Brasil lança unidade de negócios para aumentar vendas à China

(Bloomberg) – Uma especialista em comércio exterior de 36 anos fluente em mandarim é a nova aposta do governo brasileiro para impulsionar exportações para a China, em meio à disputa com os EUA por maior fatia do principal mercado de commodities do mundo.

Larissa Wachholz, com mestrado na Universidade Renmin da China, foi convidada em dezembro pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para comandar um núcleo ligado ao seu gabinete dedicado apenas ao país asiático, iniciativa inédita no Brasil. A missão de Larissa é diversificar as exportações de alimentos brasileiros para além da soja e proteína animal ao seu maior parceiro comercial. Este núcleo é parte da estratégia de amenizar o impacto das oscilações dos fluxos comerciais entre os dois países.

Em sua primeira entrevista no cargo, Larissa disse que o Brasil precisa conhecer melhor a China, apesar do comércio bilateral superar US$ 100 bilhões. “É um país complexo. A gente precisa se preparar melhor para lidar com esse parceiro”, disse.

A aposta do governo na China surge em momento crítico para a demanda daquele país, afetada pelo surto do coronavírus. Também ocorre quando os EUA se preparam para ganhar parte do mercado das exportações brasileiras de soja, após assinar acordo comercial com a China.

Larissa afirmou que os termos do pacto entre Washington e Pequim é uma questão que preocupa, mas que o governo avalia cenários antes de reagir. “Estamos tentando entender o escopo do acordo e o que pode mudar ou não.”

As exportações de soja brasileira para a China, que aumentaram desde que os EUA impuseram tarifas a Pequim há dois anos, devem recuar aos níveis anteriores à guerra comercial entre as duas maiores potencias mundiais.

“Sabíamos que era um ganho temporário, nunca pensamos que seria uma situação perene”, disse Larissa. “A solução será redistribuir esse excedente para outros parceiros.”

Exportações de carne bovina do Brasil também estão em alta, tendo subido 53% em 2019, o que pressionou preços no mercado doméstico e acelerou a inflação no fim do ano passado. A China tentava atender à crescente demanda interna por proteína animal após a propagação da peste suína africana, que dizimou criadouros de carne de porco. Agora, Pequim tenta renegociar contratos existentes com o Brasil, já que o aumento dos preços também esfriou a procura da proteína pelos chineses.

Mudança de estratégia

A abertura da primeira unidade de comércio dedicada a um único país expõe uma mudança radical na estratégia do presidente Jair Bolsonaro. Na campanha, ele chegou a dizer que a China “não tem coração” e, mesmo depois de assumir o cargo, acusou os chineses de serem predadores, querendo comprar o país. Desde então passou a prevalecer o pragmatismo no governo, já que a China continua a abocanhar parcela cada vez maior das exportações brasileiras – atualmente cerca de 40% do total.

Bolsonaro já se encontrou duas vezes com o presidente chinês Xi Jinping e, apesar da proximidade com o presidente americano Donald Trump, até agora não cedeu às exigências dos EUA, que cobram que a Huawei Technologies seja proibida de participar do leilão de 5G no Brasil.O forte apetite da China por commodities ajudou a elevar o comércio total com o Brasil para cerca de US$ 100 bilhões em 2018. As empresas chinesas também investem pesado no programa de privatização.

O governo pretende abrir novos mercados na China. Larissa disse que o aumento das exportações de frutas é prioridade. Na semana passada, o Brasil recebeu sinal verde para vender melões ao país asiático, que consome metade da produção mundial da fruta. Se conquistar apenas 1% do mercado chinês, o Brasil pode dobrar o volume de melões exportados globalmente, afirmou a especialista. Uvas e noz pecan estão em processo de análise para entrar na China.

Por outro lado, o aumento do investimento chinês em infraestrutura ajudaria a consolidar os interesses de Pequim no Brasil, disse Larissa. O núcleo comandado por ela está servindo de ponte entre investidores chineses e o Ministério da Infraestrutura, para ampliar a parceria nesta área.

“A China valoriza o planejamento a longo prazo”, afirmou.

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IPOs da Caixa Seguridade e da Caixa Cartões devem ocorrer este ano, diz Pedro Guimarães

SÃO PAULO – O aguardado IPO (Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade e da Caixa Cartões está muito próximo de acontecer, disse o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães.

“Este é o ano em que a gente espera que tenha pelo menos duas aberturas de capital: a Caixa Seguridade e a Caixa Cartões”, afirmou ele, ressaltando ainda a intenção de abrir o capital da Caixa Loterias – o que depende de um decreto do governo – e da Caixa Asset.

No início do mês, a Caixa Seguridade já havia informado que o conselho diretor da Caixa Econômica tinha aprovado a formação e contratação de sindicato de bancos para avaliar uma potencial oferta pública de ações da unidade de seguros.

Falando em evento do Credit Suisse em São Paulo, o executivo ressaltou que não existe nenhuma pressão vinda do ministro da Economia, Paulo Guedes, nem do presidente Jair Bolsonaro.

Apesar disso, defendeu a privatização da companhia como forma de proteger a Caixa em outros governos.

Guimarães explicou ainda que a atual prioridade do banco é pagar sua dívida, mas que é possível aumentar a remuneração ao acionista. “Quem define nosso dividendo é o Tesouro. Temos 25% de [pagamento de] dividendo obrigatório, mas podemos chegar tranquilamente a 50%”, afirmou.

Ele também comentou o cenário de juros. “Não consigo ver 14% ao mês de juros em um país com 4,5% de Selic e 4% de IPCA”, afirmou ele explicando que só foi possível cortar juros porque houve uma queda na inadimplência e aumento da carteira de clientes.

Além disso, ele explicou que a política de corte de juros do banco só deve durar até que a economia volte a acelerar. Segundo o executivo, a Caixa irá seguir a mesma tendência da Selic.

“Se a economia der soluço, vou aumentar a taxa. Se aumentar a Selic, não vou manter as mesmas taxas”, disse Guimarães.

O executivo falou ainda que a Caixa irá lançar “dentro de poucas semanas” a modalidade de crédito imobiliário com taxa prefixada.

Segundo o presidente do banco estatal, o crédito atrelado ao IPCA, lançado no ano passado, ampliou o público com acesso ao financiamento da casa própria porque reduziu entre 30% e 50% o custo da primeira prestação, o que abre a possibilidade do banco securitizar parte de sua carteira.

Por conta disso, Guimarães afirmou que, após seis meses do lançamento da carteira de crédito imobiliário pelo IPCA, o banco começará a testar o mercado de securitização.

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Presidente do BNDES diz que investigação não encontrou irregularidades e não há nada mais a esclarecer

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, disse nesta quarta-feira, 29, que “não há nada mais esclarecer” em relação às operações passadas da instituição de fomento. Segundo ele, as investigações internas do banco não encontraram nenhuma irregularidade nas operações com o grupo J&F ou em quaisquer outras operações. “Não houve nada de ilegal”, disse.

A “caixa-preta” do BNDES ganhou espaço no debate entre políticos e sociedade e foi um dos pontos explorados durante a última campanha presidencial. O presidente da República, Jair Bolsonaro, defendeu várias vezes a abertura da “caixa-preta”.

Montezano disse que é “razoável” que cidadãos tenham dúvidas em relação a operações que somaram mais de R$ 20 bilhões com uma empresa envolvida em apurações sobre corrupção, como a JBS. Quando questionado sobre o uso eleitoral, ele disse que os políticos representam os cidadãos e que os questionamentos são “legítimos”. “Nossa função é esclarecer”, afirmou.

Demissão de Levy

O atual presidente do BNDES evitou comentar se a demissão de seu antecessor, Joaquim Levy, foi justa ou não. “Não cabe a mim comentar”, afirmou.

Levy foi rifado por Bolsonaro após dizer “ter clareza sobre operações do passado”.

Ele não chegou a avançar na busca por operações fraudulentas, e a dificuldade foi apontada como um dos motivos para a insatisfação de Bolsonaro com sua gestão.

O executivo pediu demissão após o presidente dizer em entrevista que estava “por aqui” com ele.

‘Recuperar reputação’

Montezano afirmou que hoje a função dos executivos do banco é “recuperar a reputação” do BNDES. “Não estamos aqui para culpar ninguém, mas sim para esclarecer os fatos. Nossa função como executivo é dar total transparência. O BNDES hoje não tem mais nada a esconder. Não houve nada de ilegal”, disse.

Apesar do resultado da auditoria externa contratada pelo banco, o diretor jurídico do BNDES, Saulo Puttini, reconheceu que investigações privadas têm “limitações inerentes” e afirmou que o trabalho “não se contrapõe” aos resultados das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) instauradas pelo Congresso ou da Operação Bullish, da Polícia Federal. Ambas indiciaram responsáveis por irregularidades nas operações.

“(Na investigação privada) Não se encontrou evidência de corrupção, suborno ou interferência indevida nas operações com JBS”, disse Puttini, ressaltando que o BNDES tem interesse em colaborar com as demais investigações das CPIs ou da Bullish.

Desculpas

Montezano, por sua vez, afirmou que a investigação foi feita para apurar fatos, “não para torcer para um lado ou outro”. Ele também pediu desculpas pela demora, embora considere que nove dias para um “tema sensível” não seja tanto tempo.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou o custo da auditoria externa, de R$ 48 milhões (hoje corrigidos para R$ 42,7 milhões pelo BNDES), em 20 de janeiro.

“O BNDES está pronto para virar a página. O BNDES é um agente fundamental para recuperação econômica”, afirmou o presidente do banco.

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Diretor de RI da Vale vai pagar R$ 600 mil à CVM

SÃO PAULO — A Comissão de Valores Imobiliários (CVM) aceitou a proposta do diretor de relações com investidores da Vale (VALE3), Luciano Siani Pires, para pagar R$ 600 mil à autarquia para encerrar dois processos administrativos.

Em um deles, Siani foi responsabilizado por não ter divulgado, “de maneira ampla e imediata”, um registro obrigatório referente à paralisação temporária da barragem de Laranjeiras, na mina de Brucutu.

No outro, ele foi responsabilizado por não divulgar, “de maneira ampla e imediata”, outro registro obrigatório antes ou simultaneamente com a conferência de imprensa realizada 12 de dezembro de 2019.

Biosev

A CVM também concordou em assinar um termo de compromisso com Enrico Biancheri, Paulo Prignolato e Rui Chammas, membros do Comitê de Risco da Biosev (BSEV3).

Eles se comprometeram a pagar R$ 150 mil cada um à autarquia, totalizando R$ 450 mil em multa.

Os executivos foram responsabilizados “por não tomarem as medidas necessárias para evitar as perdas sofridas pela empresa devido às operações realizadas com a Louis Dreyfus Company Brasil.”

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Bancos liberaram mais crédito em 2019, mas custo segue elevado

Passado o período de maior retração do crédito no Brasil, durante 2016 e 2017, o saldo de recursos liberados pelas instituições financeiras subiu em 2019 pelo segundo ano consecutivo. Dados divulgados nesta quarta-feira, 29, pelo Banco Central (BC) mostram que o saldo de crédito cresceu 6,5% no ano passado. Apesar disso, as taxas de juros cobradas de empresas e famílias seguiram em níveis elevados.

Os números do BC revelam que o saldo total de operações de crédito feitas com empresas subiu em 2019, atingindo R$ 1,468 trilhão.

O montante – que reflete operações realizadas com recursos dos próprios bancos e com dinheiro da poupança e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – representa uma leve alta, de 0,2%, em relação ao visto no fim de 2018. O valor ainda está longe do recorde de R$ 1,711 trilhão de dezembro de 2015, durante o governo de Dilma Rousseff.

Esta diferença é justificada pela forte retração do crédito direcionado (com recursos da poupança e do BNDES) nos últimos anos. Em meio à avaliação de que o crédito direcionado precisava diminuir no Brasil, dando espaço ao crédito privado, os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro alteraram a forma de atuação do BNDES, que se tornou mais seletivo na concessão de financiamentos.

Somente em 2019, o crédito direcionado para empresas recuou 13,6%, para R$ 562,9 bilhões. A baixa nas operações do BNDES foi de 13,9% no ano passado, para R$ 382,556 bilhões.

O Banco Central tem defendido que, apesar do recuo do saldo de crédito para empresas nos últimos anos, o setor privado tem, de fato, ocupado mais espaço no financiamento de longo prazo. Isso porque muitas empresas maiores – que antes eram financiadas pelo BNDES – estão recorrendo a instrumentos do mercado financeiro para obter crédito, como as debêntures.

Os números do BC mostram que o crédito ampliado – que considera os financiamentos convencionais realizados pelos bancos, mas também as emissões de títulos pelas empresas, para financiamento de operações – cresceu 8,3% em 2019, para R$ 5,748 trilhões.

Entre as pessoas físicas, o cenário do crédito convencional é mais favorável. No ano passado, o saldo de crédito para as famílias avançou 11,7%, aos R$ 2,003 trilhões.

Entre os motivos para a expansão está a relativa recuperação da economia e do emprego, além do menor endividamento das famílias em relação aos picos vistos em 2014 e 2015. Se os bancos voltaram a demonstrar mais apetite para fechar financiamentos em 2019, os brasileiros também apresentaram maior capacidade para se endividar.

Um dos melhores exemplos disso é a linha para compra de veículos por pessoas físicas, cujo saldo avançou 19,6% no ano passado, para R$ 203,615 bilhões.

Custo alto

Embora os bancos estejam realizando mais operações com empresas e, principalmente, famílias, o custo segue em níveis elevados. A taxa média de juros das operações de crédito, considerando empresas e famílias, encerrou 2019 em 23,0% ao ano. O resultado representa uma queda de apenas 0,2 ponto porcentual em relação a 2018.

No caso específico das empresas, houve recuo de 1,1 ponto porcentual da taxa de juros média no ano passado. Para as pessoas físicas, a taxa média cedeu 0,1 ponto.

O custo permaneceu em níveis elevados a despeito de, em 2019, a Selic (a taxa básica de juros) ter recuado de 6,50% para 4,50% ao ano, o menor valor da história. Em 2016, quando o atual ciclo de cortes começou, a Selic estava em 14,25% ao ano.

