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Viagens e eventos cancelados atingem em cheio companhias aéreas

Passaporte, viagem

(Bloomberg) – As ações do setor de viagens da Europa estão a caminho do pior desempenho desde a crise financeira, ocorrida há mais de uma década. A propagação global do coronavírus limita a movimentação de pessoas e leva empresas como Deutsche Lufthansa e British Airways a reduzirem as projeções de lucro.

Na sexta-feira, a IAG, controladora da British Airways, se juntou à lista de empresas que divulgaram alertas sobre o impacto do vírus. Segundo a empresa, não é possível fornecer uma previsão de lucro este ano porque a fraca demanda na Ásia agora se espalha pela Europa. A EasyJet, companhia aérea de baixo custo, disse que cancelará alguns voos em resposta à demanda mais lenta em toda a Itália, o epicentro do surto na Europa, e em outros mercados da região.

Companhias aéreas, aeroportos e operadoras de hotéis sentem o peso da crescente crise do vírus. Empresas suspendem lucrativas viagens corporativas, associações cancelam grandes eventos e turistas reavaliam seus planos de férias. Na sexta-feira, autoridades suíças proibiram eventos com mais de 1.000 pessoas, além de suspender o Salão Internacional do Automóvel, que seria realizado em Genebra na próxima semana.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo projeta o primeiro declínio anual da demanda global de passageiros em mais de uma década em 2020, afetada principalmente pelo impacto do vírus na China.

As próximas semanas determinarão a gravidade da crise no setor, porque os meses cruciais para as reservas de verão no hemisfério norte se aproximam, disse Daniel Roeska, analista de transporte sênior do Sanford C. Bernstein Ltd., em entrevista à Bloomberg Television.

“Se conseguirmos controlar isso dentro das próximas três a quatro semanas, talvez não seja tão ruim”, disse Roeska. “Mas, se continuar na Páscoa e não alcançarmos um nível de conforto mais alto do que o que temos agora, será ainda mais difícil para as companhias aéreas europeias.”

Cenário difícil

As ações da IAG registraram queda de 9,7%, a maior baixa do índice Stoxx 600 da Europa, enquanto a EasyJet perdeu 6,4% em Londres. Em Frankfurt, a Lufthansa chegou a mostrar queda de 6,1%. O índice Stoxx 600 de viagens e lazer acumula baixa de 18% nesta semana, o que seria o pior desempenho desde o fim de 2008.

Além de reduzir algumas rotas que se conectam às regiões mais afetadas, companhias aéreas começaram a cortar agressivamente os custos para se preparar no longo prazo. Em 26 de fevereiro, a Lufthansa disse que pretende implementar um congelamento das contratações e expandir as opções de trabalho de meio período.

A Alitalia planeja estender as demissões temporárias para cerca de 4 mil funcionários devido ao surto de coronavírus na Itália.

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Empresas brasileiras começam a ser afetadas pela falta de componentes por causa do coronavírus

A falta de componentes industriais produzidos na China, onde fábricas estão paradas por causa da epidemia do coronavírus, já leva empresas brasileiras a darem férias coletivas, adiarem lançamentos e deve afetar as metas de produção deste trimestre.

Entre 20 mil a 30 mil funcionários de empresas de tecnologia da informação, especialmente de celulares e computadores, devem ter a rotina de trabalho alterada no curto prazo, com redução de jornada e férias coletivas, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato.

Ele chegou a esse número levando em conta pesquisa feita com 50 empresas do setor que revelou que a produção do primeiro trimestre deverá ficar 22% abaixo da inicialmente projetada por essas companhias em razão do coronavírus.

“A situação é muito grave, não temos como buscar o suprimento em outro país”, afirma Barbato. Segundo a Abinee, na semana passada 57% das empresas já apresentavam problemas, 4% operavam com paralisação parcial e 15% planejavam paradas parciais.

A fábrica da Flextronics em Jaguariúna (SP) vai dar férias coletivas a cerca de 1,1 mil trabalhadores do setor de celulares entre os dias 9 e 28 de março. A empresa já havia deixado outros 2,1 mil funcionários em casa por dez dias, depois prorrogados para 12.

Essa equipe retorna na segunda-feira, quando a outra inicia o período de férias forçadas, segundo José Francisco Salvino, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna. Procurada nesta quinta-feira, 27, a empresa não retornou. A Flextronics fabrica os celulares da marca Motorola e emprega, ao todo, cerca de 3,2 mil pessoas.

A coreana LG é outra que pretende fazer uma parada parcial. A empresa protocolou no Sindicato de Metalúrgicos de Taubaté (SP) aviso de férias coletivas para o período de 2 a 12 de março para 330 funcionários da linha de celulares, onde estão alocados 450 trabalhadores, informa o sindicato.

Por meio de comunicado, a LG afirma que “devido ao surto do coronavírus que atinge o mundo e tem provocado o desabastecimento de peças nas produções, considera um risco potencial de parada na produção, no mês de março, em sua unidade fabril de celulares, localizada em Taubaté”.

A concorrente Samsung informou na quinta-feira que a fábrica de Campinas (SP) “opera normalmente”. A produção, contudo, foi suspensa nos dias 12, 13 e 14, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, Sidalino Orsi Júnior.

“Faltaram peças que estavam bloqueadas na China, mas depois a empresa recebeu os lotes, mas estamos preocupados”, diz Orsi Junior, que pediu encontro com representantes da empresa para esclarecer as condições dessas peças.

Risco

O risco de paralisação da produção nas fábricas brasileiras de eletrônicos, que são muito dependentes das importações de componentes asiáticos, cresce à medida que os embarques dos produtos não são confirmados. No ano passado, 80% dos componentes usados pela indústria eletroeletrônica vieram da Ásia. A China respondeu por 42% e outros países da região por 38%, aponta a Abinee. “A vulnerabilidade é grande”, afirma Barbato.

Na Zona Franca de Manaus (AM) – que reúne grande parte de fabricantes de eletrônicos e de motocicletas que importam peças da China -, já começaram as reuniões entre indústrias e sindicatos de trabalhadores para encontrar uma solução sem custos extras, caso precisem interromper a produção, conta o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco.

“Como se trata de uma questão de saúde, não de um problema específico, estamos tentando negociar a parada da produção sem custo maior para as empresas”, diz Périco. Além dos eletrônicos, essas conversas envolvem também os fabricantes do polo de duas rodas.

A Honda, maior fabricante de motos do País, informa que, até o momento, não há previsão de parada em suas linhas de produção. Acrescenta, contudo, que “esse cenário pode ser alterado caso a situação se prolongue”.

Por questões estratégicas, Périco afirma que as indústrias da Zona Franca de Manaus não revelam o nível de estoques de componentes, mas ele afirma que estão baixos. Périco explica que, nos últimos tempos, tem sido normal para as companhias operarem com menos de um mês de componentes para reduzir custos.

José Jorge do Nascimento Junior, presidente da Eletros, associação que reúne a indústria de geladeiras, lavadoras, TVs e eletroportáteis diz, por meio de nota, que o maior foco do problema neste momento está concentrado nos insumos que chegam ao Brasil por via aérea, considerados de maior valor agregado, e que já se encontram perto de volumes críticos.

Lançamento adiado

A JAC do Brasil, importadora dos modelos chineses da marca, adiou o lançamento do primeiro caminhão elétrico no País por receio de não ter estoque para iniciar as vendas. O lançamento estava programado para início de março e, agora, está previsto para o fim do mês.

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Ações da Eucatex, da família Maluf, vão a leilão para pagar cofres públicos de SP

Condenado por lavagem de dinheiro e preso em regime domiciliar, o ex-prefeito de São Paulo, ex-governador e ex-deputado federal Paulo Maluf viu, ao longo dos últimos 20 anos, promotores do Brasil, Europa e Estados Unidos rastrearem recursos que saíram de obras públicas, percorreram paraísos fiscais e foram parar em ações da empresa de sua família, a Eucatex. Agora, no processo para devolução dessa verba para os cofres públicos, seus herdeiros podem ficar sem a firma.

Uma ação de cobrança internacional da Prefeitura de São Paulo para recuperar cerca de US$ 230 milhões atribuídos a Paulo Maluf resultará no leilão de quase metade das ações da Eucatex, a empresa de pisos e laminados da família do ex-prefeito. O dinheiro, segundo o Ministério Público de São Paulo e a Procuradoria Geral do Município, é fruto do superfaturamento de obras entre 1993 e 1996.

Se tiver sucesso, a ação resolverá um entrave ao processo iniciado há mais de 20 anos para recuperar o dinheiro: o fato de que a maior parte dos recursos identificados como fruto de crimes se convertera em ações e não estava disponível para saques ou transferências.

Embora muito do que foi desviado ainda esteja bloqueado, a Prefeitura de São Paulo já recebeu de volta parte da verba. Até ano passado, cerca de US$ 35 milhões atribuídos a Maluf e descobertos nas contas de duas empresas suas voltaram à cidade. Em fevereiro, outros US 8,4 milhões, relacionados a uma terceira firma, também foram repatriados. Além disso, quatro bancos que participaram das movimentações dos recursos fizeram acordos com São Paulo para evitar indiciamentos – e concordaram com o pagamento de multas que somaram outros US$ 55 milhões, também devolvidos à cidade entre 2014 e 2017.

Maluf por anos negou que tivesse contas no exterior. Viraram bordões as frases em que ele dizia que, caso alguém achasse contas dele no exterior, poderia ficar com o dinheiro. O ex-prefeito foi condenado, em 2017, por lavagem de dinheiro. Ano passado, foi para prisão domiciliar por apresentar problemas de saúde. Sua defesa não quis comentar o leilão. A Eucatex também foi procurada, e não se manifestou sobre a liquidação de parte das ações.

Cobrança

O leilão das ações da empresa de Maluf tem origem em ação de falência nas Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. Entre setembro e dezembro do ano passado, a Prefeitura de São Paulo obteve da Justiça do país estrangeiro o direito de se inscrever na lista de credores das empresas Kildare e Durant, registradas nas Ilhas Virgens. Essas companhias, segundo o Ministério Público, foram usadas por Maluf e seus familiares para ocultar recursos que teriam sido desviados de obras, como a construção da Avenida das Águas Espraiadas (atual Jornalista Roberto Marinho) e do Túnel Ayrton Senna.

Ao longo de dez anos de investigações, essas empresas foram identificadas como destinatárias finais de recursos que Maluf teria levado para os Estados Unidos por meio de doleiros. Dos EUA, o dinheiro foi transferido para Jersey, uma ilha no Canal da Mancha ligada à Grã-Bretanha, para contas em nome das duas empresas caribenhas. Essas transações ocorreram de 1993 a 1998, segundo apontam as investigações.

A Kildare aplicou parte dos recursos em seis fundos de investimentos. Todos os fundos compraram ações da Eucatex: 44,5% das ações ordinárias da empresa (com direito a voto) e 50% das ações preferenciais. Para os investigadores do caso, esse esse esquema foi montado para Maluf tentar lavar o dinheiro desviado dos cofres públicos e poder usufruir da riqueza.

Foram as autoridades de Jersey as primeiras a reportarem, em 2001, suspeitas sobre o dinheiro dessas empresas.

Ainda no início do século, diante da descoberta das contas, investigadores do Brasil e de Jersey propuseram ações para que o dinheiro desviado ilegalmente de São Paulo voltasse à cidade. Em 2013, o processo em que a Prefeitura pedia a devolução transitou em julgado (os recursos judiciais para o processo se encerraram, restando a execução da sentença). Mas essa execução tinha um limite: o dinheiro que estava parado nas contas, que era menos do que o desviado. O restante já havia virado investimento nas empresas de Maluf.

Havia a opção de tentar reaver as ações. “Mas seria um processo muito caro”, diz o procurador do município Celso Coccaro, um dos envolvidos no caso. Seria preciso contratar advogados em todos os países ligados ao processo. A alternativa foi, diante da constatação da dívida, cobrar as empresas na Justiça. Como não houve pagamentos, os tribunais das Ilhas Virgens decretaram a falência de Kildare e Durant.

Com a indicação de um administrador da massa falida, as autoridades paulistas foram informadas da realização de um leilão das ações, que foram compradas nos anos 1990 por US$ 92 milhões. Ainda será definido como isso será feito: uma única oferta, lotes diferentes e até o melhor momento para a oferta. Como a Prefeitura está na lista de credores, será paga com parte do que for arrecadado. “MP e Prefeitura estão atuando em diversas frentes para recuperar pelo menos US$ 344 milhões”, diz o promotor Silvio Marques.

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Pediatra saudita acumula fortuna com IPO de US$ 5 bi

estetoscópio e notebook

Um pediatra saudita agora é um dos médicos mais ricos do mundo. A empresa de assistência médica fundada por ele conseguiu precificar a oferta pública inicial no topo da faixa indicativa.

