Blog Feed

Caia na real: o futebol brasileiro está longe da internacionalização

O futebol brasileiro é um acúmulo de modismos, dentro e fora de campo. Na coluna mais recente do meu amigo Marcelo Damato ele comenta sobre como as conquistas em campo ditam a forma como os clubes que não venceram lidam com a contratação de treinadores, o que vale também para padrões táticos de jogo. É uma espécie de “maria-vai-com-as-outras” onde o que importa é seguir o vencedor para ficar de bem com a torcida e parecer moderno.

Mais recentemente, isso também passou a valer para temas fora das quatro linhas. O que importa jamais é a convicção, o estudo, a análise. O que vale é pegar o tema da moda e sair dizendo que “estamos pensando no assunto”. Os clubes que não conseguem executar uma regra orçamentária, não são capazes de usar metodologias básicas de gestão financeira, nem de formação de elenco, resolvem dizer que estão “antenados com as novidades”, que normalmente não têm muito de novo.

Depois da correria para dizer que analisavam hipóteses de virarem empresas, agora a onda é falar em “internacionalização da marca”. E o torcedor embarca nessa, vira pauta de programa de tv, de debate no Twitter.
Vamos cair na real: ninguém no Brasil tem a menor condição de internacionalizar marca de clube de futebol neste momento.

Internacionalizar é ser conhecido e acompanhado por torcedores de outros países, e não por seus torcedores que moram em outros países. Fazer campanha de engajamento de torcedor na Flórida Cup é fácil. Afinal, a maioria ou já é torcedor ou é gringo amigo de torcedor. Internacionalizar é bem mais que isso e passa por uma série de processos anteriores ao fato.

Vamos começar por uma pergunta simples: Quais são os clubes de futebol efetivamente internacionais? Dá para citar sem medo de errar que Barcelona, Real Madrid, Bayern, PSG, Manchester United, Manchester City, Juventus, Milan (hoje, com alguma boa vontade), Liverpool, Chelsea, Arsenal.

A característica dessa lista é ser internacional independentemente das conquistas. O Milan e o Arsenal não vencem nada há anos, mas permanecem na memória das pessoas. Fora esses clubes, os demais se destacam pontualmente, com trabalhos específicos em regiões específicas – como a Inter de Milão, cujo dono é uma empresa chinesa – ou por conta de conquistas.

Vamos ver um pouco sobre isso a partir das redes sociais, que são um termômetro de adesão de pessoas às marcas. Apesar de ainda não serem fonte relevante de receitas diretas, o acesso às redes sociais permite aos clubes potencializarem negócios em diversas regiões do mundo. Falei com o Fernando Maisonnave, brasileiro que é Gerente de Marketing do Liverpool, e ele comentou que é uma ferramenta importante na otimização das ações de marketing, e uma forma de conversar com patrocinadores regionais.

Dos 20 perfis com mais seguidores nas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, Youtube e TikTok), 10 são clubes e 10 são atletas. Para se ter uma ideia da relevância dessa lista em termos de internacionalização, os próximos clubes que aparecem são o Milan (42 milhões de seguidores) e o Galatasaray (31 milhões). Ou seja, o Milan tem 60% dos seguidores do seu novo astro, Ibrahimovic.

Vamos destrinchar um pouco esses dados. Barcelona e Real Madrid são destaques absolutos entre os clubes, e isso se deve ao fato de terem começado esse processo de internacionalização bem antes dos demais. Galáticos, CR7, Ronaldinho, Messi, Guardiola, Bernabeu, Camp Nou, disputas político-culturais. E clubes que até 2015 negociavam seus direitos de TV isoladamente, criando um gap financeiro que permitiu que se transformassem em gigantes.

Depois temos 5 clubes da Premier League, dos quais e tem obtido conquistas recorrentes (Chelsea, United e City). Só o Arsenal vive de glórias do passado, e o Liverpool cresceu absurdamente nas últimas temporadas, junto com a qualidade de seu jogo. Tanto que observando as três redes sociais mais relevantes (Facebook, Instagram e Twitter) o Liverpool saltou de 54,8 milhões de seguidores em 2018 para 76,9 milhões em 2019, segundo dados do Deloitte Money League. Crescimento de 40% na temporada em que foi campeão da Champions League.

Restaram o Bayern, que é uma máquina de exposição na Alemanha e o PSG, que é um time criado para ser global, e deslanchou ainda mais após as contratações de Neymar e Mbappè. Não por acaso, Neymar tem 2,7x mais seguidores que seu clube.

Vamos então fazer outras contas. Vamos analisar as interações – “likes” e comentários – recentes dos seguidores com seus clubes, bem como comparar a quantidade de seguidores em relação à população de cada país-sede. Dois são os objetivos: analisar se a interação é constante ou movida a eventos, e dimensionar a internacionalização.
Mas antes é importante lembrar duas coisas fundamentais na análise das redes sociais: i) na quantidade pode haver dupla contagem, ou seja, a mesma pessoa seguir o clube em todas as redes sociais; ii) o mesmo seguidor, por não ser necessariamente torcedor, mas fã, seguir outros clubes. Aliás, este será um dos aspectos abordados na próxima coluna, quando falaremos da exagerada ideia de que o futebol precisa virar a Disney, e acaba se afastando do que lhe é mais caro: o torcedor. Mas fica para a semana que vem.

 

 

Veja que as interações de 3 clubes destoam dos demais: Liverpool, Flamengo e Juventus. Os dois primeiros em razão de seu momento esportivo exuberante, e a Juventus porque tem efeito de CR7, obviamente. Todos os demais possuem interações próximas, com dois destaques: enquanto o Manchester United teve mais interações negativas por conta do mal momento esportivo do clube, o Real Madrid teve poucas interações, também por atravessar um momento esportivo menos vitorioso.

Logo, a quantidade de seguidores é importante, mas sem a contrapartida de desempenho em campo pode ser pouco. Porque falta a força da torcida. Fã não é torcedor, e reside aí a dificuldade em dissociar engajamento do desempenho esportivo.

Como referência vamos analisar as receitas de alguns clubes, com foco nas receitas comerciais, que são as que se apropriam da ideia de internacionalização. Começamos pelo Schalke 04, clube alemão que figura entre as 20 maiores receitas do mundo nos últimos 15 anos.

Observe que historicamente as receitas comerciais do clube alemão são as mais importantes, tendo sido superadas apenas na última temporada pelas receitas de TV. Nada indica que o Schalke 04 é um dos grandes clubes globais do mundo, inclusive por seu desempenho esportivo pouco relevante no período. Apenas possui bons contratos e exposição eficiente da marca. Na lista de da Digital Global Football Benchmark o clube aparece com 6 milhões de seguidores no mundo.

Vamos ao Milan, clube que já foi Top 3 em receitas no mundo e que perdeu completamente a relevância esportiva, mas ainda guarda resquícios de história na mente dos fãs pelo mundo.

O último título relevante do clube foi na temporada 10/11, com a conquista da Serie A. Justamente nesse ano teve salto de receitas comerciais, que perduraram até 15/16, quando começou efetivamente a deixar de ser um dos grandes da Europa. Não adianta ter tantos seguidores nas redes se é incapaz de trazer resultados em campo. Tanto é que para a próxima temporada seu contrato de patrocínio master com a Emirates foi renovado com redução dos atuais € 14 milhões anuais para € 12 milhões.

E então, chegamos ao Liverpool.

As receitas comerciais foram as mais relevantes até a temporada 09/10, e posteriormente andaram lado-a-lado com as receitas de TV. Mas o mais interessante é acompanhar a tendência da linha das receitas comerciais, que crescem de forma consistente ao longo da série. Isto é resultado de uma estratégia, diferente dos movimentos observados em Milan e Schalke, com mais oscilações. E obviamente está associado á capacidade de exposição da marca dentro de uma liga competitiva e que desperta interesse geral, como a Premier League.

Aqui, retornamos um dos aspectos levantados anteriormente: clubes globais não são globais isoladamente, exceto se forem concebidos para serem assim, como é o caso do PSG. Concebidos e confortavelmente aceitos assim. Porque Real Madrid e Barcelona existem amparados em sua rivalidade (por mais que a LaLiga trabalha para mudar isso, seu valor ainda está amparado na dupla), enquanto os 5 da Premier League se apoiam mutuamente numa competição fortíssima (note que o Tottenham nem aparece na lista, dado a falta de competitividade).