Para muitos brasileiros, a sensação foi de que a baixa da Selic nos últimos anos não foi integralmente repassada pelos bancos ao consumidor final. Isso foi verificado principalmente nas linhas emergenciais. O juro médio do rotativo do cartão de crédito, por exemplo, subiu 33,5% pontos porcentuais em 2019, para 318,9% ao ano. Já a taxa média do cheque especial teve baixa de 10,1 pontos porcentuais no ano passado, aos 302,5% ao ano. Este ainda é um dos custos mais elevados entre todas as modalidades de crédito.

Para combater o alto custo do cheque especial, o BC decidiu intervir diretamente no mercado no fim do ano passado. A instituição anunciou a limitação dos juros do cheque especial em 8% ao ano (151,82% ao ano). A nova regra começou a valer em 6 de janeiro de 2020. Assim, os dados divulgados nesta quarta ainda não refletem a nova dinâmica.

Em suas comunicações, o Banco Central tem defendido que o custo do crédito cairá no Brasil com o aumento da concorrência entre as instituições financeiras. Para isso, o BC aposta na proliferação das fintechs, na expansão das cooperativas de crédito e na implantação do chamado “open banking” – sistema que prevê o compartilhamento dos dados bancários do cliente entre as diferentes instituições, desde que ele autorize previamente.

Com isso, será possível que as instituições ofereçam produtos financeiros a este cliente, seja ele empresa ou consumidor. O BC espera que a primeira fase do open banking esteja em funcionamento até o fim de 2020.

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Para Xavier e Stuhlberger, Banco Central não deveria cortar juros mais uma vez

SÃO PAULO – O Banco Central define na próxima semana se reduz ou não a Selic, taxa básica de juros da economia. O consenso de mercado prevê mais um corte, de 0,25 ponto, o que levaria a a taxa a 4,25% ao ano.

Para dois dos principais gestores do país, no entanto, o Banco Central estaria cometendo um erro, caso essa projeção se materializasse.

Luis Stuhlberger, fundador da gestora Verde, e Rogério Xavier, fundador da SPX, concordam que reduzir o nível atual dos juros, que já é o menor da história do país, pode obrigar o BC a antecipar o movimento inverso, de aperto monetário. Os dois participaram nesta manhã de evento promovido pelo Credit Suisse, em São Paulo.

“Achamos que o mercado vai empurrar o Banco Central a fazer bobagem. Os níveis que temos atualmente já deveriam ser olhados com maior cuidado”, disse Xavier, o mais incisivo contra novos cortes. “Os efeitos da política monetária são sentidos na economia só após nove meses e, na inflação, depois de 15 a 18 meses.”

No patamar atual, a Selic já colocaria a inflação no centro da meta de 2021, afirma Xavier, para quem níveis menores de juros são agressivos demais. Em sua visão, se forçar a mão, na tentativa de induzir os juros mais longos a níveis menores, o Banco Central pode precisar levar a Selic a 8% mais à frente.

“A economia não está mais pedindo esse estímulo monetário. Acho muito perigoso ficar com o referencial de juros baixos em relação ao resto do mundo, com nosso déficit na conta corrente”, completa.

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Em sua última carta aos cotistas, divulgada neste mês, a SPX já havia sinalizado que acreditava que a política monetária já se encontra “bastante acomodatícia”, indicando que os juros deveriam voltar a subir neste ano, provavelmente no terceiro trimestre.

Stuhlberger destacou que, assim como aconteceu com a alta do dólar ante o real no ano passado, existe o risco de que a inflação dê um salto. “Em algum momento pode não ter uma linearidade. Isso já aconteceu e, quando vem, é muito rápido.”

Na visão do gestor, o BC deveria ter parado o movimento de queda quando a Selic chegou a 4,75% ao ano. Mas ele ponderou que o próprio economista-chefe da Verde não acompanha sua visão.

Em seu último relatório, os gestores da Verde destacaram que mantêm pouco mais de 20% do portfólio do fundo macro alocado em ações no Brasil.

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Ação do Santander Brasil sobe 2% após balanço e WEG avança com recomendação; Azul e Sabesp caem após salto da véspera

SÃO PAULO – A sessão é mais uma vez de leve alta para o Ibovespa, mas com os investidores seguindo cautela antes da decisão de política monetária do Fomc e atentos aos desdobramentos do coronavírus.

Entre os maiores destaques de alta do índice, estão o Santander Brasil (SANB11) após o resultado do quarto trimestre de 2019 e para a WEG (WEGE3) com a elevação de recomendação pelo HSBC. Petrobras (PETR3;PETR4) e Vale (VALE3) também registram leve alta com a recuperação das commodities: o petróleo brent registra alta de cerca de 1%, a US$ 60,12 o barril, no segundo dia de ganhos após fortes perdas de 9% em cinco pregões, enquanto o minério de ferro 62% negociado em Qingdao avançou 1,1%, a US$ 85,60 a tonelada.

Já as maiores quedas são de ações que subiram forte na véspera, caso de Azul (AZUL4), que avançou mais de 8% com a notícia de subarrendamento de jatos da Embraer (EMBR3) e da Sabesp (SBSP3), que subiu mais de 4% após a fala de João Doria, governador de São Paulo, de que o governo estuda a privatização da estatal de saneamento uma vez aprovado o marco regulatório do setor.