A participação de 49% de Sulaiman Abdulaziz Al-Habib na empresa homônima vale 8,5 bilhões de riais (US$ 2,3 bilhões), segundo o Índice de Bilionários Bloomberg, com base no preço de venda anunciado de 50 riais por ação.

O médico planeja vender 17,4 milhões de ações no IPO, segundo o prospecto. A empresa não respondeu a um pedido de comentário.

A Dr. Sulaiman Al Habib Medical Group é uma das maiores prestadoras de serviços de saúde na Arábia Saudita e opera em hospitais, ambulatórios, farmácias e laboratórios médicos em todo o reino, além de Dubai e Bahrein.

O IPO é o primeiro na Arábia Saudita desde que a estatal de petróleo Saudi Aramco levantou quase US$ 30 bilhões em dezembro.

A empresa tenta aproveitar os planos do governo de aumentar a participação do setor privado em assistência médica, como também as tendências demográficas do país.

A população da Arábia Saudita é desproporcionalmente jovem e relativamente insalubre. Mais de 30% dos adultos são obesos e 18,5% sofrem de diabetes, segundo estatísticas da Organização Mundial da Saúde.

Al-Habib, de 68 anos, fundou a empresa em 1993, depois de atuar como diretor médico e chefe de pediatria em dois hospitais do governo em Riad. Formado pela Universidade Rei Saud, ele ganhou uma bolsa para estudar pediatria no Royal College of Physicians, no Reino Unido. O médico também investe em imóveis comerciais por meio de uma holding, de acordo com o prospecto.

Poucos médicos estão entre as pessoas mais ricas do mundo. Thomas Frist, cofundador e ex-cirurgião de voo da Força Aérea dos EUA, é o mais rico, com patrimônio líquido de US$ 13,1 bilhões, segundo o índice Bloomberg. Patrick Soon-Shiong, empresário e médico de biotecnologia, tem fortuna de US$ 9,2 bilhões.

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Grupos japoneses compram dona do papel higiênico Personal por R$ 2,3 bi

Os grupos japoneses Daio Paper e Marubeni anunciaram nesta quinta-feira, 27, a compra da empresa de papel Santher, que está há três gerações nas mãos da família Haidar. O valor do negócio é de R$ 2,3 bilhões, sem incluir as dívidas. Dona das marcas de papel higiênico Personal e papel toalha Snob, a companhia passou por uma reestruturação financeira no início de 2018, para alongamento de dívidas de cerca de R$ 500 milhões.

A empresa paulista, que foi colocada à venda no ano passado, intensificou as conversas com os grupos japoneses nas últimas semanas, segundo fontes a par do assunto. O anúncio do negócio foi feito pela Daio Paper e Marubeni, que terão 100% do controle da empresa de papel brasileira, por meio de uma joint venture firmada entre os dois grupos.

A Daio Paper, maior produtora japonesa de papel tissue (usado para fazer papel higiênico e guardanapo, por exemplo), terá 51% do negócio e a Marubeni, que atua em diversos setores, como energia e alimentos, ficará com os 49% restantes.

Em comunicado ao mercado, a Daio e Marubeni informaram que fizeram a parceria para investir no Brasil por considerar “o mercado nacional atraente, à luz do significativo crescimento populacional e do desenvolvimento econômico do País”. As duas companhias também acreditam no potencial crescimento da demanda por bens de consumo (incluindo produtos para cuidados pessoais). Além das marcas Personal e Snob, a Santher também produz absorventes femininos, fraldas descartáveis e tem linhas voltadas para o mercado corporativo.

O mercado global de produtos de higiene e cuidados pessoais é avaliado em aproximadamente US$ 180 bilhões, com uma taxa de crescimento anual em torno de 3% nos próximos anos. O Brasil é o quarto maior mercado consumidor do mundo, atrás dos Estados Unidos , Europa e China, com média de crescimento de 5,6% (produtos de papel doméstico) e 5,4% (fraldas descartáveis) nos últimos cinco anos.

Grupo familiar

Com a aquisição, a família Haidar sai do negócio. Fundada há 82 anos pelo empresário libanês Fadlo Haidar, formado em medicina, a empresa da Zona Leste da cidade de São Paulo começou a operar com produção para papel para embalagens. Haidar, que chegou ao Brasil em 1921, comprou um terreno na Penha, para construir a Fábrica de Papel Santa Therezinha.

Com três fábricas em operação, a companhia apostou na diversificação de produtos para garantir sua sobrevivência. Em 2016, contudo, afetada pela crise, a família decidiu fechar a unidade de Governador Valadares (MG) – considerada obsoleta. Em 2017, o grupo promoveu um processo de reestruturação financeira para reverter os resultados negativos dos últimos anos.

No ano passado, a Santher encerrou com receita líquida de R$ 1,56 bilhão, alta de 5,4% sobre 2018, e lucro de R$ 30 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 5,2 milhões do ano anterior. O Ebitda (geração de caixa) alcançou R$ 179,8 milhões, crescimento de 49% ante o ano anterior. O atual presidente da companhia, José Rubens de la Rosa, deverá permanecer na gestão.

O Pinheiro Neto Advogados assessorou a Santher no negócio. O escritório Mattos Filho e o banco BNP Paribas atuou pela Daio e Marubeni.

Consolidação

A compra da Santher pela Daio e Marubeni reforça o interesse de grupos estrangeiros pelo mercado de papel e celulose brasileiro. Os grupos japoneses vão disputar mercado com a gigante Kimberly- Clark, dona da marca de papel higiênico Neve. No ano passado, a empresa Softys, filial da chilena CMPC, comprou a paranaense Sepac por R$ 1,3 bilhão. Outras empresas do País estão no alvo de multinacionais, que buscam expansão em mercados emergentes, segundo fontes.

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As 5 ações do Ibovespa que caíram mais de 20% em fevereiro – e as 4 únicas que conseguiram subir no mês

SÃO PAULO – Fevereiro foi marcado por uma forte queda do Ibovespa, de 8,43%, na maior queda mensal desde maio de 2018, quando o índice recuou 10,87% por conta da greve dos caminhoneiros no Brasil.