Juventus vem a reboque de CR7 e o Bayern é uma máquina alemã apoiada pelos seus acionistas (Audi, adidas e Allianz).

Vamos então falar de Brasil, e antes fazer uma comparação entre os 3 clubes brasileiros de maior acesso às redes sociais e os dois gigantes argentinos, Boca Juniors e River Plate.

Quando comparamos os números de seguidores com a população de Brasil e Argentina, vemos que ainda que a penetração dos argentinos seja maior que a dos brasileiros, está bem longe do que se observa nos grandes e internacionais europeus. Se considerarmos que há dupla contagem, e que segundo estudo da Conmebol o Boca Juniors tem 16,5 milhões de torcedores e o River Plate tem 15,2 milhões, então dá para dizer que há enorme adesão das torcidas às redes dos clubes. É bem mais relevante que dizer que os dois times argentinos são globais. Não são nem perto disso, ainda que sejam mais conhecidos que a maioria dos brasileiros.

Ampliando um pouco a análise, vamos aos números de seguidores dos clubes brasileiros, comparando-os aos tamanhos de suas torcidas, baseados no levantamento feito pelo jornalista Cassio Zirpoli, a partir da pesquisa Ibope Repucom.

Note que, comparado ao número de torcedores, os 3 maiores clubes em termos de seguidores nas redes sociais possuem penetração entre 80% e 90%, e se desconsiderarmos as duplas contagens, esse número deve cair para 60% a 70%. Num país continental como o Brasil, isto significa que ainda há um longo caminho internamente para conseguir acessar de maneira eficiente seus torcedores, buscando os engajamentos nos mesmos canais que os clubes que atuam globalmente atingem.

Nós precisamos ainda desenvolver ações e proximidade com o torcedor que está longe da sede, que tem dificuldade em ver seu clube ao vivo, mas que é mais torcedor que um fã que vive há 9 mil km de distância. Até porque esse torcedor não tem uma competição para acompanhar – o campeonato brasileiro não tem transmissão no exterior – tem uma enorme dificuldade em encaixar horários por conta do fuso, a competição continental é disputada também num horário impossível de ser acompanhada, exceto se falarmos nas Américas, mercado natural, mas que ainda assim é pequeno e competitivo, seja com os clubes locais, seja com as ligas americanas.

Logo, quando alguém te falar que “o próximo passo é a internacionalização”, lembre-se que são poucos os clubes realmente internacionais, que esse processo é complexo, caro para se implantar e demorado, que requer gestão profissional, de longo prazo, e que demanda ambiente para tal. Além, claro, de não garantir que suas receitas crescerão na proporção da ideia.

Está na hora de começarmos a pensar num desenvolvimento estruturado do futebol no Brasil, de forma a deixar os modismos de lado e buscar soluções e melhorias objetivas. O modismo passa, mas os problemas ficam esperando o próximo modismo salvador.

The post Caia na real: o futebol brasileiro está longe da internacionalização appeared first on InfoMoney.

Ibovespa desaba 4,7% e volta aos 102 mil pontos com disseminação global do coronavírus; dólar sobe a R$ 4,65

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda forte nesta quinta-feira (5) em meio à proliferação global dos casos de coronavírus. O Ministério da Saúde confirmou que já são oito casos da Covid-19 no Brasil, contra três ontem. Desses, seis são em São Paulo, um no Rio de Janeiro e um no Espírito Santo.

Já nos Estados Unidos, em Nova York, o New York Times noticia que são 13 os casos confirmados. A Califórnia declarou estado de emergência após a primeira morte pelo vírus ser reportada. O Reino Unido também registrou hoje o primeiro falecimento relacionado à Covid-19.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o número de pessoas contaminadas pelo coronavírus ultrapassou 93 mil. Além do medo do vírus, a Associação Internacional dos Transportes Aéreos (IATA) advertiu na manhã de hoje que as empresas aéreas terão perdas estimadas entre US$ 63 bilhões e US$ 113 bilhões, reportou a CNBC News.

O Ibovespa caiu 4,65% a 102.233 pontos, tendo batido 100.536 pontos na mínima, quando recuava mais de 6%. O volume financeiro negociado foi de R$ 30,039 bilhões. Foi a maior queda desde o dia 26 de fevereiro, quando o principal índice da B3 despencou 7% também devido ao coronavírus.

Ari Santos, operador da Commcor, destaca que a volatilidade está fazendo com que traders comecem a zerar posições muito mais rápido, o que explica o principal índice da B3 ter desabado mil pontos até a mínima e depois subido mil pontos em poucos minutos. “Uma queda de 1% o investidor consegue aguentar, mas 10% ele acaba zerando. É um movimento muito emocional ligado às notícias frequentes de novos casos do coronavírus, que dão impressão de que a doença está se alastrando sem parar”, diz.

O dólar futuro para abril, por sua vez, subiu 1,51% a R$ 4,661. Já o dólar comercial avançou 1,54%, a R$ 4,6502 na compra e R$ 4,651 na venda.

O real continuou sua trajetória de desvalorização apesar do leilão de 20 mil contratos de swap promovido pelo Banco Central às 9h30 da manhã. O BC ainda fez mais um leilão de 20 mil contratos no começo desta tarde. Também sem sucesso em conter o ímpeto comprador no dólar.

Para amanhã, a autoridade monetária já anunciou que ofertará mais 40 mil contratos de swap.

De acordo com Júlio Erse, gestor da Constância Asset, o mercado está muito sensível às notícias a respeito do coronavírus porque os investidores não têm muitas ferramentas para precificar o alastramento da doença. “É difícil prever os impactos, os desdobramentos e a taxa com que vai se disseminar o vírus”, afirma.

O índice VIX, calculado pela Chicago Board Options Exchange (CBOE), conhecido como índice do medo por medir a expectativa do mercado sobre a volatilidade em 30 dias, chegou a 30%, o que implica uma oscilação de 2% ao dia nos principais índices acionários globais. “Hoje, o VIX já voltou aos 40%”, aponta Erse.

Para o gestor, deve haver nervosismo sempre que saírem informações de empresas que estão sendo evacuadas ou dando férias coletivas para seus funcionários. “São medidas de alto impacto na economia. Não tem precedente e nem elemento predictório para isso, então o nervosismo é exacerbado.”

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subia 22 pontos-base a 4,44% e o DI para janeiro de 2023 avança 28 pontos-base a 5,10%. O DI mais longo, para janeiro de 2025, opera com alta de 22 pontos a 6,02%.

Entre as commodities, depois de fontes afirmarem à Reuters que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) concordará em uma redução em 1,5 milhão de barris na produção diária caso a Rússia esteja de acordo, a falta de novidades nesse front levou a commodity a cair 1,8%.

Política 

O Congresso Nacional manteve o veto presidencial sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A manutenção do veto veio após acordo entre Congresso e Palácio do Planalto, o que explicou a votação maciça favorável ao veto. O acordo envolveu o envio, pelo governo, de Projetos de Lei (PL) que tratam da distribuição das verbas de emendas e do relator-geral do Orçamento.

Com a manutenção dos vetos, o relator-geral do orçamento não poderá indicar prioridades na execução de obras realizadas com orçamento público. O governo não terá mais o prazo limite de três meses para repassar a verba do Orçamento. Na prática, o orçamento destinado a emendas de comissão e do relator não são mais impositivas. Além disso, não haverá penalização ao governo caso ele não faça o pagamento dessa verba.

Independentemente do acordo, partidos de vários matizes ideológicos, como Rede, Novo, PSL e MDB, mostraram-se favoráveis aos vetos. Para eles, se o veto fosse derrubado, a governabilidade e o poder de gestão do presidente da República sobre a verba pública ficariam prejudicado. Partidos de oposição se colocaram a favor do veto, considerando que a medida prejudicaria não só o atual presidente, mas todos os que se seguirem.

A votação ocorreu após dias de negociações e acordos entre governo e Congresso, encabeçados, principalmente, pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o ministro da Secretaria-Geral de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Noticiário corporativo 

Em destaque, após a queda de mais de 30% das ações, o IRB (IRBR3) anunciou que Werner Suffert é o novo vice-presidente Executivo, Financeiro e de Relações com Investidores da companhia.