Confira os destaques:

Santander Brasil (SANB11)

O Santander Brasil teve lucro líquido de R$ 3,748 bilhões no quarto trimestre deste ano,  alta de 3,9% frente aos três meses anteriores, quando o ganho havia ficado em R$ 3,608 bilhões. Já o lucro gerencial, que exclui fatores extraordinários, ficou em R$ 3,726 bilhões nos últimos três meses do ano passado, enquanto o lucro societário foi de R$ 4,75 bilhões no período.

No acumulado de 2019, o lucro líquido foi de R$ 14,181 bilhões, alta de 16,6% na comparação com 2018 (quando foi de R$ 12,166 bilhões). Já o lucro gerencial alcançou R$ 14,55 bilhões, 17,4% superior.

O  balanço patrimonial consolidado cresceu 6,4% em 2019 para R$ 857,5 bilhões. O passivo do banco, contudo, cresceu na mesma linha de 6,4% para R$ 785,7 bilhões. Os resultados de exercício futuros caíram de R$ 337 milhões para R$ 285,2 milhões, um recuo de 15,4%.

A carteira de crédito do Santander Brasil teve expansão de 15,3% para R$ 352 bilhões. Deste total, a parte pessoa física avançou 17,2%, de R$ 132,5 bilhões em 2018 para R$ 155,3 bilhões em 2019. A carteira de crédito para pessoas jurídicas cresceu 13% para R$ 138,3 bilhões.

O total da carteira ampliada foi de R$ 432,5 bilhões (incluindo outras operações financeiras), uma expansão de 11,8% sobre os R$ 386,7 bilhões do ano anterior; a provisão para créditos de liquidação duvidosa subiu 13,9%, de R$ 18,7 bilhões para R$ 21,4 bilhões em 2019. O total da carteira de crédito líquida avançou 11,7% no ano passado, de R$ 367,9 bilhões em 2018 para R$ 411,1 bilhões em 2019. A margem financeira gerencial foi de R$ 12,24 bilhões nos últimos três meses de 2019.

De acordo com o Morgan Stanley, os resultados operacionais do banco foram positivos no Brasil, também destacando a aceleração da carteira de crédito. Já entre os pontos negativos, os analistas do banco apontaram a manutenção das margens financeiras.

Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil comunicou à CVM, na noite de ontem, que fez três repasses à Cassi, seu fundo previdenciário, que superaram R$ 998 milhões. Os repasses ocorreram no dia 20 de janeiro e foram feitos em três transações no mesmo dia.

Na primeira, o BB repassou R$ 123,6 milhões à Cassi referentes à taxa de administração do Fundo em 2019; na segunda, o repasse foi de R$ 450 milhões. Esta soma foi a contribuição patronal do banco ao Fundo, cobrindo o ano inteiro de 2019. A terceira tranche, de R$ 450 milhões, refere-se a um acordo judicial que o BB fez com o chamado GDI – Grupo de Dependentes Indiretos – da Cassi. Esses são pessoas que até a reforma estatutária da Cassi, em 2007, tinham alguma cobertura do Fundo.

Petrobras (PETR3;PETR4)

Após realizar assembleias em sindicatos associados de todo País, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) definiu pela greve a partir do dia 1º de fevereiro (sábado). A Petrobras já foi comunicada. Na pauta de reivindicações está o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) e, segundo a federação, o descumprimento do acordo coletivo do trabalho. O conselho deliberativo da entidade se reúne às 9h para definir os detalhes da paralisação.

Já o  governo indicou Maria Cláudia Guimarães, ex-diretora do Merrill Lynch, para o conselho de administração da Petrobras. Caso aprovada, a executiva assumirá a vaga aberta após a saída de Clarissa Lins, que renunciou ao cargo para se dedicar à presidência do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

Ânima (ANIM3)

Ocorre hoje a precificação de oferta primária de pelo menos 22,5 mi de ações ON da Ânima após bookbuilding. A quantidade pode ser acrescida em até 35% por meio de lote adicional. Com base no preço de fechamento de 17 de janeiro, de R$ 33,36, oferta poderá movimentar até R$ 1,01 bilhão.

Cielo (CIEL3)

Após divulgar balanço abaixo do esperado, Cielo teve preço-alvo cortado pelo Morgan Stanley, de R$ 11 para R$ 9,5. Conforme destacou o banco em relatório,  custos e despesas da companhia estão crescendo em ritmo maior do que as receitas.

TIM (TIMP3) e Vivo (VIVT4)

A Superintendência do Cade aceitou a Claro como terceira parte em operação envolvendo Tim e Vivo. Segundo o órgão regulador, Claro pode ser afetada pela decisão que for tomada sobre a operação anunciada. Além disso, o Cade diz haver ausência de clareza em algumas questões levantadas pela Claro sobre a operação. A decisão envolve a implementação de dois contratos de cessão onerosa entre TIM e Vivo para compartilhamento de infraestrutura de rede móvel 2G, 3G e 4G, anunciados em julho.