Desta vez, a questão que levou à forte baixa do mercado não foi interna, mas global. Boa parte das maiores quedas do Ibovespa tem relação com o surto de coronavírus, que atingiu novo patamar como fonte de preocupação nos mercados com o caso da Covid-19 se espalhando fortemente por países fora a China, com destaque na Europa para o aumento na Itália,

A pior queda do índice no mês ficou com a CVC (CVCB3), com baixa de 29,51%, conforme dados da Economatica. Também entre as maiores baixas do mês, estiveram as ações da Gol (GOLL4, -25,26%) e da Azul (AZUL4, -25,01%), refletindo justamente esse período de incerteza sobre o impacto da doença na demanda de viagens. Apesar de serem poucos

Os papéis das três empresas tiveram expressiva queda especialmente nos últimos três pregões do mês, com a expectativa de que os resultados das companhias possam ser deteriorados também a depender do impacto da doença para a economia brasileira.

Segundo Betina Roxo, analista da XP Investimentos, o setor aéreo sofre como um todo. Contudo, pondera, no Brasil, ainda não se vê um impacto tão direto porque a economia ainda não está sofrendo, como aconteceu na China, por exemplo, onde houve cancelamento de voos.

“Além disso, essas empresas aéreas nacionais não têm participação no mercado lá fora, mas são empresas que 50% do custo são dolarizados”, explica a analista. “Estamos falando de empresas que cada 5% de depreciação do real, a margem cai 1 ponto percentual, o que atrapalha bastante os resultados”.

Em relatório do fim de janeiro, o Bradesco BBI havia apontado esperar que o coronavírus tivesse impacto primeiramente sobre a demanda de tráfego internacional. “Também acreditamos que preocupações crescentes com viagens internacionais podem desviar a demanda para viagens domésticas de lazer, beneficiando empresas como Gol, Azul e e CVC. No entanto, se novos casos de coronavírus forem confirmados em mais países, a demanda doméstica também pode estar em risco”, afirmaram os analistas.

No caso da CVC, o analista Richard Cathcart ressaltou ainda que o impacto dependeria também se o surto se tornasse uma pandemia (e em que regiões) e que as viagens domésticas poderiam ganhar força ante viagens internacionais.  A ponderação foi que, caso fosse confirmada a doença no Brasil (o que ocorreu efetivamente na quarta-feira, 26), o cenário seria mais negativo. “No auge do zika em 2015-16, o tráfego aéreo doméstico e as vendas nas mesmas lojas da CVC enfraqueceram, embora seja difícil saber exatamente quanto disso foi causado pelo zika e quanto se deve ao enfraquecimento da economia”, avaliou.

Outra ação que é impactada fortemente pelo surto de coronavírus, assim como todo o setor dela, é a JBS (JBSS3), com baixa de 17,69% em fevereiro, que sofreu com o impacto do coronavírus no consumo de carnes global (e especialmente da China). Conforme relatório do Rabobank divulgado nesta sexta, as importações de carne bovina pela China recuarão no primeiro semestre deste ano devido à doença, com potencial de reprimir o movimento positivo recente das exportações de carne por conta da peste suína africana no gigante asiático.

Amplos estoques chineses de carne bovina congelada, armazenados em mercados locais em meio aos preparativos para o feriado do Ano Novo Lunar, não foram consumidos em janeiro por causa do coronavírus, destacou o banco em análise.

Minerva, JBS e Marfrig estão entre alguns dos principais exportadores de carne bovina do Brasil. Enquanto Minerva (BEEF3) teve baixa, mas não tão expressiva, a JBS também foi de longe a pior ação do setor.

Além do cenário com o coronavírus e da forte alta recente dos ativos, algumas notícias da companhia também impactaram a visão dos investidores. No último dia 21, a Pilgrim’s Pride (PPC), da JBS, divulgou resultado do quarto trimestre, com receita líquida de US$ 3,06 bilhões (alta de 15,3% na base de comparação anual) e Ebitda em US$ 162 milhões (alta de 45,6% na comparação anual).

A receita líquida ficou 5% acima do consenso enquanto que, por outro lado, o Ebitda ficou 16% abaixo do consenso. A PPC apresentou uma margem Ebitda de 5,3% (alta de 1,1 ponto percentual), 1,4 ponto abaixo do consenso.

“Comentando os aspectos negativos do trimestre, a PPC destacou que os preços no México estavam abaixo das expectativas sazonais, dadas as fracas condições macroeconômicas”, destacou o Bradesco BBI, também avaliando que, após olhar os números da subsidiária americana da companhia, a avaliação é de que estavam um pouco otimistas em relação ao resultado do quarto trimestre da JBS, embora isso não mudasse a visão positiva sobre as ações.

Além disso, o Credit Suisse destacou que os números do quarto trimestre a serem apresentados pela JBS, no dia 25 de março, não serão tão positivos. “A operação local deve sofrer com o aumento de preços de gado em dezembro e de negociações mais difíceis com os operadores de China. Enxergamos o nível de margem próximo de 6,3%, contração frente aos 8,5% do terceiro trimestre de 2019”, afirmaram os analistas do banco suíço em relatório.

“De forma geral, houve uma combinação pouco favorável da [concorrente] Tyson voltando a operar a planta de Kansas, preços de porco em dólar retornando a preços normalizados, produção de aves nos Estados Unidos maior que a demanda e preços de gado no Brasil acima do patamar de 1 ano atrás. A Seara também deve sofrer um pouco com preços de grãos mais altos. O primeiro trimestre não deve ser muito fácil para a JBS, mas continuamos com o nosso call positivo para o papel”, disseram.

Saindo um pouco do noticiário sobre coronavírus, quem esteve nos holofotes dos investidores em fevereiro, e fechou o mês com forte queda, foi o IRB (IRBR3), com forte baixa de 25,83%. Os ativos foram fortemente impactados por duas cartas da gestora Squadra, que apontou inconsistências nos números da companhia, ao falar que existem indícios que reforçam que os lucros normalizados (recorrentes) estão significativamente inferiores aos lucros contábeis reportados nas demonstrações financeiras do IRB.

No dia 19, a resseguradora apresentou seus números de 2019, registrando um lucro 44,7% no ano passado maior que o registrado em 2018. Em teleconferência após o balanço, José Carlos Cardoso, CEO da empresa, afirmou: “Não temos dúvidas de que o guidance [expectativa para o ano] será atingido e que 2020 será o melhor ano da companhia”.

Mas o grande foco estava nas explicações da companhia sobre o caso Squadra. Até então, o IRB havia se pronunciado, mas sem grandes detalhes, pois estava em período de silêncio antes da divulgação do balanço. Os resultados do trimestre vieram com informações adicionais sobre alguns dos pontos questionados pela Squadra, como mais detalhes sobre sinistros, salvados e ressarcidos e compra e venda de shopping centers. Também foram auditados por duas das Big Four (as empresas contábeis especializadas em auditoria mais prestigiosas do mundo): PwC e Ernst & Young.