O executivo, que ocupou o posto de CFO e diretor de Relações com Investidores da BB Seguridade (BBSE3) pelos últimos seis anos, também assume a posição de CEO interinamente, até a nomeação de um profissional para a função.

No radar de balanços, a CSN (CSNA3) teve lucro líquido de R$ 1,13 bilhão no quarto trimestre de 2019, em queda de 36% ante o lucro de R$ 1,77 bilhão registrado no mesmo trimestre de 2018. A Arezzo (ARZZ3), rede varejista de moeda feminina, publicou balanço na noite de ontem e informou um lucro líquido de R$ 59,4 milhões no quarto trimestre de 2019.

Houve uma expansão de 50,6% sobre igual período do ano anterior. No fechamento de 2019, o lucro líquido avançou menos, 16,9% sobre 2018, para R$ 162,1 milhões. A empresa intensificou sua abertura de franquias, chegando a 737 pontos de venda no Brasil e no exterior.

Já a CTEEP – Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (TRPL4) comunicou ontem que obteve um lucro líquido de R$ 1,77 bilhão em 2019. Já a Direcional aprovou a abertura de capital da Riva no Novo Mercado.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos

The post Ibovespa desaba 4,7% e volta aos 102 mil pontos com disseminação global do coronavírus; dólar sobe a R$ 4,65 appeared first on InfoMoney.

Corte coordenado de juros poderia ter criado pânico, diz Trichet

(Bloomberg) — Um corte coordenado das taxas de juros nesta semana poderia ter induzido pânico e não seria justificado, disse o ex-presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet.

O francês, que estava no comando da instituição da zona do euro durante a crise financeira de 2008 e participou do corte conjunto com o Federal Reserve dos EUA após o colapso do Lehman Brothers, sugeriu em entrevista à Bloomberg Television que não se pode comparar aquele episódio com o surto de coronavírus.

“Eu participei de uma ação coordenada”, disse Trichet na quinta-feira. “Na época, o drama evoluía de uma maneira muito pior. A ideia de que tínhamos uma necessidade absoluta de coordenar ações no nível dos maiores bancos centrais era algo muito natural.”

O Federal Reserve cortou a taxa de juros em meio ponto percentual na terça-feira, tendo agido sozinho depois que autoridades do G-7 divulgaram comunicado conjunto que não chegou a prometer uma ação coordenada. O estímulo monetário conjunto teria sido uma reação exagerada, disse Trichet.

“Não tenho certeza se seria realmente mais apropriado”, disse. “Também poderia ter tido impacto de pânico ou transmitido uma mensagem de demasiado pânico.”

O BCE se reúne na próxima quinta-feira, e os mercados precificam corte de 10 pontos-base, o que empurraria os juros em território ainda mais negativo. A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a instituição está pronta para tomar medidas apropriadas e direcionadas.

Segundo Trichet, o que inicialmente parecia um choque de oferta que poderia levar a uma recuperação em V agora também é acompanhado por um impacto na demanda. É por isso que autoridades fiscais devem intervir com mais resolução, afirmou.

Na zona do euro, garantir que a liquidez esteja disponível para todos é mais importante que o nível dos juros, disse Trichet, acrescentando que não tem recomendações sobre o que o BCE deve fazer.

“O Conselho do BCE tomou decisões extremamente sábias desde a crise, por isso tenho total confiança de que farão o que for apropriado no caso”, afirmou Trichet. “Mas está claro que a disponibilidade de crédito será algo essencial em toda zona do euro, qualquer que seja o nível das taxas de juros.”

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos

The post Corte coordenado de juros poderia ter criado pânico, diz Trichet appeared first on InfoMoney.

América Latina deve seguir Fed e retomar cortes de juros

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

(Bloomberg) — As apostas de cortes de juros ganharam força na América Latina nos últimos dias, ainda que se acredite que a política monetária pouco pode fazer para combater o impacto do coronavirus.

Do México ao Chile, as taxas de swap caíram depois do corte dos juros de emergência do Fed na terça-feira diante da ameaça do coronavírus para o crescimento global. Uma redução dos juros agora está totalmente precificada para as reuniões de política monetária no Brasil e no México em março, enquanto apostas de corte aumentaram no Chile e na Colômbia.

Com a mudança de perspectiva, o dólar atingiu novas máximas em relação ao real, mesmo com a retomada das intervenções do Banco Central no mercado de câmbio. As moedas do México, Colômbia e Chile também perdem terreno depois de começar a semana com ganhos. Além disso, embora as ações tenham reduzido as perdas, o otimismo dos investidores pode não durar muito.

“O impacto real da política monetária será muito limitado para conter os efeitos em qualquer país”, disse Alvaro Vivanco, chefe de estratégia da América Latina da NatWest Markets, em Stamford, Connecticut. “Trata-se mais de destruição da demanda e de cadeias de fornecedores interrompidas”, e não de uma queda de confiança dos consumidores ou de empresários.

Curto prazo

Vivanco diz que o afrouxamento da política monetária é possível em grandes economias da América Latina, embora seja mais provável no México, seguido pelo Brasil e Colômbia. No Chile, ele avalia que um corte de juros seria menos provável, pois a taxa de 1,75% já é a mais baixa da região.

Embora seja improvável que cortes dos juros impulsionem o crescimento econômico, governos tiveram pouca escolha diante da queda da demanda e dos preços das ações.

Sebastien Barbe, chefe de pesquisa e estratégia de mercados emergentes do Crédit Agricole em Paris, diz que a redução das taxas deve estabilizar pelo menos os mercados de ações.

“Poderíamos argumentar que seria pior sem a ação dos bancos centrais”, disse Barbe.

O Brasil lidera a repentina mudança de visão do mercado. Há apenas um mês, as taxas de swap não precificavam corte dos juros. Agora, as taxas mostram probabilidade de 60% de um corte de 50 pontos-base em março. Em 4,5%, a Selic está na mínima história.

“O setor de manufatura global passa por um grande choque, e o Brasil não pode evitar isso”, disse Sacha Tihany, vice-chefe de estratégia de mercados emergentes da TD Securities, em Nova York. Ele não tem certeza se o corte dos juros acontecerá este mês ou mais tarde.

Taxas de swap

No México, as taxas de swap TIIE caíram de 45 a 60 pontos-base desde a última sexta-feira, e estão a caminho da maior queda semanal desde outubro de 2008. Muitos investidores agora esperam um corte da taxa de 50 pontos-base neste mês, enquanto a Franklin Templeton chegou a dizer que o banco central faria um corte de emergência esta semana.

As apostas de redução dos juros no Chile também aumentaram. A curva local, conhecida como Camara, que é um mercado de swap de volatilidade razoavelmente baixa, caiu entre 5 a 9 pontos-base após o corte do Fed. A expectativa agora é de que o banco central corte os juros em 25 pontos-base dentro dos próximos três meses, mesmo com a inflação perto do maior nível em quatro anos.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos

The post América Latina deve seguir Fed e retomar cortes de juros appeared first on InfoMoney.

Ações de Gol e Azul caem até 17% em meio a maiores temores com coronavírus; nenhuma ação do Ibovespa sobe

SÃO PAULO – A sessão desta quinta-feira (5) foi de forte aversão ao risco para o mercado, com Vale em queda de 3,5% e a Petrobras caindo quase 6% em meio à proliferação dos casos de coronavírus pelo mundo. No Brasil, agora são oito casos confirmados. O Ibovespa caiu 4,7% e nenhuma ação do índice registrou ganhos.

As ações ligadas ao setor de turismo registraram forte queda: Gol teve baixa de quase 17%, Azul caiu 14,5% e CVC recuou 10%. Segundo analistas, o impacto do coronavírus deve aparecer nos resultados do primeiro trimestre, com aéreas e CVC sofrendo por mais tempo com a doença afetando viagens, além do câmbio depreciado.

Os ativos de frigoríficos como Marfrig, JBS e BRF também tiveram baixa entre 5% e 10%.

Já as ações do IRB, que abriram em alta de até 5% com a renúncia de CEO após o caso Berkshire, mas ainda bem longe de recuperar a queda de 31,96% da véspera, quando a empresa perdeu R$ 8,4 bilhões de valor de mercado, passaram a registrar fortes perdas no início da tarde, intensificando a queda com a baixa do mercado.

As ações de varejo, como Magazine Luiza, Via Varejo e B2W caíram forte, “visto que muitas empresas importam produtos da China”.

