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Banco Central precisa continuar agindo para mitigar efeitos do coronavírus, diz Luiz Fernando Figueiredo

SÃO PAULO — O impacto do coronavírus sobre a atividade econômica brasileira é “secundário”, mas ainda assim o Banco Central deve continuar agindo para acalmar os mercados, que reagem ao pânico global generalizado. A afirmação é do CEO da Mauá Capital e ex-diretor de política monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, em entrevista ao InfoMoney.

Segundo Figueiredo, a decisão do Federal Reserve (banco central americano) ontem de cortar emergencialmente os juros nos Estados Unidos foi correta, mas pode ter elevado a incerteza entre os investidores sobre a gravidade da situação.

“Os países terão que fazer ajustes fiscais para ajudar a economia, mas ninguém sabe ainda onde nós estamos em termos de quanto essa história ainda vai andar”, disse.

Sobre o Brasil, Figueiredo disse ser importante que o BC siga atuando onde for preciso, seja provendo liquidez no câmbio ou cortando juros, como outros países têm feito. Ele também comentou sobre o real, que é a moeda emergente que mais perde valor contra o dólar. Leia a entrevista abaixo.

IM: O Fed surpreendeu o mercado no timing da decisão? Por que isso acalmou apenas momentaneamente o mercado?

LFF: O Fed surpreendeu todo mundo. Só em 2008 ele tinha feito uma reunião extraordinária como esta. É muito raro. É sempre uma faca de dois gumes porque se ele foi tão agressivo assim, será que a possibilidade de recessão aumentou?

O mercado, como a gente está sob um grau de incerteza muito grande, fica em dúvida. O mercado não sabe responder sobre isso. Então, as oscilações estão sendo muito grandes.

Anteontem, as Bolsas americanas chegaram a subir mais de 2% e depois fecharam só com um pouco de alta. O mercado ainda não encontrou um equilíbrio, um meio que ele fique relativamente tranquilo no meio deste quadro de incerteza atual. Até porque é muito difícil mensurar [o tamanho do estrago do coronavírus na economia global].

Os bancos centrais estão atuando de maneira coordenada. Os países terão que fazer ajustes fiscais para ajudar a economia, mas ninguém sabe ainda onde nós estamos em termos de quanto essa história ainda vai andar.

Como os países estão super reagindo, o impacto nas economias tem sido muito forte porque eles têm paralisado as atividades onde tem foco [de coronavírus], alguma preocupação. Então, que vai ter, momentaneamente, focos bem recessivos muito fortes, vai.

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IM: Mas, então, só o corte de juros não é suficiente?

LFF: Como ninguém sabe se essa coisa continua crescendo, quem sabe esses focos se tornam algo mais abrangente no mundo e por um tempo maior. É muito difícil saber se o corte [de juros nos EUA] vai dar conta do recado porque ninguém sabe ainda muito bem onde estamos pisando.

O Fed falou que vai fazer o que for preciso fazer, não tem como prever o limite. O termômetro está meio quebrado. Você tem que ir fazendo alguma coisa para o sistema não ter dúvidas de que você vai estar pronto para atuar sempre que for preciso.

Essa atitude já aliviou um pouco o estresse do mercado. Se não houvesse essa resposta dos bancos centrais, a gente estaria em uma outra situação.

Embora muito voláteis, os mercados deram uma certa estabilizada. As Bolsas americanas estavam caindo 3% todos os dias, agora caem menos ou até sobem um pouco. Isso tem um efeito enorme no que a gente chama de condições financeiras e confiança. Não só nas regiões que pararam as atividades pelo vírus, mas também em muitos outros lugares.

IM: O mercado já prevê novos cortes na Selic após a decisão do Fed. Como isso impacta a atividade e a Bolsa?

LFF: O Brasil está indo na esteira do que acontece em muitos outros países. A dinâmica é uma dinâmica que todos estão reagindo ao mesmo tempo a um choque que tem proporção global.

Nessa hora não dá para dizer se o Brasil vai ser mais impactado ou não. O Brasil está mais distante. São pouquíssimos casos [de infectados por coronavírus] aqui. Mas o mercado tem muito a ver com confiança — e isso está ligado ao mundo.

Com relação à atividade [econômica] em si no Brasil, o impacto é mais secundário. Você pode ter uma recessão temporária em um epicentro. China está sofrendo mais, Coreia sofre mais e deve passar por um período recessivo.

Não é o caso brasileiro. Em termos de queda da atividade, o impacto será muito menor. Os mercados acabam tendo um impacto maior do que a atividade propriamente dita aqui.

IM: O dólar sobe no mundo todo, mas o real tem sido a moeda emergente que mais se desvaloriza. Por quê?

LFF: O real vem tendo uma dinâmica em que ele vem performando pior do que as outras moedas emergentes. Mas ele está dentro de um contexto em que o dólar está se valorizando no mundo.

Aqui, estamos em um período de transição entre uma moeda que era uma moeda de carry trade, que o mercado diz, ou seja, que muita gente entrava para ganhar com os juros altos que tínhamos aqui, e indo agora para um outro tipo de moeda, que é uma moeda de um país com juro mais normalizado.