Nos últimos dias do mês, o IRB voltou a ganhar destaque por conta de duas notícias. No dia 27, os ativos subiram 6,66% com a notícia do jornal O Estado de S. Paulo (não confirmada) de que a Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett, teria triplicado sua posição na resseguradora brasileira. De acordo com a publicação, as compras teriam ocorrido entre os dias 6 e 18 de fevereiro.

Ainda ontem, foi veiculado no Valor a notícia de que o presidente do Conselho de Administração do IRB, Ivan Monteiro, teria pedido demissão do cargo no último dia 20, um dia após a teleconferência de resultados da empresa. Monteiro estaria “desconfortável” com a administração da companhia. Apesar da empresa ter divulgado um fato relevante na noite de ontem negando a renúncia do presidente do Conselho de Administração, a notícia teria sido confirmada por fontes próximas do jornal.

“A forte queda das ações em 2020 após as cartas da Squadra pode ter significado uma oportunidade de entrada para quem ainda permanece confiante na empresa. No entanto, entendemos que IRB manterá a alta volatilidade no curto prazo diante da maior incerteza sobre a veracidade de seus números contábeis e da menor previsibilidade dos lucros no futuro”, destaca a Levante Ideias de Investimento.

Outro papel com forte queda no mês foi a Ultrapar (UGPA3), com queda de 23,51%. Além da maior aversão ao risco do mercado, as ações UGPA3 sofreram com os resultados do quarto trimestre, revelados no dia 19 de fevereiro e que fizeram com que os papéis caíssem mais de 7% após o balanço.

A Ultrapar teve um prejuízo de R$ 259,5 milhões no quarto trimestre do ano passado, após ter tido lucro líquido de R$ 495 milhões em igual período do ano anterior. Embora o desempenho da Ipiranga, Ultragaz e Oxiteno tenha se mantido na média, o grupo teve uma redução do valor recuperável de ativos (“impairment”) de R$ 593 milhões na Extrafarma, o que prejudicou o Ebitda e outros resultados da holding.

Já a Ambev (ABEV3) fechou em forte queda no mês em meio aos temores de maior concorrência e de desafios para precificação que podem levar à compressão de margens. Os receios foram confirmados depois com o resultado do quarto trimestre, que fez a empresa perder R$ 20,7 bilhões em valor de mercado. Veja mais clicando aqui.

Confira as 5 maiores quedas do Ibovespa em fevereiro:

Empresas Ticker Cotação  Queda no mês
CVC Brasil CVCB3 R$ 25,73 -29,51%
IRB IRBR3 R$ 33,25 -25,83%
Gol GOLL4 R$ 25,60 -25,26%
Azul AZUL4 R$ 44,44 -25,01%
Ultrapar UGPA3 R$ 19,08 -23,51%

Apenas 4 altas no mês

Ironicamente, uma das únicas altas ficou com a ação de um frigorífico: trata-se da Marfrig (MRFG3), que viu seus papéis subirem na expectativa por um resultado bastante positivo, que foi divulgado no dia 19. A companhia registrou lucro líquido de R$ 27 milhões no quarto trimestre de 2019, ante prejuízo líquido de R$ 1,257 bilhão em igual período de 2018. No acumulado do ano, o lucro líquido caiu para R$ 218 milhões, ante R$ 1,4 bilhão no ano anterior.

Outra ação que subiu forte em um mês de queda do Ibovespa foi a Weg (WEGE3), na esteira de revisões de recomendações. No final de janeiro, o HSBC elevou a recomendação para a ação de manutenção para compra, enquanto o JPMorgan elevou a recomendação de venda para neutra no dia 21, destacando que a companhia poderia se beneficiar da tendência mundial de eletrificação, como veículos elétricos e automação, que deve ajudar a empresa a continuar crescendo a taxas fortes.

A equipe do JP diz acreditar que o desempenho recente da companhia mostra que os investidores devem comparar a companhia às empresas de alta qualidade e crescimento da B3, devido ao seu histórico e execução. “Ainda que a Weg não seja totalmente comparável a qualquer empresa doméstica, vemos que sua avaliação continuará acompanhando de perto os pares domésticos (qualidade e crescimento) e não os estrangeiros, que são maiores e têm negócios mais complexos que a Weg, limitando seu potencial crescimento”, apontam os analistas.

Antes do relatório do JP, contudo, a companhia divulgou os resultados do quarto trimestre, considerados fortes. O lucro líquido da empresa cresceu 49,3% para R$ 500 milhões no período – sobre igual trimestre de 2018. A receita líquida de vendas avançou 20,9% para R$ 3,77 bilhões, expansão de 20,9% sobre igual trimestre do ano anterior.

“A WEG reportou avanços significativos e vem sequencialmente reforçando sua capacidade de gerar valor tanto via as aquisições quanto de forma orgânica. Apesar de reconhecermos o histórico sólido de execução da companhia, que continua a se reforçar ao longo do tempo, nós mantemos preferência relativa por nomes que (i) negociam em níveis de valuation mais atrativos e (ii) possuem uma alavancagem mais direta à atividade econômica local dentro do universo de cobertura”, ressaltou a XP Investimentos em relatório de análise do balanço da companhia.

Em seguida, mas com altas menos expressivas, estiveram a Equatorial (EQTL3), com alta de 3,44%, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) conseguiu fechar no azul, com ganhos de 0,26%.

Confira as 4 altas do Ibovespa em fevereiro: 

Empresas Ticker Cotação  Alta no mês
Marfrig MRFG3 R$ 12,07 +10,03%
Weg WEGE3 R$ 43,15 +9,86%
Equatorial EQTL3 R$ 24,66 +3,44%
Itaú Unibanco ITUB4 R$ 32,00 +0,52%

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Coronavírus faz empresas perderem bilhões em valor de mercado por redução de previsão de lucro

SÃO PAULO – O impacto do coronavírus, causador da Covid-19, tem gerado prejuízos bilionários no mercado global. O avanço da doença em todo mundo e a China, epicentro do surto, ainda paralisada por quarentenas e restrições que refletem na diminuição de produção e do consumo, fez com que grandes multinacionais reduzissem suas estimativas de receita para o primeiro trimestre deste ano.

A última a anunciar queda nas projeções, a Microsoft perdeu US$ 62 bilhões em valor de mercado no pregão desta quinta-feira (27), um dia depois de comunicar que não conseguiria atingir as receitas previstas entre US$ 10,75 bilhões e US$ 11,15 bilhões para os seus negócios da linha “More Personal Computing”. O segmento depende diretamente da China, já que é lá que a maioria dos componentes são fabricados.

A Apple, que tem a China como um dos seus maiores mercados, também sentiu o impacto da restrição da oferta e demanda do país. Após fechar todas as suas lojas no país, a gigante fundada por Steve Jobs, afirmou que não iria mais cumprir suas expectativas de receita para o trimestre, o que significou uma perda de US$ 26 bilhões em valor de mercado. A empresa prevê escassez temporária de itens para a produção do iPhone devido ao ritmo mais lento que o esperado das atividades das Foxconn.

Os dispositivos montados no país – por conta da mão de obra barata – são responsáveis pelo abastecimento dos estabelecimentos em mercados estratégicos pra Apple, como Estados Unidos, Europa e a própria China. A suspensão da produção, segundo a Reuters, pode atrasar até o lançamento do novo iPhone.

Para compensar as perdas e conseguir suprir a demanda de novos dispositivos, as fábricas da Foxconn na China têm oferecido bônus apara seus funcionários e abriu novas vagas para aumentar a sua produção.

A Coca-Cola anunciou aos seus investidores que a empresa estima um redução no lucro de até US$ 0,02 centavos por ação no trimestre inicial deste ano. O surto perturbou a cadeia de suprimentos, incluindo o envio de adoçantes artificiais da China – 3º maior mercado da companhia. No pregão seguinte ao anúncio, a Coca-Cola perdeu US$ 6 bilhões em valor de mercado.

Já a Mastercard, além de reduzir suas previsões do primeiro trimestre também cortou as projeções anuais. Citando os impactos do vírus no segmento de viagens e comércio eletrônico, a empresa de cartão de crédito espera que a receita trimestral diminua de 2% a 3% se o surto continuar a crescer no ritmo atual.

“Há muitas incógnitas quanto à duração e gravidade da situação e estamos monitorando de perto”, disse a empresa, acrescentando que atualizaria os investidores novamente em sua apuração de lucros no primeiro trimestre.

A empresa norueguesa de cruzeiros Royal Caribbean International estima uma perda de US$ 0,90 por ação em 2020 por conta do coronavírus. A empresa, que perdeu US$ 1,5 bilhão em valor, cancelou diversas viagens para Ásia e modificou o itinerário na região, acrescentou ainda que o cancelamento de todas as viagens ao continente até abril adicionaria perdas de mais US$ 0,30 na rentabilidade dos seus papéis.

Terceira maior linha aérea dos Estados Unidos, a United Airlines também sentiu o impacto das restrições de viagens para o país mais populoso do mundo. A companhia perdeu US$ 1,2 bilhão em valor de mercado após divulgação de um relatório que revelou “queda de aproximadamente 100% na demanda de curto prazo para a China” e uma queda de 75% na demanda para outras rotas transpacíficas.

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Super Terça, PIB do Brasil e coronavírus: o que acompanhar na próxima semana

SÃO PAULO – Enquanto o novo coronavírus segue no centro das atenções dos investidores no mundo todo, a agenda de indicadores ganha força, com destaque para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No exterior, a atenção se volta para a corrida eleitoral com a “Super Terça”.

Na quarta-feira (4) o mercado volta suas atenções para o dado do PIB do Brasil do quarto trimestre e acumulado de 2019. Segundo projeções compiladas pela Bloomberg, a economia brasileira deve registrar leve alta de 0,6% na comparação trimestral.

Apesar disso, o mercado já está de olho nos números deste início de ano, tentando avaliar os impactos do coronavírus na economia. Para isso, na segunda-feira (2) sai o relatório Focus com as novas projeções dos economistas, além do PMI manufaturas e da balança comercial.

Diante dos dados fracos dos meses passados (antes do coronavírus), se estes novos números seguirem indicando um desempenho menor, o mercado pode elevar as apostas de um novo corte na Selic em breve.

Enquanto isso, o câmbio segue um dos principais itens no radar, com a moeda chegando a superar R$ 4,50 durante o último pregão. O Banco Central tem feito atuações relativamente pontuais com swaps, que analistas consideram mais focadas em suavizar o movimento do que em segurar o câmbio.

Na política, nos próximos dias o Congresso volta aos trabalhos após a longa pausa de Carnaval e os investidores ficarão atentos ao ambiente após a polêmica entre o presidente Jair Bolsonaro sobre o protesto marcado para 15 de março.

Este cenário deve ajudar o mercado a entender o clima, principalmente com a pauta das tributária e administrativa no caminho. Entre as propostas, a autonomia do Banco Central pode ser votada na terça-feira (3) e marco regulatório do Saneamento Básico também pode ser votado na semana.

No radar corporativo, a temporada de resultados do quarto trimestre volta a ganhar força, com pelo menos 18 balanços sendo divulgados. Entre os destaques, BRF apresenta seus números de fim de ano na terça, enquanto na quarta será a vez de CSN e Arezzo.

Já na quinta-feira (5), Iochpe-Maxion, Natura, Randon, Odontoprev, CCR, B3 e entre outras divulgam seus resultados.

Eleições agitam o exterior

No mercado internacional, atenção especial para a Super Terça, considerado o dia mais importante das primárias. Neste dia, 14 estados e um território irão às urnas na corrida eleitoral democrata, sendo que apenas neste dia estará em disputa um terço dos delegados totais.

Comumente, esta data tende a trazer definições para a disputa. Neste ano, com ainda tantos candidatos democratas, é possível que no dia seguinte alguns nomes retirem suas candidaturas enquanto, caso um deles consiga uma grande quantidade de delegados, pode encaminhar a sua escolha como o candidato do partido.

O senador Bernie Sanders segue como favorito, mas nada está definido. A Super Terça ganha um fator especial desta vez porque marcará também a entrada do ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg nas primárias. Ele já bateu recorde de gastos em uma campanha, mas não foi bem nos debates que participou, o que deixa dúvidas sobre a força de sua campanha.

Entre os indicadores, atenção ainda para o relatório de emprego (Payroll) nos Estados Unidos, além dos PMIs chineses e europeu de fevereiro. Todos estes dados podem trazer alguma indicação dos primeiros impactos do coronavírus na economia ao redor do mundo.

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Ibovespa sobe 1%, mas não evita pior semana desde 2011 com coronavírus; dólar bate máxima aos R$ 4,48

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (28), porém despencou 8,37% na semana que foi marcada pelo pânico global em relação ao coronavírus. Esta foi a pior queda semanal do índice em nove anos. A última vez em que a Bolsa caiu tanto foi na semana encerrada em 5 de agosto de 2011 quando houve a crise das dívidas soberanas de países europeus como a Itália.

No mês, o índice brasileiro recuou 8,43%, no seu pior desempenho mensal desde maio de 2018, mês em que ocorreu a greve dos caminhoneiros, que paralisou o Brasil por semanas e enfraqueceu ainda mais o governo Temer.

Segundo Júlio Erse, gestor-chefe da Constância Investimentos, o principal motivo para o sell-off que atingiu em cheio o mercado brasileiro e global nos últimos dias é a imprevisibilidade acerca do que vai acontecer com o coronavírus. Embora o número de novos casos esteja desacelerando na China, o epicentro da doença, no mundo há uma disseminação que torna o ambiente bastante incerto.

“O impacto econômico da Covid-19 depende do alastramento e das medidas tomadas para conter a doença. Se, a exemplo da China, realizarem proibições de circulação e fechamento de fábricas na Europa e outras regiões afetadas, terá um efeito duplo na oferta e demanda”, explica o gestor.

Para ele, a volatilidade dos últimos dois pregões, em que o principal índice da B3 abriu em forte queda, chegou a virar para alta, mas depois encerrou a sessão em baixa, foi consequência dessas incertezas. “Essa volatilidade foi em linha com o que aconteceu no mundo inteiro”, aponta.

Nesta sexta, contudo, o Ibovespa registrou alta de 1,15%, aos 104.171 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 39,759 bilhões. O movimento de ganhos veio após o índice chegar a recuar 2,95% na mínima, em 99.950 pontos. Lá fora, as bolsas americanas chegaram a cair 3%, mas terminaram o dia com quedas próximas de 1%. O Nasdaq fechou com leve alta de 0,01%.

Ajudando tanto o benchmark da Bolsa brasileira quanto os mercados internacionais esteve a fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmando que está “monitorando de perto” a epidemia do coronavírus e seu potencial em desacelerar o crescimento econômico dos Estados Unidos.

Com isso, aumentaram as apostas de dois cortes de juros na taxa básica dos EUA nas próximas reuniões da autoridade monetária. Se isso for confirmado, a maior economia do mundo será estimulada, ao passo que o diferencial de juros entre os títulos da dívida americana e os brasileiros diminuirá, aumentando a atratividade dos ativos brasileiros ao investidor estrangeiro.

Na quarta-feira (26), a B3 teve sua maior saída diária de capital estrangeiro da história, em R$ 3,068 bilhões. Em fevereiro, o saldo acumulado de recursos estrangeiros na Bolsa está negativo em R$ 15,750 bilhões, resultado de compras de R$ 190,150 bilhões e vendas de R$ 205,900 bilhões.

Enquanto isso, o dólar futuro com vencimento em março teve leve alta de 0,23%, a R$ 4,499. O dólar comercial registrou ganhos de 0,13%, a R$ 4,4801 na compra e R$ 4,4811 na venda. O Banco Central atuou novamente no câmbio nessa sexta, vendendo 20 mil contratos de swap. Mesmo assim, na semana o dólar subiu 2% e no mês, 4,56%.

Já entre os juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2022 teve queda de 22 pontos-base a 4,48%, enquanto o de vencimento em janeiro de 2023 recuou 22 pontos-base a 5,12%, seguido pela baixa de 17 pontos-base do vencimento em janeiro de 2025, a 6,02%.

Vírus

Os efeitos econômicos do coronavírus são cada vez mais sentidos, a Hyundai fechou sua fábrica de carros na cidade de Ulsan, na Coreia do Sul, após um trabalhador ter o diagnóstico positivo do coronavírus. A agência de notícias Yonhap informa que o governo de Seul pediu a todas as igrejas e templos no país que suspendam cerimônias para evitar a propagação do vírus.

Ontem, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou para a possibilidade de o avanço do coronavírus se tornar uma pandemia, mas ponderou que o surto ainda pode ser contido. “Estamos em um ponto decisivo”, afirmou durante entrevista coletiva em Genebra, na Suíça.

Entre os indicadores, hoje a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) mostrou que o desemprego ficou em 11,2% no trimestre até janeiro deste ano contra 11% no trimestre até dezembro e 12% ante o trimestre até janeiro de 2019. A estimativa mediana dos economistas de acordo com o consenso Bloomberg era de 11,3%.

Política 

Em sua live semanal na Internet, o presidente Jair Bolsonaro cobrou do Congresso a aprovação das reformas enviadas pelo governo, mas negou que tenha incitado a população a ir às ruas em manifestação contra o Legislativo. Sob críticas de parlamentares e do Judiciário, Bolsonaro é pressionado a aplacar uma crise política que ele mesmo provocou, ao compartilhar vídeos em apoio a uma manifestação contra o Congresso marcada para 15 de março.

Ele pediu “serenidade” e “responsabilidade” e refutou informações de que estaria apoiando atos que teriam, entre as pautas anunciadas, de acordo com as notícias, pedidos de fechamento do Legislativo e do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Eu não vi nenhum presidente de Poder falar sobre essa questão do dia 15, que eu estaria estimulando um movimento contra o Congresso e contra o Judiciário, não existe isso. Não falaram porque não existe isso. Agora, nós não podemos nos envenenar com essa mídia podre que nós temos aí, em grande parte, podre que nós temos ai. Eu apelo a todo mundo, serenidade, patriotismo, responsabilidade, verdade. Nós podemos mudar o destino do Brasil. Não vou falar bem do meu governo, você que julga na ponta da linha. Pode ter certeza que, cada vez mais, os chefes de Poderes vão se ajustando, porque a nossa união, são quatro homens, quanto mais ajustados nós tivermos, nós juntos podemos fazer um Brasil melhor para 210 milhões de pessoas”, afirmou.

Sobre a alta do dólar, Bolsonaro diz que não interfere no BC: “no Brasil, o dólar está R$ 4,44 e nós lamentamos, porque isso, mais cedo ou mais tarde, vai influenciar naquilo que nós importamos, até no pão, no trigo”.

PIB 

O Ministério da Economia deve revisar a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) até a próxima semana, informa o jornal O Estado de S. Paulo. A revisão ocorre por causa do avanço do surto do coronavírus no mundo, principalmente na China, de onde o Brasil importa grande parte dos produtos manufaturados e peças para a indústria. A falta de componentes industriais vindos da China faz com que fábricas brasileiras, principalmente de eletroeletrônicos, deem férias coletivas e adiem o lançamento de produtos.

Na véspera, o Bank of America reduziu, por conta do coronavírus, pela segunda vez no mês, a projeção de crescimento do Brasil em 2020, que passou de 2,2% para 1,9%. Na quarta, o JP Morgan cortou a estimativa para o PIB brasileiro neste ano de 1,9% para 1,8%.

Noticiário corporativo 

A Petrobras anunciou na noite de ontem uma série de desinvestimentos, o mais aguardado dos quais é a venda dos 51% restantes que possui de participação na Gaspetro. A estatal publicou o teaser para a venda da sua participação na distribuidora de gás natural, que possui mais de 10 mil quilômetros de gasodutos no Brasil. A Japonesa Mitsui é dona dos 49% restantes na Gaspetro. Em outro negócio, a Neoenergia aprovou a emissão de debêntures no valor de R$ 300 milhões e com vencimentos em 2045.

Já a Vale pediu à Petrobras cessão de navios para eventual vazamento. A mineradora divulgou comunicado sobre incidente com o navio MV Stellar Banner, de propriedade e operado pela empresa sul- coreana Polaris. A embarcação está encalhada a cerca de 100 quilômetros da costa de São Luís (MA), fora do canal de acesso do Terminal Marítimo Ponta da Madeira, de onde partiu na última segunda-feira.

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Agravamento do coronavírus leva a nova onda de corte de projeções para PIB do Brasil e do mundo

SÃO PAULO – O abalo causado pelo coronavírus na economia global está se mostrando bem maior do que se pensava em um primeiro momento. Isso provoca uma onda de reduções nas projeções dos economistas para o crescimento da economia global.

A equipe de análise do Credit Suisse, por exemplo, entende que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial não crescerá mais 2,6% como previam antes, mas 2,2%. “A disseminação do surto no Japão, Coreia do Sul, Itália e outras economias significa quarentenas e restrições na atividade econômica fora da China”, afirmam os analistas James Sweeney, Neville Hill, Yi David Wang, Hiromichi Shirakawa e Alonso Cervera. Para eles, é provável que o PIB desses países, assim como o da zona do euro, sofra contração ao longo deste ano.

Matthew Hope, também do CS, escreveu em relatório que a China está vencendo a guerra contra o coronavírus, como demonstra a estabilização na província de Hubei em 430 novos casos por dia e o declínio no número de novos diagnósticos em outras regiões. O problema, na visão dele, é o alastramento do Covid-19 em outros países.

“A Europa pode não ser capaz de fechar cidades como a China fez, o que facilitará a disseminação”, destaca. O impacto disso na demanda por commodities, embora ainda não seja quantificável, seria muito relevante, especialmente para cobre e alumínio, que sofreriam com a menor venda de carros e a desaceleração na construção civil globalmente.

Por outro lado, o minério de ferro – que é muito importante para o Brasil – e o carvão mineral deverão ser mais resilientes, uma vez que o investimento em infraestrutura na China deve seguir firme. Há esperança também que a mudança da estação, com o fim do inverno e chegada da primavera no hemisfério norte, desacelerem o avanço do coronavírus. “Se a nova doença se comportar como outros vírus, os casos devem retroceder no verão.”

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Outro ponto levantado pelo Credit é que o medo do coronavírus e a resposta das autoridades a ele devem concentrar os efeitos econômicos negativos, bem mais do que as mortes decorrentes da doença. “A população mais jovem, trabalhadora e consumidora é menos afetada. Desse modo, uma pandemia não deverá afetar diretamente o consumo”, explica o analista.

Já a equipe de análise do Bank of America (BofA) cortou sua projeção de crescimento econômico global este ano de 3,1% para 2,8%. “O momentum de expansão da economia já era pouco animador mesmo antes do choque do coronavírus. A resposta agressiva da China à Covid-19 agora nos mostra que o primeiro trimestre de 2020 deve ser muito fraco”, avaliam os analistas.

Um ponto citado com muita ênfase é que a disrupção econômica provocada pela doença está se prolongando por mais tempo do que se esperava, com impactos nefastos para a economia real. “Muitos trabalhadores migrantes ainda estão para retornar às suas casas, o que impossibilita que as fábricas operem com toda a capacidade.”

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já afirmou que deve reduzir sua perspectiva de crescimento global nos próximos dias, em decorrência do agravamento do surto de coronavírus no mundo.

Brasil

Especificamente para o Brasil, o BofA cortou sua projeção de crescimento em 2020 de 2,2% para 1,9%. Na mesma toada, o JPMorgan reduziu a estimativa de avanço do PIB brasileiro de 1,9% para 1,8%.

Os analistas Dalton Gardimam, Ricardo Mauad e Bernardo Keiserman, do Bradesco BBI, também revisaram suas projeções para o PIB brasileiro em 2020, cortando de 2,3% para 1,9%. “Clara e inegavelmente, a estimativa de 2,3% tem perspectiva negativa, mas para sermos honestos, não vemos o Brasil voltando ao nível de crescimento de 1% visto nos últimos anos mesmo após as revisões”, escreve a equipe do Bradesco.

Apesar disso, os analistas ressaltam que há boas notícias para o Brasil nesse caso. Por mais que o baque nos preços das commodities não seja algo fácil de se contornar devido à dependência brasileira da exportação desses produtos, o País está distante do epicentro da epidemia e é uma economia relativamente fechada, além de ter um clima tropical, que é menos propício para a disseminação de doenças respiratórias.

Fora isso, o turismo nunca foi tão relevante para a economia brasileira quanto para outros países que estão sendo impactados pelo coronavírus.

Na avaliação dos analistas do Bradesco, duas coisas para serem observadas de perto nos próximos dias são a evolução dos casos fora da China e as medidas iniciais do governo brasileiro para conter a proliferação do vírus conforme novos casos forem se confirmando no nosso território.

Antes mesmo da nova onda de aversão ao risco dos investidores nessa semana, diversos bancos já haviam cortado a previsão para a economia brasileira. O BNP Paribas reduziu sua previsão de crescimento do PIB 2020 de 2% para 1,5%, enquanto o Fator derrubou a projeção de 2,2% para 1,4%.

Previsão oficial

Além dos bancos e das casas de análise, o próprio Ministério da Economia deve revisar a previsão de alta do PIB até o fim da próxima semana, segundo informações do Estado de S. Paulo. Atualmente, o cenário-base de crescimento brasileiro do governo é de 2,4%.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia (SPE), Adolfo Sachsida, disse que o melhor “remédio” para enfrentar os efeitos negativos da epidemia no crescimento econômico é avançar nas reformas no Congresso.

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