Confira os destaques:

IRB (IRBR3

O IRB Brasil anunciou na noite da última quarta que Werner Suffert é o novo vice-presidente Executivo, Financeiro e de Relações com Investidores da companhia. O executivo, que ocupou o posto de CFO e diretor de Relações com Investidores da BB Seguridade (BBSE3) pelos últimos seis anos, também assume a posição de CEO interinamente, até a nomeação de um profissional para a função. Veja mais clicando aqui. 

Suffert foi eleito pelo Conselho de Administração da companhia após as saídas de José Carlos Cardoso, presidente, e Fernando Passos, até então vice-presidente Executivo, Financeiro e de Relações com Investidores, ocorridas nesta quarta. Ambos apresentaram suas cartas-renúncia, que foram aceitas pelo Conselho de Administração da companhia.

“Werner é um profissional extremamente qualificado, reconhecido e reputado pela sua trajetória, que será fundamental para a boa relação do IRB Brasil com os acionistas e mercados em geral”, disse Pedro Guimarães, presidente interino do Conselho de Administração do IRB em comunicado ao mercado.

Leia também: IRB perde R$ 8,4 bi com nova polêmica envolvendo empresa de Buffett – mas isso não é o pior para a companhia

As ações do IRB chegaram a registrar forte baixa de mais de 40% apenas no pregão de quarta. Na mínima do dia, caíram 41,75%, a R$ 16,31, representando uma perda de R$ 10,9 bilhões de valor de mercado; a ação fechou em baixa de 31,96%, a R$ 19,05. Assim, a perda de valor de mercado foi menor, de R$ 8,37 bilhões.

A perda refletiu o imbróglio que envolve a Berkshire Hathaway, veículo de investimentos do lendário megainvestidor Warren Buffett. Na noite da última terça-feira (3), a Berkshire emitiu comunicado negando possuir qualquer participação acionária na resseguradora. De acordo com a nota, a companhia de Buffett nunca foi acionista e nem tem intenção de comprar ações do IRB.

A nota foi enviada após uma notícia do dia 27 de fevereiro, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, de que a Berkshire, que já seria acionista do IRB, teria triplicado sua posição na resseguradora. Repercutindo a reportagem, naquela sessão, os papéis do IRB chegaram a disparar 9%, encerrando o pregão com ganhos de 6,66%.

Em comunicado, contudo, a Berkshire foi categórica ao afirmar que não tem a intenção de investir na empresa: “Foram publicadas recentemente matérias na imprensa brasileira de que a Berkshire Hathaway é uma acionista do IBR Brasil Re. Essas matérias são incorretas. A Berkshire Hathaway não é acionista do IRB atualmente, nunca foi acionista do IRB e não tem a intenção de se tornar um acionista do IRB”.

Logo após a Berkshire publicar sua nota, o IRB enviou um comunicado em que afirma que verificou, em 27 de fevereiro, que a empresa de Buffett não era acionista detentora de mais de 5%, quando é necessária, pela lei, dar publicidade; a companhia apontou ainda que “nunca afirmou que tal grupo fosse seu acionista”.

Essa foi a grande questão que mexeu no mercado. Afinal, no dia anterior, o IRB havia realizado uma conferência com analistas de mercado, com a participação de José Carlos Cardoso e Fernando Passos, na qual eles teriam afirmado que o grupo de Buffett teria, sim, participação na companhia. A confusão fez com que casas de análise como o BofA colocassem a sua recomendação em revisão e o Citi a cortasse de compra para neutra.

O Credit Suisse destacou que a notícia é positiva, uma vez que a mudança na gestão é um passo importante para restaurar a credibilidade da companhia.

Em teleconferência, Pedro Guimarães afirmou que o IRB Brasil reconhece que a questão da Berkshire Hathaway é “problema grave” e agiu rapidamente, aceitando renúncia do CEO José Carlos Cardoso e do CFO Fernando Passos, disse Pedro Guimarães. A questão da Berkshire será investigada, destacou.

Ele ainda apontou que o Conselho e controladores têm total tranquilidade sobre balanço do IRB; não há desconforto, diz Guimarães. “A Caixa continuará a ter IRB como principal parceiro”, disse Guimarães, que também é presidente da Caixa Econômica Federal.

“Temos que melhorar transparência para mercado, melhorar ao máximo as notas explicativas”, disse na mesma teleconferência Werner Süffert.

Apesar da notícia a princípio positiva, os papéis passaram a cair durante a sessão. Marcel Campos, analista da XP, mantém a recomendação do papel em análise, ressalta: “Uma nova administração sempre pode mudar os rumos de uma companhia. Porém, a perda de um presidente, diretor financeiro e o presidente do conselho em menos de uma semana é uma mudança bastante drástica para o mercado assimilar. O impacto é principalmente grande considerando que ainda não temos um novo presidente da companhia e do conselho, o que poderia nos dar uma melhor percepção sobre como serão as novas práticas de negócio. Não obstante, ainda não temos visibilidade sobre o tamanho do possível impacto que essas mudanças podem ter com clientes, retrocessionários, reguladores (CVM) e o mercado”.

CSN (CSNA3)

A CSN divulgou na manhã de hoje seu balanço do quarto trimestre de 2019 e do ano passado inteiro. A CSN informou que obteve um crescimento de 8% na receita líquida do quarto trimestre de 2019, que foi de R$ 6,5 bilhões, ante os R$ 6,05 bilhões de igual trimestre do ano anterior.

Segundo a empresa, a receita líquida cresceu porque aumentaram as vendas de minério de ferro. No quarto trimestre de 2019, a CSN registrou lucro líquido de R$ 1,13 bilhão. O resultado foi relativamente positivo, no terceiro trimestre de 2019 a empresa teve prejuízo de 871 milhões. Mas na comparação ao quarto trimestre de 2018, o lucro líquido teve uma queda de 36%, já que naquele período a siderúrgica lucrou R$ 1,7 bilhão.

Para o ano inteiro de 2019, a CSN teve lucro líquido recorrente de R$ 2,2 bilhões. Novamente, a comparação com 2018 é negativa, porque em 2018 a siderúrgica lucrou R$ 5,2 bilhões. Assim, em 2019 o lucro líquido teve uma retração de 57%.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 1% no quarto trimestre de 2019 (sobre o 4TRI de 2018) para R$ 1,56 bilhão. Já a dívida líquida da siderúrgica avançou 2% no quarto trimestre do ano passado, para R$ 27,1 bilhões. A relação dívida líquida sobre o Ebitda caiu de 4,5 vezes (4,5x) no final de 2018 para 3,7 vezes (3,7x) no final de 2019. Houve melhora, mas a avalancagem da siderúrgica de Volta Redonda (RJ) permanece alta.

De qualquer maneira, a empresa afirma que melhorou seu capital de giro no quarto trimestre de 2019. Os prazos médios para pagamentos aumentaram em 6 dias, enquanto os prazos médios para recebimentos foram diminuídos em 2. O ciclo financeiro foi reduzido em 15 dias, de 48 dias no final de 2018 para 33 dias no final de 2019.

Houve forte avanço no segmento da mineração, que passou de uma receita líquida de R$ 1,8 bilhão no quatro trimestre de 2018 para R$ 2,5 bilhões no final do ano passado, representando 39% do faturamento líquido da CSN. A siderurgia caiu de R$ 3,7 bilhões para R$ 3,3 bilhões no período, mas ainda representa 52% da receita líquida da empresa.

Itaú BBA, Bradesco BBI, Morgan Stanley e Credit Suisse avaliaram os resultados do quarto trimestre e de 2019 da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN. A avaliação mais positiva é a do Itaú BBA. “A CSN apresentou resultados mais fortes que os projetados para o quarto trimestre de 2019. O Ebitda chegou 4% acima das nossas estimativas e a empresa se beneficiou de volumes maiores nas vendas de aço, 9% superiores no trimestre. As vendas de minério de ferro também tiveram uma forte expansão de 12%”, destacou o BBA. O banco mantém a nota “outperform” (acima da média) para o papel CSNA3, com preço-alvo de R$ 16,00 para ação, uma alta de 20% sobre os R$ 12,32 transacionados ontem na B3.