Então, o investimento, o dinheiro que vem para cá é muito mais dependente da economia real. É um processo de transição. O estoque desse dinheiro que dependia de juros está indo embora.

IM: As intervenções do BC brasileiro no câmbio têm sido efetivas? O que a autoridade precisa fazer, além do que já está fazendo, para amenizar o avanço do dólar?

LFF: Sobre as intervenções no câmbio pelo Banco Central, elas sem dúvida são efetivas, mas elas não têm o objetivo de atenuar nenhum movimento e, sim, de manter uma normalidade do sistema, provendo principalmente liquidez.

Em momentos como este, em que você tem um choque muito grande, o que o Banco Central tem que fazer é isso: prover liquidez onde ela estiver faltando, seja no câmbio ou onde for. É isso que os bancos centrais estão fazendo.

A preocupação é com a estabilidade financeira. Temos que manter o sistema saudável, este é o objetivo dos bancos centrais neste momento. Se o sistema funcionar, qualquer choque é minimizado e não propagado.

Mas ainda é uma situação de muita incerteza. Eu diria que nós temos aí mais duas ou três semanas, no mínimo, para entender se o mundo vai conseguir conter a propagação desse vírus ou não. Se conseguir conter, pode ser que as coisas comecem a voltar ao normal nas economias e os mercados acalmem bem.

Como é muito tempo, são semanas em uma situação muito volátil, então temos que tomar bastante cuidado.

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Piores PMIs da história mostram que o coronavírus já atingiu em cheio a economia da China

SÃO PAULO – Os Índices Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês) industrial, de serviços e composto da China atingiram seus piores níveis da história em fevereiro, mostrando que o impacto do coronavírus já atingiu em cheio a segunda maior economia do mundo.

No sábado, o Bureau Nacional de Estatísticas (BNS) da China mostrou que o PMI da indústria caiu de 50 pontos em janeiro para 35,7 pontos em fevereiro, menor valor já registrado na série histórica. O dado acima de 50 denota expansão e abaixo revela contração da atividade naquela área estudada.

Já o PMI Caixin/Markit de serviços caiu de 51,8 pontos em janeiro para 26,5 pontos em fevereiro. O indicador também trouxe a maior queda no volume de novos negócios desde novembro de 2008. O PMI composto recuou de 51,9 pontos para 27,5 pontos no mês passado.

Segundo os analistas Jenny Zheng, Zhipeng Cai e Robin Xing, do Morgan Stanley, a produção industrial chinesa provavelmente caiu 8% na base anual entre janeiro e fevereiro. “De fato, dados de transporte e de consumo de energia sugerem que a produção total do país só chegou a 65% ou 70% dos níveis normais ao fim de fevereiro, depois de se manterem em torno de 50% durante a paralisação das fábricas que durou até o dia 9 daquele mês”, escrevem em relatório.

O investimento em ativos fixos (FAI, na sigla em inglês), por sua vez, deve ter caído 3% durante o mesmo período na comparação anual. A equipe do Morgan Stanley destaca que embora o FAI tenha crescido antes do feriado do ano-novo lunar impulsionado pelo mais forte investimento em infraestrutura, a melhora pode ter sido mais que revertida devido às medidas para contenção do surto do coronavírus, junto com o lento retorno dos trabalhadores migrantes em meio às restrições de viagens.

As vendas no varejo, de acordo com o banco americano, devem ter sofrido um recuo ainda maior, de 10% entre janeiro e fevereiro por conta da brutal redução na demanda desde que a doença começou a se alastrar. “Como evidência para sustentar isso, a Associação Chinesa de Passageiros de Carros mostrou que as vendas de automóveis despencaram 41% na comparação anual em janeiro e fevereiro”, aponta a equipe de análise.

Por fim, o Morgan Stanley também estimou em 14% a retração nas exportações nos primeiros dois meses de 2020. A principal prova deste impacto é que as importações realizadas pela Coreia do Sul de produtos chineses em fevereiro encolheram em 28,8% na base anual.

Controle

Entretanto, há pelo menos um bom sinal vindo da China, que é a estabilização no número de novos casos de coronavírus por dia na província de Hubei, epicentro da epidemia, e declínio em novos diagnósticos em outras regiões.

Um dado mostra inclusive como isso pode ser refletido na economia chinesa. Apenas em fevereiro, as vendas de carros na China caíram 80% na bse de comparação mensal, a maior registrada até o momento no país. No entanto, conforme aponta a Associação Chinesa de Passageiros de Carros, as vendas médias diárias melhoraram no fim do mês comparado às três primeiras semanas.

Matthew Hope, economista do Credit Suisse, avalia que o risco maior de proliferação do vírus não parte mais da China, mas dos outros países que foram impactados. “A Europa pode não ser capaz de fechar cidades como a China fez, o que facilitará a disseminação”, destaca.

O impacto disso na demanda por commodities, embora ainda não seja quantificável, seria muito relevante, especialmente para cobre e alumínio, que sofreriam com a menor venda de carros e a desaceleração na construção civil globalmente.

Por outro lado, o minério de ferro – que é muito importante para o Brasil – e o carvão mineral deverão ser mais resilientes, uma vez que o investimento em infraestrutura na China deve seguir firme. Há esperança também que a mudança da estação, com o fim do inverno e chegada da primavera no hemisfério norte, desacelerem o avanço do coronavírus. “Se a nova doença se comportar como outros vírus, os casos devem retroceder no verão.”

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IRB perde R$ 8,4 bi com nova polêmica envolvendo empresa de Buffett – mas isso não é o pior para a companhia

SÃO PAULO – Quem pensava que a maior polêmica com a resseguradora IRB Brasil (IRBR3) seria o conteúdo das duas cartas da gestora carioca Squadra questionando as práticas contábeis realizadas pela resseguradora se enganou.

Se, no começo do mês passado, foi essa notícia que abalou as ações da companhia, desta vez, o que está afetando fortemente as ações é um imbróglio que envolve a Berkshire Hathaway, veículo de investimentos do lendário megainvestidor Warren Buffett.

Com isso, os papéis chegaram a registrar forte baixa de mais de 40% apenas no pregão desta quarta-feira (4). Na mínima do dia, caíram 41,75%, a R$ 16,31, representando uma perda de R$ 10,9 bilhões de valor de mercado; a ação fechou em baixa de 31,96%, a R$ 19,05. Assim, a perda de valor de mercado foi menor, de R$ 8,37 bilhões, mas ainda muito significativa para apenas uma sessão.

Na noite da última terça-feira (3), a Berkshire emitiu comunicado negando possuir qualquer participação acionária na resseguradora. De acordo com a nota, a companhia de Buffett nunca foi acionista e nem tem intenção de comprar ações do IRB.

A nota foi enviada após uma notícia do dia 27 de fevereiro, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, de que a Berkshire, que já seria acionista do IRB, teria triplicado sua posição na resseguradora.

Repercutindo a reportagem, naquela sessão, os papéis do IRB chegaram a disparar 9%, encerrando o pregão com ganhos de 6,66%.

A notícia foi bem recebida pelo mercado uma vez que a entrada de um veículo de investimento tradicional como a Berkshire na companhia poderia dar um sinal de confiança no case.

Isso seria particularmente importante após a forte queda das ações depois do caso Squadra, que tinha feito, até então, os papéis caírem quase 30% no mês de fevereiro. A alta daquela sessão, porém, não evitou a forte queda de 25,83% dos ativos no mês passado.

Contudo, no comunicado do dia 3, a Berkshire foi categórica ao negar a informação e, mais ainda, ao afirmar que não tem a intenção de investir na empresa: “Foram publicadas recentemente matérias na imprensa brasileira de que a Berkshire Hathaway é uma acionista do IBR Brasil Re. Essas matérias são incorretas. A Berkshire Hathaway não é acionista do IRB atualmente, nunca foi acionista do IRB e não tem a intenção de se tornar um acionista do IRB”.

Logo após a Berkshire publicar sua nota, o IRB enviou um comunicado em que afirma que verificou, em 27 de fevereiro, que a empresa de Buffett não era acionista detentora de mais de 5%, quando é necessária, pela lei, dar publicidade; a companhia apontou ainda que “nunca afirmou que tal grupo fosse seu acionista”.

Essa foi a grande questão que mexeu no mercado. Afinal, no dia anterior, o IRB havia realizado uma conferência com analistas de mercado, com a participação dos dois principais executivos da companhia: José Carlos Cardoso (CEO) e Fernando Passos (CFO), em que o tema era falar sobre a saída do presidente do Conselho de Administração, Ivan Monteiro, que também estava abalando as ações da companhia quase no mesmo período em que estavam saindo as notícias sobre a Berkshire.

Após a fala inicial, foi aberto um espaço para perguntas. Foi aí que os executivos foram questionados sobre a participação da Berkshire Hathaway na companhia. Em relatório, Carlos Daltozo e Tatiana Brandt, analistas da Eleven Financial Research, destacaram que a informação de que a empresa de Buffett tinha participação na resseguradora foi confirmada pelos dois nomes fortes do IRB. XP Investimentos e Brasil Plural também reiteraram a informação.

Segundo o relatório da Eleven, os executivos da resseguradora apontaram que tinham uma relação próxima com Ajit Jain, homem forte da Berkshire e responsável pela operação de seguros da holding americana.

Além disso, continua o texto, afirmaram que a Berkshire é cliente e uma das retrocessionárias do IRB desde a época da abertura de capital na bolsa (IPO, na sigla em inglês) e que depois, passaram a ser investidores e, recentemente, teriam aumentado a posição via Berkshire Hathaway International Insurance Ltd (justamente o trecho desmentido pela companhia americana).

Em conversa com o InfoMoney, um analista de mercado que não quis se identificar apontou ainda a fala dos executivos de que a indicação de Márcia Cicarelli para o conselho fiscal do IRB teria relação com essa elevação de participação. Ela é procuradora do ressegurador eventual Berkshire Hathaway International Insurance Limited no Brasil.

Mas não foi só isso: a polêmica sobre a companhia gerou tamanha repercussão que invadiu as discussões nas arenas do chamado “fintwit”, ou seja, as contas de investidores e de participantes do mercado financeiro na rede social Twitter.

Muitas dessas contas repercutiram a informação de que próprios executivos do IRB teriam divulgado uma lista de acionistas da companhia – e nela constava a Berkshire.

No começo da tarde desta quarta, a Coluna do Broadcast, que inicialmente divulgou a notícia de que a empresa de Buffett havia aumentado a sua participação no IRB, destacou que os acionistas da resseguradora que procuraram a companhia receberam a tabela de acionistas da própria empresa.

“Era a mesma a qual o Estadão/Broadcast havia tido acesso e que agora circula nas redes sociais”, afirma a reportagem. Segue a lista abaixo:

Após a abertura do mercado, o IRB mandou novo comunicado ao mercado afirmando que seu conselho de administração determinou a realização de uma “análise criteriosa” de sua base acionária. Procurado pelo InfoMoney, o IRB não se manifestou sobre o caso.

Cabe lembrar que não é de hoje que havia a informação de que Buffett estaria interessado em se tornar sócio do IRB; porém, conforme apontou hoje o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, quem estaria alimentando essa informação – já há quase dois anos – seria justamente o alto comando da empresa.

Governança corporativa em xeque

Conforme destaca a Eleven, tanta confusão sobre o caso gerou um fluxo muito negativo de notícias para ação e gerou uma questão muito importante sobre a governança corporativa do IRB.

“A questão do investimento ou não da Berkshire no IRB é irrelevante para nosso modelo de valuation. Porém, a saída de Monteiro foi feita em um péssimo momento. A cronologia dos fatos deve ser investigada pelos órgãos competentes, principalmente a CVM que, após a carta da Squadra, abriu
alguns processos administrativos contra o IRB. Caso seja detectada alguma falha de conduta, medidas punitivas deverão ser tomadas”, avaliam os analistas da Eleven.

No site da CVM, consta o processo administrativo envolvendo a IRB, como segue abaixo, mas não há mais detalhes, já que ele segue em sigilo.

(Reprodução: CVM)

Vale ressaltar que a conferência com analistas do IRB tinha o objetivo de esclarecer a saída de Monteiro, uma vez que esse caso também foi alvo de muitas polêmicas e repercutiu negativamente nas ações da empresa. A companhia negou a saída (noticiada pelo Valor Econômico) um dia antes para depois confirmar a renúncia.

Os executivos do IRB se explicaram e afirmaram que, segundo comunicado publicado no dia 28 de fevereiro, receberam a carta de renúncia de Monteiro às 18h10 daquele dia e, portanto, no dia 27 de fevereiro, não tinham nenhuma informação sobre a possível renúncia do presidente do conselho e, por este motivo, publicaram um comunicado negando a saída.

Eles ainda buscaram deixar claro que a saída do chairman ocorreu estritamente por motivos de saúde.

Com esse cenário de grande incerteza no radar, a Eleven reduziu, num primeiro momento, o preço-alvo para as ações da companhia de R$ 54 para R$ 38 (uma queda de cerca de 30%). Contudo, ainda representaria uma alta de 100% em relação aos R$ 19 negociados durante a tarde desta quarta-feira.

“Por ora, mantemos a recomendação de compra por entendermos que, conforme escrevemos no relatório de resultados divulgado no dia 19 de fevereiro, os números divulgados pela companhia, assinados por auditores, conselheiros dentre outros, são informações de fontes fidedignas e o guidance divulgado prevê a continuidade do ritmo de crescimento da companhia. Entendemos também que há uma assimetria importante entre preço de tela e o valor”, afirmam os analistas da Eleven. Na mesma linha, das 16 casas de análise consultadas pelo Bloomberg, 12 recomendam compra e apenas 4 recomendam manutenção para as ações.

O Bank of America, que possuía recomendação de compra para as ações da companhia, colocou a recomendação em revisão, citando “mensagens conflitantes”. O relatório também cita questões relacionadas à contabilidade que resultaram na contratação da Ernst & Young pelo IRB para
auditar os resultados junto à PwC. “Não estamos mais confiantes de que temos uma base razoável para avaliar o IRB”, disseram os analistas.

Neste cenário complicado para a empresa, surgem até mesmo notícias sobre mudanças na direção da companhia. Segundo fontes do Valor Econômico, Werner Suffert deve assumir o cargo de vice-presidente financeiro e é cotado para ser CEO interino com a possível saída de José Carlos Cardoso. Suffert era membro do Conselho de Administração do IRB e pediu renúncia em 27 de fevereiro. Enquanto isso, Antonio Cassio, atual CEO Americas do Grupo Generali, é cotado para a presidência do Conselho. Contudo, procurado pela reportagem, Cassio disse que não recebeu convite até o momento.

Os riscos para a companhia aumentaram muito – e a resposta dela para tantos questionamentos do mercado será crucial para definir os próximos passos dela na Bolsa.

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Com hotéis vazios, setor de turismo global calcula perdas

(Bloomberg) – No lago de Como, no norte da Itália, a primavera normalmente significa o retorno dos turistas. Celebridades como George Clooney frequentam vilas à beira-mar, casais perambulam pelas ruas de paralelepípedos e feiras de design lotam quartos de hotéis com viajantes endinheirados. Este ano, por causa do coronavírus, donos de hotéis se perguntam se os turistas virão.

Hotéis da região registraram o cancelamento de mais da metade das reservas em três dias na semana passada em meio à propagação do vírus no norte da Itália, o maior surto fora da Ásia. Agora, proprietários esperam ansiosamente para ver o impacto nos importantes meses do verão.

“Tivemos nossos altos e baixos no passado, mas nada como isto”, disse Roberto Cassani, de 58 anos, presidente da associação de operadores de hotéis de Como. “Os turistas americanos, em particular, parecem vítimas de uma psicose coletiva. Estou realmente preocupado.”

Com a doença que surgiu na China e se tornou global, o setor de turismo enfrenta uma ameaça crescente. Muitos dos turistas chineses que impulsionaram a expansão do setor já haviam deixado de viajar depois que o governo “trancou” dezenas de milhões de pessoas e proibiu a venda de pacotes turísticos. A medida esvaziou hotéis em Macau, meca de cassinos, praias do sudeste da Ásia e eliminou filas do lado de fora das butiques Louis Vuitton em Paris.

Apesar da diminuição da contaminação na China, o vírus se espalha em outros lugares, como Coreia do Sul e Itália, que juntas registram mais de 8 mil do total global de cerca de 93 mil casos. Agora não são apenas os chineses que ficam em casa. Alemães e belgas estão repensando as viagens de esqui para a Itália. Japoneses cancelam visitas a Bali. Em jogo, está a receita de US$ 1,7 trilhão gerada pelo turismo internacional em 2018, segundo a Organização Mundial de Turismo da ONU.

É o maior revés para a indústria de viagens desde a crise que seguiu os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o surto da SARS e a guerra no Iraque dois anos depois.

A Associação Global de Viagens de Negócios diz que o coronavírus pode custar à indústria US$ 47 bilhões por mês. Companhias aéreas e operadoras de pacotes de turismo de pacote pintaram uma imagem igualmente sombria: a Associação Internacional de Transporte Aéreo prevê quase US$ 30 bilhões em vendas perdidas com voos.

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Petrobras tem recorde de exportação de óleos combustíveis em fevereiro

A Petrobras (PETR3; PETR4) registrou recorde de exportação de óleos combustíveis em fevereiro, com 238 mil barris exportados por dia e superando 1 milhão de toneladas neste mês. Segundo a empresa, a nova especificação mundial para teor de enxofre em combustíveis marítimos gerou oportunidade única para a companhia.

A nova especificação mundial dos combustíveis marítimos (IMO 2020), que reduziu de 3,5% para 0,5% o limite de teor de enxofre no óleo combustível, foi responsável para o aumento da demanda, “já que tanto o petróleo quanto o óleo combustível produzidos pela companhia têm baixo teor de enxofre”, ressaltou a estatal.

As exportações de petróleo também continuam em patamares elevados, com volumes superiores a 690 mil barris por dia exportados em fevereiro.

A companhia destaca que a maior exportação ocorreu mesmo em um período desafiador para a economia global, em função do surto de coronavírus (COVID-19), que restringiu a demanda na Ásia, principal destino das exportações da Petrobras.

“Com isso, novos fluxos foram ajustados, com aumento da destinação de petróleo e óleos combustíveis para Caribe, Estados Unidos e Europa, dentre outros mercados”, disse a empresa em comunicado.

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Rentável, Dafiti fatura mais e cresce em número de clientes

SÃO PAULO – “Não vamos crescer a qualquer custo”. Este é o discurso que a varejista de moda online Dafiti adotou nos últimos dois anos e que foi amplificado nesta terça-feira com a divulgação de seus números consolidados de 2019. O balanço mostra que a companhia conseguiu ser rentável pelo terceiro ano consecutivo.

A Dafiti teve um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 28 milhões no ano — é a primeira vez que a companhia abre esse número de suas operações.

A receita líquida totalizou R$ 2,5 bilhões — alta de 21,9% em relação a 2018 e o número de clientes ativos chegou a 5,9 milhões, ante os 5,2 milhões no ano anterior. Além do Brasil, a companhia, pertence à Global Fashion Group, tem operações na Argentina, Chile e Colômbia.

“Abandonar um Ebitda positivo poderia acelerar o crescimento da companhia, mas, após 9 anos de história, não nos sentimos mais confortáveis com isso”, afirma Phillip Povel, presidente e co-fundador da Dafiti.

Apesar de não abrir os números específicos do Brasil, Malte Huffmann, co-fundador e managing director da Dafiti, afirma que as operações seguem crescendo. Segundo ele, as vendas do grupo no Brasil no ano passado tiveram alta superior ao crescimento de 2018.

Uma das medidas adotadas pela Dafiti para crescer foi a adição de novas marcas ao seu catálogo, como Polo Ralph Lauren, Banana Republic e Gap. Hoje, são mais de 4 mil marcas em sua plataforma.

“O nosso objetivo não é necessariamente crescer o número de marcas e sim otimizar o nosso portfólio. Isso significa adicionar marcas que tragam uma diversidade maior de produtos”, diz Huffmann.

Para ampliar o catálogo e a fidelização, a Dafiti também investiu em coleções cápsulas lançadas em parceria com influenciadoras digitais.

Outra novidade em 2019 foi o lançamento do serviço Dafiti Prime. Disponível inicialmente para o estado de São Paulo, o pacote permite que o consumidor tenha acesso a frete e entrega mais rápida de seus produtos por R$ 19,90. A empresa pretende expandir o serviço para outros estados ainda neste ano.

Está previsto para 2020 ano também a inauguração de um novo centro de distribuição que a companhia está construindo em Minas Gerais. Com um espaço de 80 mil metros quadrados, o local tem capacidade para armazenar mais de 3,5 milhões de itens.

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JFL, a empresa que está faturando com aluguéis de imóveis a partir de R$ 6.500

SÃO PAULO – Começar a operação de uma empresa em plena crise econômica não é tarefa fácil. Ainda que as oportunidades possam aumentar justamente nesses contextos, ter coragem para enfrentar um ambiente recessivo, de baixa confiança e investimentos é para poucos.

Mas foi exatamente o que a JFL Realty, uma incorporadora e gestora de ativos imobiliários, decidiu fazer quando deu seu primeiro passo, cinco anos atrás.

“A gente começou a comprar os ativos em 2015, quando falar em mercado imobiliário era palavrão, falar de fundo investimento imobiliário era palavrão, falar de alavancagem para o setor era palavrão. O que a gente não imaginava era que essa oportunidade iria ficar muito maior”, conta Carolina Burg, CEO da JFL Living.

Marca de “long stay” da JFL Reality, a JFL Living atua no mercado residencial de alto padrão, atualmente apenas em São Paulo.

A executiva participou do quinto episódio do podcast “Banco Imobiliário”, no qual explicou como esse mercado está estruturado hoje, onde estão seus imóveis, qual o custo dos pacotes de locação e como enxerga a concorrência.

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Com uma atuação ao lado dos sócios Jorge Felipe Lemann, filho do empresário Jorge Paulo Lemann, e Guilherme Vilazante, Carolina conta que o preço de entrada na empresa corresponde a R$ 6,5 mil ao mês, no caso de um apartamento de 36 metros quadrados.

Há unidades, contudo, de mais de 200 metros, com preços de locação que acompanham o aumento da dimensão, superando os R$ 30 mil ao mês.

A ideia, diz a executiva, é que as pessoas se sintam em casa. Por isso, os pacotes, ou custos de ocupação como Carolina nomeia, incluem aluguel, condomínio, IPTU e contas de luz e água, assim como roupa de cama, faqueiro, café da manhã, serviço de limpeza, internet e lavanderia, entre outros.

Trata-se de um contrato típico de locação residencial, com o período mínimo de permanência estabelecido em um mês.

O portfólio totaliza mais de 600 unidades em imóveis residenciais para locação, com perfis variados de inquilinos, como recém-separados, recém-casados e pessoas de fora de São Paulo que vem à cidade mais de dez vezes por mês.

Com um mercado em recuperação, Carolina diz que se preocupa com a volta de uma euforia e de não conseguir comprar ativos com a mesma rentabilidade.

Além de seguir em busca de bons imóveis, está nos planos da empresa realizar um IPO ou montar um fundo imobiliário, o que poderia permitir a entrada de novos investidores nos projetos.

Apresentado por Marcelo Hannud, sócio especialista em mercado imobiliário da XP Asset, e por Beatriz Cutait, editora de Investimentos do InfoMoney, o “Banco Imobiliário” pode ser ouvido nas plataformas Apple PodcastsSpotify, Deezer, Spreaker, Google Podcasts, Castbox e demais agregadores de podcast. Você ainda pode conferir o programa na íntegra em nosso canal no YouTube.

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Fundos imobiliários: como tomar boas decisões de investimento em 2020?

fórum gri de fundos imobiliários

Após o recorde de captação registrado em 2019 (de quase R$ 36 bilhões, de acordo com a Anbima) e um movimento de correção no começo deste ano considerado natural pelos especialistas, os fundos de investimento imobiliário (FIIs) devem ter um 2020 bastante positivo.

Uma pesquisa do clube global de empresários e investidores do setor imobiliário GRI Club realizada em fevereiro mostra que 65% esperam evolução no desempenho e na captação dos FIIs no Brasil nos próximos 12 meses. 

“Essa expectativa está em linha com o atual cenário nacional de juros baixos – aliás, a Selic mais baixa da história do País – e com a perspectiva de manutenção desse quadro. É natural que os investidores cada vez mais busquem alternativas à tradicional renda fixa como forma de diversificar seus investimentos e obter maiores retornos, e os fundos imobiliários são uma escolha estratégica nesse sentido “, diz Robinson Silva, líder do GRI Club para Mercado Imobiliário no Brasil. 

De olho nessa realidade, o GRI Club decidiu antecipar, do segundo para o primeiro semestre de 2020, o Fórum GRI de Fundos Imobiliários, maior evento dedicado à disseminação de conhecimento sobre o mercado de fundos imobiliários no País, já na sua terceira edição anual.

“Será uma oportunidade única de reunir mais de mil investidores, as principais gestoras de FIIs e especialistas desse mercado, em um dia de programação intensa para discutir estratégias de investimento, projeções de performance e o potencial dos fundos de cada segmento imobiliário. O objetivo central é que os investidores ganhem expertise para tomar decisões melhores ao aplicar seu dinheiro”, afirma Silva. 

Fórum GRI de Fundos Imobiliários 

Fórum GRI de Fundos Imobiliários acontece em 24 de março em São Paulo, no Hotel Transamérica, zona Sul da cidade.

O evento propõe trazer conhecimento e disseminar informações decisivas para quem já investe ou planeja investir em fundos imobiliários.

A programação é robusta e o público deve ir preparado para um dia de imersão em assuntos essenciais à tomada de decisão sobre tipo de aplicação financeira.  

Já estão confirmados como palestrantes líderes das mais respeitadas gestoras de FIIs e instituições relacionadas a esse mercado, como Credit Suisse, BV Asset (antiga Votorantim Asset Management), Fortesec, Habitat Capital Partners, Integral Brei Real Estate, Mauá Capital, RB Capital, Vinci Partners, Ourinvest Real Estate, Kinea Investimentos, XP Asset Management, Rio Bravo, B3 e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Participam também especialistas em investimentos e finanças, a exemplo do professor Arthur Vieira de Morais, da fundadora da iniciativa ‘Mulheres do Imobiliário’, Elisa Tawil, e do fundador do Clube FII, Rodrigo Cardoso de Castro.  

Haverá painéis e workshops práticos sobre as melhores oportunidades de investimentos no ano, o potencial dos FIIs de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), dos FIIs corporativos e de shoppings e dos fundos de fundos, e ainda desafios em torno da regulamentação dos fundos imobiliários no Brasil. 

Na abertura, os economistas Gustavo Franco (Rio Bravo Investimentos), Ilan Goldfajn (Credit Suisse) e Gustavo Loyola (Tendências Consultoria Integrada) analisam as perspectivas macroeconômicas do País. 

A programação completa está no site do evento. As vagas são limitadas e as inscrições são feitas exclusivamente onlineno próprio site do encontro 

Quer saber mais?

Sobre o GRI Club 

Fórum GRI de Fundos Imobiliários é realizado pelo GRI Club, um clube global que reúne os principais empresários, investidores e altos executivos dos setores imobiliário e de infraestrutura.

Fundado em 1998, o GRI Club está presente em mais de 25 países.

No Brasil, atua desde 2010, conectando as lideranças desses mercados e favorecendo oportunidades reais de negócios.

Nesse contexto, mais de 4 mil executivos e altas lideranças participam anualmente dos encontros do clube pelo mundo. 

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OLX anuncia compra Grupo Zap por R$ 2,9 bilhões

Imóvel

SÃO PAULO – A Adevinta, uma das controladoras da plataforma de marketplace OLX Brasil, anunciou nesta terça-feira (3) um acordo de compra da totalidade das ações do Grupo Zap, que compreende as plataformas de classificados de imóveis Zap e Viva Real.

A transação, de R$ 2,9 bilhões em dinheiro, será financiada igualmente pelas duas acionistas da OLX Brasil, a Adevinta, multinacional de plataformas de compra e venda online e a Prosus, grupo de negócios de internet dono do OLX Group.

“A OLX Brasil e o Grupo Zap, atualmente entre os players mais relevantes em classificados online de imóveis no Brasil, são plataformas altamente complementares”, disse a Adevinta em comunicado. “A aquisição, portanto, oferecerá uma ótima oportunidade de sinergias e criação de valor”.

A intenção é melhorar o mercado imobiliário do país, “oferecendo mais opções de serviços com maior base de dados de propriedades”, continua a Adevinta. A soma entre as plataformas totaliza mais de 12 milhões de classificados de imóveis, de acordo com a companhia.

“Já temos uma forte presença no mercado imobiliário online na Europa, África do Sul e outros países latino americanos, e estamos ansiosos para explorar novas oportunidades de crescimento no Brasil”, disse Martin Scheepbouwe, CEO do OLX Group, no documento a investidores.

A transação está sujeita ao aval da autoridade reguladora (Cade) e outras condições. As empresas esperam finalizar o acordo no segundo semestre de 2020.

J.P. Morgan e Allen & Company são os assessores financeiros exclusivos da OLX Brasil e do Grupo ZAP nessa transação.

Momento aquecido

Com a queda da taxa de juros e a recuperação econômica, o setor imobiliário está aquecido no país. Os ganhos esperados, na visão da Adevinta, devem ser “particularmente substancial para os classificados online, conforme essas plataformas crescem em popularidade e tráfego”. A companhia também espera se beneficiar do amadurecimento do consumidor brasileiro nessa frente.

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Ministra japonesa admite chances de adiamento dos Jogos Olímpicos com coronavírus

Tokyo 2020

SÃO PAULO – Depois de um antigo membro do Comitê Olímpico argumentar que o Japão deveria repensar a realização dos Olimpíadas de Tóquio 2020, chegou a vez do governo japonês aceitar que o surto da Covid-19 pode ter sérios efeitos na competição esportiva e mudar o tom sobre os impactos da doença.

Seiko Hashimoto, ministra das Olimpíadas no Japão, afirmou que, embora haja um contrato de realização dos jogos com o Comité Olímpico Internacional (COI) em 2020, o governo japonês pode adiar o evento para o fim do ano – e não começar em 24 de julho, conforme o planejado.

“O COI tem o direito de cancelar os jogos apenas se não forem realizados em 2020”, disse Hashimoto em coletiva. “Isso pode ser interpretado como significando que os jogos podem ser adiados, desde que sejam realizados durante o ano civil”.

Hashimoto, que além de ministra é ex-atleta olímpica, por outro lado, reafirmou que o governo japonês tem tentado de tudo para cumprir os prazos e o planejamento para que o evento ocorra.

“Estamos fazendo o máximo de esforços para que não tenhamos de encarar essa situação”, concluiu a ministra.

Resposta do Comitê Olímpico Internacional

Após a fala da ministra repercutir internacionalmente, o COI emitiu uma nota oficial para reafirmar o compromisso da instituição com a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio na data planejada.

“O Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) expressa hoje seu total comprometimento com o sucesso dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, agendado para 24 de julho a 9 de agosto de 2020”, diz a nota do COI.

O comitê ainda argumenta que, junto com autoridades japonesas e membros da Organização Mundial da Saúde (OMS), foi formada uma força tarefa para viabilizar as medidas de prevenção e garantir a segurança dos atletas e turistas. Na nota, a instituição informa que irá seguir as diretrizes da OMS sobre como lidar com a infecção.

“O COI continuará a seguir os conselhos da OMS, como a principal agência das Nações Unidas sobre esse assunto. O Conselho Executivo do COI agradeceu à OMS por seus valiosos conselhos e cooperação contínuos”.

Por fim, o comitê recomendou que os atletas continuem se preparando para o evento, mantendo a posição de que, por enquanto, a Olimpíada ainda irá acontecer na data prevista.

“Também elogia a grande unidade e solidariedade dos atletas, comitês olímpicos nacionais, federações internacionais e governos. Saúda sua estreita colaboração e flexibilidade com relação aos preparativos para os Jogos e, principalmente, aos eventos de qualificação. Todas as partes interessadas continuam trabalhando juntas para enfrentar os desafios do coronavírus. O Conselho Executivo do COI incentiva todos os atletas a continuarem se preparando para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020”, conclui o COI em nota.

Coronavírus e os eventos esportivos

O Japão, um dos países com alto número de infectados, pode sofrer – em uma escala muito maior – o que diversos países estão enfrentando com o coronavírus: o efeito colateral sobre eventos esportivos.

Na Itália, maior foco de contaminação fora da Ásia, diversas partidas das competições nacionais de futebol foram canceladas ou adiadas.

Cinco partidas da Lega Nazionale Professionisti Serie A, campeonato nacional de futebol italiano, que seriam disputadas com portões fechados, sem torcida, nesse último final de semana, foram adiadas por conta da epidemia. Entre as partidas adiadas estava o clássico entre Juventus e Inter de Milão.

Segundo a Liga Italiana de Futebol, os cinco jogos foram transferidos para o dia 13 de maio. Com esse adiamento, a Copa da Itália também foi afetada, já que a final do torneio, que inicialmente estava prevista para 13 de maio, foi transferida para 20 de maio.

“Levando em conta as diversas normas urgentes que têm sido adotadas pelo governo para responder à extraordinária emergência, e pela saúde e segurança pública, o presidente da Liga Profissional da Série A comunica que foram adiadas várias partidas do Campeonato Italiano, inicialmente previstas com portões fechados”, explicou a liga italiana em comunicado.

A Juventus, no último sábado (29), emitiu um comunicado anunciando a suspensão dos treinos do time sub-23, por suspeita de infecção entre os atletas.

A suspeita surgiu após a Juventus enfrentar o Pianese, em jogo válido pela Terceira Divisão do Campeonato Italiano. Um dos atacantes do time adversário da Juventus, o ítalo-nigeriano King Udoh, foi o primeiro jogador de futebol diagnosticado com o novo coronavírus – o que colocou o departamento médico do time de Turim em alerta.

Na Ásia, o Grande Prêmio da China de Fórmula 1, marcado para ocorrer em abril, foi adiado pela Federação Internacional de Automobilismo.

Aleksander Ceferin, presidente da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA, na sigla em inglês), afirmou que é impossível prever quais problemas podem surgir ao organizar uma competição, mas que o vírus é a maior preocupação para a realização da Eurocopa 2020.

“Estamos lidando com isso e estamos confiantes, acreditamos que podemos combater este problema. Tentamos não cair no pior cenário possível”, disse o presidente em coletiva.

O suíço Gianni Infantino, presidente da FIFA, também endossa a preocupação na realização da Eurocopa 2020 e afirma que o evento pode não ocorrer, embora ele torça para que não haja uma onda de cancelamentos de eventos esportivos em escala global.

“Não podemos descartar nada, mas não podemos entrar em pânico. Pessoalmente, não estou preocupado, mas devemos avaliar seriamente a situação, embora esperamos não avançar em direção a uma suspensão de eventos em escala global”, afirmou Infantino.

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