Notre Dame (GNDI3) e Hapvida (HAPV3)

O Bradesco BBI aumentou os preços-alvo para as ações das empresas de planos de saúde Grupo Notre Dame Intermédica e Hapvida. Os dois papéis são avaliados pelo BBI com desempenho acima da média (outperform) e boas perspectivas, embora as do GNDI3 sejam melhores a curto prazo, e as da HAPV a longo prazo. O papel GNDI3 teve o preço-alvo aumentado em 16% para R$ 82,00, enquanto a ação HAPV3 teve um ajuste positivo de 12% para R$ 70,00.

Segundo o BBI, a perspectiva de curto prazo é melhor para a ação da Notre Dame porque a empresa atua na região Sudeste do Brasil, onde a recuperação econômica será mais rápida e isto deve se refletir no papel. Já a Hapvida atua na região Nordeste, onde a recuperação econômica será mais lenta. “Nós vemos o Nordeste com desafios macroeconômicos maiores por causa da sua dependência do setor público, que está atrás do privado na recuperação da economia”, avalia o BBI. A equipe de análise avalia que a GNDI3 mostrará um “forte resultado” do quarto trimestre de 2019.

Weg (WEGE3)

A Weg foi elevada de manutenção à compra pelo HSBC. Também em destaque, a companhia sente os impactos do coronavírus e orientou seus funcionários que viagens a China sejam feitas apenas depois de 8 de fevereiro, diz a Folha. As unidades da empresa no país estão paradas e a atividade será retomada apenas nessa data, seguindo a orientação das autoridades locais, segundo a reportagem.

Celpe 

A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) aprovou a captação de US$ 120 milhões (R$ 502,8 milhões) através de uma transação de “swap” e cessão fiduciária de swap, notas promissórias ou “qualquer outro instrumento que financie a companhia em melhores condições”. Segundo um comunicado da empresa à CVM, a operação deverá ser feita pelo Scotiabank.

B3 (B3SA)

A B3 S.A., empresa que controla a Bolsa de Valores de São Paulo, informou que a empresa americana Capital Research Global Investors comprou 103 milhões de ações ordinárias da companhia, que representam 5,01% do seu capital. A empresa de Los Angeles não se manifestou sobre a transação.

Unipar (UNIP3;UNIP6)

A Unipar Carbocloro informou que o Conselho de Administração da empresa elegeu o executivo Maurício Parolin Russomanno para o cargo de diretor-presidente da companhia. Aníbal do Vale, que presidiu a indústria química durante 25 anos, deixou o cargo.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)

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Taxas de títulos do Tesouro Direto recuam nesta quarta-feira

Dinheiro na mão

SÃO PAULO – As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto, programa que possibilita a compra e venda de papéis por investidores pessoas físicas por meio da internet, apresentam queda na manhã desta quarta-feira (29), em meio a um cenário um pouco mais calmo nos mercados globais.

As atenções do mercado seguem voltadas para as repercussões do surto de infecções por coronavírus iniciado na China, onde o governo informou que o número de pessoas infectadas ultrapassou seis mil, das quais 132 morreram.

Nos Estados Unidos, investidores aguardam a decisão do Federal Open Market Committee (Fomc), que será anunciada nesta tarde e vai definir o rumo dos juros no país. A expectativa é de que os dirigentes mantenham a taxa no intervalo de 1,50% a 1,75%. Ainda no radar, o presidente do Federal Reserve, o banco central americano, Jerome Powell, fala em coletiva de imprensa hoje às 16h15.

No Brasil, o Banco Central divulga o movimento de crédito em dezembro e em 2019, e acontece a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelo Ministério da Economia e pelo Banco Central do Brasil.

Leia também:
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Tesouro pretende lançar título prefixado com vencimento acima de 10 anos

No Tesouro Direto, o título indexado à inflação com vencimento em 2024 oferecia um prêmio anual de 2,30% nesta manhã, ante 2,34% ao ano na abertura de terça-feira (28). O investidor podia adquirir o título integralmente por R$ 59,55 ou aplicar uma quantia mínima de R$ 59,55 (recebendo uma rentabilidade proporcional à aplicação).

Os papéis com prazos em 2035 e 2045, por sua vez, pagavam a inflação mais uma taxa de 3,37% ao ano, ante 3,43% a.a. anteriormente.

Entre os títulos prefixados, as taxas também recuavam, caso do Tesouro Prefixado 2025, cujo retorno cedia de 6,26% para 6,17% ao ano. O mesmo acontecia com o Tesouro Prefixado com juros semestrais 2029, que pagava 6,58% ao ano, ante 6,68% a.a. na véspera.

Confira, a seguir, os preços e as taxas dos títulos disponíveis no Tesouro Direto:

Fonte: Tesouro Direto

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Baixo risco, liquidez e acessibilidade

O Tesouro Direto é considerado a opção de investimento com o menor risco no Brasil e com ampla acessibilidade, dado o investimento mínimo a partir de R$ 30. Outra vantagem do programa diz respeito à liquidez, com a possibilidade de recompra diária dos títulos públicos pelo Tesouro.

O investidor pode aplicar em títulos públicos diretamente pelo site do Tesouro, se cadastrando primeiro no portal e abrindo uma conta em uma corretora, como a Rico Investimentos, por exemplo, para intermediar as transações. Atualmente, a maior parte das instituições financeiras habilitadas a operar no programa não cobra taxa de administração.

O único custo obrigatório que recai sobre o investimento em títulos públicos pelo Tesouro Direto corresponde à taxa de custódia, de 0,25% ao ano sobre o valor dos títulos, cobrada semestralmente no início dos meses de janeiro e de julho.

Entenda tudo sobre Tesouro Direto neste guia completo:

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Heleno defende uso de militares no INSS e diz que prazo para resolver é outubro

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Augusto Heleno, disse que o prazo para o governo resolver o acúmulo de pedidos na fila de espera do INSS é outubro, “mas há possibilidade de antecipar se houver jato de impulsão na solução do problema”, segundo o ministro.

Em entrevista à rádio CBN na manhã desta quarta-feira, 29, Heleno defendeu que a decisão de utilizar militares da reserva para diminuir a fila e a saída do ex-secretário da Previdência, Renato Vieira, são amostras da preocupação do governo com a situação da seguridade social.

Sobre o uso de militares, Heleno ainda afirmou que não haverá maiores problemas em sua aplicação. “Há medidas burocráticas que podem ser facilmente aprendidas”, disse o ministro, que ponderou que chamar novos servidores públicos para atuar no INSS contraria a intenção do ministério da Economia de reduzir o número de concursados. Para ele, os funcionários públicos do INSS precisam de “estímulo à liderança para resolver o problema”.

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Economistas do Real questionam liberalismo de Bolsonaro e analisam resultados

Os economistas Gustavo Franco, Pérsio Arida e Armínio Fraga, em evento promovido pelo Credit Suisse

SÃO PAULO – A associação do presidente Jair Bolsonaro com a agenda liberal é um “casamento de conveniência”, mas pode ter sido mais tímida no primeiro ano de administração do que se prometia na campanha eleitoral. Este foi um dos temas do debate entre os economistas Gustavo Franco, Armínio Fraga e Pérsio Arida, ex-presidentes do Banco Central e personagens do Real, em evento promovido pelo Credit Suisse, na última terça-feira (28).

Primeiro a analisar o quadro, Franco, que presidiu o BC entre 1997 e 1999, adotou postura mais otimista em relação ao atual momento da economia brasileira, sobretudo no que diz respeito à recuperação da credibilidade junto a investidores globais.

Para ele, apesar de o atual governo ser fruto de um “casamento arranjado”, em função do histórico não liberal do presidente, os resultados têm sido positivos. “Não é amor sincero, mas funciona”, disse.

Já Arida, presidente do BC em 1995, disse que houve timidez nas medidas adotadas e propostas apresentadas neste primeiro ano de governo Bolsonaro. Na sua avaliação, a postura contrasta com a promessa liberal assumida durante as eleições, fruto de uma aproximação entre o atual presidente e Paulo Guedes, ministro da Economia.

Último a falar, Fraga, presidente do BC entre 1999 e 2003, concordou com o diagnóstico de seu colega e disse que, “apesar de o mercado estar superalegre, de a bolsa estar subindo, o investimento não está vindo ainda”.

Em sua exposição, ele tratou dos desafios ainda postos para a saúde fiscal do país, como a necessidade de uma reforma para o funcionalismo e uma redução de “subsídios indevidos” na economia.

Eis um resumo de cada análise:

Gustavo Franco
Há um momento diferente para a economia brasileira, observa o economista. Um dos sinais é a baixa taxa de juros, com marcas estruturais, em uma sinalização de melhora de perspectivas para investimentos no país. “A taxa de juros é menor de um jeito mais profundo, a curva do juro longo caiu”, afirmou.

Para ele, esta é uma demonstração de credibilidade, conquistada em função de sinalizações de engajamento em torno da saúde fiscal. Um efeito positivo deste movimento seria também a abertura de espaço para debates microeconômicos, antes sufocados pela hegemonia da macroeconomia.

Em sua exposição, Franco abordou três tópicos gerais: 1) o movimento de crowding-in na economia brasileira, com a redução da participação do Estado e maior ingresso de investimentos privados; 2) os efeitos da tecnologia sobre a economia, especialmente do ponto de vista monetário; 3) o governo Jair Bolsonaro.

Sobre o desempenho pessoal do presidente Jair Bolsonaro em temas econômicos, o economista vê a relação com o liberalismo, representado no governo pelo ministro Paulo Guedes, como um “casamento de conveniência”, sobretudo em função de um desconhecimento e desinteresse do presidente em especificidades do debate.

“Nada contra casamento arranjado. Funciona, sobretudo se tem alguém vigiando se as entregas ocorrem”, observou o economista. “Não dá para se queixar por ora. Estão funcionando. Um pouco precário, instável. Não é amor sincero, mas funciona”, ponderou.

Nas últimas eleições, o economista assessorou a campanha de João Amoêdo (Novo), que terminou na quinta colocação, com 2,7 milhões de votos (2,5% dos votos válidos).

Pérsio Arida
O economista era um dos grandes céticos quanto ao casamento de conveniências entre Bolsonaro e o liberalismo indicado na campanha eleitoral de 2018. Passado um ano de governo, a despeito de reconhecer conquistas como a própria aprovação da reforma previdenciária, Arida vê uma administração muito menos alinhada com os princípios liberais do que fora prometido.

“É um governo menos liberal na política econômica do que o discurso que ele vende. Podia falar de abertura comercial, mas não aconteceu praticamente nada. Podia falar de privatizações, mas tem sido uma decepção para quem acreditava que o Bolsonaro seria privatizante”, pontuou. Na última corrida presidencial, o economista assessorou a candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), que terminou a disputa com 4,76% dos votos.

Em sua exposição inicial no evento, Arida optou por concentrar-se em dois casos para ilustrar seu ponto. O primeiro refere-se ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

Embora o governo tenha trabalhado para reduzir o tamanho de ambos, o economista tratou as iniciativas como tímidas, que não provocaram uma discussão aprofundada sobre a essência dos fundos, que, em suas palavras, não precisariam mais existir.

“Dois fundos criados no passado dentro da ideia de que faltava crédito no país porque não havia poupança. Hoje não têm razão de ser”, opinou.

“Por que o governo não deu esses passos? É difícil entender. Não estou dizendo que o governo propôs coisas boas, ambiciosas, ao congresso e o congresso diluiu. Não estou falando de articulação política, porque isso não existe. As propostas enviadas já são tímidas em si”, avaliou. “São vacilações que contradizem o discurso do governo”.

Em outra provocação ao liberalismo do governo, Arida tratou da agenda de desestatizações. Apesar de o discurso oficial da atual administração ser otimista com os resultados até aqui alcançados, ele cobrou a venda de grandes controladoras como política efetiva de privatizações.

“Se contar como privatização a venda de subsidiária, é enganação. Não significa nada em relação a participação do estado na economia”, afirmou. Ele argumentou que a venda de subsidiárias das estatais apenas gera recursos para as controladoras e que apenas a venda de “grandes estatais” mudaria a natureza do estado brasileiro.

Durante a última campanha eleitoral, Persio Arida concedeu entrevista ao InfoMoney, na qual criticou a súbita transformação de Bolsonaro em um candidato defensor das pautas do liberalismo.

“As pessoas se enganam, acham que Bolsonaro estava andando na estrada de Damasco, teve uma iluminação divina, e se tornou liberal porque conversou com Paulo Guedes. Ledo engano. Bolsonaro é um engodo, ele é tão estatizante quanto a esquerda”, disse o economista na ocasião.

Armínio Fraga
O economista defendeu a necessidade de se dar continuidade à agenda de reformas, de modo a atacar a crise fiscal do país e incapacidade de o Estado em realizar investimentos — realidade persistente a despeito das iniciativas do governo e propostas aprovadas pelo Congresso, como a reforma previdenciária.

Para ele, “a casa ainda não está arrumada” e é preciso entender a diferença entre um crescimento sustentado de 4% ao ano e uma recuperação cíclica. Ele acredita que o caminho para uma reação mais robusta da economia passa por novos ajustes que ataquem despesas previdenciárias, gastos com o funcionalismo e subsídios excessivos.

“Dez pontos do PIB estão disponíveis com relativa facilidade”, disse. “Existe potencial para termos uma revolução em 5 a 10 anos. Estamos falando de muito dinheiro. Isso permite visões políticas e ideológicas diferentes”, argumentou.

O economista chegou a ser apontado por Aécio Neves (PSDB), na corrida presidencial de 2014, como seu possível Ministro da Fazenda, em caso de vitória do tucano contra Dilma Rousseff (PT), que acabou reeleita.

Para Franco, este é o caminho para atacar um dos principais desafios brasileiros: a expressiva desigualdade de oportunidades. “Acredito em uma rede de proteção social. Para isso, é preciso que haja um estado que funcione minimamente com regras. No caso do Brasil temos um estado gordo, quebrado, ineficiente. Apesar de ser grande, incapaz de produzir um grau mínimo de igualdade de oportunidades”.

Na avaliação do economista, tal realidade desigual “envenena” o debate político e, como um de seus efeitos colaterais, torna o país presa fácil de populismos.

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