A avaliação do Bradesco BBI é mais crítica. Embora o BBI ressalte que a siderúrgica teve um quarto trimestre forte, com a recuperação das vendas de aço no mercado brasileiro e o crescimento das vendas de minério de ferro, a dívida líquida da CSN permanece muito alta. O BBI mantém a nota neutra no papel CSNA3, com preço-alvo de R$ 17,00 – mesmo assim, um upside de 38% sobre o fechamento de ontem na B3.
O Morgan Stanley ressalta que embora as vendas de aço e minério de ferro tenham crescido, as despesas operacionais também avançaram. O banco americano destaca que a dívida líquida teve uma queda modesta de 2% e que a siderúrgica continua muito alavancada. O Morgan Stanley manteve a nota Média do Mercado para a CSNA3.

O Credit Suisse permaneceu com nota Neutra para a CSN. “Os resultados do quarto trimestre vieram bons do lado operacional, mas a geração de caixa poderia ter sido melhor”, avaliou o banco suíço. O CS destaca que o mercado brasileiro do aço melhora em 2020, mas o segmento do minério de ferro deve perder força.

Arezzo (ARZZ3)

A varejista Arezzo, de moda feminina, informou ontem em balanço um lucro líquido de R$ 59,4 milhões no quarto trimestre de 2019, um crescimento de 50,6% sobre igual período do ano anterior. O lucro líquido da Arezzo em 2019 foi de R$ 162,1 milhões. Houve crescimento de 16,9% sobre 2018. A receita líquida avançou 13,4% para R$ 467,7 milhões no quarto trimestre do ano passado, sobre 2018. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) teve crescimento de 32,8% no período, sobre o último trimestre de 2018, para R$ 85,1 milhões.

A Arezzo informou que abriu 37 lojas no quarto trimestre de 2019 e 67 lojas durante 2019. A empresa informou que no fim de 2019 atingiu a marca de 737 lojas no Brasil e no exterior (15 unidades) das suas várias marcas, das quais 693 eram franquias. A dívida total da Arezzo cresceu de R$ 111 milhões no quarto trimestre de 2018 para R$ 180 milhões no final de 2019. A alavancagem informada pela companhia era de 0,4 vezes (0,4x). A empresa publicou que R$ 158 milhões, ou 87% da dívida, vencem no curto prazo.

Para o Credit Suisse, os resultados não foram encorajadores do ponto de vista de rentabilidade. Na visão dos analistas, apesar da aceleração gradual da receita de operações brasileiras, a rentabilidade financeira ficou abaixo do esperado quando ajustada para contabilizar ganhos não-recorrentes.

“Do ponto de vista das operações em dólar, o crescimento aparenta estar bem encaminhado com margem Ebitda mostrando sinais de melhoras. Porém, nesse momento, não esperamos que o breakeven seja atingindo em dólar ainda em 2020. Isso pode machucar a rentabilidade financeira consolidada, limitando assim o momentum de ganhos da companhia. O consolidado da receita liquida cresceu 13.5% na base de comparação anual (1% acima do esperado pelo Credit). Excluindo ganhos não recorrentes, a margem Ebitda teria sido 14.4%, 120 pontos-base inferior na base de comparação anual, e o lucro liquido da empresa teria aumentado em 5% para R$ 44 milhões”, apontam os analistas.

Positivo (POSI3)

A Positivo Tecnologia divulgou balanço na madrugada de hoje e informou que obteve um lucro líquido de R$ 20,8 milhões em 2019, revertendo um prejuízo líquido de R$ 500 mil (meio milhão) registrado em 2018. A empresa de Curitiba (PR) obteve um Ebitda ajustado de R$ 144 milhões em 2019, uma expansão de 26,1% sobre 2018. A dívida líquida da empresa, porém, avançou de R$ 217 milhões para R$ 271,5 milhões em 2019. A relação dívida líquida sobre o Ebitda permaneceu a mesma em 2019 e 2018, de 1,9 vezes (1,9x).

Sinqia (SQIA3)

A Sinqia, provedora de tecnologia para o mercado financeiro, publicou balanço na madrugada de hoje e reportou um lucro líquido de R$ 3,6 milhões no quarto trimestre de 2019, uma expansão de 98,3% sobre igual período do ano anterior. No ano fechado de 2019, porém, o lucro líquido recuou 47,2% para R$ 6,4 milhões. A receita líquida da Sinqia avançou 21,2% no quarto trimestre de 2019 para R$ 48 milhões. No ano inteiro de 2019, a receita líquida da empresa cresceu 23,3% sobre 2018, para R$ 175 milhões. O Ebitda da empresa avançou 31% no quarto trimestre para R$ 6,4 milhões, enquanto em 2019 inteiro o Ebitda cresceu 9,8% para R$ 21,1 milhões.

Transmissão Paulista (TRPL4

A Companhia de Transmissão Energia Elétrica Paulista – CTEEP (TRPL4), informou ontem um lucro líquido de R$ 1,77 bilhão em 2019, resultado um pouco menor que o apurado em 2018, quando lucrou R$ 1,89 bilhão. O faturamento bruto da empresa cresceu de R$ 3,1 bilhões em 2018 para R$ 3,3 bilhões em 2019. A CTEEP é uma transmissora que tem como controladores a companhia ISA da Colômbia e a Eletrobras (ELET3). A empresa transmite quase 80% da energia elétrica do Estado de São Paulo e 60% da energia consumida no Sudeste do Brasil.

O analista Marcelo Sá, do Itaú BBA, escreveu em relatório que o Ebitda da ISA – CTEEP (antiga Transmissão Paulista) superou ligeiramente as expectativas devido à receita líquida maior que a esperada e a diminuição nos custos recorrentes.
Destrinchando o resultado, o especialista aponta que os números se deveram a: uma receita não recorrente de R$ 11 milhões relativa a uma parcela de ajuste; um faturamento maior que o esperado nos investimentos em operações já existentes; em despesas administrativas, de vendas e gerais abaixo das projeções de mercado. O Ebitda ajustado por itens não recorrentes atingiu R$ 605 milhões no quarto trimestre do ano passado.
Marcelo Sá destaca que a CTEEP foi ativa no último leilão de transmissão, ganhando um total de R$ 76 milhões em receitas permitidas e um investimento em bens de capital (Capex, na sigla em inglês) comprometido de R$ 1,3 bilhão.
No entanto, o analista manifesta preocupações com a criação de valor da companhia dadas as ofertas nos leilões em torno de 66% da média das concorrentes. “Nós esperamos que o órgão regulador faça mais dois leilões de transmissão este ano, com um capex total estimado de R$ 8 bilhões a R$ 9 bilhões. Mesmo com o alto comprometimento de capex recente, esperamos que a Cteep faça ofertas para lotes adicionais nos próximos pleitos.”

Randon (RAPT4)

A Randon, gigante gaúcha de implementos rodoviários e autopeças, divulgou na manha de hoje o balanço consolidado do quarto trimestre de 2019 e do ano passado inteiro. A receita líquida da Randon cresceu 6% no quarto trimestre de 2019, para R$ 1,28 bilhão. O lucro líquido avançou 49,2% no quarto trimestre do ano passado, sobre igual período de 2018, para R$ 52,8 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 23,9% no quarto trimestre de 2019, sobre igual período do ano anterior, para R$ 157,1 milhões. Os resultados de 2019 fechado também mostraram um forte avanço financeiro.

A receita líquida avançou 19,5% em 2019 para R$ 5,09 bilhões, enquanto o lucro líquido cresceu 63,2% para R$ 247,6 milhões. O Ebitda em 2019 foi de R$ 729,1 milhões, uma expansão de 33,5% sobre 2018. Segundo a Randon, em 2019 ocorreu a recuperação das vendas de semirreboques (carretas) no mercado interno brasileiro.

Durante 2019, a empresa vendeu 63.437 semirreboques (carretas) no mercado interno, um avanço de 42,3% sobre 2018. A venda de pastilha de freios da sua subsidiária Fras-le cresceu 22,2% para 750 mil unidades em 2019. Mas pastilha de freio é produto barato, em comparação a semirreboque. A venda de carroçarias para caminhões médios e pequenos, outro produto de alto valor agregado, avançou 33,4% em 2019 para 101.335 unidades. O encarroçamento de ônibus avançou 38,8% para 20.932 unidades. O guidance para 2020 é positivo, com um cenário positivo para implementos rodoviários no Brasil. A dívida líquida da Randon é baixa, pelo tamanho da empresa, e caiu em 2019 para R$ 867 milhões, de R$ 1,1 bilhão no fim de 2018. A relação dívida líquida sobre Ebitda caiu de 1,97 vezes (1,97x) no fim de 2018 para 1,26 vezes (1,26x) no final de 2019.

