais caros que os preços à vista).

Isso abre margem para investidores e especuladores comprarem petróleo hoje, estocarem em navios (daí a grande demanda) e venderem no mercado futuro a mesma quantidade, garantindo um lucro com baixo risco no processo.

Com relação ao urânio, o preço nem se mexeu. Claro, as ações de mineradoras sofreram bastante, já que num momento de pânico a correlação tende a 1, mas o preço da commodity ficou parado.

E em breve começará mais um ciclo de contratações por parte das utilities, o que impactará diretamente as mineradoras e, no meu ponto de vista, muito positivamente. Espero um prêmio alto sobre o mercado spot e os ganhos substanciais nas posições.

Em momentos de pânico como agora, o melhor é ter a cabeça fria e poder pensar racionalmente sobre qual atitude tomar. E a hora de se proteger é antes do fato – depois do carro batido ou da casa queimada, não adianta comprar uma apólice de seguro.

Quem no mundo imaginaria há poucas semanas que estaríamos nessa situação? Eu já escrevi várias vezes sobre uma possível crise nos mercados e que é praticamente impossível tentar adivinhar aonde vão.

Adivinhação está mais ligada a especulação que a investimento e eu não gosto de especular. Gosto de investir em teses contrarians, nas quais não há ninguém prestando atenção, existem poucos analistas e confusão. Assim, a competição é pequena e os retornos são altos.

Aproveite as oportunidades para fazer seu dinheiro render mais: abra uma conta gratuita de investimentos na XP!

The post Urânio e transporte marítimo resistem ao crash do petróleo e mostram: melhor hedge é comprar barato appeared first on InfoMoney.

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora