Existem duas certezas na vida do Stock Picker: uma é a morte e a outra é que um ouvinte/seguidor perguntará “o que fazer com as ações da Oi?”
Para estes ouvintes curiosos que trouxemos no Stock Pills dessa semana uma análise sobre a mais complicada das companhias do previsível setor de telecomunicações. A análise de OIBR3 foi feita por Bernard Holcman, sócio e analista de renda variável da Ibiuna Investimentos – gestora que administra mais de R$ 9 bilhões. A gestora possui posição comprada em OIBR3.
Em recuperação judicial desde junho de 2016, a Oi só conseguiu implementar as iniciativas acordadas no plano em 2018, reduzindo seu endividamento de R$ 45 bilhões para R$ 14 bilhões.
Bernard abre a tese lembrando que “quanto mais complexa uma empresa, maior o retorno e também maior o risco. E para quem investe em turnarounds quanto mais complexo e pior, melhor”. Ele respondeu minuciosamente três perguntas importantes para o futuro da empresa: 1) Qual a nova estratégia da Oi; 2) Quem são as pessoas que vão tocar esse plano?; 3) O que a empresa está entregando para mostrar que seu plano está encaminhado?
Seja você otimista ou pessimista com o futuro da Oi, a análise do Holcman traz uma profundidade suficiente para não ser ignorada por nenhum stock picker.
Veja abaixo o Stock Pills que o Bernard fez para o Stock Pickers e tire as suas próprias conclusões.
Apresentado por Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos, o Stock Pickers vai ao ar toda quinta-feira às 17h. Você pode seguir e escutar pelo Spotify, Spreaker, Deezer,iTunes e Google Podcasts.
SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em forte queda e o dólar renovou máxima histórica nesta terça-feira (3), dia que ficou marcado por uma atuação surpresa do Federal Reserve nas taxas de juros dos Estados Unidos.
Apesar do corte emergencial de 0,5 ponto percentual ter sido feito para acalmar os mercados, o efeito foi o oposto e os índices Dow Jones e S&P 500 terminaram o pregão com quedas próximas a 3%. Por que?
Segundo o Lucas Monteiro, trader de multimercados da Quantitas Gestão de Recursos, como o Fed já tinha uma reunião de política monetária marcada para o dia 18, essa redução emergencial nas taxas pode ser um sinal de que a crise com o coronavírus é mais grave do que se pensava. “O Fed talvez enxergue algo que ninguém mais consegue ver”, avalia.
Para Monteiro, a euforia inicial após a atuação do Fed (quando a Bolsa chegou a subir 2%), aos poucos deu lugar a uma análise menos otimista do que está acontecendo.
“Aquela alta da Bolsa logo após o anúncio do corte foi uma primeira leitura, até provavelmente potencializada pela disseminação de robôs no mercado financeiro, de que a cavalaria estaria chegando para ajudar a economia global”, aponta. “Isso mudou quando começou a se aventar que os bancos centrais estejam observando um impacto econômico ainda maior do que se esperava.”
Lá fora, o apresentador da CNBC Jim Cramer destacou que a conjugação de uma queda de emergência nos juros com um corte tão profundo (50 pontos-base) parece uma medida muito extrema vinda do mesmo Fed que há meses usa de uma comunicação mais cautelosa e que até pouco tempo atrás não via espaço para reduzir mais as taxas. “Eu estou mais preocupado agora”, disse o comentarista.
Hoje, o Ibovespa caiu 1,02% a 105.537 pontos com volume financeiro negociado de R$ 34,054 bilhões.
Já o dólar comercial renovou máxima histórica ao subir 0,54% a R$ 4,51 na compra e a R$ 4,5109 na venda. O dólar futuro para abril registra ganhos de 0,75% a R$ 4,515.
No mercado de juros futuros o contrato DI para janeiro de 2022 caiu 14 pontos-base a 4,30%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de 12 pontos-base a 4,92% e o DI para janeiro de 2025 perdeu cinco pontos a 5,88%.
Durante o começo da tarde, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, fez discurso explicando o corte de juros emergencial realizado hoje. Powell afirmou que está havendo uma revisão de todas as ferramentas disponíveis em política monetária, mas defendeu que as medidas tomadas hoje foram suficientes.
“O surto do vírus precisará de uma resposta de diversas frentes. Um corte de juros não vai resolver o problema na cadeia de oferta, mas vai acomodar as condições financeiras. É por isso que bancos centrais no mundo todo estão agindo nesse sentido”, explicou.
Mais cedo, o Federal Reserve cortou os juros americanos em 0,5 ponto percentual emergencialmente por conta do coronavírus. A taxa básica dos Estados Unidos está agora entre 1% e 1,25%.
“O coronavírus apresenta riscos crescentes para a atividade econômica”, afirmou o Fed em comunicado. “À luz desses riscos e de forma a dar suporte ao emprego e às metas de inflação, o Comitê decidiu hoje reduzir os juros em 0,5 ponto”, destacou o comunicado.
Segundo a equipe de research global do Bank of America (BofA) o corte de 0,5 ponto percentual não é o fim. O Fed seria obrigado a realizar mais uma redução, de 25 pontos-base, na reunião do Fomc de março.
Ao todo, o primeiro semestre teria 100 pontos-base de corte na avaliação dos analistas do banco americano, o que levaria as taxas de juros a uma banda entre 0,5% e 0,75%. “O timing desses cortes é desafiador dada a incerteza das perspectivas para dados econômicos, evolução do vírus e resposta do mercado. Nosso cenário-base é de mais um corte de 0,25 pontos na reunião de março e outro de 0,25 p.p. em abril”.
Para o BofA, o Fed está atuando em duas fases, a primeira é tentar aliviar o pânico do mercado e a segunda é responder aos dados econômicos. O corte de 0,5 p.p. realizado hoje faria parte da primeira iniciativa, enquanto os próximos devem ser feitos de maneira mais comedida, evitando choques muito bruscos como o que ocorreu nesta sessão.
Esse movimento do Fed foi a primeira atitude concreta tomada por um país do G7 depois da teleconferência emergencial realizada hoje pelos membros do bloco. A conferência foi liderada por Powell e pelo secretário do Tesouro Americano, Steve Mnuchin.
Ao final da ligação, os ministros das Finanças das sete maiores economias do mundo disseram estar prontos e comprometidos a agirem mesmo com ferramentais fiscais onde for necessário para mitigar os impactos do coronavírus.
Mais cedo, a Austrália já havia reduzidos os juros para um nível recorde.
Os economistas do Asa Bank, liderados por Carlos Kawall, que na última segunda-feira revisaram as projeções para três cortes seguidos da Selic na magnitude de 0,25 ponto percentual a partir de maio, revisaram novamente os seus números nesta terça. Agora, a casa prevê um corte de juros de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Copom, para 3,75% ao ano. Inclusive, não descartam a possibilidade de reunião extraordinária.
Política
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enviou, na tarde desta terça, projetos de lei para alterar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que fariam parte de um acordo entre governo e Congresso Nacional sobre o impasse envolvendo o controle de R$ 30,1 bilhões do Orçamento deste ano. O objetivo é que os textos sejam aprovados ainda hoje para que, na sequência, os parlamentares votem os vetos do presidente.
Também hoje o Congresso retomou a discussão e votação de vetos do presidente Bolsonaro ao chamado Orçamento impositivo. O tema foi foco do novo desgaste entre parlamento e governo antes do carnaval e continua a acirrar os ânimos no mundo político.
No Senado, um risco político é a possível aprovação em caráter terminativo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) de uma nova política de valorização do salário mínimo, que soma expectativa de inflação pelo Produto Interno Bruto (PIB) per capita.
Super Terça
O Partido Democrata dos Estados Unidos realiza hoje a chamada Super Terça, com primárias em 14 Estados americanos. O favorito é o senador Bernie Sanders, que lidera a ala mais à esquerda, mas o ex-vice-presidente Joseph “Joe” Biden, que venceu no domingo na Carolina do Sul, está na disputa e pode surpreender, principalmente nos estados do Sul e da Costa Oeste, onde os eleitorados negro e latino-americano são mais fortes dentro do Partido Democrata. A estimativa é que um terço dos 2.700 delegados do Partido seja escolhido hoje. Veja mais clicando aqui.