Engie (EGIE3)

A Engie Brasil comunicou que sua controladora, a Engie Transmissão, concluiu a aquisição da Sterlite Novo Estado Energia S.A. por R$ 410 milhões. A Engie informou que pagou R$ 360 milhões na empresa na quarta-feira e os R$ 50 milhões restantes serão pagos quando forem cumpridas certas condições no contrato.

A Sterlite Power é uma empresa da Índia que atua no Brasil há poucos anos. Em 2017, a empresa venceu um leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para construir 1.800 quilômetros de linhas de transmissão nos Estados do Pará e do Tocantins, na região Norte, bem como subestações de energia. Todos os projetos passam agora para a Engie.

BR Distribuidora (BRDT3)

Privatizada há oito meses, a BR Distribuidora terá a partir dessa semana uma nova identidade. A mudança de visual dos seus 7,7 mil postos deve se estender pelos próximos cinco anos e consumir R$ 1 bilhão em investimentos, cifra que será rateada entre a empresa e seus franqueados.

A transformação começa amanhã em cinco capitais das quatro regiões do País e no Distrito Federal – Belém (PA), Brasília (DF), João Pessoa (PB), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ). Em seguida, será lançada uma campanha publicitária para comunicar ao grande público o que a empresa planeja ser daqui para frente.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos

The post Ações de Gol e Azul caem até 17% em meio a maiores temores com coronavírus; nenhuma ação do Ibovespa sobe appeared first on InfoMoney.

Ibovespa desaba 5% com coronavírus e dólar chega a R$ 4,66 apesar de swaps

B3 (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em forte queda nesta quinta-feira (5) com o noticiário sobre o coronavírus voltando a pesar a despeito dos estímulos promovidos pelos bancos centrais das maiores economias do mundo. O Ministério da Saúde confirmou que já são 8 casos da doença no Brasil, contra três ontem. Nos Estados Unidos, a Califórnia declarou estado de emergência após a primeira morte pelo vírus ser reportada.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o número de pessoas contaminadas pelo coronavírus ultrapassou 93 mil. Além do medo do corona, a Associação Internacional dos Transportes Aéreos (IATA) advertiu na manhã de hoje que as empresas aéreas terão perdas estimadas entre US$ 63 bilhões e US$ 113 bilhões, reportou a CNBC News.

De acordo com Júlio Erse, gestor da Constância Asset, o mercado está muito sensível às notícias a respeito do coronavírus porque os investidores não têm muitas ferramentas para precificar o alastramento da doença. “É difícil prever os impactos, os desdobramentos e a taxa com que vai se disseminar o vírus”, afirma.

O índice VIX, calculado pela Chicago Board Options Exchange (CBOE), conhecido como índice do medo por medir a expectativa do mercado sobre a volatilidade em 30 dias, chegou a 30%, o que implica uma oscilação de 2% ao dia nos principais índices acionários globais. “Hoje o VIX já voltou aos 40%”, aponta Erse.

Para o gestor, deve haver nervosismo sempre que saírem informações de empresas que estão sendo evacuadas ou dando férias coletivas para seus funcionários. “São medidas de alto impacto na economia. Não tem precedente e nem elemento predictório para isso, então o nervosismo é exacerbado.”

Às 17h14 (horário de Brasília) o Ibovespa caía 5,18% a 101.666 pontos. O dólar futuro para abril, por sua vez, subia 1,51% a R$ 4,661. Já o dólar comercial avança 1,5%, a R$ 4,6487 na compra e R$ 4,6495 na venda.

O real continuou sua trajetória de desvalorização apesar do leilão de 20 mil contratos de swap promovido pelo Banco Central às 9h30 da manhã. O BC ainda anunciou mais um leilão de 20 mil contratos no começo desta tarde. Também sem sucesso em conter o ímpeto comprador no dólar.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subia 22 pontos-base a 4,44% e o DI para janeiro de 2023 avança 28 pontos-base a 5,10%. O DI mais longo, para janeiro de 2025, opera com alta de 22 pontos a 6,02%.

Entre as commodities, o petróleo zerou perdas depois de fontes afirmarem à Reuters que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) concordará em uma redução em 1,5 milhão de barris na produção diária caso a Rússia esteja de acordo. O barril do Brent tem leves perdas de 0,1% a US$ 51,08, enquanto o barril do WTI tem baixa de 0,17% a US$ 46,70.

Política 

O Congresso Nacional manteve o veto presidencial sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A manutenção do veto veio após acordo entre Congresso e Palácio do Planalto, o que explicou a votação maciça favorável ao veto. O acordo envolveu o envio, pelo governo, de Projetos de Lei (PL) que tratam da distribuição das verbas de emendas e do relator-geral do Orçamento.

Com a manutenção dos vetos, o relator-geral do orçamento não poderá indicar prioridades na execução de obras realizadas com orçamento público. O governo não terá mais o prazo limite de três meses para repassar a verba do Orçamento. Na prática, o orçamento destinado a emendas de comissão e do relator não são mais impositivas. Além disso, não haverá penalização ao governo caso ele não faça o pagamento dessa verba.

Independentemente do acordo, partidos de vários matizes ideológicos, como Rede, Novo, PSL e MDB, mostraram-se favoráveis aos vetos. Para eles, se o veto fosse derrubado, a governabilidade e o poder de gestão do presidente da República sobre a verba pública ficariam prejudicado. Partidos de oposição se colocaram a favor do veto, considerando que a medida prejudicaria não só o atual presidente, mas todos os que se seguirem.

A votação ocorreu após dias de negociações e acordos entre governo e Congresso, encabeçados, principalmente, pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o ministro da Secretaria-Geral de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Dólar em alta

O BC retoma intervenções no câmbio após a moeda americana disparar 1,6% na quarta-feira, a R$ 4,5792, com nova máxima intradiária acima de R$ 4,58. A autoridade monetária anunciou leilão de até US$ 1 bilhão em swaps para esta quinta-feira, depois de já ter vendido US$ 4,5 bilhões em 5 leilões entre os dias 13 e 28 de fevereiro. Mais tarde, foi anunciado um novo leilão de 20 mil contratos.

Os analistas discutem se BC foi tímido no anúncio ou se não há muito a fazer no cenário atual. “Não há muito o que BC possa fazer neste momento, seria ir contra o movimento natural do mercado”, disse Jayro Rezende, chefe de tesouraria do Banco da China no Brasil, para a Bloomberg.

Já José Faria Júnior, sócio-diretor da Wagner Investimentos, aponta: “Será importante vermos recuperação das commodities para o real ter melhores condições de se valorizar”.

Noticiário corporativo 

Em destaque, após a queda de mais de 30% das ações, o IRB anunciou que Werner Suffert é o novo vice-presidente Executivo, Financeiro e de Relações com Investidores da companhia. O executivo, que ocupou o posto de CFO e diretor de Relações com Investidores da BB Seguridade (BBSE3) pelos últimos seis anos, também assume a posição de CEO interinamente, até a nomeação de um profissional para a função.

No radar de balanços, a CSN teve lucro líquido de R$ 1,13 bilhão no quarto trimestre de 2019, em queda de 36% ante o lucro de R$ 1,77 bilhão registrado no mesmo trimestre de 2018. A Arezzo (ARZZ3), rede varejista de moeda feminina, publicou balanço na noite de ontem e informou um lucro líquido de R$ 59,4 milhões no quarto trimestre de 2019.

Houve uma expansão de 50,6% sobre igual período do ano anterior. No fechamento de 2019, o lucro líquido avançou menos, 16,9% sobre 2018, para R$ 162,1 milhões. A empresa intensificou sua abertura de franquias, chegando a 737 pontos de venda no Brasil e no exterior.

Já a CTEEP – Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (TRPL4) comunicou ontem que obteve um lucro líquido de R$ 1,77 bilhão em 2019. Já a Direcional aprovou a abertura de capital da Riva no Novo Mercado.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos

The post Ibovespa desaba 5% com coronavírus e dólar chega a R$ 4,66 apesar de swaps appeared first on InfoMoney.

Queda da Bolsa de Valores: devo me desesperar?

Queda da Bolsa de Valores: Filipe Fradinho

No dia 24 de janeiro de 2020, o Ibovespa atingiu sua máxima histórica, com 119.593 pontos. No entanto, nas últimas semanas, as notícias têm sido de constantes quedas da Bolsa de Valores.

Coronavírus, processo de impeachment do presidente dos EUA Donald Trump e, mais recentemente, o estremecimento da relação entre o ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente Jair Bolsonaro, são alguns dos motivos que influenciaram nessa queda.

Mas será que é só isso?

De acordo com Filipe Fradinho, analista Clear Corretora, é natural que os patamares em que envolvem números redondos sirvam de suporte e resistência psicológicos. Recentemente os 120.000 pontos foram testados e a bolsa já mostrava uma certeza realização no curto prazo. O patamar mais relevante a ser testado agora é o de 100.000.

“Quando a gente questiona em qual patamar a Bolsa vai chegar em 2020, ninguém fala um número quebrado, naturalmente se arredonda um número como alvo”, explica.

“Então, quando se alcança esse alvo, é normal que haja uma realização de lucros. Por exemplo, o investidor que comprou quando o Ibovespa estava a 80 mil e tem como alvo os 100 mil, vai vender quando o índice chegar nesse patamar. E, naturalmente, muita gente vai fazer isso o que refletirá numa realização da bolsa”, complementa.

Porém, isso não é motivo para desespero. Segundo Fradinho, essa volatilidade é totalmente saudável, já que o Ibovespa teve um crescimento rápido.

“Os papéis esticaram muito no curto prazo. O índice subiu muito. É preciso descansar para buscar novas máximas”, diz o analista.

Para não ficar dúvidas, Fradinho ainda usa alguns exemplos. “Em 10 de julho do ano passado, Ibovespa bateu 105 mil pontos pela primeira vez. Dezenove pregões depois, a Bolsa tinha caído 6%. Trinta e cinco pregões depois, 9%. Mais para frente se recuperou e alcançou uma nova máxima”, conta.

“Nos últimos quatro anos, a Bolsa subiu mais de 170%. Nesse ano, o desempenho é de queda de 0,78%. Do meu ponto de vista, uma retração irrelevante quando comparada com os últimos anos É quase irrelevante em comparação ao todo”, conclui.

Volatilidade

E para aproveitar os altos e baixos da Bolsa, a Clear Corretora é uma opção interessante.

Além da taxa zero de corretagem, a Clear tem uma série de benefícios que auxiliam o investidor a otimizar os lucros.

Todos os dias, o cliente da Clear pode acompanhar gratuitamente, pelo Youtube, três salas com analistas ao vivo falando sobre o mercado. O blog da Clear também é outro diferencial.

O mais importante, no entanto, é o time de analistas: Rafael Ribeiro, Fernando Góes, Wilson Neto, Filipe Fradinho e Charlles Nader.

“Poucas corretoras têm um time que compreende todas essas modalidades: swing trade, opções, tape reading e day trade”, explica Fradinho.

Seja sócio das melhores empresas da Bolsa e ganhe com dividendos: abra uma conta na Clear com taxa ZERO para corretagem de ações.

Disclaimer: CONTEÚDO PATROCINADO CLEAR CORRETORA, que é uma marca da XP INVESTIMENTOS CCTVM S.A Este material foi elaborado pela CLEAR CORRETORA (“Clear”) e tem caráter meramente informativo, não constitui e nem deve ser interpretado como solicitação de compra ou venda, oferta ou recomendação de qualquer ativo financeiro, investimento, sugestão de alocação ou adoção de estratégias por parte dos destinatários. Os prazos, taxas e condições aqui contidas são meramente indicativas.

As informações contidas neste material foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis.

A Clear não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Os ativos, operações, fundos e/ou instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento.

A Clear não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao valor total do capital investido.
Para mais informações ligue para 4003-6245 (capitais e regiões metropolitanas) ou 0800-887-9107 (demais localidades). Para clientes no exterior o contato é 55-11-4950-2199. Para reclamações, utilize o SAC 0800 77 40404. E se não ficar estiver satisfeito com a solução, favor entrar em contato com a Ouvidoria: 0800-200-5550. Para deficientes auditivos ou de fala favor ligar para 0800 771 0101 (todas as localidades).

The post Queda da Bolsa de Valores: devo me desesperar? appeared first on InfoMoney.

Joint-venture? Estagnação? O que esperar para Cielo, Stone e PagSeguro em 2020

Pagamento pelo smartphone

SÃO PAULO – Divulgado na última segunda-feira (2), o resultado financeiro da Stone fecha a temporada do último trimestre para as empresas de credenciamento brasileiras com ações listadas em bolsa. Com os números de 2019 consolidados, analistas buscam antever as movimentações de 2020 na chamada Guerra das Maquininhas.

Entre as especulações está uma possível joint-venture entre Cielo (CIEL3) e Stone através da compra da fatia do Banco do Brasil na maior credenciadora do país (passando ou não pelo Bradesco no processo). Desde setembro do ano passado circula esse rumor – e o BB já indicou interesse em vender seus empreendimentos na frente de cartões, contratando uma consultoria para avaliar os caminhos disponíveis.

Seria um caminho positivo, na visão de quem cobre o setor. Em resumo, abriria a possibilidade de “juntar a agilidade da Stone e sua qualidade, principalmente com o atendimento ao consumidor e experiência do usuário, com o market share da Cielo, que é a líder de mercado, fora sinergias de custos. A nova empresa deve ser mais eficiente também”, disse Marcel Campos, analista da XP Research.

Mas, enquanto não há menção pública a esse acordo, o mercado só pode trabalhar com as informações disponíveis. A princípio, elas seguem mostrando ambiente altamente competitivo – e caminho tortuoso especialmente no caso da Cielo, o “anjo caído” do setor.

A companhia comandada por Paulo Caffarelli teve o maior declínio de market share (fatia de mercado) nos últimos dois anos, chegando a 40,7% no último trimestre ante 47,2% no início de 2018, conforme dados compilados pelo Morgan Stanley. Ano a ano, porém, houve crescimento tímido, de 13%.

O mercado começa a vislumbrar uma recuperação para a companhia, que já atende clientes menores. Mas, com margens enforcadas, a Cielo pode ter encontrado um novo patamar de valor, temem analistas. Seu valor de mercado caiu 58% em 2018, 21% em 2019 e já acumula queda de 10,75% neste ano, mas vê recuperação de 8,6% neste início de março justamente com a retomada dos rumores de venda.

As duas concorrentes listadas, por outro lado, crescem vertiginosamente. A PagSeguro, do Grupo UOL, ganhou 39% em fatia de mercado em um ano, chegando a 7,3% do total. E o grande destaque foi a Stone, com crescimento de 51%, que fechou o ano com 8,6% do mercado de adquirência. Ambas ficam atrás de Rede (30,3%) e Getnet (13,1%), mas trabalham rapidamente para diminuir a distância.

Oportunidades para as menores

Para a Stone, a avaliação é de oportunidades maiores com a distribuição de produtos que foram desenhados no ano passado, como empréstimo e conta digital. “Espera-se que a companhia colha frutos” neste ano, diz a análise.

Por sua vez, o Bradesco BBI, observa que o “desempenho sólido” deve ser colocado à prova “em breve”. “As capacidades de execução estão sendo testadas conforme a companhia trabalha para expandir suas operações para o segmento bancário (originação de crédito) e o de microempreendedores”, diz o relatório. Lançada oficialmente neste início de março, a iniciativa em parceria com a Globo, Ton, é vista com cautela como potencial capturadora de novos clientes da cauda longa, especialidade da PagSeguro.

A taxa Selic baixa pode pressionar as receitas de antecipação de recebíveis, segundo a análise, mas a companhia deve continuar se beneficiando da força de seu programa de distribuição física para o segmento de PMEs, em que é pioneira.

Quanto à PagSeguro, a precificação é uma preocupação dos que acompanham o papel. Sem subir a base de clientes ativamente, a empresa continua focando no segmento que ajudou a construir: o de microempreendedores. Enquanto o mercado se questiona se, nessa frente, o preço não é o fator mais importante, a companhia aposta em atendimento como diferencial para diminuir o churn (taxa de saída de clientes).