“Vale destacar que nos últimos dias vimos o panorama mudar bastante após vitória expressiva de Joe Biden na Carolina do Sul, que permitiu ao candidato se reposicionar como líder do centro”, dizem os analistas da XP. “Contribuirá positivamente também a desistência de três candidatos moderados, e a corrida parece caminhar para uma disputa entre Joe Biden e Bernie Sanders.”
Noticiário corporativo
No Brasil, em dia de poucos indicadores, prossegue a safra de balanços – a BRF publicou hoje seus resultados, registrando um lucro líquido de R$ 690 milhões no quarto trimestre de 2019.
Ainda no noticiário corporativo, destaque para a aprovação, pelos acionistas da Azul (AZUL4) do subarrendamento de 29 jatos bimotores E-195 para a Breeze Aviation dos Estados Unidos, e também para os resultados publicados ontem à noite pela construtora MRV (MRVE3).
A Azul aprovou na noite de ontem o subarrendamento de 28 jatos bimotores E-195 da sua frota para a empresa americana Breeze Aviation. O objetivo da Azul é substituir sua frota inteira de E-195 por aviões E-2, uma versão mais econômica e moderna do jato bimotor da Embraer. Os E-195 restantes deverão ser arrendados para a companhia aérea LOT, da Polônia.
Na América Latina, mesmo com a maioria dos países sem casos confirmados do novo coronavírus (Covid-19) até o momento, diversas autoridades já reconhecem que a chegada da doença é uma questão de tempo. Hoje (3), a Argentina confirmou o primeiro caso da doença.
Equador, México, Brasil e República Dominicana são os outros países afetados da região, com seis, cinco, dois e um caso, respectivamente.
Ainda hoje é esperada uma coletiva de imprensa na Argentina, onde o ministro da Saúde, Ginés González García, se pronunciará sobre o assunto. O homem infectado tem entre 40 anos e 45 anos e fez recentemente um voo com escala na Itália, país que já tem mais de 2 mil infectados. Os protocolos de atenção já foram aplicados e o homem está isolado em um quarto da Clínica Suiço Argentina, em Buenos Aires.
Bolívia
Na Bolívia, o ministro da Saúde, Aníbal Cruz, afirmou no Twitter que o país não fechará as suas fronteiras. “Estaríamos impulsionando o fluxo migratório ilegal, seria um prejuízo e não poderíamos identificar casos suspeitos”. Ele disse ainda que o país está preparado para detectar, isolar e tratar o coronavírus. “Até o momento, descartamos dois casos suspeitos, graças ao plano de resposta intersetorial que implementamos”.
A presidente interina do país, Jeanine Áñez, anunciou a aprovação de um decreto que permite aos governos locais a compra direta de medicamentos, insumos, equipamentos e serviços de consultoria para fazer frente à epidemia do coronavírus. “Pedimos tranquilidade à população, que se informem pelos canais oficiais, não minimizamos a situação, mas estamos assumindo as ações de prevenção do coronavírus com a maior responsabilidade”, disse.
Chile
Como medida de controle sanitário, o Chile determinou que, desde ontem (2), todos os passageiros que cheguem ao país façam uma declaração jurada sobre seu histórico de viagem dos últimos 30 dias e seu estado de saúde.
A subsecretária de Saúde Pública, Paula Daza, disse ontem (2) que “a chegada do Covid-19 ao país é iminente”. Ela disse ainda que o Chile vem se preparando para essa situação, tomando medidas de vigilância, fortalecendo hospitais e as redes de diagnóstico.
Ainda de acordo com a subsecretária, os casos sob vigilância “são de pessoas que chegaram de lugares com alta circulação do vírus, que não apresentam sintomas e são saudáveis. Mas eles foram recomendados a ficar em suas casas por 14 dias. Até o momento, tivemos cerca de 500 pessoas em acompanhamento, das quais cerca de 200 já completaram o período de quarentena e foram liberados a retomar suas vidas normais”.
Outros países
Na Colômbia, o governo aumentou o risco de contaminação de moderado a alto, embora não haja nenhum caso confirmado. Guatemala, Uruguai, Paraguai, Venezuela e El Salvador também não registraram casos.
Em Honduras, o governo destinou mais de 110 milhões de lempiras (cerca de R$ 20 milhões) para enfrentar o coronavírus e afirmou que o Laboratório Nacional de Virologia está abastecido e conta com pessoal qualificado para lidar com a doença. O país já descartou dois casos suspeitos.
No Panamá, a ministra de Saúde, Rosario Turner, informou que há 850 pessoas em observação epidemiológica. O ministério comunicou que estão observando não apenas pessoas que chegaram da China, mas também da Itália e da Coreia do Sul.
No Peru, o governo disse que o vírus provavelmente já está no país. O infectologista do Instituto Nacional de Saúde do Ministério da Saúde peruano Manuel Espinoza, disse que o controle de portos, aeroportos e fronteiras terrestres só permite detectar 10% dos infectados. Portanto, 90% dos viajantes infectados vão entrar, possivelmente”, disse.
“Tudo é possível. As pessoas devem entender que, se houver um novo microorganismo, haverá muitos expostos. Não há doenças, mas pessoas doentes. Um grande grupo será infectado e não ficará doente, mas não sabemos quantos; enquanto outro grupo importante ficará doente e acontecerá como um resfriado leve e nunca irá a uma clínica ou hospital”, disse o médico.
SÃO PAULO – O Ibovespa opera em forte queda nesta terça-feira (3) seguindo o desempenho das bolsas internacionais. Lá fora, os índices Dow Jones e S&P 500 recuavam 2% em meio a análises de que o corte emergencial de juros promovido pelo Federal Reserve pode esconder algo que os investidores ainda não estavam precificando.
Segundo o Lucas Monteiro, trader de multimercados da Quantitas Gestão de Recursos, como o Fed já tinha uma reunião de política monetária marcada para o dia 18, essa redução emergencial nas taxas pode ser um sinal de que a crise com o coronavírus é mais grave do que se pensava.
Para Monteiro, a euforia inicial deu lugar a uma análise mais completa do que está acontecendo. “Aquela alta da Bolsa logo após o anúncio do corte foi uma primeira leitura, até provavelmente potencializada pela disseminação de robôs no mercado financeiro, de que a cavalaria estaria chegando para ajudar a economia global”, aponta.
Lá fora, o apresentador da CNBC, Jim Cramer, destacou que a conjugação de uma queda de emergência nos juros com um corte tão profundo (50 pontos-base) parece uma medida muito extrema vinda do mesmo Fed que há meses usa de uma comunicação mais cautelosa e que até pouco tempo atrás não via espaço para reduzir mais as taxas.
Às 16h52 (horário de Brasília) o Ibovespa caía 1,52% a 105.003 pontos e o dólar comercial volta a subir 0,5% a R$ 4,5085 na compra e a R$ 4,5094 na venda. O dólar futuro para abril registra leves ganhos de 0,81% a R$ 4,518.
No mercado de juros futuros o contrato DI para janeiro de 2022 caía 19 pontos-base a 4,25%, o DI para janeiro de 2023 tinha queda de 16 pontos-base a 4,88% e o DI para janeiro de 2025 perde 11 pontos a 5,83%.
No começo da tarde, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, fez discurso explicando o corte de juros emergencial realizado hoje. Powell afirmou que está havendo uma revisão de todas as ferramentas disponíveis em política monetária, mas defendeu que as medidas tomadas hoje foram suficientes.
“O surto do vírus precisará de uma resposta de diversas frentes. Um corte de juros não vai resolver o problema na cadeia de oferta, mas vai acomodar as condições financeiras. É por isso que bancos centrais no mundo todo estão agindo nesse sentido”, explicou.
Mais cedo, o Federal Reserve cortou os juros americanos em 0,5 ponto percentual emergencialmente por conta do coronavírus. A taxa básica dos Estados Unidos está agora entre 1% e 1,25%.
“O coronavírus apresenta riscos crescentes para a atividade econômica”, afirmou o Fed em comunicado. “À luz desses riscos e de forma a dar suporte ao emprego e às metas de inflação, o Comitê decidiu hoje reduzir os juros em 0,5 ponto”, destacou o comunicado.
Esse movimento do Fed foi a primeira atitude concreta tomada por um país do G-7 depois da teleconferência emergencial realizada hoje pelos membros do bloco. A conferência foi liderada por Powell e pelo secretário do Tesouro Americano, Steve Mnuchin.
Ao final da ligação, os ministros das Finanças das sete maiores economias do mundo disseram estar prontos e comprometidos a agirem mesmo com ferramentais fiscais onde for necessário para mitigar os impactos do coronavírus.
Mais cedo, a Austrália já havia reduzidos os juros para um nível recorde.
Política
O Congresso promove sessão conjunta para análise dos vetos presidenciais, entre os quais o veto à proposta que torna obrigatória a execução das emendas orçamentárias.
O governo federal conta com o Senado para manter o controle de uma fatia de R$ 30 bilhões do orçamento da União em 2020, que os líderes do Congresso querem destinar para as emendas parlamentares, informa reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo análise da XP Política, o Planalto segue apostando que o Senado não conseguirá reunir os 41 votos necessários para derrubar o veto presidencial.
No Senado, um risco político é a possível aprovação em caráter terminativo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) de uma nova política de valorização do salário mínimo, que soma expectativa de inflação pelo Produto Interno Bruto (PIB) per capita.
Super Terça
O Partido Democrata dos Estados Unidos realiza hoje a chamada Super Terça, com primárias em 14 Estados americanos. O favorito é o senador Bernie Sanders, que lidera a ala mais à esquerda, mas o ex-vice-presidente Joseph “Joe” Biden, que venceu no domingo na Carolina do Sul, está na disputa e pode surpreender, principalmente nos estados do Sul e da Costa Oeste, onde os eleitorados negro e latino-americano são mais fortes dentro do Partido Democrata. A estimativa é que um terço dos 2.700 delegados do Partido seja escolhido hoje. Veja mais clicando aqui.
“Vale destacar que nos últimos dias vimos o panorama mudar bastante após vitória expressiva de Joe Biden na Carolina do Sul, que permitiu ao candidato se reposicionar como líder do centro”, dizem os analistas da XP. “Contribuirá positivamente também a desistência de três candidatos moderados, e a corrida parece caminhar para uma disputa entre Joe Biden e Bernie Sanders.”
Noticiário corporativo
No Brasil, em dia de poucos indicadores, prossegue a safra de balanços – a BRF publicou hoje seus resultados, registrando um lucro líquido de R$ 690 milhões no quarto trimestre de 2019.
Ainda no noticiário corporativo, destaque para a aprovação, pelos acionistas da Azul (AZUL4) do subarrendamento de 29 jatos bimotores E-195 para a Breeze Aviation dos Estados Unidos, e também para os resultados publicados ontem à noite pela construtora MRV (MRVE3).
A Azul aprovou na noite de ontem o subarrendamento de 28 jatos bimotores E-195 da sua frota para a empresa americana Breeze Aviation. O objetivo da Azul é substituir sua frota inteira de E-195 por aviões E-2, uma versão mais econômica e moderna do jato bimotor da Embraer. Os E-195 restantes deverão ser arrendados para a companhia aérea LOT, da Polônia.
Quase todo mundo tem objetivos financeiros ainda não alcançados. Você sabe quais são os seus? Mais importante: faz alguma coisa para buscá-los?
Agora não tem mais nenhuma desculpa, né? Com o começo de um novo ano e passado o carnaval, tá na hora de colocar a cabeça no lugar e organizar suas finanças!
Então se liga nas dicas que a Easynvest elencou para você fazer desse ano um ano melhor financeiramente:
Liste seus objetivos
O que você quer fazer com o seu dinheiro e não consegue? Agora é o momento de elaborar uma lista com os seus objetivos. Coloque em um papel ou planilha financeira. Seus sonhos, desejos e o que gostaria de materializar com o que ganha.
Conseguir ter essa visão sobre seus objetivos tem um impacto psicológico muito positivo, porque evita esquecimentos ou mudanças feitas de maneira inconsciente. Além disso, você também consegue revisá-las periodicamente.
No SOS Easynvest, nossa página feita especialmente para ajudar quem tem dificuldades nessa etapa do processo, você vai encontrar vários materiais e planilhas para te ajudar.
Ah, e se seu objetivo é viajar dentro de algum tempo, a Easynvest também está pronta para te ajudar! Chamamos nossos parceiros do Viajo Logo Existo para preparar uma planilha super completa para te ajudar a se planejar para esse momento. Baixe a planilha nesse link.
Encare suas dívidas
Admitir a existência das suas dívidas é essencial. Deixe de lado aquela postura de “semana que vem eu resolvo” ou de esperar que a solução apareça repentinamente. Acredite, não vai.
Junte todas as contas, coloque-as em cima da mesa e anote todos os valores que você precisa pagar em uma folha de papel. Mas não se assuste, porque esses valores já já vão ser bem mais baixos.
Liste todos os seus gastos e receitas em um papel e veja quanto sobra todo mês. Esse valor terá alguns destinos diferentes, mas os principais devem ser a reserva de emergência e o pagamento de suas dívidas.
Repense
Quando você começar a acompanhar despesas e receitas, vai mudar o jeito que você gasta dinheiro. Essa é a oportunidade perfeita para repensar suas atitudes. Será que determinadas compras realmente precisam ser feitas? Aquela mensalidade do app que você paga e não usa não serviria para ajudar a guardar mais dinheiro?
Invista para fazer seu dinheiro render
Só poupar não resolve. Para acelerar a realização dos sonhos e objetivos, é possível fazer com que o seu dinheiro trabalhe por você. Investimentos são capazes de ajudá-lo nesse sentido e, quanto antes obtiver informações sobre eles, melhor.
(Bloomberg) — Companhias aéreas chinesas começam a normalizar a capacidade com verdadeiras pechinchas depois dos drásticos cortes em razão do surto de coronavírus.
Um voo direto de Xangai a Chengdu com a Juneyao Airlines neste sábado custa apenas 90 yuans (US$ 13) mais 50 yuans em taxas. É uma viagem de três horas e meia, quase o mesmo que um voo entre Nova York e Nova Orleans.
Companhias áreas chinesas voltaram a incluir quase 3 milhões de assentos nos voos programados para esta semana, principalmente para rotas domésticas, segundo a OAG Aviation Worldwide. “A drástica recuperação da capacidade levou à disponibilidade de tarifas muito baixas”, escreveu o analista John Grant em relatório semanal ao mercado.
A China Southern Airlines adicionou 684 mil assentos, e a China Eastern Airlines aumentou a capacidade em 566 mil assentos, disse Grant. A capacidade total da China ainda corresponde a apenas cerca da metade dos 16,9 milhões de assentos disponíveis em 20 de janeiro, quando ainda havia algumas centenas de pessoas infectadas globalmente. Mas, com a recuperação desta semana, a China retoma o posto de segundo maior mercado do mundo, depois de ter encolhido e ficado atrás de Portugal.
O portal de notícias Sina.com disse que companhias aéreas chinesas registraram perdas de mais de 10 bilhões de yuans em fevereiro, e a receita caiu em 37 bilhões de yuans, segundo estimativas do setor. O relatório divulgado na segunda-feira também sinalizou a disponibilidade de voos muito baratos.
Embora o cenário seja mais positivo para a China, os mercados vizinhos da Coreia do Sul e Hong Kong ainda reduziram drasticamente a capacidade, ambos em mais de 20% nesta semana, segundo a OAG. Desde 20 de janeiro, a capacidade das companhias aéreas em Hong Kong caiu 71%: a Cathay Pacific Airways diminuiu o número de assentos em mais de 400 mil, para 119,86 mil, disse a OAG.
Em 20 de fevereiro, a Associação Internacional de Transporte Aéreo disse que o vírus pode causar queda de 13% na demanda de passageiros entre companhias aéreas da região Ásia-Pacífico este ano, o que resultaria em perda de receita de US$ 27,8 bilhões. Companhias áreas registradas na China responderiam pela maior parte do prejuízo, com perdas de US$ 12,8 bilhões, disse o documento.
Este artigo tem o propósito de expor as ideias de Sigmund Freud (1856-1939), considerado o pai da psicanálise, ou análise da mente, e que deixou importantes contribuições em suas obras. Em Totem e Tabu – Fundações da Sociedade, de 1912, Freud aborda a origem da consciência, a instituição do tabu para organizar a sociedade e a consequente restrição à liberdade humana.
Freud, médico neurologista e psiquiatra, nasceu em uma família judaica no Império Austríaco. Ficou conhecido pelo conceito de inconsciente humano e por sua teoria sobre o complexo de Édipo e, principalmente, por seu método de análise clínica cujo tratamento se dá através da escuta do paciente e a cura pela fala (talking cure).
Antes de chegar em Freud, muitos pensadores já tinham refletido sobre a consciência. Hipócrates (460 – 377 A.C), considerado o pai da medicina, entendia que a vida devia mantida pelo equilíbrio do coração, sistema respiratório, fígado e baço. Sócrates (469-399 a.C) defendia a supremacia da faculdade do pensamento. Platão (428-348 a.C) advogava a doutrina de que a mente era inteiramente não material, sendo a psyche considerada a alma.
Aristóteles (384-322 A.C), para muitos o pai da psicologia por ter estudado a fundo os fenômenos da consciência e memória, acreditava que a alma tinha que ser considerada imortal, tanto pelas necessidades morais, quanto pelas físicas e psicológicas do homem. Já Santo Agostinho (354-430 a.C), um seguidor de Platão, via tudo pelo ângulo do amor. Para ele, a chave de superação dos conflitos mentais estaria no culto ao amor, sendo a medida do amor amar sem medida.
São Tomás de Aquino (1225 –1274), seguidor de Aristóteles, dizia que a harmonia devia ser buscada através da fé cristã e do racionalismo, ou seja, pelo fortalecimento da razão ou consciência. Observa-se que, na antiguidade grega mais remota, a mente parecia ter um caráter mitológico, o que mudou a partir de Hipócrates, que tratou a questão com mais cientificidade.
Também precisamos citar os pensadores Arthur Schopenhauer (1788-1860) e Friedrich Nietzsche (1844-1900) como pioneiros do conceito de impulso no psiquismo e na vida. Em Schopenhauer, prevalece a “vontade”, segundo ele, insaciável, inquieta. A vontade é uma fome eterna que se alimenta de si própria. Algo insaciável, que nunca consegue ser satisfeito, sendo a causa de toda a dor; sem finalidade, e que nunca encontra a paz.
Nietzsche se apropria desse conceito, tornando-o múltiplo: uma vontade de potência, em uma potência que quer a si mesma, como algo que leva à luta, ao combate, numa definição do guerreiro e do artista. Segundo Nietzsche:
“Se, em física, potência é a capacidade de realizar trabalho; na filosofia, Vontade de Potência é a capacidade que a Vontade tem de efetivar-se. O homem não pode e não quer apenas conservar-se ou adaptar-se para sobreviver, só um homem doente desejaria isso, ele quer expandir-se, dominar, criar valores, dar sentidos próprios. Isto significa ser ativo no mundo, criar suas próprias condições de potência. É um efetivar-se no encontro com outras forças.” Nietzsche
Nesse contexto, Freud, na obra Totem e Tabu – Fundações da Sociedade examina as origens da civilização e da cultura. Através de estudos das teorias dos povos, descreve sua hipótese de como deve ter ocorrido a passagem para a consciência e para a civilização. Peter Gay, na obra Freud: Uma Vida para o nosso Tempo foi brilhante ao definir:
“Freud empreendeu determinar o momento em que o animal homem deu o salto para a civilização,
prescrevendo para si os tabus indispensáveis a todas as sociedades organizadas.”
Freud começa pelo tabu – o tabu do incesto ou o horror ao incesto, adotado por sociedades que acreditam no totemismo. O totemismo foi examinado em tribos aborígenes australianas, vistas como uma raça particular, sem parentesco com vizinhos próximos. Não construíam casas nem palhoças, não cultivavam o solo e não conheciam nem mesmo a arte da cerâmica. Desconheciam reis ou chefes, sendo a assembleia de homens maduros quem decidia sobre as questões comuns da tribo.
O totem, que seria um símbolo que os representavam, era passado através da hereditariedade. Não observavam uma moral em suas vidas nem impunham a seus instintos um alto grau de limitação, porém estabeleciam com enorme cuidado o impedimento de relações incestuosas. Os membros do mesmo totem não podiam se casar, nem ter relações sexuais.
E, o que chama mais atenção é que toda a organização social parece servir a tal propósito, dado que são duas as principais características observadas: (1) Totem – todo clã ou tribo tem um simbolismo e (2) Tabu – horror ao incesto, o primeiro tabu, uma primeira restrição à liberdade humana.
Em Tabu e a ambivalência de sentimentos dos seres humanos, Freud demonstra que o próprio significado da palavra tabu já se divide em direções opostas e ambivalentes. Por um lado, tabu é algo santo, consagrado; por outro, é algo inquietante, perigoso, proibido e impuro. Para ele, não fazia sentido perguntar aos primitivos o verdadeiro motivo das proibições, ou seja, inquirir sobre a gênese do tabu, dado que ainda era inconsciente.
Com certeza, o tabu recaía sobre atividades para as quais havia um forte pendor e grande ambivalência de sentimentos. Ainda que prescinda qualquer fundamentação e tenha origem desconhecida, ele era evidente para aqueles sob o seu domínio.
Trata-se de uma situação realmente obscura, com os povos se submetendo a uma série de restrições. O tabu foi se tornando um poder fundamentado em si mesmo, enraizado no costume e na tradição, enfim, a lei. O tabu foi invadindo outras áreas – a mulher era tabu em períodos de gestação e pós-parto, a propriedade de um homem era tabu para qualquer outro, entre tantos outros.
O tabu era a raiz de nossos mandamentos morais e nossas leis, ou o código mais antigo de leis não escritas da humanidade. Também podemos dizer que os tabus foram impostos a uma geração de homens primitivos, sendo mantidos de geração em geração talvez simplesmente pela autoridade dos pais e da sociedade e, assim, assimilados dentro das organizações psíquicas como parte do patrimônio psíquico herdado.
Movidas simplesmente pela tradição num contexto em que Friedrich Hayek, no seu livro The Fatal Conceit: the Errors of Socialism, que trata sobre a evolução cultural, no artigo “Between Instinct and Reason”, mostra questões ambivalentes, como em “Two Moralities in Cooperation and Conflict” e “Mind is not a guide but a product of cultural evolution, and is based more on imitation than on insight or reason”.
Em suma, ao abordar o totem, Freud combina uma das teorias de Charles Darwin sobre os arranjos das primeiras sociedades humanas – um macho-alfa cercado por um harém de fêmeas, semelhante ao arranjo de gorilas – e a teoria do ritual de sacrifício tomada emprestada de William Robertson Smith, concluindo que a origem do totemismo repousa num evento singular.
Foi em seu último ensaio que Freud deu seu voo mais inventivo, migrando do tabu para o totem. Os totens, afinal, são tabus — questões ou simbolismos consagrados. Para detalhar, Freud traça a reconstrução de um acontecimento pré-histórico fundamental:
“O macho alfa queria para si todas as fêmeas e expulsa os irmãos machos do clã. Os irmãos pré-históricos expulsos do grupo retornam para matar seu pai, que eles temiam e respeitavam. Matam e comem! A refeição ritual, argumentou Freud, é um elemento vital de coesão social; “ao sacrificar o totem, que é da mesma substância que os homens que o comem, o clã reafirma sua fé e identidade. É um ato coletivo, pleno de ambivalência – a morte do ser totêmico é ocasião para a dor, seguida pelo júbilo. Na verdade, a festa, continuação da matança, é algo exuberante e desinibido, um complemento curioso, mas necessário, do luto.”
Freud deduziu que o bando assassino de irmãos estava dominado por sentimentos contraditórios, a presente ambivalência de sentimentos dos seres humanos. Tendo odiado e, ao mesmo tempo, amado o pai temível, os irmãos foram assaltados pelo remorso, que se apresentou numa nascente consciência de culpa. Na morte, o pai se tornou mais poderoso do que jamais fora durante sua vida, um líder, um totem.
O que ele havia impedido antes com sua própria existência, seus filhos agora proibiram para si mesmos na situação psicológica – a obediência protelada. Os filhos agora declaram proibida a morte do pai-substituto, ou seja, do Totem, o simbolismo que encontram para comunicar o que havia acontecido, o que estavam tomando consciência e instaurar os tabus necessários para organizar a tribo.
É importante observar a singular concepção de mundo e da natureza adotada pelos povos primitivos, chamada de Animismo, que, num sentido mais estrito, seria a doutrina das almas. Os primitivos acreditam em uma “animação” dos seres vivos individuais. Assim, o comportamento do homem primitivo de reagir formando a ideia de almas, onde essa pode ser transferida para o mundo exterior, ou seja, para um Totem, parece bastante natural.
Oprimidos pela nascente consciência, a de culpa, os filhos instauraram os tabus fundamentais do Totemismo, organizando a sociedade num primeiro passo rumo à civilização. Totem e tabu, de fato, lançam as fundações da sociedade; antes, as relações estavam sujeitas à arbitrariedade do indivíduo mais forte que agia conforme seus interesses e instintos. A vida humana em comum se tornou possível apenas quando houve uma maioria mais forte que o indivíduo isolado, mantendo-se superior a ele.
Então, o poder dessa sociedade se estabelece em oposição ao poder da força bruta individual. Essa substituição do poder do indivíduo pelo da tribo, simbolizada no Totem, foi o passo cultural decisivo. Os preceitos do tabu constituíram o primeiro “direito”, a primeira lei, um esboço de norma social depois retratada em leis. O ser humano não é uma criatura branda, que, no máximo, defende-se quando atacado. Devemos incluir entre os dotes de sua natureza um forte quinhão de agressividade instintiva.
Freud inferiu, inclusive, que, em um estágio posterior, a consciência ainda sofre uma importante mudança quando é internalizada como autoridade – com isso os fenômenos da consciência atingir um novo patamar. A consciência mais rigorosa e vigilante é justamente o traço característico do ser civilizado e moral.
A civilização controla o indivíduo e faz com que seja vigiado por uma instância superior no interior de sua mente. Assim, podemos concluir que a consciência surgiu inicialmente da culpa e, posteriormente, da supressão da agressão, fortalecendo-se por novas supressões adicionais. Assim, a civilização e a cultura desenvolveram ainda mais seus ideais e exigências, evoluindo para as relações dos seres humanos entre si designadas por moral e ética.
A obra de Freud fez surgir uma nova compreensão do ser humano, um animal dotado de razão mas influenciado por instintos, onde o desejo é a energia motivacional primária da vida humana. E onde, talvez, no mais profundo dos desejos do homem pulse a liberdade humana. Não existe nada antes do desejo, exceto os estímulos através dos quais um desejo é transformado em uma ação.
Assim como o carvalho – enquanto embrião – está adormecido dentro de uma bolota, tudo começa na forma de um desejo – de desejos crescem as forças motivacionais que fazem o homem cultivar esperanças, fazer planos, ter coragem e estimular a mente a um grau altamente intensificado de ação na busca de algo.
Podemos concluir que o elemento cultural, através de totens e tabus, ou simbolismos de liderança e regras, apresenta-se como tentativa de regular as relações sociais, as relações dos homens entre si, que dizem respeito ao indivíduo enquanto vizinho, colaborador, objeto sexual do outro, como membro de uma família ou do Estado. Em essência, os indivíduos em sociedade precisam observar restrições, ao passo que o primitivo não conhecia tais limites.
A liberdade individual não é um bem cultural, ela era muito maior antes de qualquer civilização, porém não tinha valor algum. O animal homem era livre para exercer seus instintos, ainda mantidos no seu inconsciente; no entanto, com a evolução cultural passa a experimentar muitas restrições. Talvez o grande desafio da humanidade seja encontrar um equilíbrio entre as exigências individuais e aquelas do grupo (ou culturais). A questão é se esse equilíbrio é possível mediante uma determinada configuração cultural ou se o conflito é insolúvel.
É difícil encontrar alguém que nunca tenha tido ao menos uma interação com algum dos aplicativos do grupo comandado por Mark Zuckerberg, como Facebook, Instagram e Whatsapp.
Enquanto seus aplicativos são praticamente unanimidade, o homem por trás desse império das redes sociais teve sua relativamente curta trajetória nos negócios envolta em polêmicas.
Quando Mark Zuckerberg começou a escrever os primeiros códigos do Facebook, ainda com 19 anos, no seu alojamento em Harvard, ele passou a redefinir o conceito de interação na internet — e também a colecionar desafetos.
Vindo de uma família de classe média, Zuckerberg sempre gostou de programação de computadores. Desde cedo, desenvolveu diversos aplicativos fechados para sua família e amigos ou abertos ao público, antes de começar o que pode ser chamado de sua obra-prima: o Facebook.
O potencial da rede social parecia tamanho que Zuckerberg abandonou sua formação em psicologia e ciência da computação, em Harvard, para transformar o Facebook em um negócio viável, na companhia de seus colegas de faculdade e cofundadores: Chris Hughes, Eduardo Saverin, Dustin Moskovitz e Andrew McCollum.
Além do projeto de sua vida, foi também em Harvard que conheceu Priscilla Chan, com quem se casou em 2012 e tem duas filhas. Chan é sua companheira na iniciativa de doar 99% da fortuna de US$ 77 bilhões para projetos sociais.
Família e formação
O bilionário criador do Facebook nasceu em uma família de classe média alta no subúrbio de Nova York, filho da psiquiatra Karen Zuckerberg e do dentista Edward Zuckerberg. Seus irmãos são Randi, Donna e Arielle.
Como a maioria dos jovens nascidos nos anos 1980 nos EUA, Mark Zuckerberg teve contato logo cedo com computadores. Na adolescência, já brincava de escrever códigos de programas.
O primeiro empurrão veio de seu pai, Edward, que o ensinou a linguagem BASIC utilizada nos consoles do Atari. Ao perceber o interesse de seu filho, contratou um professor particular de programação.
Os resultados da tutoria particular começaram a aparecer em pouco tempo. Aos 11 anos, Mark escreveu um programa para conectar os computadores da família e aquele utilizado por seu pai, que trabalhava de casa.
O objetivo era simples: poder falar com o pai entre as consultas e avisar quando o próximo paciente havia chegado, sem precisar correr pela casa. A solução foi batizada de ZuckNet e era uma rede com comunicador instantâneo que permitia a troca de mensagens entre as máquinas.
Desenvolvimento em série
Depois do mensageiro, Zuckerberg criou um tocador de música que embutia uma das principais características do que seria o Facebook no futuro: a tentativa de prever o que o usuário quer consumir.
Desenvolvido em parceria com seu colega e o futuro diretor de tecnologia da rede social, Adam D’Angelo, o programa em sua aparência não era tão diferente dos diversos tocadores de MP3 da época, como o Winamp ou Windows Media Player.
Seu diferencial aparecia depois de uns dias de uso, quando o programa cruzava dados das músicas já ouvidas e passava a indicar as próximas músicas.
O uso de inteligência artificial para prever o futuro chamou a atenção de gigantes como a AOL e a Microsoft, que fizeram oferta para comprar por cerca de US$ 1 milhão o Synapse Media Player da dupla, com uma proposta de emprego para seguir desenvolvendo o programa.
Talvez por rebeldia, eles recusaram a oferta de compra, mas decidiram publicar o código-fonte gratuitamente, enquanto se preparavam para entrar na faculdade.
Antes da matrícula, no entanto, o pai de Zuckerberg ofereceu ao filho – e às suas três irmãs – a possibilidade de abrir uma franquia do McDonald´s em vez de ir para a faculdade.
Essa proposta também foi recusada, e Zuckerberg se matriculou na prestigiosa Universidade de Harvard para cursar Ciência da Computação e Psicologia.
Em seu segundo ano de estudo, ele criou mais um sistema que trouxe características que conhecemos hoje no Facebook, o CourseMatch, que utilizava inteligência coletiva para dar sugestões de matérias aos alunos de Harvard.
O sistema ajudava a escolher as aulas com base nas decisões de outros usuários, além de facilitar a criação de grupos de estudos.
Em outubro do mesmo ano, Zuckerberg desenvolveu o Facemash, uma tipo de precursor do Facebook. Recuperando-se de uma desilusão amorosa, ele criou uma brincadeira para alunos de Harvard escolherem seus colegas mais bonitos em “batalhas virtuais”.
Para montar o Facemash, ele acessou ilegalmente os sites dos alojamentos e capturou registros com nomes e fotos dos moradores. Em um final de semana de outubro de 2003, o site foi ao ar. Mas ao menos a coordenação da universidade não achou muita graça na brincadeira.
Com a viralização da página, o sistema recebeu, em quatro horas, 450 visitas que avaliaram 22.000 fotos, o suficiente para derrubar um dos switches da universidade, atrapalhando a conexão à internet. Na segunda-feira seguinte, o site foi retirado do ar.
Junto com o sucesso, vieram as primeiras queixas sobre privacidade. Diversos alunos reclamaram de que sua imagem foi utilizada por Zuckerberg sem sua permissão.
Mark reconheceu o erro e pediu desculpas, o que contribuiu para que Harvard não o expulsasse e retirasse as acusações de quebra de copyright, quebra de segurança e violação de intimidade.
Naquela época, havia uma demanda entre os estudantes para que Harvard criasse um site que incluísse mais informações sobre os alunos e facilitasse a comunicação entre eles.
Neste ambiente, Zuckerberg decidiu se antecipar e desenvolver seu próprio site para unir os colegas, pois, segundo ele, “poderia fazer melhor do que eles, e conseguiria fazer em uma semana”.
Em janeiro de 2004, começou a escrever em seu alojamento as primeiras linhas do novo projeto para integrar os alunos de Harvard. A ideia foi dividida com seu colega, o brasileiro Eduardo Saverin, e cada um investiu US$ 1.000 no projeto.
Mas o intenso trabalho de programação de Zuckerberg faria com que a divisão da sociedade fosse de dois terços para ele e um terço para o brasileiro. Assim, no dia 4 de fevereiro do mesmo ano, foi ao ar Thefacebook.
Mark Zuckerberg foi a primeira pessoa a se inscrever no próprio site, mas, curiosamente, seu número de série é 4, atrás de três perfis falsos criados por ele mesmo para testar o sistema.
Com o site no ar, Zuckerberg passou a convidar os amigos, pedindo que eles se inscrevessem e convidassem outras pessoas. Nas primeiras 24 horas, o site já tinha mais de mil alunos de Harvard cadastrados e, no fim do primeiro mês, metade dos estudantes da universidade já tinham seu perfil no Thefacebook.
O site não era nada parecido com a gigante rede social que pode ser acessada hoje. Não havia o mural, nem o feed de notícias. Tratava-se de um ambiente online para o usuário inserir informações pessoais e conectar-se com amigos de Harvard – apenas Harvard, já que, para fazer o cadastro, era necessário ter um e-mail interno da universidade.
Apesar da interface relativamente simples, a adesão foi massiva. Com o sucesso, Zuckerberg chegou a ser entrevistado para o jornal da universidade. Afirmou que não havia criado o site para gerar receita e que “não venderia endereço de e-mail de ninguém”, pois essa busca por dinheiro deixaria tudo “mais sério e menos divertido”.
O sucesso inicial levou Zuckerberg e Saverin a buscar ajuda. Pouco depois de colocar o site no ar, eles chamaram os colegas de faculdade Dustin Moskovitz, Andrew McCollum e Chris Hughes para fazer parte do projeto. É por isso que, hoje, os cinco são considerados fundadores do Facebook.
Dois meses após a criação do site, os fundadores decidiram ir além de Harvard e abriram as inscrições para outras universidades da chamada Ivy League, que incluem as melhores escolas dos Estados Unidos.
Com o crescimento explosivo do Facebook, e contra a vontade dos pais, Zuckerberg decidiu interromper os estudos e mudar-se para Palo Alto, na Califórnia, junto com seus sócios.
Lá, alugaram uma casa para servir de escritório. Uma das primeiras ações oficiais dos jovens empresários foi comprar o domínio facebook.com por US$ 200.000 e tirar o “the” do nome oficial da empresa.
No processo de abertura da rede para mais membros, o Facebook chegou a universidades em diversos países e abriu acesso para jovens do ensino médio dos EUA e para funcionários de grandes empresas como Apple e Microsoft.
Até que, em setembro de 2006, dois anos e meio após a fundação, o Facebook foi finalmente aberto para todas as pessoas com e-mail válido, acima dos 13 anos.
O crescimento no número de usuários foi explosivo. Ao final de 2008, eram mais de 100 milhões de contas. Em julho de 2010, esse número havia batido 500 milhões. O primeiro bilhão veio em setembro de 2012, e o segundo bilhão em julho de 2017.
O tamanho do império
Para financiar o crescimento, o Facebook recebeu US$ 500.000 em uma rodada de investimento anjo liderada por Peter Thiel em meados de 2004, nos primeiros meses da rede social. Cofundador do PayPal, o alemão ficou com 10,2% da companhia e assumiu uma cadeira no conselho.
A rodada Series A, de US$ 12,7 milhões, foi liderada pela Accel em abril de 2005. Com a capitalização, a rede social foi avaliada em US$ 98 milhões. No ano seguinte, a Greylock liderou a Series B com US$ 27,5 milhões, ao atribuir um valor de US$ 500 milhões ao Facebook.
O sucesso também atraiu as gigantes da tecnologia. Zuckerberg negou diversas tentativas de venda para empresas como Yahoo, Microsoft e Google até que, em outubro de 2007, a Microsoft adquiriu 1,6% do Facebook por US$ 240 milhões, o que colocava a rede social com um valor de mercado de US$ 15 bilhões.
O próximo passo na capitalização veio em fevereiro de 2012, com o IPO (sigla em inglês de oferta inicial de ações) na Nasdaq. Ao preço de US$ 38 por ação, o objetivo inicial de levantar cerca de US$ 5 bilhões.
Foi a terceira maior oferta inicial realizada em bolsa de valores até aquela data, com os lotes extras levando o volume de captação a US$ 16 bilhões.
No começo de 2020, o Facebook operava acima dos US$ 220, um retorno total de 480% sobre o valor do IPO. Zuckerberg segue como o principal acionista com cerca de 20% do capital e mais de 50% do direito de voto, o que dá a ele total controle sobre os caminhos da companhia.
Zuckerberg vai às compras
Após as rodadas de financiamento e com a rede social passando a dar lucro pela primeira vez em setembro de 2009, o Facebook começou a olhar para o mercado, em busca de empresas para adquirir e adicionar valor ao seu negócio.
A primeira compra ocorreu em 2009, com a incorporação do agregador de notícias e redes sociais FriendFeed por US$ 47,5 milhões, sendo US$ 15 milhões em dinheiro e US$ 32,5 milhões em ações da rede social. O projeto, no entanto, foi encerrado em 2015.
Em seguida, o Facebook comprou uma série empresas para se fortalecer com soluções prontas, em vez de desenvolver tudo internamente. Em 2010, a rede social agregou a Octazen Solution, especialista em importação de contatos, e a Divvyshot, para compartilhamento de imagens.
O primeiro nome de peso apareceu em 2012, com a compra do Instagram por US$ 1 bilhão. O momento foi estratégico para as duas empresas: o Instagram acabava de abrir seu feed para aparelhos Android, enquanto o Facebook completava poucas semanas de seu IPO.
O ano seguinte foi de aquisições de menor porte, com a incorporação do time de desenvolvimento da Storylane, por valor não revelado, e a empresa de análises Onavo, por US$ 120 milhões.
Essas compras abriram caminho para a mais pesada aquisição da história do Facebook. Em fevereiro de 2014, a rede social desembolsou US$ 19 bilhões em dinheiro e ações para comprar o WhatsApp, concorrente de seu produto Messenger. Na época, o aplicativo tinha quase 600 milhões de usuários e superou o marco de 1 bilhão de usuários dois anos após a compra.
Em uma aposta na realidade virtual, comprou a startup Oculus VR, que desenvolve óculos, por US$ 2 bilhões em 2014. O projeto, que por enquanto rendeu poucos frutos ao Facebook, segue sendo desenvolvido com a crença de que a tecnologia será essencial no futuro.
Na última grande polêmica, o Facebook anunciou em 2019 a criação de uma criptomoeda, a Libra, que deverá entrar em operação em 2020. A ideia é criar uma moeda lastreada em dólares, euros, ienes, libras e dólares de Singapura para gerir os pagamentos na rede social.
O projeto sofreu ataques pesados de organizações, banco centrais e governos de diversos países. A Europa criticou fortemente o controle de meios de pagamento pelo Facebook, enquanto a França avisou que a Libra seria proibida no país e a Alemanha ameaçou classificar a empresa como um banco informal. Os reguladores americanos pediram para que o Facebook interrompesse o projeto.
A crítica pública e as disputas internas fizeram com que gigantes como PayPal, eBay, Visa, Mastercard e Mercado Pago abandonassem o projeto em outubro de 2019.
Cambridge Analytics e disputas na Justiça
A ascensão meteórica do Facebook tem um capítulo importante de disputas legais e éticas, que acabaram afetando a imagem de Mark Zuckerberg e da própria rede social.
No caso mais emblemático, Zuckerberg e Facebook sofreram um grande abalo em suas imagens ao reagir com pouca transparência no caso do roubo de dados pela Cambridge Analytics. Em 2018, um ex-funcionário da Cambridge contou que a empresa havia capturado irregularmente dados de milhões de americanos para uso em campanhas políticas.
O caso era de conhecimento do Facebook desde, ao menos, 2015, mas a rede social se recusou a comentar publicamente o roubo de dados e alertar os usuários afetados. O escândalo fez desaparecer mais de US$ 100 bilhões em valor de mercado do Facebook e fortaleceu a posição daqueles que defendem uma regulação governamental das redes sociais.
Mark Zuckerberg pediu desculpas após o caso vir a público, mas evitou rotular o escândalo como roubo de dados, ao defender que as pessoas aceitaram compartilhar suas informações com a Cambridge Analytics.
Em depoimento ao Congresso americano em 2018, a imagem do empresário ficou ainda mais abalada com sua aparição com rosto pálido e atitude evasiva ao evitar responder diretamente diversas perguntas de deputados e senadores.
O Facebook recebeu uma multa de cerca de US$ 5 bilhões do governo dos EUA e ainda deverá ser punido em diversos outros países afetados, como o Reino Unido. Na esteira do escândalo, diversos grupos passaram a defender mais ativamente a regulação e possível divisão da empresa, considerada monopolista, além de movimentos de boicote ao Facebook e muitos memes com o rosto pálido de Zuckerberg.
Entre as controvérsias já resolvidas, está a disputa entre os fundadores Zuckerberg e o brasileiro Eduardo Saverin. No primeiro ano da rede social, Zuckerberg decidiu reduzir a participação do seu sócio, que não estava trabalhando diariamente na companhia.
Em uma jogada societária, criou uma empresa que incorporou o Facebook e, na mudança, distribuiu um valor menor de ações para Saverin. A resposta? Saverin bloqueou todas as contas bancárias da empresa.
O brasileiro entrou na Justiça contra Zuckerberg e o Facebook e conseguiu um acordo extrajudicial, cujos termos não foram revelados. Parte da disputa foi contada no filme A Rede Social, de 2010.
Zuckerberg também enfrentou a acusação de que mentiu para colegas de Harvard ao fingir participar de um projeto de uma rede social da faculdade – chamada de HarvardConnection e rebatizada, posteriormente, de ConnectU –, enquanto ganhava tempo desenvolvendo o Facebook.
Em acordo judicial em que foi acusado de roubar a ideia de rede social e intencionalmente atrasar o projeto concorrente, o Facebook pagou US$ 20 milhões em dinheiro e 1,2 milhão em ações.
Mark Zuckerberg é descrito como um nerd bastante competitivo por seus amigos e colegas de trabalho, que não mede esforços para limpar o caminho que trilha para o Facebook.
Ainda jovem, quando não estava programando, competia com sua equipe de matemática, disputava olimpíadas de ciência e participava de “batalhas” na sociedade de latim da qual fazia parte.
Esportes também entravam na lista. Em 2000, por exemplo, foi considerado o melhor atleta na competição regional de esgrima de Nova York.
O seu perfil agressivo rendeu diversas disputas com amigos e colegas como o brasileiro Eduardo Saverin e o fundador do Naspter e ex-presidente do Facebook, o investidor Sean Parker, que foi colocado na berlinda após ser preso em uma festa.
Para alimentar seu espírito competitivo, Zuckerberg costuma criar desafios aleatórios anuais para si. Em 2009, decidiu que usaria gravata o ano inteiro para demonstrar como aquele período seria importante para o Facebook.
Isso veio do jovem que anos antes se reuniu de pijamas com investidores da Sequoia Capital, em um sinal de que não mudaria sua identidade.
Sua forte personalidade reflete na própria empresa. Inclusive na cor escolhida como símbolo. Daltônico, ele escolheu a cor azul, por ser uma das únicas que consegue enxergar bem em diferentes tons.
No começo da carreira, Zuckerberg carregava dois cartões de visita. Um, muito profissional, com seu nome, cargo e endereço. E outro que incluía a frase “I’m CEO… Bitch”. Era uma tentativa de impor autoridade e soar como Steve Jobs, o gênio por trás da Apple e fonte de inspiração de Zuckerberg.
O empresário é casado com sua namorada de faculdade, a médica Priscilla Chan. Os dois se conheceram em uma festa da fraternidade em 2003 estão juntos desde então.
O casamento ocorreu um dia após o IPO do Facebook, em maio de 2012, no jardim da sua casa, em uma cerimônia íntima e surpresa para 100 convidados, que achavam que participariam de uma cerimônia para a formatura de Priscilla.
O casal tem dois filhas, a mais velha Maxima, nascida em dezembro de 2015, e a August, de agosto de 2017. A família tem ainda um cachorro, o Beast, da raça Puli, que tem mais de 2,5 milhões de seguidores no Facebook.
Em 2015, Mark e Priscilla criaram a empresa Chan Zuckerberg Initiative, que contou com aporte inicial de US$ 1 bilhão em ações do Facebook.
Juntos, apoiam startups de educação com foco na África e na Índia, além de pesquisas científicas na área de saúde. O casal também faz doações pontuais para hospitais, escolas e políticas de combate a surtos como o Ebola.
No espírito do Giving Plegde, iniciativa criada pelo casal Bill e Melinda Gates e o investidor Warren Buffett para que bilionários doem sua fortuna para caridade, a Chan Zuckerberg Initiative servirá como meio para que Zuckerberg e Priscilla possam doar 99% de sua fortuna no Facebook.
Quer saber mais sobre Mark Zuckerberg e a sua trajetória? Confira a seleção do InfoMoney com filmes, livros e entrevistas.
A Rede Social, filme de 2010
O Efeito Facebook, livro de David Kirkpatrick de 2011
Bilionários por Acaso, livro de Ben Mezrich de 2009
Os heróis da revolução: Como Steve Jobs, Steve Wozniak, Bill Gates, Mark Zuckerberg e outros mudaram para sempre as nossas vidas, livro de Steven Levy de 2012
SÃO PAULO – O resultado da conferência por telefone do G-7 voltou a pesar no mercado brasileiro nesta terça-feira (3) e o Ibovespa volta a operar entre perdas e ganhos.
No G-7, ministros das Finanças das maiores economias do mundo disseram estar prontos e comprometidos a agirem mesmo com ferramentais fiscais onde for necessário para mitigar os impactos do coronavírus. Apesar disso, nada específico foi anunciado, e o temor é de que fique tudo só no discurso.
A teleconferência foi liderada pelo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e pelo secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin.
Às 10h34 (horário de Brasília) o Ibovespa tinha leve baixa de 0,05% a 106.570 pontos, enquanto o dólar futuro para abril tinha ganhos de 0,69% a R$ 4,5135. O dólar comercial sobe 0,46% a R$ 4,5055 na compra e a R$ 4,5075 na venda.
O câmbio ficou mais pressionado depois do S&P futuro virar diante da frustração do mercado com o comunicado do G-7. Enquanto isso, segue a expectativa de que o Banco Central brasileiro reduza a Selic em reação ao potencial enfraquecimento da economia por conta do surto de coronavírus.
No mercado de juros futuros o contrato DI para janeiro de 2022 caía um ponto-base a 4,43%, o DI para janeiro de 2023 tinha alta de um ponto-base a 5,05% e o DI para janeiro de 2025 ganhava dois pontos a 5,94%.
A Austrália reduziu taxa de juros para um nível recorde e Donald Trump, presidente dos EUA, instou o Federal Reserve, a seguir o exemplo. Enquanto isso, os casos de coronavírus continuam aumentando e superaram 5.000 na Coreia do Sul.
Política
O Congresso promove sessão conjunta para análise dos vetos presidenciais, entre os quais o veto à proposta que torna obrigatória a execução das emendas orçamentárias; sessão está marcada para as 14h, segundo o website da Câmara.
O governo federal conta com o Senado para manter o controle de uma fatia de R$ 30 bilhões do orçamento da União em 2020, que os líderes do Congresso querem destinar para as emendas parlamentares, informa reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo análise da XP Política, o Planalto segue apostando que o Senado não conseguirá reunir os 41 votos necessários para derrubar o veto presidencial.
No Senado, um risco político é a possível aprovação em caráter terminativo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) de uma nova política de valorização do salário mínimo, que soma expectativa de inflação pelo Produto Interno Bruto (PIB) per capita.
Super Terça
O Partido Democrata dos Estados Unidos realiza hoje a chamada Super Terça, com primárias em 14 Estados americanos. O favorito é o senador Bernie Sanders, que lidera a ala mais à esquerda, mas o ex-vice-presidente Joseph “Joe” Biden, que venceu no domingo na Carolina do Sul, está na disputa e pode surpreender, principalmente nos estados do Sul e da Costa Oeste, onde os eleitorados negro e latino-americano são mais fortes dentro do Partido Democrata. A estimativa é que um terço dos 2.700 delegados do Partido seja escolhido hoje. Veja mais clicando aqui.
“Vale destacar que nos últimos dias vimos o panorama mudar bastante após vitória expressiva de Joe Biden na Carolina do Sul, que permitiu ao candidato se reposicionar como líder do centro”, dizem os analistas da XP. “Contribuirá positivamente também a desistência de três candidatos moderados, e a corrida parece caminhar para uma disputa entre Joe Biden e Bernie Sanders.”
Noticiário corporativo
No Brasil, em dia de poucos indicadores, prossegue a safra de balanços – a BRF publicou hoje seus resultados, registrando um lucro líquido de R$ 690 milhões no quarto trimestre de 2019.
Ainda no noticiário corporativo, destaque para a aprovação, pelos acionistas da Azul (AZUL4) do subarrendamento de 29 jatos bimotores E-195 para a Breeze Aviation dos Estados Unidos, e também para os resultados publicados ontem à noite pela construtora MRV (MRVE3).
A Azul aprovou na noite de ontem o subarrendamento de 28 jatos bimotores E-195 da sua frota para a empresa americana Breeze Aviation. O objetivo da Azul é substituir sua frota inteira de E-195 por aviões E-2, uma versão mais econômica e moderna do jato bimotor da Embraer. Os E-195 restantes deverão ser arrendados para a companhia aérea LOT, da Polônia.
Após uma alta de 20% nas primeiras semanas do mês, o mercado de criptomoedas deu uma guinada para baixo, entregando todo ganho acumulado. Passado o carnaval, fechamos o mês com queda de 2% no Bitcoin. O aceno dos Bancos Centrais à práticas expansionistas após impacto do Coronavírus nas economias trouxe quedas não só para o Bitcoin. Até mesmo o ouro, considerado ativo de segurança, teve um dia de queda recorde no final do mês.
Pânico nos mercados tradicionais
O avanço do Coronavírus fora da China fez com que mercados tradicionais devolvessem o ganho de 4 meses, após empresas importantes, incluindo a gigante Apple reduzir estimativas de vendas. A queda na produção industrial do Japão e estagnação da economia Alemã foram os primeiros sinais de fraqueza nas economias.
Abaixo, um retrato do último dia útil do mês, deixa claro o cenário: A esmagadora maioria das empresas que compõe o S&P 500 – maiores companhias norte-americanas – apresentava forte queda.
Para as Altcoins, o início do mês foi marcado por um forte rally, derrubando a dominância do Bitcoin para o menor nível em quase 8 meses. O movimento foi parcialmente revertido após a queda nas 2 últimas semanas de fevereiro.
Na tabela abaixo, o resultado das principais Criptomoedas, Ativos e Bolsas pelo mundo.
*Em breve na Bitcointrade
Notícias do mundo cripto:
DeFi – O valor dos ETHs aportados nas aplicações de finanças descentralizadas atingiu a incrível marca de USD 1 bilhão. Lideram as plataformas Maker, por trás da stablecoin DAI, além do Compound, focado em empréstimos cripto.
Hacks – Exchange Coinhako de Singapura proibiu saques temporariamente, alegando que um “sofisticado ataque” hacker estava tentando drenar as contas de alguns usuários.
Coinbase – Exchange passou a permitir envios de criptos através de apelidos dos usuários, além do endereço tradicional formado por letras e números aleatórios.
Libra Facebook – Gigante de varejo eletrônico Shopify entrou para a associação, embora o projeto siga sem data determinada para início.
Bitcoin (BTC) – Intermediação de Bitcoin representou mais de 50% da receita do Cash App da Square, gateway de pagamentos do Jack Dorsey do Twitter.
Bitcoin (BTC) – Gestora Amun, atual 21Shares, lançou na bolsa da alemanha um ETP (espécie de ETF) que aposta na queda do Bitcoin. Este tipo de dispositivo é regulado e já existe para outros mercados como petróleo e até mesmo índice de ações S&P500.
Ethereum (ETH) – Atacantes se aproveitaram de falhas das plataformas descentralizadas dYdX e Fulcrum para realizar prejuízos em operações, totalizando valores próximos de USD 1 milhão. Devs dizem que ajustes para evitar novos problemas já foram feitos.
Ethereum (ETH) – Conversas iniciais entre a Quorum, rede blockchain privada do JP Morgan, e ConsenSys de Joe Lubin, trouxeram novo ânimo à moeda. Embora uma entidade privada, a ConsenSys é considerada o principal hub de desenvolvimento do ecossistema Ethereum.
Bitcoin Cash (BCH) – Discussão entre os 2 maiores grupos de devs sobre uma eventual taxação aos mineradores, visando custear melhorias no projeto. Roger Ver, que inicialmente apoiou a idéia, voltou atrás e agora critica a proposta de 5% da equipe Bitcoin ABC.
Litecoin (LTC) – Fundação Litecoin anunciou parceria com a startup Cred para oferecer 10% de juros para depósitos fixos de 6 meses em LTC.
Ripple (XRP) – Deu mais USD 11 milhões para a empresa MoneyGram visando incentivar o uso de seus produtos nas remessas internacionais. A empresa Ripple já havia investido mais de USD 50 milhões na parceira.
EOS (EOS) – Serviço Genpool passou a oferecer premiação para usuários que votarem em sua produtora de blocos, GenerEOS. Plataformas semelhantes existem na Ásia. Os produtores de bloco agem como mineradores, recebendo uma premiação pelo serviço.
EOS (EOS) – Votação reduziu a inflação de 5% para 1%. Na prática não muda muita coisa, pois a maior parte dessas novas moedas geradas estava sendo acumulada na conta eosio.saving, que nunca fora utilizada.
Além das Criptomoedas
Quem se deu bem:
Sprint (S)disparou 106% após aprovação da fusão com T-Mobile, que estava pendente de análise desde 2018. O negócio que uniu as gigantes de telefonia envolveu USD 26 bilhões em troca de ações.
Slack (WORK) subiu 30% com IBM assinando contrato de utilização de seu software.
Duratex (DTEX3) subiu 10% surpreendendo investidores com um lucro de R$ 285 milhões nos 3 últimos meses de 2019.
Quem se deu mal:
CVC Viagens (CVCB3): cedeu 30%, enquanto Azul Linhas Aéreas (AZUL4) caiu 25% por conta da redução nas viagens internacionais causadas pelo avanço do vírus
SER Educacional (SEER3) cedeu 16% com receio sobre a integração da adquirida Uninorte, além de baixo crescimento no ensino à distância.
Wayfair caiu 32% após anunciar demissão de 500 funcionários e reduzir estimativa de vendas. A varejista digital nunca entregou lucros em sua história.
IOTA fica sem transações por mais de 20 dias
A carteira de armazenamento, ou wallet, da criptomoeda IOTA, sofreu um ataque no final de janeiro, causando prejuízos de USD 1,6 milhão. A decisão dos desenvolvedores foi desligar o coordenador, figura centralizadora necessária para validar as transações, interrompendo assim o funcionamento da rede.
Será necessário que os usuários gerem uma nova chave privada, seed, movendo as moedas dos endereços anteriores. Afirmam que num segundo momento existirá algum tipo de votação para decidir se as transações indevidas serão revertidas.
O mais curioso é que será exigido identificação (KYC) para os usuários que tiveram tokens roubados. A carteira afetada foi a Trinity na versão desktop.
Banco Central anuncia sistema de pagamentos instantâneo
O Banco Central do Brasil informou que pretende colocar no ar dentro de 6 meses uma plataforma que permitirá envios e recebimento de valores 24hs por dia, 7 dias por semana.
O sistema PIX contará com códigos QR e permitirá a integração de FinTechs, as startups financeiras, ao Sistema Financeiro Nacional. O próprio Banco Central atuará como intermediador, num sistema 100% centralizado.
Embora atrasado e talvez com tecnologia não tão avançada, trata-se de uma sinalização de busca por inclusão nos meios de pagamento eletrônicos. A leitura para o mercado de criptomoedas, por enquanto, deve ser positiva.
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