Seja sócio das maiores empresas da Bolsa sem pagar corretagem. Abra uma conta na Clear. 

The post Joint-venture? Estagnação? O que esperar para Cielo, Stone e PagSeguro em 2020 appeared first on InfoMoney.

Justiça bloqueia R$ 143 milhões de Marcelo Odebrecht

A Justiça de São Paulo bloqueou R$ 143 milhões das contas de Marcelo Odebrecht. A decisão, em caráter liminar, dada na terça-feira pelo juiz Eduardo Pellegrinelli, da 2.ª Vara Empresarial de São Paulo, atende a pedido do próprio grupo Odebrecht, que ajuizou a ação contra seu ex-presidente, sua mulher e suas filhas.

Duas semanas antes do fechamento do contrato de leniência da Odebrecht e dos 77 delatores, em 2016, Marcelo exigiu, como contrapartida ao aceite do acordo de colaboração, o recebimento dos R$ 143 milhões. Metade foi paga à vista e a outra, depositada em plano de previdência em nome da mulher e das três filhas.

O contrato assinado entre Marcelo e a Odebrecht prevê arbitragem para resolução do conflito, mas a ação foi proposta pelo grupo empresarial para evitar que o dinheiro desaparecesse. Na decisão, o juiz considerou, baseado em mensagens do próprio Marcelo e anexadas ao processo, o risco de uma “tentativa de blindagem” dos valores por parte do seu ex-presidente.

Os dois lados estão em guerra pelo controle do grupo. Até o fim do ano passado, Marcelo, fora do comando do grupo desde 2015 quando foi condenado pela Lava Jato, ainda recebia salário e benefícios da companhia. Mas foi demitido por justa causa a pedido do próprio pai, Emílio. Marcelo havia criticado em carta os atuais executivos pela forma como o grupo, em recuperação judicial, estava sendo conduzido e colocava-se à disposição da família para voltar ao comando.

A Odebrecht abriu investigação interna para identificar eventuais delitos cometidos por Marcelo. A investigação ainda não foi concluída, mas a empresa diz ter levantado elementos contra o seu ex-presidente na ação proposta. Entre os indícios apontados, o juiz citou mensagens que indicariam chantagem de Marcelo contra atuais e ex-executivos do grupo. “Acabarei detonando a todos”, diz uma delas. Procurado, Marcelo não retornou o pedido de entrevista.

Com dívidas de R$ 98,5 bilhões, o grupo deverá realizar, no dia 18 de março, assembleia com os credores para aprovação de seu plano de recuperação judicial. Entre os credores, estão Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e BNDES.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos

The post Justiça bloqueia R$ 143 milhões de Marcelo Odebrecht appeared first on InfoMoney.

Quem deve declarar Imposto de Renda: entenda se você se enquadra no IR 2020

Todo começo do ano chega aquele momento em que muitos brasileiros ficam preocupados com a declaração do Imposto de Renda, também conhecido como DIRF. Mas nem todos os contribuintes sabem se devem ou não realizar a declaração.

Para tentar, ao máximo, esclarecer quem deve declarar o Imposto de Renda 2020, quem é isento e quais são as principais consequências quando não se declarar o IRPF, preparamos este conteúdo!

Quem deve deve declarar Imposto de Renda 2020

Indo bem direto ao ponto, a declaração do Imposto de Renda é obrigatória para todos aqueles que tiveram renda superior ao valor predefinido pela Receita Federal. Dessa forma, aqueles que, até dia 31 de Dezembro de 2019, se enquadraram aos critérios a seguir, são obrigados a apresentar a declaração anual do IRPF 2020:

  •  receberam rendimentos tributáveis em que a soma tenha sido maior que R$ 28.559,70;
  • tiveram receita bruta em atividade rural no valor superior a R$ 142.798,50;
  • receberam rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40.000,00;
  • obtiveram receita na alienação de bens ou direito;
  • operaram na Bolsa de Valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas;
  • Tiveram posse ou a propriedade de bens ou direitos no valor total maior que R$ 300.000,00 até dia 31 de dezembro de 2019.

Quais são as consequências em não declarar o IRPF 2020

Para aqueles que se enquadram nos critérios citados no tópico anterior, têm até o dia 30 de Abril para apresentar a declaração do Imposto de Renda 2020. Vale frisar que a declaração não é opcional e quem não a fizer, estão sujeitos a multa.

Além da multa, quem não fizer a declaração pode ter o CPF cancelado e ficar com restrições de crédito (não conseguir realizar financiamentos ou até mesmo comprar parcelado).

Além disso, caso você entregue a declaração com atraso, vai ter impacto nas finanças pessoais do contribuinte. Caso tenha imposto devido, a multa é de 1% ao mês ou fração, e incide sobre o imposto devido, observado o mínimo de R$ 165,74 e máximo de 20% do imposto devido.

Mas qual é a diferença entre imposto devido e imposto a pagar?

O imposto devido é aquele que incide sobre a renda tributável — é o mesmo que o imposto apurado. Já o imposto a pagar representa a diferença entre o imposto apurado e o imposto que já foi pago ou retido na fonte.

Assim que o contribuinte enviar a declaração e regularizar a situação ele receberá uma notificação sobre a multa e a DARF para o pagamento do valor devido, que deverá ser pago em até 30 dias após a expedição da DARD — caso não haja o pagamento durante o período, é acrescido juros no valor total.

Para os contribuintes que deixarem de fazer a declaração ou não realizarem o pagamento devido do imposto, pode ser considerado a ação como sonegação de imposto, caindo na malha fina.

👉Saiba mais sobre a malha fina e como não cair nela!

Quem está isento do Imposto de Renda 2020

Existem três casos em que alguns contribuintes possuem o direito de usufruir da isenção do Imposto de Renda: valor máximo do rendimento, por doença e por idade. Entenda cada um dos critérios por categoria:

Isenção a partir do valor de rendimentos

A primeira categoria que abrange o benefício de isenção do Imposto de Renda são os cidadãos que apresentaram rendimento anual, até o dia 31 de Dezembro de 2019, menor que R$28.559,70.

Para visualizar melhor e identificar se você tem direito ou não a isenção do imposto de renda, confira a tabela do Imposto de Renda 2020:

Base de cálculo Alíquota (%) Parcela a deduzir do IRPF
Até R$1.903,98 isento R$000,00
De R$1.903,99 até R$2.826,65 7,5% R$142,80
De R$2.826,66 até R$3.751,05 15% R$354,80
De R$3.751,06 até R$4.664,68 22,5% R$636,13
Acima de R$4.664,68 27,5% R$869,36

Isenção do Imposto de Renda por doença

Para aqueles que possuem alguma das doenças listadas abaixo, são isentas do IRPF:

  • Alienação mental;
  • Osteíte deformante;
  • Tuberculose ativa;
  • Hanseníase;
  • AIDS;
  • Neoplasia maligna (câncer);
  • Doença de Parkinson;
  • Paralisia Irreversível e Incapacitante;
  • Contaminação por radiação;
  • Cardiopatia grave;
  • Espondiloartrose anquilosante;
  • Fibrose Cística;
  • Cegueira (inclusive monocular);
  • Hepatopatia grave;
  • Esclerose Múltipla;
  • Nefropatia Grave.

Vale frisar que que a isenção por motivo de doença não é feita de forma automática. Assim, o cidadão tem que apresentar laudo comprovando a doença e entregar junto a Receita Federal.

Outro ponto importante é que a isenção do Imposto de Renda não se aplica para os contribuintes que exercerem atividade remunerada. Apenas rendimentos como aposentadoria, pensão, reforma ou outro benefício previdenciário estão amparados.

Isenção de Imposto de Renda por idade

Por fim, o último caso de isenção do Imposto de Renda 2020 é o critério de idade. A regra abrange aposentados e pensionistas com idade superior a 65 anos que tiveram renda mensal menor que R$3.807,96 no exercício de 2019.

Para os contribuintes que enquadram nesse critério, é importante se atentar que apenas rendimentos provenientes a pensão, aposentadoria ou outros benefícios previdenciários são isentos.

Gostou do conteúdo e quer entender sobre Imposto de Renda? Então conheça os 6 investimentos isentos de imposto de renda!

O post Quem deve declarar Imposto de Renda: entenda se você se enquadra no IR 2020 apareceu primeiro em Blog Magnetis.

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora